1ª Geração
(2012 - 2015)
Ficha técnica, versões e história do Abarth 595.
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A história do Abarth 595 é um testemunho da persistência de uma filosofia de engenharia que prioriza a agilidade e a densidade de potência em detrimento do tamanho absoluto. Desde a sua apresentação original em 1963 até a sua forma moderna como um ícone da Stellantis, o modelo tem servido como a expressão máxima do conceito de "pocket rocket" (foguete de bolso). Este relatório detalha a trajetória completa do modelo, examinando suas raízes mecânicas, as transições tecnológicas entre gerações e as sutilezas de design que distinguem as variantes Hatchback e Cabrio ao longo de décadas de evolução.
A gênese do Abarth 595 remonta a setembro de 1963, quando Carlo Abarth revelou o modelo no Salão Automóvel de Turim. O veículo foi concebido sobre a base do Fiat 500 D, um modelo que já gozava de popularidade crescente desde 1961. A transformação operada pela Abarth foi profunda, não apenas na estética, mas no núcleo da motorização. A cilindrada foi aumentada para 593,7 cc, um ajuste que deu origem ao nome "595".
A engenharia aplicada por Carlo Abarth focou em componentes internos de alta performance. O motor recebeu novos cilindros de ferro fundido em peça única, pistões com topo elevado para aumentar a taxa de compressão e um comando de válvulas mais agressivo. A alimentação era garantida por um carburador vertical Solex, enquanto a lubrificação foi otimizada por um cárter de óleo sobredimensionado em alumínio, que se projetava para fora da parte traseira do carro para auxiliar na dissipação de calor. O resultado foi um aumento de 30% na potência original, atingindo 27 cv a 5.000 rpm e uma velocidade máxima de 120 km/h, números impressionantes para um veículo de seu porte e época.
Visualmente, o 595 clássico se distinguia pela grade dianteira perfurada ao estilo do 850TC e pela inscrição metálica "Fiat Abarth 595". Um elemento que se tornaria lendário foi o escape "Record Monza" de saída dupla, que conferia ao carro uma sonoridade agressiva e inconfundível. O sucesso comercial foi impulsionado por uma tática de marketing audaciosa: a oferta de test-drives gratuitos durante o Salão de Turim, o que gerou um fluxo massivo de interessados e estabeleceu a Abarth como a marca de performance para as massas.
Tabela 1: Especificações Técnicas do Abarth 595 Clássico
| Componente | Especificação (1963) | Impacto na Performance |
|---|---|---|
| Cilindrada | 593,7 cc | Base para o aumento de torque e potência |
| Potência | 27 cv @ 5.000 rpm | Aumento de 30% sobre o Fiat 500 D |
| Velocidade Máxima | 120 km/h | Superioridade em sua classe de cilindrada |
| Sistema de Escape | Record Monza (Dupla saída) | Melhor fluxo de gases e sonoridade distinta |
| Refrigeração | Cárter de alumínio ampliado | Redução da temperatura do óleo em regimes altos |
Após anos de foco em kits de preparação e edições limitadas, a marca Abarth foi refundada em 2007 como uma unidade independente dentro do Grupo Fiat. O relançamento oficial do modelo baseado no novo Fiat 500 ocorreu em 2008. Inicialmente batizado apenas como Abarth 500, o carro apresentava o motor 1.4 Turbo T-Jet, que se tornaria o padrão de ouro para a marca nas décadas seguintes.
A nomenclatura "595" foi reintroduzida em 2012 para designar versões que recebiam um tratamento de performance superior em relação ao modelo base. Nesta fase, a Abarth estruturou a gama para atender a diferentes perfis de clientes: o 595 Turismo, focado em elegância e conforto para viagens rápidas, e o 595 Competizione, voltado para uma experiência mais crua e próxima das pistas. Ambas as versões utilizavam inicialmente turbinas IHI RHF3-P, calibradas para fornecer torque imediato em baixas rotações, resultando em cerca de 160 cv de potência.
A arquitetura do motor 1.4 T-Jet de 1368 cc revelou-se extremamente robusta. Equipado com 16 válvulas e injeção eletrônica sequencial, o propulsor oferecia uma base sólida para evoluções graduais. O diferencial dessas primeiras séries modernas era o equilíbrio entre usabilidade diária e a capacidade de aceleração, característica que permitiu à Abarth capturar uma fatia de mercado de entusiastas que desejavam um carro pequeno com comportamento de esportivo legítimo.
Em 2016, a linha Abarth 595 passou por sua renovação mais profunda, conhecida como Série 4. Esta atualização marcou o fim oficial da designação "Abarth 500", com todos os modelos passando a ostentar o emblema 595. O facelift trouxe melhorias estéticas inspiradas na renovação do Fiat 500, mas com um foco técnico muito mais agressivo.
O novo para-choque dianteiro foi redesenhado com uma entrada de ar significativamente maior, o que otimizou a gestão de calor no compartimento do motor e aumentou a capacidade de refrigeração em 18%. Os grupos ópticos foram atualizados para incluir faróis poli-elípticos e luzes de condução diurna (DRL) em LED como item de série em toda a gama. No interior, a maior mudança foi a introdução do sistema de infoentretenimento Uconnect com tela de 5 ou 7 polegadas, trazendo conectividade moderna como Apple CarPlay e Android Auto.
Mecanicamente, a Série 4 reorganizou as motorizações. O modelo de entrada passou a oferecer 145 cv, enquanto a versão Turismo subiu para 165 cv e a Competizione manteve-se no topo com 180 cv. Uma das evoluções mais importantes foi a adoção generalizada da turbina Garrett GT 1446 nas versões mais potentes, substituindo a IHI em favor de uma maior capacidade de sustentação de pressão em altas rotações. O quadro abaixo detalha a estrutura da gama após o facelift de 2016.
Tabela 2: Estrutura da Gama Abarth 595 (Série 4)
| Versão | Motorização | Turbocompressor | Potência | Foco Principal |
|---|---|---|---|---|
| 595 (Base) | 1.4 T-Jet | IHI RHF3-P | 145 cv | Acessibilidade e agilidade urbana |
| 595 Pista | 1.4 T-Jet | IHI RHF3-P | 160 cv | Conectividade e telemetria para jovens |
| 595 Turismo | 1.4 T-Jet | Garrett GT 1446 | 165 cv | Estilo GT e sofisticação interna |
| 595 Competizione | 1.4 T-Jet | Garrett GT 1446 | 180 cv | Performance máxima e uso em pista |
| 595 Esseesse | 1.4 T-Jet | Garrett GT 1446 | 180 cv | Tradição histórica e componentes premium |
A escolha entre as carrocerias Hatchback e Cabriolet envolve nuances técnicas que vão além da estética. O Abarth 595C (Cabrio) não é um conversível total no sentido tradicional, mas sim um modelo que utiliza um teto de tecido retrátil eletricamente que se desloca entre os arcos fixos do teto. Essa configuração permite que o carro mantenha uma rigidez estrutural superior à de conversíveis sem colunas, mas introduz diferenças dinâmicas importantes.
Em termos de peso, a variante Cabriolet é aproximadamente 40 a 55 kg mais pesada que o Hatchback, dependendo da configuração de equipamentos. Esse peso adicional localiza-se principalmente na parte superior traseira, devido ao mecanismo do teto e aos reforços estruturais necessários, o que altera ligeiramente o centro de gravidade do veículo. Dinamicamente, embora a Abarth tenha trabalhado para que as diferenças fossem mínimas, especialistas notam que o Hatchback oferece uma sensação de "solidez" superior em curvas de alta velocidade e sobre superfícies irregulares.
Praticamente, o Cabriolet apresenta limitações no porta-malas. Embora a capacidade nominal de 185 litros seja idêntica à do Hatchback, a abertura do compartimento no 595C é significativamente menor, consistindo em uma tampa basculante que limita a entrada de objetos volumosos. Além disso, com o teto totalmente recolhido, a visibilidade traseira é severamente comprometida, e o acesso ao porta-malas exige que o sistema eletrônico desloque o teto ligeiramente para cima. No entanto, a recompensa é sonora: com o teto aberto, os ocupantes têm acesso direto ao "rugido" do sistema de escape, uma característica central da experiência Abarth.
Tabela 3: Diferenças Técnicas entre Hatchback e Cabrio (180 cv)
| Parâmetro | 595 Hatchback | 595C (Cabriolet) | Observação |
|---|---|---|---|
| Peso (EU) | 1.110 kg | 1.165 kg | Peso em ordem de marcha com condutor |
| Rigidez Torcional | Alta (Teto fixo) | Moderada/Alta (Arcos fixos) | Hatchback é preferível para pista |
| Aerodinâmica (Cd) | 0,33 | 0,35 | Cabriolet gera mais arrasto com teto aberto |
| Som da Exaustão | Abafado (Isolamento) | Visceral (Teto aberto) | Experiência auditiva superior no Cabrio |
| Acesso ao Porta-malas | Amplo (Tampa total) | Restrito (Tampa parcial) | Volume é igual, mas boca de carga difere |
A evolução do Abarth 595 não se limitou apenas ao aumento de potência, mas à integração de tecnologias de chassis que transformaram um carro urbano em um instrumento de precisão. Dois pilares sustentam essa transformação: a suspensão e os sistemas de frenagem.
A introdução dos amortecedores Koni com tecnologia FSD (Frequency Selective Damping) foi um marco para a marca. Diferente de sistemas eletrônicos caros, o FSD utiliza uma válvula hidráulica mecânica que abre ou fecha dependendo da frequência das oscilações. Em superfícies irregulares (alta frequência), a válvula permite um fluxo maior de óleo, tornando a suspensão mais complacente e confortável. Em curvas de alta velocidade (baixa frequência), a válvula restringe o fluxo, aumentando a firmeza e o controle da carroceria. Nas versões Competizione e Esseesse, este sistema é aplicado em ambos os eixos, enquanto na versão Turismo é comum encontrá-lo apenas no eixo traseiro.
Para parar o veículo de forma consistente, a Abarth equipou as versões de 180 cv com sistemas Brembo de alta performance. Estes consistem em pinças fixas de alumínio com quatro pistões e discos ventilados e perfurados de 305 mm na dianteira. A perfuração dos discos não é apenas estética; ela ajuda a dissipar o calor e a limpar os gases gerados pela fricção das pastilhas, prevenindo o fenômeno de "fading" durante o uso intenso em circuitos. Além disso, o diferencial autoblocante mecânico (Abarth D.A.M.), disponível nas versões mais extremas, permite que a potência seja distribuída de forma eficiente entre as rodas dianteiras em curvas fechadas, minimizando a subesterço e permitindo acelerações mais precoces.
O motor 1.4 T-Jet passou por diversas calibrações para atender às normas de emissões e às demandas de performance. A transição da turbina IHI para a Garrett GT 1446 é o ponto técnico mais discutido entre entusiastas. Enquanto a IHI entrega torque máximo por volta de 2.000 rpm, a Garrett exige cerca de 2.500 rpm para atingir sua pressão máxima, mas oferece um fôlego muito superior até o limite de rotações, permitindo que a Competizione mantenha sua curva de potência de forma mais linear.
Quanto à transmissão, a Abarth manteve uma abordagem tradicional e uma automatizada. A caixa manual de cinco marchas é elogiada pela sua robustez e pelo posicionamento elevado da alavanca, que facilita trocas rápidas. Como alternativa, o câmbio robotizado sequencial (MTA) oferece a conveniência de trocas automáticas ou manuais via borboletas no volante. Embora o MTA seja mais pesado e apresente interrupções de torque mais perceptíveis que uma caixa de dupla embreagem moderna, ele é valorizado por sua simplicidade mecânica e pela redução de tempo de aceleração de 0 a 100 km/h em certas condições, apesar de oficialmente ser ligeiramente mais lento que o manual (6,7s vs 6,9s na versão de 180 cv).
Tabela 4: Comparativo de Transmissões (Série 4)
| Característica | Manual (5MT) | Robotizada (MTA/5AT) | Observação |
|---|---|---|---|
| Velocidades | 5 Marchas | 5 Marchas | Ambos focados em relações curtas |
| Acionamento | Alavanca no painel | Botões e Borboletas | Posição da alavanca é ergonômica |
| Peso | Mais Leve | ~15-20 kg Adicionais | Impacta a distribuição de peso frontal |
| 0-100 km/h (180 cv) | 6,7 segundos | 6,9 segundos | Manual é superior em arrancadas puras |
| Consumo Médio | ~6,3 L/100 km | ~6,8 L/100 km | Manual é marginalmente mais eficiente |
A experiência a bordo do Abarth 595 foi transformada pela tecnologia digital. Até 2014, o modelo utilizava um painel analógico concêntrico que muitos consideravam difícil de ler. Com a introdução do painel TFT de 7 polegadas, desenvolvido pela Magneti Marelli, o motorista passou a ter acesso a uma gama muito maior de informações.
Este painel digital integra o velocímetro, conta-giros, nível de combustível e temperatura da água em uma interface colorida e configurável. No modo "Sport", a tela muda para uma tonalidade avermelhada e o gráfico central passa a exibir o medidor de força G (G-meter), incentivando uma condução mais dinâmica. Além disso, o medidor de pressão do turbo (manômetro) é uma peça física separada montada no topo do painel, mantendo a conexão visual com os carros de corrida do passado.
O sistema Uconnect, introduzido no facelift de 2016, trouxe a modernidade necessária para o uso diário. A versão de 7 polegadas HD inclui rádio DAB, navegação TomTom e, crucialmente, a "Abarth Telemetry". Este aplicativo nativo permite carregar mapas de autódromos famosos; o GPS reconhece a posição do carro na pista e cronometra os tempos de volta automaticamente, exibindo conselhos de pilotagem para melhorar o desempenho.
O Abarth 595 provou ser um sucesso financeiro e de imagem para a FCA (agora Stellantis). Embora baseado em um design que data de 2007, o modelo continuou a quebrar recordes de vendas até o final da década de 2010. O ano de 2018 foi o ápice, com 23.500 unidades vendidas na Europa, um salto de 36,5% em comparação ao ano anterior.
Este sucesso é atribuído à estratégia de "micro-segmentação" da Abarth. Ao lançar constantemente edições limitadas e kits de atualização, a marca manteve o modelo fresco e desejável para colecionadores. O mercado do Reino Unido emergiu como o maior para a marca, superando até mesmo a Itália em certos períodos, com entusiastas britânicos sendo particularmente atraídos pela combinação de performance italiana e facilidade de estacionamento em cidades densas.
No entanto, a transição para a eletrificação trouxe um declínio acentuado nos números dos modelos a combustão. Em 2025, os dados mostram que apenas uma pequena fração de modelos térmicos ainda é registrada, consistindo principalmente de estoques finais. A produção total da família 500 (incl কমপক্ষেindo Fiat e Abarth) ultrapassou os 2,5 milhões de unidades em 2021, consolidando-o como um dos modelos mais importantes produzidos na fábrica de Tychy, na Polônia.
Tabela 5: Evolução das Vendas Anuais (Europa)
| Ano | Vendas Aproximadas (Abarth) | Observação |
|---|---|---|
| 2012 | 8.000 unidades | Consolidação do nome 595 |
| 2015 | 13.000 unidades | Pré-facelift da Série 4 |
| 2018 | 27.000 unidades | Recorde histórico de vendas globais |
| 2022 | 12.800 unidades | Início da transição elétrica |
| 2025 (1º Sem) | 154 unidades | Fim da linha para modelos térmicos |
A Abarth utilizou aniversários marcos para lançar as versões mais desejadas do 595. O "70th Anniversary", lançado em 2019, é um exemplo significativo. Todos os carros produzidos naquele ano receberam um emblema especial comemorativo. A versão Competizione de 70 anos veio equipada com bancos Sabelt bordados com o logo do aniversário e o sistema de telemetria como padrão.
A reintrodução da marca "Esseesse" em 2019 também serviu como um tributo ao kit de preparação original dos anos 60. O novo 595 Esseesse posicionou-se no topo da hierarquia, trazendo de série itens que antes eram opcionais ou exclusivos de edições limitadas, como o sistema de escape Akrapovič com ponteiras de carbono e o filtro de ar de alto fluxo da BMC.
Outra variante notável foi o 595 Pista, que focava em um equilíbrio de custo-benefício para motoristas mais jovens. Ele trazia a turbina IHI com 160 cv, mas incluía de série a suspensão traseira Koni FSD e o escape Record Monza, itens que normalmente exigiriam o salto para as versões mais caras. Essas edições permitiram que a marca cobrisse todas as faixas de preço dentro do nicho de hot hatches compactos.
O Abarth 595, em suas formas Hatch e Cabrio, representa o auge do desenvolvimento de carros compactos de performance baseados em combustão interna. A capacidade da marca de evoluir uma plataforma de 2007 por quase duas décadas, mantendo o interesse do público e a competitividade mecânica, é um fenômeno raro na indústria moderna.
Desde o motor 1.4 T-Jet resiliente até os sistemas de suspensão Koni e freios Brembo, o 595 foi construído com componentes de alta qualidade que justificavam seu preço premium em relação ao Fiat 500 comum. O modelo deixará de ser produzido para dar lugar ao novo Abarth 500e totalmente elétrico, mas seu legado como o "pequeno diabólico" que democratizou a telemetria e a performance de pista em um pacote de menos de quatro metros está assegurado na história automotiva. O Abarth 595 não foi apenas um carro, mas uma ferramenta de celebração da engenharia mecânica italiana, provando que a emoção ao dirigir não depende do tamanho do veículo, mas da alma colocada em seu desenvolvimento.
Imagens do Abarth 595