1ª Geração
(1997-)
Ficha técnica, versões e história do Acura CL.
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(1997-)
(1998 - 1999)
(2001 - 2002)
(2003-)
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A história do Acura CL representa um dos marcos mais significativos na trajetória da Honda no mercado norte-americano, simbolizando o momento em que a divisão de luxo da marca japonesa decidiu fincar raízes profundas no solo dos Estados Unidos. Lançado em meados da década de 1990, o CL não foi apenas mais um modelo na linha da Acura; ele foi o pioneiro de uma nova era, sendo o primeiro veículo da marca a ser projetado, desenvolvido e fabricado inteiramente em território estadunidense, mais especificamente em Ohio. Este movimento estratégico não visava apenas reduzir custos de importação ou escapar de flutuações cambiais, mas sim criar um produto que ressoasse perfeitamente com os gostos e necessidades do consumidor de luxo americano, que buscava um cupê pessoal de médio porte que unisse a confiabilidade japonesa ao conforto e estilo exigidos no Novo Mundo.
A jornada do Acura CL é dividida em duas gerações distintas, cada uma refletindo as mudanças nas prioridades da indústria automotiva e as evoluções tecnológicas da Honda. Da sua apresentação inicial como um conceito arrojado em Detroit até a sua consagração como um dos cupês de tração dianteira mais potentes de sua época, o CL trilhou um caminho de inovação mecânica e refinamento estético. Ao longo de sua existência, o modelo passou por facelifts cruciais, atualizações de motorização que elevaram seu desempenho de forma notável e enfrentou desafios de engenharia que moldaram a reputação da marca nos anos seguintes.
A fundação do que viria a ser o Acura CL foi estabelecida no North American International Auto Show de 1995, em Detroit. Naquela ocasião, a Acura apresentou o CL-X, um veículo conceito que serviu como um laboratório de design e uma declaração de intenções para o futuro da marca. Projetado no estúdio de Pesquisa e Desenvolvimento da Honda North America em Los Angeles, o CL-X rompeu com as linhas conservadoras e retilíneas que dominavam os sedãs da marca na década anterior. O design adotado ficou conhecido como "bio-design", uma tendência da época que privilegiava formas orgânicas, curvas fluidas e superfícies que pareciam esculpidas pelo vento.
O conceito CL-X não era apenas um exercício estético; ele carregava especificações técnicas que indicavam a seriedade da Honda em relação à performance. Com uma distância entre eixos de aproximadamente 271,5 cm e uma largura de via generosa, o protótipo prometia uma estabilidade que o colocaria em pé de igualdade com os rivais europeus. Mais do que isso, o CL-X foi o prelúdio de uma mudança radical na identidade da Acura. Até então, os modelos da marca ostentavam nomes evocativos como Legend e Vigor. O lançamento do CL marcou a transição para nomes alfanuméricos, uma tentativa de alinhar a Acura com o padrão global de marcas de luxo, garantindo que o foco do consumidor estivesse na marca "Acura" e não apenas em um modelo individual.
A produção do Acura CL começou oficialmente em fevereiro de 1996, com o modelo chegando às concessionárias como ano-modelo 1997. Este lançamento foi um evento histórico, pois o CL saiu da linha de montagem de East Liberty, Ohio, compartilhando o espaço com o Honda Civic, o que demonstrava a flexibilidade e a capacidade técnica das instalações da Honda nos Estados Unidos. Baseado em uma plataforma derivada do Honda Accord, o CL foi posicionado como um sucessor espiritual do Acura Legend Coupe, embora com uma proposta de valor mais acessível e uma pegada de mercado mais ampla.
A primeira geração, identificada pelo código de chassi YA1, apresentava uma carroceria de cupê de duas portas com capacidade para quatro passageiros. O design exterior era caracterizado por um capô longo e esculpido e uma traseira curta, com uma linha de cintura distintiva que subia em direção à coluna C antes de descer suavemente para as lanternas traseiras triangulares. Um detalhe técnico importante era o uso de painéis de carroceria galvanizados, uma medida preventiva essencial para garantir a durabilidade e evitar a corrosão em regiões com climas rigorosos.
Internamente, o CL oferecia um ambiente que priorizava o conforto pessoal. O painel de instrumentos era voltado para o motorista, com materiais de alta qualidade e uma montagem que seguia os rigorosos padrões de precisão da Honda. Apesar de ser um cupê, a engenharia da Acura conseguiu extrair um espaço interno surpreendente, permitindo que dois adultos viajassem com relativo conforto nos assentos traseiros, algo que nem sempre era comum em seus competidores diretos.
No seu ano de estreia, o Acura CL foi oferecido com duas opções de motorização que atendiam a diferentes perfis de consumidores. O modelo de entrada, o 2.2CL, utilizava o motor F22B1 de quatro cilindros, enquanto o topo de linha 3.0CL apresentava o estreante motor V6 da série J.
| Especificações do Motor (1997) | 2.2CL (I4) | 3.0CL (V6) |
|---|---|---|
| Tipo de Motor | 2.2L SOHC 16V VTEC | 3.0L SOHC 24V VTEC |
| Código do Motor | F22B1 | J30A1 |
| Potência Máxima | 145 hp @ 5.500 rpm | 200 hp @ 5.500 rpm |
| Torque Máximo | 147 lb-ft @ 4.500 rpm | 195 lb-ft @ 4.700 rpm |
| Taxa de Compressão | 8.8:1 | 9.4:1 |
| Diâmetro x Curso | 85,0 mm x 95,0 mm | 86,0 mm x 86,0 mm |
| Alimentação | PGM-FI | PGM-FI |
O motor J30A1 do 3.0CL foi uma das grandes estrelas tecnológicas da época. Com uma configuração V6 a 60 graus, ele era notavelmente compacto e leve devido à sua construção totalmente em alumínio. Este motor utilizava a famosa tecnologia VTEC (Variable Valve Timing and Lift Electronic Control) da Honda, que permitia ao veículo ter um comportamento dócil e eficiente em baixas rotações, mas entregava uma performance vigorosa e um som de motor característico quando o motorista exigia mais potência.
Quanto às transmissões, o 2.2CL podia ser equipado com uma caixa manual de 5 marchas ou uma automática de 4 marchas com controle eletrônico. Já o 3.0CL era oferecido exclusivamente com a transmissão automática de 4 marchas, que incluía o sistema Grade Logic Control para evitar a "caça de marchas" em subidas ou descidas acentuadas, melhorando o conforto e a durabilidade do conjunto.
Em 1998, a Acura realizou a primeira grande atualização no modelo para manter sua competitividade. A mudança mais significativa ocorreu no modelo de quatro cilindros: o motor de 2,2 litros foi substituído por uma unidade de 2,3 litros (F23A1), o que resultou na mudança de nome para 2.3CL. Este novo motor elevou a potência para 150 hp e o torque para 152 lb-ft, proporcionando uma aceleração mais ágil e uma melhor resposta em ultrapassagens.
Visualmente, o facelift de 1998 trouxe mudanças sutis, mas eficazes. A grade frontal foi redesenhada, ganhando um aspecto mais moderno. Além disso, itens que antes eram opcionais passaram a ser integrados de forma mais harmoniosa, como as saias laterais e os para-choques que agora eram inteiramente pintados na cor da carroceria, eliminando as partes em plástico preto que davam um aspecto menos refinado aos modelos iniciais. No interior, o CL recebeu controles de áudio montados no volante e um console central com acabamento em madeira simulada, elevando a percepção de luxo. O sistema Homelink, que permitia programar o controle de portões de garagem diretamente no carro, tornou-se padrão no 3.0CL e opcional no 2.3CL.
No último ano da primeira geração, a Acura focou em simplificar a linha e oferecer o máximo de valor aos clientes. O nível de acabamento "Premium", que antes era um pacote opcional, foi descontinuado, e seus principais recursos tornaram-se padrão em todos os modelos CL. Isso significava que todo Acura CL de 1999 saía de fábrica com estofamento em couro e uma lista completa de conveniências. O 3.0CL de 1999 também recebeu um novo design de rodas de liga leve de múltiplos raios com acabamento usinado, diferenciando-o visualmente dos anos anteriores, que utilizaram designs de cinco e sete raios em 1997 e 1998, respectivamente.
Um fato curioso na história do CL é que não existiu um modelo oficial para o ano de 2000. Enquanto o seu irmão de plataforma, o Acura TL, foi completamente redesenhado para 1999, o CL original continuou em produção até o final daquele ano. A Acura decidiu pausar a produção do cupê durante o ano de 2000 para finalizar o desenvolvimento de uma nova geração que seria muito mais potente e tecnologicamente avançada, visando elevar o status do modelo no mercado de luxo. Esta pausa estratégica permitiu que a marca concentrasse seus esforços de marketing no lançamento do novo TL e preparasse o terreno para o retorno triunfal do CL em março de 2000, já como modelo-ano 2001.
A segunda geração do Acura CL chegou com uma proposta clara: ser um cupê de performance de luxo capaz de enfrentar as marcas europeias em seu próprio jogo. Agora fabricado na planta de Marysville, Ohio, ao lado do TL e do Honda Accord, o novo CL apresentava dimensões maiores, um chassi muito mais rígido e, crucialmente, abandonou os motores de quatro cilindros em favor de unidades V6 de alta performance.
O novo design, sob o código YA4, era mais agressivo e aerodinâmico. Os faróis eram maiores e mais integrados à linha da frente, os para-choques eram mais profundos e a silhueta do carro apresentava vidros laterais sem moldura, reforçando o aspecto de cupê esportivo de luxo. A estrutura do veículo foi reforçada em pontos críticos para melhorar a precisão do manuseio e reduzir a intrusão de ruídos e vibrações na cabine, criando um ambiente de condução muito mais refinado do que a geração anterior.
A suspensão continuava a ser do tipo duplo braço oscilante (double-wishbone) em todas as rodas, uma marca registrada da engenharia da Honda na época, que proporcionava um equilíbrio excepcional entre conforto de rodagem e controle dinâmico. No entanto, para a segunda geração, as taxas de mola e o amortecimento foram revisados para oferecer uma experiência mais esportiva.
A motorização foi o ponto onde a Acura mais investiu. Todos os modelos agora eram equipados com o motor V6 de 3,2 litros SOHC VTEC. O modelo padrão, o 3.2CL, entregava 225 hp e 216 lb-ft de torque, o que já era um salto considerável em relação aos 200 hp da geração anterior. Mas o verdadeiro destaque foi a introdução do Acura CL Type-S, a edição esportiva que denotava o compromisso da marca com a performance pura.
| Atributos Técnicos | 3.2CL (Padrão) | 3.2CL Type-S |
|---|---|---|
| Potência Máxima | 225 hp @ 5.600 rpm | 260 hp @ 6.100 rpm |
| Torque Máximo | 216 lb-ft @ 4.700 rpm | 232 lb-ft @ 3.500-5.500 rpm |
| Redline (Corte de Giro) | 6.300 rpm | 6.900 rpm |
| Taxa de Compressão | 9.8:1 | 10.5:1 |
| Indução de Ar | Estágio Único | Estágio Duplo de Alto Fluxo |
| Transmissão (2001-2002) | Automática 5-marchas | Automática 5-marchas |
O Type-S apresentava uma série de melhorias mecânicas internas, incluindo um sistema de indução de dois estágios e um escapamento de alto fluxo que permitiam ao motor "respirar" melhor em altas rotações. No momento do seu lançamento, com 260 hp, o CL Type-S detinha o título de veículo de tração dianteira mais potente já fabricado pela Honda, superando até mesmo variantes de performance de outros mercados. Para lidar com esse poder extra, o Type-S vinha com rodas de 17 polegadas, pneus de perfil mais baixo, uma suspensão com ajuste específico e freios a disco maiores em todas as rodas.
O habitáculo da segunda geração era uma vitrine tecnológica. Além do estofamento em couro de série, o carro oferecia um sistema de navegação baseado em DVD opcional, que na época era uma tecnologia de ponta, permitindo armazenar mapas de todos os Estados Unidos continentais em um único disco. O conforto era garantido pelo controle de clima automático e assentos dianteiros com múltiplos ajustes elétricos e memória para o motorista.
A segurança também foi elevada com a inclusão de airbags laterais de série que utilizavam sensores de posição dos ocupantes para evitar a deflação se alguém estivesse inclinado contra a porta. O sistema VSA (Vehicle Stability Assist) foi introduzido como padrão no Type-S, integrando o controle de tração e o controle de estabilidade para ajudar o motorista a manter a trajetória em condições de baixa aderência.
O ano de 2003 marcou o auge técnico e estético do Acura CL, trazendo mudanças que corrigiram as poucas críticas dos modelos 2001 e 2002 e adicionaram a opção mais desejada pelos puristas.
A Acura ouviu os seus clientes e aplicou uma série de melhorias visuais e funcionais. O facelift incluiu uma grade frontal com moldura na cor da carroceria, substituindo o cromo que alguns consideravam excessivo. Os faróis receberam um acabamento interno escurecido (blacked-out), dando ao carro um olhar mais agressivo e focado. Na traseira, as lentes das lanternas foram revisadas para incluir uma porção superior clara para os sinais de direção e as luzes de ré, e as ponteiras de escapamento tornaram-se maiores e mais proeminentes.
As maçanetas das portas também passaram a ser pintadas na cor do veículo e os espelhos retrovisores externos foram redesenhados para uma forma mais quadrada e aerodinâmica. Esta mudança nos espelhos não foi apenas estética; a nova forma ajudou a reduzir o ruído do vento que alguns proprietários haviam relatado nos modelos anteriores. No interior, os modelos com acabamento preto receberam detalhes em tom titânio no console e nas portas, substituindo a madeira simulada por um visual mais técnico e moderno.
A maior novidade de 2003 foi, sem dúvida, a introdução de uma transmissão manual de 6 marchas de relação curta para o CL Type-S. Atendendo aos apelos dos entusiastas que sentiam falta de uma conexão mais direta com o potente motor de 260 hp, a Acura desenvolveu uma caixa manual compacta e leve que transformou o caráter do carro.
Este modelo manual não era apenas uma troca de câmbio; ele vinha com um diferencial de deslizamento limitado helicoidal (LSD), que era fundamental para gerenciar a potência nas rodas dianteiras e minimizar o esterçamento por torque (torque steer) em acelerações fortes. Devido à natureza purista e mecânica desta versão, os sistemas eletrônicos VSA e TCS não estavam presentes nos modelos manuais, e o sistema de freios ABS utilizava uma configuração de 3 canais em vez de 4. O carro também era cerca de 27 kg mais leve que a versão automática, o que, somado à transmissão manual, o tornava quase meio segundo mais rápido na prova de 0 a 100 km/h.
| Dados da Transmissão Manual (2003) | Unidades Produzidas (EUA) |
|---|---|
| Type-S Manual Sem Navegação | 2.690 |
| Type-S Manual Com Navegação | 824 |
| Total de Manuais Produzidos | 3.514 |
Além das unidades vendidas nos Estados Unidos, outras 331 unidades foram fabricadas para o mercado canadense, elevando o total global desta raríssima configuração para menos de 4.000 exemplares. Críticos da época chegaram a chamar o CL Type-S manual de "o ponto alto da performance da Acura fora do NSX e do Integra Type-R", destacando a precisão dos engates curtos e a resposta imediata do motor VTEC.
A história comercial do Acura CL é um reflexo das flutuações do mercado de luxo e da mudança de preferência dos consumidores norte-americanos no início do século XXI. Embora tenha tido anos de vendas sólidas, o modelo acabou sofrendo com a concorrência de sedãs cada vez mais esportivos e a ascensão meteórica dos SUVs de luxo.
Abaixo estão os números de vendas anuais do Acura CL no mercado americano, que mostram o seu impacto inicial e o declínio gradual até a sua descontinuação.
| Ano Calendário | Unidades Vendidas |
|---|---|
| 1996 | 16.740 |
| 1997 | 28.939 |
| 1998 | 26.644 |
| 1999 | 20.968 |
| 2000 | 24.677 |
| 2001 | 18.993 |
| 2002 | 12.072 |
| 2003 | 6.593 |
| 2004 | 283 (Estoque remanescente) |
O total de vendas da segunda geração entre 2000 e 2003 foi de aproximadamente 31.000 unidades, um número modesto se comparado ao sucesso estrondoso do Acura TL, que na mesma época se tornava o sedan de luxo mais vendido em sua categoria. Esta canibalização interna foi um dos principais motivos para que a Acura decidisse não renovar o cupê após 2003. O consumidor médio de luxo estava migrando para veículos de quatro portas que oferecessem a mesma performance, mas com muito mais praticidade.
Apesar de ser um veículo elogiado pela sua performance e luxo, a segunda geração do Acura CL enfrentou problemas de engenharia significativos que afetaram a sua reputação a longo prazo e geraram custos consideráveis para a Honda.
O desafio mais notório foi a durabilidade da transmissão automática de 5 marchas instalada nos modelos 2001, 2002 e em parte dos 2003. Muitos proprietários relataram falhas prematuras, onde a transmissão apresentava trocas de marcha violentas, patinação ou o acendimento das luzes de advertência "Check Engine" e "D4" piscando no painel.
A causa técnica foi identificada como o desgaste excessivo dos discos de embreagem da terceira marcha. Quando esses discos se desgastavam, geravam partículas metálicas que entupiam as passagens de fluido e os filtros internos da transmissão, levando a uma perda de pressão hidráulica e ao superaquecimento do conjunto. Em alguns cenários graves, o superaquecimento poderia causar o travamento de engrenagens, levando o veículo a uma parada súbita e perigosa.
Em resposta, a Honda/Acura emitiu recalls e estendeu a garantia das transmissões para 93 meses ou 109.000 milhas (aproximadamente 175.000 km). Os reparos frequentemente envolviam a instalação de um kit de lubrificação externa para resfriar a engrenagem da segunda marcha ou a substituição completa da unidade de transmissão por uma versão revisada que, teoricamente, teria corrigido as falhas de fluxo de óleo.
Anos após o fim de sua produção, o Acura CL foi novamente notícia devido ao recall global massivo dos infladores de airbag fabricados pela empresa Takata. Os infladores das unidades 2001–2003 foram identificados como tendo um defeito de fabricação onde a exposição prolongada à umidade e calor poderia degradar o propelente interno. Em caso de colisão e disparo do airbag, o inflador poderia romper com força excessiva, lançando estilhaços metálicos contra o motorista e passageiros. Em 2023, a Acura chegou a emitir um alerta urgente de "Não Dirija" para os modelos CL que ainda não haviam realizado a troca gratuita desse componente crítico, sublinhando a gravidade do risco.
A produção do Acura CL foi encerrada definitivamente em 2003. O encerramento não foi uma surpresa completa para os analistas da indústria, dado o cenário de queda nas vendas de cupês em favor de sedãs e crossovers. O sucesso da terceira geração do Acura TL (lançada como modelo 2004), que oferecia 270 hp e um design extremamente atraente, eliminou a necessidade de um cupê separado na linha, já que o TL conseguia satisfazer tanto o comprador de luxo quanto o entusiasta de performance.
O Acura CL deixou um legado de pioneirismo tecnológico e industrial. Ele provou que era possível projetar e construir um veículo de luxo de classe mundial fora do Japão, utilizando talentos e infraestrutura americanos. Para a Acura, o CL serviu como uma plataforma para testar novas tecnologias de motorização e sistemas de assistência ao motorista que mais tarde se tornariam padrão em toda a sua linha.
Hoje, o Acura CL, especialmente a variante Type-S manual de 2003, é considerado um item de colecionador moderno. Ele representa o auge de uma era em que os fabricantes ainda investiam pesadamente em cupês de luxo com motores de aspiração natural e transmissões manuais precisas. Embora a Acura não tenha lançado um sucessor direto de médio porte para o CL, o espírito do modelo vive na busca da marca pelo equilíbrio entre luxo sofisticado e engenharia de precisão voltada para o motorista, uma filosofia que continua a definir a identidade da Acura até os dias atuais.
Imagens do Acura CL