A produção do Acura CL começou oficialmente em fevereiro de 1996, com o modelo chegando às
concessionárias como ano-modelo 1997. Este lançamento foi um evento histórico, pois o CL saiu da
linha de montagem de East Liberty, Ohio, compartilhando o espaço com o Honda Civic, o que
demonstrava a flexibilidade e a capacidade técnica das instalações da Honda nos Estados Unidos.
Baseado em uma plataforma derivada do Honda Accord, o CL foi posicionado como um sucessor
espiritual do Acura Legend Coupe, embora com uma proposta de valor mais acessível e uma pegada
de mercado mais ampla.
Arquitetura e Design da Série YA1
A primeira geração, identificada pelo código de chassi YA1, apresentava uma carroceria de cupê de
duas portas com capacidade para quatro passageiros. O design exterior era caracterizado por um
capô longo e esculpido e uma traseira curta, com uma linha de cintura distintiva que subia em
direção à coluna C antes de descer suavemente para as lanternas traseiras triangulares. Um
detalhe técnico importante era o uso de painéis de carroceria galvanizados, uma medida
preventiva essencial para garantir a durabilidade e evitar a corrosão em regiões com climas
rigorosos.
Internamente, o CL oferecia um ambiente que priorizava o conforto pessoal. O painel de
instrumentos era voltado para o motorista, com materiais de alta qualidade e uma montagem que
seguia os rigorosos padrões de precisão da Honda. Apesar de ser um cupê, a engenharia da Acura
conseguiu extrair um espaço interno surpreendente, permitindo que dois adultos viajassem com
relativo conforto nos assentos traseiros, algo que nem sempre era comum em seus competidores
diretos.
Motorizações e Desempenho Inicial
No seu ano de estreia, o Acura CL foi oferecido com duas opções de motorização que atendiam a
diferentes perfis de consumidores. O modelo de entrada, o 2.2CL, utilizava o motor F22B1 de
quatro cilindros, enquanto o topo de linha 3.0CL apresentava o estreante motor V6 da série J.
| Especificações do Motor (1997) |
2.2CL (I4) |
3.0CL (V6) |
| Tipo de Motor |
2.2L SOHC 16V VTEC |
3.0L SOHC 24V VTEC |
| Código do Motor |
F22B1 |
J30A1 |
| Potência Máxima |
145 hp @ 5.500 rpm |
200 hp @ 5.500 rpm |
| Torque Máximo |
147 lb-ft @ 4.500 rpm |
195 lb-ft @ 4.700 rpm |
| Taxa de Compressão |
8.8:1 |
9.4:1 |
| Diâmetro x Curso |
85,0 mm x 95,0 mm |
86,0 mm x 86,0 mm |
| Alimentação |
PGM-FI |
PGM-FI |
O motor J30A1 do 3.0CL foi uma das grandes estrelas tecnológicas da época. Com uma configuração
V6 a 60 graus, ele era notavelmente compacto e leve devido à sua construção totalmente em
alumínio. Este motor utilizava a famosa tecnologia VTEC (Variable Valve Timing and Lift
Electronic Control) da Honda, que permitia ao veículo ter um comportamento dócil e eficiente em
baixas rotações, mas entregava uma performance vigorosa e um som de motor característico quando
o motorista exigia mais potência.
Quanto às transmissões, o 2.2CL podia ser equipado com uma caixa manual de 5 marchas ou uma
automática de 4 marchas com controle eletrônico. Já o 3.0CL era oferecido exclusivamente com a
transmissão automática de 4 marchas, que incluía o sistema Grade Logic Control para evitar a
"caça de marchas" em subidas ou descidas acentuadas, melhorando o conforto e a durabilidade do
conjunto.
Evoluções e o Facelift de 1998
Em 1998, a Acura realizou a primeira grande atualização no modelo para manter sua
competitividade. A mudança mais significativa ocorreu no modelo de quatro cilindros: o motor de
2,2 litros foi substituído por uma unidade de 2,3 litros (F23A1), o que resultou na mudança de
nome para 2.3CL. Este novo motor elevou a potência para 150 hp e o torque para 152 lb-ft,
proporcionando uma aceleração mais ágil e uma melhor resposta em ultrapassagens.
Visualmente, o facelift de 1998 trouxe mudanças sutis, mas eficazes. A grade frontal foi
redesenhada, ganhando um aspecto mais moderno. Além disso, itens que antes eram opcionais
passaram a ser integrados de forma mais harmoniosa, como as saias laterais e os para-choques que
agora eram inteiramente pintados na cor da carroceria, eliminando as partes em plástico preto
que davam um aspecto menos refinado aos modelos iniciais. No interior, o CL recebeu controles de
áudio montados no volante e um console central com acabamento em madeira simulada, elevando a
percepção de luxo. O sistema Homelink, que permitia programar o controle de portões de garagem
diretamente no carro, tornou-se padrão no 3.0CL e opcional no 2.3CL.
O Ano de 1999: O Fim do Ciclo Inicial
No último ano da primeira geração, a Acura focou em simplificar a linha e oferecer o máximo de
valor aos clientes. O nível de acabamento "Premium", que antes era um pacote opcional, foi
descontinuado, e seus principais recursos tornaram-se padrão em todos os modelos CL. Isso
significava que todo Acura CL de 1999 saía de fábrica com estofamento em couro e uma lista
completa de conveniências. O 3.0CL de 1999 também recebeu um novo design de rodas de liga leve
de múltiplos raios com acabamento usinado, diferenciando-o visualmente dos anos anteriores, que
utilizaram designs de cinco e sete raios em 1997 e 1998, respectivamente.
O Hiato de 2000 e a Preparação para o Novo Milênio
Um fato curioso na história do CL é que não existiu um modelo oficial para o ano de 2000.
Enquanto o seu irmão de plataforma, o Acura TL, foi completamente redesenhado para 1999, o CL
original continuou em produção até o final daquele ano. A Acura decidiu pausar a produção do
cupê durante o ano de 2000 para finalizar o desenvolvimento de uma nova geração que seria muito
mais potente e tecnologicamente avançada, visando elevar o status do modelo no mercado de luxo.
Esta pausa estratégica permitiu que a marca concentrasse seus esforços de marketing no
lançamento do novo TL e preparasse o terreno para o retorno triunfal do CL em março de 2000, já
como modelo-ano 2001.