Lançado oficialmente como modelo 1991, o Acura NSX chocou a indústria ao ser o primeiro carro de produção em
massa com carroceria e chassi monocoque construídos inteiramente em alumínio. Esta escolha de material
permitiu que o chassi pesasse apenas 210 kg (462 libras), o que era cerca de 40% mais leve que uma estrutura
de aço equivalente, sem sacrificar a resistência estrutural. O uso de alumínio estendeu-se aos braços da
suspensão e à estrutura dos bancos, resultando em uma economia total de peso próxima a 200 kg em comparação
com métodos tradicionais.
O motor C30A de 3.0 litros era uma obra-prima de engenharia. Com arquitetura V6, 24 válvulas e duplo comando
de válvulas no cabeçote (DOHC), ele produzia 270 cavalos de potência. Uma das inovações mais notáveis foi o
uso de bielas de titânio, material utilizado na época em caças supersônicos como o F-15, proporcionando
leveza e resistência para suportar o regime de rotação elevado de até 8.000 rpm nos modelos manuais. A
visibilidade era outro diferencial; inspirada na cabine do caça F-16, a área envidraçada oferecia uma visão
panorâmica rara em carros de motor central, facilitando a condução em ambientes urbanos e em manobras.
Especificações Técnicas: Fase Inicial (NA1)
| Atributo |
Detalhe Técnico |
| Motorização |
3.0L V6 DOHC VTEC (C30A) |
| Potência (Manual) |
270 hp @ 7.100 rpm |
| Potência (Automático) |
252 hp @ 6.600 rpm |
| Torque |
210 lb-ft @ 5.300 rpm |
| Transmissão |
Manual de 5 marchas ou Automática de 4 marchas |
| Chassi / Carroceria |
Monocoque de Alumínio |
| Peso (Coupé 1991) |
1.370 kg (3.010 lb) |
A produção era realizada na fábrica de Tochigi por uma equipe de 200 técnicos altamente experientes, cada um
com pelo menos 10 anos de casa, garantindo que cada unidade fosse montada com precisão artesanal. Com um
limite de produção de apenas 25 carros por dia, o NSX era um veículo exclusivo, custando US$ 65.000 em seu
lançamento, o preço mais alto para um carro japonês até aquela data.
Evoluções e Facelifts da Primeira Geração
Ao longo de seus 15 anos de vida, a primeira geração do NSX passou por evoluções significativas que
mantiveram o modelo competitivo frente aos novos rivais. Em 1995, a Honda introduziu o NSX-T, com teto
removível tipo Targa. Embora a remoção do teto exigisse reforços estruturais que adicionaram cerca de 45 kg
ao veículo, a configuração tornou-se extremamente popular, especialmente no mercado norte-americano, onde
passou a ser a única opção disponível por vários anos. No mesmo ano, foi introduzido o sistema de acelerador
eletrônico (drive-by-wire) e a transmissão automática passou a oferecer o controle "SportShift", permitindo
mudanças manuais através de seletores no volante.
O Grande Salto de Performance em 1997 (NA2)
O ano de 1997 marcou a atualização mecânica mais profunda da primeira geração. Para os modelos equipados com
transmissão manual, a cilindrada do motor foi elevada para 3.2 litros (motor C32B) através de um processo
que utilizava camisas de cilindro de metal reforçado com fibra (FRM) mais finas. Esta mudança elevou a
potência para 290 cavalos e o torque para 224 lb-ft. Juntamente com o novo motor, estreou uma transmissão
manual de 6 velocidades com relações de marcha mais curtas, o que melhorou drasticamente a aceleração.
Os freios também foram redimensionados, com o diâmetro dos rotores aumentando de 282 mm para 298 mm para
lidar com a maior velocidade e performance. Para compensar o peso da nova transmissão e dos freios maiores,
a Honda utilizou uma nova liga de alumínio para portas e para-lamas que era 50% mais forte, permitindo o uso
de painéis mais finos. O resultado líquido foi um aumento de peso de apenas 10 kg, mantendo a agilidade
característica do modelo.
O Facelift de 2002: O Fim dos Faróis Escamoteáveis
Em 2002, o NSX recebeu seu facelift estético mais radical. Os icônicos faróis escamoteáveis foram
substituídos por unidades fixas com lâmpadas de descarga de alta intensidade (HID) de Xenon. Esta alteração
não foi apenas visual; ela visava melhorar a segurança em colisões com pedestres e reduzir o arrasto
aerodinâmico. O coeficiente de arrasto (Cd) caiu para 0,30, resultando em uma estabilidade superior em altas
velocidades e uma velocidade máxima ligeiramente maior de 282 km/h.
A suspensão foi novamente revisada, adotando molas de taxas progressivas para oferecer um equilíbrio refinado
entre conforto na estrada e controle rigoroso em pista. Na traseira, um novo difusor de ar e saídas de
escape redesenhadas completaram o pacote visual, mantendo o NSX com uma aparência moderna mesmo após uma
década de mercado.
Evolução das Motorizações: 1991 vs 1997 vs 2002
| Especificação |
3.0L V6 (1991-1996) |
3.2L V6 (1997-2005) |
3.0L V6 Automático (Todos) |
| Potência |
270 hp @ 7.100 rpm |
290 hp @ 7.100 rpm |
252 hp @ 6.600 rpm |
| Torque |
210 lb-ft @ 5.300 rpm |
224 lb-ft @ 5.500 rpm |
210 lb-ft @ 5.300 rpm |
| Velocidades |
5 Marchas Manual |
6 Marchas Manual |
4 Marchas Automática |
| Aceleração 0-60 mph |
~5.2 seg |
~4.8 seg |
~5.8 seg |
Edições Especiais e Variantes de Performance
O mercado interno japonês (JDM) foi agraciado com versões que levavam a filosofia de leveza do NSX ao
extremo. A mais emblemática foi o NSX-R (Type R), lançado originalmente em 1992. Com o objetivo de criar um
carro de corrida para as ruas, a Honda removeu o isolamento acústico, o sistema de som, o ar-condicionado e
substituiu os bancos de couro por conchas de fibra de carbono/Kevlar da Recaro. O resultado foi uma redução
de 120 kg, totalizando apenas 1.230 kg.
Em 2002, com o facelift, surgiu o novo NSX-R (NA2), que utilizava o motor 3.2L balanceado à mão e uma
carroceria com componentes extensivos em fibra de carbono, incluindo o capô ventilado e o aerofólio
traseiro. Este modelo tornou-se lendário ao registrar tempos em Nürburgring equivalentes a supercarros com
muito mais potência, demonstrando a superioridade de seu equilíbrio dinâmico. Outra variante notável foi o
NSX Type S e o Type S-Zero, este último sendo uma versão de pista sem sistema de áudio ou navegação, pesando
apenas 1.270 kg, focada exclusivamente na pureza da condução.
Resumo de Produção de Modelos Especiais (Primeira Geração)
| Modelo |
Ano-Modelo |
Produção Aproximada |
Destaque Técnico |
| NSX-R (NA1) |
1992-1995 |
483 unidades |
Redução de 120kg; foco em pista. |
| Alex Zanardi Ed. |
1999 |
51 unidades |
Chassi rígido; exclusiva para os EUA. |
| NSX-R (NA2) |
2002-2005 |
140 a 155 unidades |
Componentes em fibra de carbono. |
| NSX-R GT |
2005 |
5 unidades |
Modelo de homologação Super GT. |
| Type S / S-Zero |
1997-2001 |
209 unidades |
Suspensão rígida; JDM apenas. |
Quantidade Produzida e Legado de Vendas (1990–2005)
A primeira geração do NSX teve uma recepção inicial explosiva. Nos primeiros anos, a demanda superou em muito
a capacidade de produção da fábrica de Tochigi. No entanto, ao longo da década de 1990, as vendas começaram
a declinar à medida que a concorrência se modernizava e os preços subiam. No total, aproximadamente 18.685 a
18.896 unidades foram produzidas mundialmente durante seus 15 anos de existência.
A América do Norte foi o maior mercado, absorvendo quase 9.000 unidades sob a marca Acura, seguida de perto
pelo Japão, com cerca de 7.400 unidades vendidas como Honda. A Europa recebeu uma fatia menor, com cerca de
1.500 unidades registradas. Apesar dos números de vendas relativamente baixos em comparação com carros
esportivos de massa, o NSX manteve seu valor devido à sua escassez e reputação de durabilidade mecânica
extrema, algo raro em supercarros daquela era.
Vendas Totais por Região (Primeira Geração)
| Região |
Unidades Vendidas (Aprox.) |
Marca Comercial |
| América do Norte |
8.997 - 9.700 |
Acura |
| Japão |
7.400 |
Honda |
| Europa |
1.400 - 1.559 |
Honda |
| Outros (Ásia/Oceania) |
~200 |
Honda |
| Total Global |
~18.685 - 18.896 |
- |