1ª Geração
(1996 - 1998)
Ficha técnica, versões e história do Acura RL.
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(1996 - 1998)
(1999 - 2004)
(2005 - 2008)
(2009 - 2010)
(2011 - 2012)
O Acura RL atuou como o sedã topo de linha (flagship) da marca de luxo da Honda de 1996 a 2012. Ele substituiu o Acura Legend e acabou sucedido pelo Acura RLX em 2013. A sigla RL significa "Refined Luxury" (Luxo Refinado). A mudança de nome do Legend para siglas alfanuméricas ocorreu porque pesquisas de mercado indicavam que os compradores associavam os nomes dos modelos ("Legend" e "Integra") a produtos individuais e não à própria marca de luxo Acura. O modelo foi inteiramente produzido na fábrica de Sayama, em Saitama, no Japão, sendo uma versão rebatizada do Honda Legend vendido no mercado japonês.
A primeira geração (código interno KA9) foi desenvolvida sob o desenho de Mitsuhiro Honda e Tamotsu Okamoto em 1993, iniciando a produção no final de 1995 como ano-modelo 1996. O motor era um V6 de 3,5 litros, de código C35A1, com bloco e cabeçotes de alumínio e cilindros de ferro fundido. A grande particularidade técnica desse modelo de tração dianteira era o motor montado longitudinalmente (no mesmo sentido do comprimento do carro), o que permitia um raio de giro reduzido de 11 metros e maior agilidade no trânsito urbano. A distribuição de peso inicial era de 56% na dianteira e 44% na traseira.
O motor utilizava bielas forjadas pelo processo inovador de forjamento em bloco ("block forging"), virabrequim forjado e uma árvore de balanceamento para diminuir ruídos e vibrações. Não contava com o comando de válvulas variável VTEC. A suspensão era independente com braços duplos triangulares na dianteira e na traseira, utilizando molas helicoidais e amortecedores a gás progressivos para absorver melhor os impactos. Os pneus originais eram de medida P215/60R16 em rodas de liga leve de 16 polegadas. O freio dianteiro usava discos ventilados de 280 mm de diâmetro e traseiros sólidos de 280 mm. O acabamento externo passava por um rigoroso processo de pintura de 23 etapas, com 5 camadas de tinta e 4 cozimentos. O sistema de navegação por disco rígido era opcional apenas na Califórnia.
Lançada em setembro de 2004 como ano-modelo 2005 (chassi KB1), a segunda geração trazia um desenho moderno feito por Toshinobu Minami em 2002. A estrutura monobloco foi redesenhada usando aço de alta resistência e alumínio. A mecânica mudou drasticamente: o motor passou a ser transversal e o sedã adotou o inovador sistema de tração integral Super Handling All-Wheel Drive (SH-AWD), substituindo a antiga tração dianteira.
O sistema SH-AWD conseguia variar ativamente o torque não só entre os eixos dianteiro e traseiro (enviando até 70% para trás), mas também direcionar até 100% do torque do eixo traseiro para uma única roda externa em curvas (vetorização de torque) para maximizar a estabilidade.
O motor era o novo J35A8 V6 SOHC VTEC de 3,5 litros com 300 hp (revisado depois para 290 hp pela norma SAE) e 36 kgfm de torque, acoplado a uma transmissão automática de 5 marchas com borboletas de mudança sequencial no volante. Os freios dianteiros utilizavam pinças de alumínio com pistões múltiplos sobre rotores ventilados de 320 mm e traseiros ventilados de 310 mm. As rodas originais de 17 polegadas calçavam pneus 245/50R17.
Como tecnologia de luxo, destacava-se o sistema Bose 5.1 DVD-Audio de 10 alto-falantes com cancelamento ativo de ruído (ANC), que usava dois microfones na cabine para emitir sinais de som invertidos, reduzindo o ruído do motor e escapamento. Havia a opção do pacote esportivo A-Spec Performance e, temporariamente, do sistema de pneus Michelin PAX com tecnologia run-flat.
Apresentado no início de 2008 como modelo 2009 (chassi KB2), o facelift representou a mudança mais profunda de meio de ciclo da história da Acura. O estilo externo adotou a nova grade em formato de escudo ("power plenum"), capô de alumínio modificado, novos para-choques, para-lamas e lanternas de LED. As rodas padrão passaram a ser de 18 polegadas com pneus 245/45R18.
A suspensão foi atualizada com molas mais rígidas, barras estabilizadoras de maior diâmetro e buchas de suspensão enrijecidas. O motor foi ampliado para 3,7 litros (código J37A2) com 300 hp e 37,4 kgfm de torque. Este motor trouxe, de forma pioneira para um V6 SOHC da Honda, a tecnologia VTEC tanto para as válvulas de admissão quanto para as de escape. A cabine ganhou o sistema de Controle Ativo de Som (ASC) e o pacote opcional de segurança avançada com frenagem de emergência autônoma (CMBS) e controle de cruzeiro adaptativo.
Para 2011, o Acura RL recebeu uma nova transmissão automática de 6 marchas, eliminando a criticada caixa de 5 velocidades. Isso melhorou o consumo de combustível na estrada e a agilidade nas acelerações de 0 a 100 km/h. A grade dianteira foi ligeiramente atenuada.
Uma grande inovação em termos de conforto acústico foi a introdução de rodas de 18 polegadas equipadas com ressonadores de Helmholtz integrados (uma estreia mundial para um carro de passageiros de produção). Esses dispositivos de redução de ruído diminuíam em até 15% os barulhos internos na cabine causados pela ressonância dos pneus. Retrovisores com rebatimento elétrico e novos sensores de estacionamento traseiros foram adicionados. O modelo permaneceu idêntico em 2012 antes de ser aposentado para dar lugar ao Acura RLX.
A tabela a seguir apresenta os detalhes técnicos e as principais mudanças mecânicas de cada fase do Acura RL ao longo dos anos:
| Geração e Fase | Código do Motor | Cilindrada e Configuração | Taxa de Compressão | Potência Líquida | Torque Líquido | Transmissão e Relações | Freios (Dianteiro / Traseiro) | Pneus e Rodas |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| G1 Original (1996–2001) | C35A1 | 3.474 cc V6 a 90° (Longitudinal) | 9,6:1 | 210 hp @ 5.200 rpm | 31,0 kgfm @ 2.800 rpm | Automática de 4 marchas (1ª: 2.458; 2ª: 1.454; 3ª: 0.948; 4ª: 0.652) | Discos ventilados de 280 mm / Discos sólidos de 280 mm | P215/60R16 em rodas 16x6,5" |
| G1 Facelift (2002–2004) | C35A1 | 3.474 cc V6 a 90° (Longitudinal) | 9,6:1 | 225 hp @ 5.200 rpm | 32,0 kgfm @ 2.800 rpm | Automática de 4 marchas (1ª: 2.458; 2ª: 1.454; 3ª: 0.948; 4ª: 0.652) | Discos ventilados de 300 mm / Discos sólidos de 282 mm | P225/55R16 em rodas 16x7,0" |
| G2 Original (2005–2008) | J35A8 | 3.471 cc V6 a 60° (Transversal) | 11,0:1 (aproximado) | 290 hp @ 6.200 rpm | 36,0 kgfm @ 5.000 rpm | Automática de 5 marchas com trocas no volante | Discos ventilados de 320 mm / Discos ventilados de 310 mm | P245/50R17 em rodas 17x8,0" |
| G2 Facelift (2009–2010) | J37A2 | 3.664 cc V6 a 60° (Transversal) | 11,2:1 | 300 hp @ 6.300 rpm | 37,4 kgfm @ 5.000 rpm | Automática de 5 marchas com trocas no volante | Discos ventilados de 320 mm / Discos ventilados de 310 mm | P245/45R18 em rodas 18x8,0" |
| G2 Update (2011–2012) | J37A2 | 3.664 cc V6 a 60° (Transversal) | 11,2:1 | 300 hp @ 6.300 rpm | 37,4 kgfm @ 5.000 rpm | Automática de 6 marchas (1ª: 3.359; 2ª: 2.095; 3ª: 1.485; 4ª: 1.065; 5ª: 0.754; 6ª: 0.556) | Discos ventilados de 320 mm / Discos ventilados de 310 mm | P245/45R18 em rodas 18x8,0" (Ressonadores Helmholtz) |
A mudança entre as gerações representou uma redefinição das proporções do veículo. O modelo de segunda geração tornou-se mais compacto no comprimento e na distância entre eixos para ganhar agilidade dinâmica, porém ficou mais largo e alto para manter o espaço interno dos passageiros. A tabela abaixo consolida essas medidas físicas:
| Ano-Modelo e Fase | Distância entre Eixos | Comprimento Total | Largura Sem Espelhos | Altura Total (Vazio) | Peso em Ordem de Marcha |
|---|---|---|---|---|---|
| 1996–1998 (G1 Original) | 2.911 mm | 4.956 mm | 1.811 mm | 1.384 mm | 1.660 kg |
| 1999–2001 (G1 Facelift I) | 2.911 mm | 4.994 mm | 1.814 mm | 1.435 mm | 1.710 kg (estimado) |
| 2002–2004 (G1 Facelift II) | 2.911 mm | 4.996 mm | 1.821 mm | 1.384 mm | 1.766 kg |
| 2005–2008 (G2 Original) | 2.799 mm | 4.917 mm | 1.847 mm | 1.450 mm | 1.810 kg |
| 2009–2010 (G2 Facelift) | 2.799 mm | 4.973 mm | 1.847 mm | 1.453 mm | 1.852 kg |
| 2011–2012 (G2 Update) | 2.800 mm | 4.973 mm | 1.847 mm | 1.455 mm | 1.860 kg (Standard) / 1.865 kg (Tech) |
O Acura RL registrou trajetórias distintas de vendas em cada uma de suas gerações. O ano de 2005 representou o auge comercial histórico do modelo no mercado norte-americano, impulsionado pela grande aceitação inicial da tecnologia SH-AWD e do motor VTEC de 3,5 litros, registrando um recorde de 17.574 unidades vendidas nos Estados Unidos.
Em 2006, as operações de exportação do RL foram expandidas para a China com preços premium de 680.000 RMB, estabelecendo concessionárias exclusivas com atendimento focado no cliente e garantia diferenciada de longo prazo. No entanto, a partir de 2007, a demanda no segmento de sedãs premium de luxo sofreu contrações consideráveis, fazendo com que as vendas do RL caíssem gradualmente até o encerramento do modelo.
Abaixo estão detalhados os dados anuais de vendas registrados nos Estados Unidos e no Canadá:
| Ano Calendário | Unidades Vendidas (EUA) | Unidades Vendidas (Canadá) |
|---|---|---|
| 1996 | 15.848 | Dados não disponíveis |
| 1997 | 16.004 | Dados não disponíveis |
| 1998 | 15.024 | Dados não disponíveis |
| 1999 | 13.366 | Dados não disponíveis |
| 2000 | 14.827 | Dados não disponíveis |
| 2001 | 10.723 | Dados não disponíveis |
| 2002 | 9.392 | Dados não disponíveis |
| 2003 | 6.829 | Dados não disponíveis |
| 2004 | 8.753 | Dados não disponíveis |
| 2005 | 17.574 | Dados não disponíveis |
| 2006 | 12.068 | 206 |
| 2007 | 6.262 | 158 |
| 2008 | 4.517 | 157 |
| 2009 | 2.043 | 94 |
| 2010 | 2.037 | 64 |
| 2011 | 1.096 | 52 |
| 2012 | 340 | 29 |
| 2013 | 26 (vendas residuais) | Substituído pelo RLX |
| Total Acumulado | 156.330 | 860 (de 2006 a 2012) |
A análise histórica do Acura RL revela uma dinâmica interessante sobre como a tecnologia interage com as expectativas dos consumidores no mercado de prestígio. Em termos de inovação eletrônica de conveniência e assistência, a Acura atuou de forma pioneira na indústria automobilística. O sedã foi responsável por introduzir telas táteis, sistemas de navegação por GPS e comandos de voz avançados muito antes de seus principais concorrentes europeus de marcas consagradas alemãs.
Apesar desse pioneirismo em tecnologia de cabine, o Acura RL enfrentou um claro paradoxo de engenharia. Enquanto os fabricantes concorrentes no segmento de sedãs executivos de luxo ofereciam motores de oito cilindros (V8) e transmissões automáticas com maior número de marchas (seis, sete ou oito velocidades) logo na primeira metade dos anos 2000, a Acura manteve uma estratégia conservadora na parte mecânica estrutural.
A insistência em motores exclusivamente V6 e a manutenção de uma caixa de transmissão de 5 velocidades de concepção antiga até o ano de 2010 criaram uma barreira de desempenho que limitou o avanço comercial do carro diante de rivais que entregavam maior suavidade e potência em acelerações rápidas. O sofisticado sistema de vetorização de torque SH-AWD compensou o comportamento dinâmico e garantiu uma dirigibilidade superior, mas não conseguiu reverter a percepção do mercado de que faltavam opções de motores mais robustos.