1ª Geração
(1992 - 1994)
Ficha técnica, versões e história do Acura Vigor.
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(1992 - 1994)
O Honda Vigor nasceu originalmente no mercado japonês em setembro de 1981 como um sedã premium derivado diretamente do Honda Accord. A proposta da fabricante era estabelecer um modelo mais rápido, refinado e com caráter esportivo para competir com adversários consolidados no Japão, como o Toyota Chaser e o Nissan Laurel.
Vendido exclusivamente pela rede de concessionárias Honda Verno, o Vigor oferecia um nível de equipamentos muito superior ao do Accord comum. Esse posicionamento estratégico ajudou a preparar o mercado japonês para aceitar veículos de luxo ainda maiores da Honda, o que culminou no desenvolvimento do Honda Legend em 1985. Na América do Norte, o modelo foi introduzido somente em sua terceira geração, em junho de 1991, sob a divisão de luxo Acura. Ele foi posicionado estrategicamente entre o compacto Integra e o sedã de luxo Legend.
A primeira geração do Vigor compartilhava sua plataforma básica com o Accord de segunda geração. O carro era oferecido nas configurações de sedã de quatro portas e hatchback de três portas, ambas equipadas unicamente com motores de quatro cilindros e 1,8 litro.
O grande diferencial do Vigor frente aos concorrentes da época era a ampla lista de itens de série. Elementos como ar-condicionado automático com controle termostático, piloto automático, vidros elétricos com descida de um toque para o motorista e direção assistida eram padrão, enquanto no Accord figuravam apenas como opcionais. Além disso, trazia o "Electronic Navigator", um computador de bordo completo para medição de consumo de combustível, autonomia e tempo de viagem.
A Honda também disponibilizou itens tecnológicos avançados para a época, incluindo painel de instrumentos digital, freios antibloqueio (ABS) nas quatro rodas e o pioneiro "Electro Gyrocator", reconhecido como o primeiro sistema de navegação automotiva automatizado do mundo.
No campo mecânico, o Vigor de primeira geração utilizava transmissões manual de cinco marchas ou automática de quatro marchas com conversor de torque de acoplamento direto (lockup). Os motores utilizavam o sistema SOHC com três válvulas por cilindro e a tecnologia de combustão limpa CVCC-II da Honda. A versão hatchback saiu de linha em 1984 para dar lugar ao Honda Integra, restando apenas o sedã até o encerramento da geração em 1985.
| Modelo do Motor / Sistema de Alimentação | Potência | Consumo Médio (Norma Japonesa 10-Mode) | Consumo a 60 km/h Constantes |
|---|---|---|---|
| EK1 1.8L (Carburador CVCC-II) | 110 PS (108 hp) | 13,6 km/L | 23 km/L |
| ES3 1.8L (Injeção Eletrônica PGM-FI) | 130 PS (128 hp) | 13,2 km/L | 22 km/L |
| Tipo de Carroceria | Versões Iniciais (Carburador) | Versões com Injeção Eletrônica (PGM-FI) | Versões de Transição (1985) |
|---|---|---|---|
| Sedã de 4 portas | VXR, VX, VL | VTL-i, VT-i | MG, ME, ME-R |
| Hatchback de 3 portas | TXL, TX, TU | TT-i | MX-T, ME-T |
Apresentada ao mercado em 4 de junho de 1985, a segunda geração do Vigor passou a ser vendida unicamente como sedã de quatro portas. Para destacar o apelo esportivo do modelo, a Honda adotou faróis ocultos (escamoteáveis), inspirados no cupê Prelude e no hatch Integra. Visualmente, o Vigor trazia uma grade exclusiva e lanternas traseiras horizontais integradas, distanciando-se do desenho mais conservador do Accord.
A engenharia do carro evoluiu com a adoção de uma suspensão independente de braços duplos sobrepostos (tipo double-wishbone) nos dois eixos. Embora o custo desse projeto fosse mais elevado que o de sistemas comuns, ele garantia estabilidade e precisão em curvas.
O Vigor trazia barras estabilizadoras de série na dianteira, enquanto as configurações de topo adicionavam a barra estabilizadora traseira. O sistema de frenagem contava com discos nas quatro rodas (com pinças de duplo pistão na versão de topo 2.0-Si) ou discos dianteiros e tambores na traseira nas versões de entrada, tendo o sistema ABS como opcional. As rodas eram de aço com calotas em tamanho de 13 polegadas ou de liga leve de 14 polegadas nas configurações mais completas.
A gama de motores foi reestruturada com três opções principais: o motor básico 1.8 A18A, o motor intermediário 1.8 B18A com carburadores duplos e o potente 2.0 B20A com duplo comando de válvulas (DOHC) e injeção eletrônica PGM-FI. Em maio de 1987, a Honda lançou a versão "2.0 Si Exclusive", que incorporava retrovisores elétricos com rebatimento automático. Em setembro de 1988, a versão "MXL Super Stage" recebeu o sistema de travamento eletrônico da alavanca de transmissão automática (shift-lock).
| Modelo do Motor | Cilindrada | Cabeçote / Válvulas | Alimentação | Potência Estimada |
|---|---|---|---|---|
| A18A | 1.8L | SOHC 12v | Carburador Simples | 100 hp |
| B18A | 1.8L | DOHC 16v | Carburadores Duplos | 115 hp |
| B20A | 2.0L | DOHC 16v | Injeção Eletrônica PGM-FI | 120 hp (137 hp no Japão) |
Lançada no Japão em 1989 e importada para a América do Norte a partir de meados de 1991 como Acura Vigor, a terceira geração abandonou de vez o chassi e os painéis de carroceria do Accord. O sedã passou a utilizar uma plataforma exclusiva compartilhada com o novo Honda Inspire e com a segunda geração do Legend. A carroceria adotou o estilo de teto rígido com coluna "B" embutida (hardtop), proporcionando linhas fluidas e limpas.
O Acura Vigor destacou-se pela utilização de um inédito motor de cinco cilindros em linha, denominado Série G. Esse motor foi instalado longitudinalmente (no sentido do comprimento) no cofre, o que era um arranjo muito incomum para um automóvel com tração dianteira.
A justificativa para essa escolha de montagem não era o espaço para um sistema de tração nas quatro rodas, mas sim o atendimento às rígidas leis de zoneamento fiscal do Japão. Se o motor de cinco cilindros fosse posicionado transversalmente, a largura do carro aumentaria a ponto de ultrapassar o limite de 1,70 metro estipulado pelo governo japonês para carros compactos, o que geraria impostos pesados ao comprador. A montagem longitudinal permitiu manter a carroceria japonesa estreita.
Para viabilizar a tração dianteira com o motor de comprido, a Honda adotou soluções de engenharia complexas:
Este conjunto recuado resultou em uma distribuição de peso de 60% na dianteira e 40% na traseira, considerada pelos engenheiros como a proporção ideal para garantir estabilidade e dirigibilidade em um automóvel com tração dianteira.
Para a exportação como Acura, o carro foi modificado. Como os Estados Unidos não taxavam os veículos pela largura, a fabricante alargou a carroceria e adotou para-choques projetados para resistir a impactos de até 8 km/h, aumentando o comprimento total do carro.
| Dimensão | Versão Japonesa (Chassi CB5 - Compacto) | Versão Americana (Chassis CC2/CC3 - Médio) |
|---|---|---|
| Comprimento | 4.690 mm | 4.836 mm |
| Largura | 1.695 mm | 1.781 mm |
| Altura | 1.355 mm | 1.369 mm (1992) / 1.321 mm (1993–1994) |
| Distância entre Eixos | 2.805 mm | 2.804 mm |
| Peso em Ordem de Marcha | — | 1.429 kg (LS manual) a 1.485 kg (GS automático) |
A terceira geração ofereceu duas motorizações distintas de cinco cilindros em linha, ambas equipadas com bloco e cabeçote de liga de alumínio e camisas de ferro fundido:
No mercado norte-americano, o Acura Vigor foi oferecido em duas configurações distintas, que compartilhavam o mesmo conjunto mecânico e de segurança.
Equipada de série com uma ampla lista de tecnologia e conforto:
Adicionava recursos focados em sofisticação:
| Cor Externa (Pintura de 3 Camadas) | Acabamento Interno LS (Tecido Moquete) | Acabamento Interno GS (Couro Legítimo) |
|---|---|---|
| Granada Black Pearl | — | Cognac / Gray |
| Frost White | Cinza | Preto |
| Cassis Red Pearl | Cinza | Cinza |
| Buckingham Blue Pearl | Cinza | Cognac |
| Regal Plum Pearl | — | Cognac |
| Rosewood Brown Metallic | — | Preto |
Em vez de realizar reestilizações estéticas profundas, a marca focou em solucionar as críticas da imprensa especializada e dos consumidores norte-americanos, que consideravam a suspensão do carro excessivamente dura e o espaço traseiro muito apertado frente ao rival Lexus ES 300.
Apresentação oficial do modelo. O acerto inicial da suspensão focava na esportividade de condução, utilizando molas macias associadas a amortecedores pressurizados a gás com válvulas especiais de carga de compressão e retorno extremamente firmes (sistema HPV na dianteira e NSV da Showa na traseira).
Apesar de proporcionar excelente controle de carroceria e aderência em curvas, o rodar foi avaliado como rígido demais para um veículo de luxo. Adicionalmente, o motor longitudinal empurrou a cabine para trás, limitando o espaço de pernas traseiro a escassos 76,9 cm.
Pequenos ajustes de conveniência foram introduzidos:
Aplicação de mudanças mecânicas de conforto e segurança:
O Acura Vigor teve uma vida comercial curta e discreta na América do Norte. A Honda acreditava que o mercado americano absorveria bem um sedã menor, com comportamento dinâmico afiado e focado no motorista, nos moldes do BMW Série 3. Contudo, os consumidores do segmento de luxo de entrada preferiam o rodar macio, o espaço interno e o motor V6 de 185 hp do Lexus ES 300.
Com vendas muito abaixo do esperado e sem reação do público mesmo após os melhorias aplicadas na linha 1994, a produção do Acura Vigor foi encerrada definitivamente em 13 de maio de 1994, sendo substituído pelo Acura TL. No total de sua trajetória na América do Norte, o modelo não conseguiu romper a barreira das 45.000 unidades vendidas.
| Ano Civil | Unidades Vendidas | Faixa de Preço de Época (MSRP) |
|---|---|---|
| 1991 | 11.324 | $23.590 (Introdução do Modelo) |
| 1992 | 13.846 | $23.665 a $28.000 |
| 1993 | 10.016 | $24.265 a $27.500 |
| 1994 | 8.469 | $26.350 a $29.100 |
| 1995 | 253 | — (Limpeza de estoque residual) |
| Total Acumulado | 43.908 | — |
(Nota: Algumas fontes apontam registros parciais de vendas líquidas de aproximadamente 32.584 unidades nos Estados Unidos, refletindo o quão raro o sedã tornou-se no mercado atual).
Após o encerramento da produção do Vigor em maio de 1991 no Japão (seguindo até 1995 sob o nome Honda) e em 1994 nos Estados Unidos, a Acura reestruturou seu catálogo de sedãs. O sucessor direto foi o Acura TL (conhecido no mercado japonês como Honda Saber e Honda Inspire), lançado em 1995.
A primeira geração do TL herdou o motor de cinco cilindros montado longitudinalmente na versão de entrada "2.5 TL", mantendo vivas as características exóticas do projeto do Vigor. Contudo, o novo modelo corrigiu as falhas de seu antecessor ao adotar uma carroceria mais larga e espaçosa, além de oferecer o motor V6 do Legend na versão de topo "3.2 TL" para atender de forma plena às exigências de desempenho do mercado norte-americano.
Graças a esse aprendizado prático, a linha TL decolou em vendas e se tornou um dos maiores sucessos históricos da marca Acura nas décadas seguintes. O Vigor permanece na história como um exemplo notável de ousadia mecânica e excelência construtiva da era dourada da engenharia japonesa.