Lançada no Japão em 1989 e importada para a América do Norte a partir de meados de 1991 como Acura Vigor, a
terceira geração abandonou de vez o chassi e os painéis de carroceria do Accord. O sedã passou a utilizar
uma plataforma exclusiva compartilhada com o novo Honda Inspire e com a segunda geração do Legend. A
carroceria adotou o estilo de teto rígido com coluna "B" embutida (hardtop), proporcionando linhas fluidas e
limpas.
A Engenharia do Motor de Cinco Cilindros Longitudinal
O Acura Vigor destacou-se pela utilização de um inédito motor de cinco cilindros em linha, denominado Série
G. Esse motor foi instalado longitudinalmente (no sentido do comprimento) no cofre, o que era um arranjo
muito incomum para um automóvel com tração dianteira.
A justificativa para essa escolha de montagem não era o espaço para um sistema de tração nas quatro rodas,
mas sim o atendimento às rígidas leis de zoneamento fiscal do Japão. Se o motor de cinco cilindros fosse
posicionado transversalmente, a largura do carro aumentaria a ponto de ultrapassar o limite de 1,70 metro
estipulado pelo governo japonês para carros compactos, o que geraria impostos pesados ao comprador. A
montagem longitudinal permitiu manter a carroceria japonesa estreita.
Para viabilizar a tração dianteira com o motor de comprido, a Honda adotou soluções de engenharia complexas:
- A transmissão ficava posicionada logo atrás do motor.
- Um eixo de transmissão secundário levava a força de volta para a dianteira, conectando-se a um
diferencial de deslizamento limitado instalado de forma assimétrica.
- O semieixo de tração do lado direito passava por dentro de um tubo blindado que atravessava o cárter de
óleo do motor, logo abaixo do cilindro central.
- O motor de cinco cilindros foi inclinado em 35 graus para a direita, permitindo desenhar uma linha de
capô extremamente baixa, elegante e aerodinâmica.
Este conjunto recuado resultou em uma distribuição de peso de 60% na dianteira e 40% na traseira, considerada
pelos engenheiros como a proporção ideal para garantir estabilidade e dirigibilidade em um automóvel com
tração dianteira.
Para a exportação como Acura, o carro foi modificado. Como os Estados Unidos não taxavam os veículos pela
largura, a fabricante alargou a carroceria e adotou para-choques projetados para resistir a impactos de até
8 km/h, aumentando o comprimento total do carro.
Comparativo de Dimensões (JDM Honda Vigor vs. Acura Vigor)
| Dimensão |
Versão Japonesa (Chassi CB5 - Compacto) |
Versão Americana (Chassis CC2/CC3 - Médio) |
| Comprimento |
4.690 mm |
4.836 mm |
| Largura |
1.695 mm |
1.781 mm |
| Altura |
1.355 mm |
1.369 mm (1992) / 1.321 mm (1993–1994) |
| Distância entre Eixos |
2.805 mm |
2.804 mm |
| Peso em Ordem de Marcha |
— |
1.429 kg (LS manual) a 1.485 kg (GS automático) |
Motores e Combustível (Terceira Geração)
A terceira geração ofereceu duas motorizações distintas de cinco cilindros em linha, ambas equipadas com
bloco e cabeçote de liga de alumínio e camisas de ferro fundido:
- G20A (2.0L): Disponível apenas no mercado japonês para manter o carro na faixa de
impostos mais baixa, desenvolvendo 158 hp. Era calibrado para funcionar com gasolina comum de baixa
octanagem.
- G25A1 (2.5L): Motor padrão do Acura Vigor na América do Norte, gerando 176 hp a 6.300
rpm e torque de 170 lb-ft a 3.900 rpm com corte de combustível a 7.100 rpm. O cabeçote utilizava comando
único no cabeçote (SOHC), quatro válvulas por cilindro e coletor de admissão variável de duplo estágio
para garantir força em baixas rotações. No Japão e nos Estados Unidos, este motor exigia o uso de
gasolina premium de alta octanagem.