A atuação do Alfa Romeo 155 em torneios esportivos deu origem a raras versões de rua que hoje são cobiçadas
por colecionadores em todo o mundo.
A Polêmica Versão Silverstone / Formula
Lançada em 1994, a edição Silverstone (denominada Formula em alguns mercados continentais) teve 2.500
unidades produzidas para atender aos critérios exigidos pelo Campeonato Britânico de Carros de Turismo
(BTCC). Equipado com o motor 1.8 Twin Spark de 129 cv, o grande diferencial deste carro era o seu pacote
aerodinâmico ajustável, composto por um spoiler dianteiro extensível e um aerofólio traseiro que podia ser
montado em uma posição elevada.
A polêmica residia no fato de que a fabricante vendia o carro com as asas recolhidas e fornecia os suportes
de elevação desmontados em uma caixa preta de madeira guardada dentro do porta-malas. Nas pistas, a equipe
oficial de corrida correu inicialmente com as asas totalmente estendidas, o que gerou forte protesto de
marcas adversárias como a Ford e a Vauxhall. A Ford chegou a adquirir um 155 Silverstone de rua para
comprovar que o cliente comum não andaria com o carro com o aerofólio elevado por meio de 31 rebites de
fixação, o que seria ilegal.
O conflito resultou na desclassificação temporária dos pontos obtidos pela Alfa Romeo nas corridas de
Snetterton e Silverstone. Antes da etapa de Oulton Park, os comissários da federação ordenaram que o time
corresse com as asas abaixadas. Em protesto imediato, a equipe oficial retirou seus carros do autódromo e
deixou o circuito.
Um acordo posterior determinou que o 155 poderia correr com o aerofólio erguido somente até 1º de julho de
1994, devendo recolhê-lo nas etapas seguintes. Ainda assim, o piloto Gabriele Tarquini garantiu o título de
pilotos daquele ano de forma imponente.
A versão de pista daquele ano escondia segredos mecânicos sofisticados. Embora usasse o bloco do motor do
grupo Fiat, o cabeçote era derivado do 155 Q4 turbo, porém rotacionado em 180 graus para otimizar o fluxo de
refrigeração e baixar o centro de gravidade do motor. Adicionalmente, o carro trazia um inovador diferencial
dianteiro com atuação mista hidráulica e mecânica, tecnologia que foi posteriormente copiada pelas equipes
adversárias. Devido a toda essa polêmica de homologação, as regras do BTCC mudaram radicalmente para a
temporada de 1995, elevando o mínimo de carros vendidos para 25.000 unidades e tornando obrigatório o uso de
asas aerodinâmicas padronizadas para todos os competidores.
O Exclusivo 155 GTA Stradale
Criado em 1992, o GTA Stradale foi projetado pela Abarth sob a liderança do engenheiro Sergio Limone para
celebrar as vitórias da Alfa Romeo no Campeonato Italiano de Superturismo. Construído sobre a base mecânica
do 155 Q4, o carro trazia tração integral permanente e o motor turbo de 2,0 litros preparado com
especificações de Grupo N de rali.
Para deslocar o peso do carro mais para trás e melhorar a aderência do eixo traseiro, Limone utilizou uma
carcaça de diferencial traseiro feita de ferro fundido em vez de alumínio. A suspensão era idêntica à do
Lancia Delta Integrale, e o exterior recebeu um kit com para-lamas muito alargados e para-choques
esportivos.
Apenas uma unidade protótipo (chassis ZAR16700000005892) foi finalizada antes que a diretoria da Fiat
decidisse cancelar o projeto. Os executivos exigiam que o carro usasse um motor V6, que não cabia
fisicamente no cofre do motor junto com a tração integral do Delta Integrale, além de considerarem o custo
de montagem em uma linha de produção paralela inviável financeiramente. O protótipo único serviu como carro
médico no Grande Prêmio de Monza de Fórmula 1 em 1994, transportando o médico oficial da FIA, Dr. Sid
Watkins.
As Edições Especiais da Zagato: TI.Z e GTAZ
Desenvolvidos pela famosa encarroçadora italiana Zagato, os modelos TI.Z (lançado em 1993) e GTAZ (lançado em
1995) surgiram de uma demanda específica de entusiastas e investidores do mercado japonês. Diante da recusa
da diretoria da Alfa Romeo em produzir uma versão mais agressiva do 155 por questões de custo, esse grupo de
importadores fechou um acordo direto com a Zagato.
Os modelos tinham uma carroceria musculosa exclusiva e rodas especiais de liga leve fornecidas pela marca OZ.
O modelo TI.Z utilizava o motor 2.0 Twin Spark preparado para gerar 170 cv de potência. Já o modelo topo de
linha, GTAZ, usava o motor turbo e a tração integral do Q4 recalibrados para entregar 215 cv a 5.500 rpm e
314 Nm de torque a 2.500 rpm. Pesando 1.400 kg, o GTAZ acelerava até uma velocidade máxima de 230 km/h.
Quase todas as pouquíssimas unidades produzidas desses modelos foram exportadas de forma exclusiva para o
mercado do Japão.