Mais do que qualquer outro componente, os motores definian a personalidade do Alfa Romeo 166. A gama
oferecida era um reflexo da rica tradição de engenharia da marca, proporcionando opções que iam da
eficiência tecnológica à pura emoção visceral.
O Lendário V6 "Busso"
No centro da experiência do 166 estava o icônico motor V6 "Busso", uma obra-prima da engenharia projetada por
Giuseppe Busso. Este motor era reverenciado não apenas por seu desempenho robusto, mas por ser uma
verdadeira peça de arte mecânica. Com seus coletores de admissão cromados e polidos, era um motor tão belo
de se ver quanto de se ouvir. Seu som, especialmente em altas rotações, era uma sinfonia metálica, gutural e
melódica, frequentemente comparada a uma ópera italiana, que se tornou a alma do carro para muitos
entusiastas.
No 166, o Busso estava disponível em três variantes a gasolina:
- 2.5 V6 24V: A porta de entrada para o mundo dos seis cilindros da Alfa, oferecendo um
equilíbrio entre performance e suavidade.
- 3.0 V6 24V: O motor principal, que equipava as versões de topo e foi a única opção
oferecida no Brasil. Com até 226 cv, proporcionava um desempenho vigoroso e transformava o 166 em um
autêntico gran turismo.
- 2.0 V6 12V Turbo: Uma versão de menor cilindrada, mas com turbocompressor, criada
principalmente para o mercado italiano para contornar a legislação fiscal que penalizava motores acima
de 2.0 litros. Apesar do tamanho reduzido, entregava 205 cv e um torque impressionante em baixas
rotações.
A produção do último motor Busso, em 31 de dezembro de 2005, marcou o fim de uma era para a Alfa Romeo. Em
uma trágica coincidência, seu criador, Giuseppe Busso, faleceu poucos dias depois, em 3 de janeiro de 2006.
A Tecnologia Twin Spark (TS)
A motorização de entrada era o 2.0 Twin Spark 16V, um quatro cilindros em linha que carregava a herança dos
famosos motores bialbero (duplo comando) da Alfa. Sua tecnologia era sofisticada, empregando duas velas de
ignição por cilindro, variador de fase no comando de válvulas e um coletor de admissão de geometria
variável. Esses recursos visavam otimizar a queima de combustível em toda a faixa de rotação, resultando em
um motor com bom torque em baixas rotações e ávido por girar alto.
Apesar de ser um motor tecnicamente avançado e elogiado por sua vivacidade, muitos críticos e proprietários
consideravam seus 155 cv apenas adequados para mover os mais de 1.400 kg do 166. Para extrair um desempenho
verdadeiramente esportivo, era necessário manter o motor em altas rotações, o que impactava o consumo de
combustível. Além disso, a correia dentada deste motor tornou-se um conhecido ponto fraco, exigindo trocas
preventivas em intervalos mais curtos do que o recomendado pela fábrica para evitar falhas catastróficas.
O Pioneirismo do 2.4 JTD
Para o mercado europeu, onde os motores a diesel ganhavam cada vez mais importância, a Alfa Romeo equipou o
166 com o motor 2.4 JTD de cinco cilindros em linha. Este propulsor foi um dos pioneiros na utilização da
tecnologia common-rail de segunda geração, que permitia uma injeção de combustível mais precisa e eficiente.
O resultado era um motor diesel notavelmente refinado para a época, com baixos níveis de ruído e vibração, e
um torque generoso de mais de 300 Nm disponível a partir de baixas rotações, o que o tornava ideal para
viagens longas em autoestradas.
A escolha do motor, no entanto, implicava em um compromisso fundamental na experiência de condução. O pesado
V6 Busso, montado transversalmente sobre o eixo dianteiro, conferia ao carro uma tendência a sair de frente
(subesterço) quando levado ao limite em curvas. Além disso, sua potência e torque, despejados nas rodas
dianteiras, resultavam em um perceptível torque steer, a sensação do volante "puxar" para um lado durante
acelerações fortes. Em contrapartida, o motor 2.0 Twin Spark, sendo significativamente mais leve, aliviava o
peso sobre o eixo dianteiro. Isso resultava em um carro mais ágil, com uma direção mais neutra e
comunicativa, mais fiel ao ideal de equilíbrio dinâmico da Alfa Romeo. O comprador era, portanto, forçado a
uma escolha que definia a personalidade do seu carro: a alma, o som e a performance do V6, sacrificando um
pouco da pureza da dirigibilidade, ou a agilidade e o equilíbrio do Twin Spark, abrindo mão da potência e do
carisma inigualável do Busso.