O Alfa Romeo 75 não teve múltiplas gerações de chassi, mas sim um processo de evolução contínua dividido em
duas fases distintas, conhecidas como Série 1 e Série 2.
Primeira Série (1985–1988)
Lançado em maio de 1985 com motores de quatro cilindros carburados (1.6, 1.8 e 2.0 litros), um 2.5 V6
injetado e um turbodiesel de 2.0 litros fornecido pela VM Motori. As primeiras versões traziam lentes
laranjas nas luzes traseiras e repetidores laterais de pisca-pisca.
Em 1986, foi adicionado o 1.8 Turbo, que utilizava um turbocompressor Garrett T3 com intercooler e radiador
de óleo para extrair 155 cv do bloco Bialbero de quatro cilindros. Essa versão serviu de base para a
homologação de carros de turismo do Grupo A da FIA, exigindo uma produção inicial mínima de 5.000 unidades
de rua.
O ano de 1987 marcou uma grande revolução mecânica com o lançamento do 2.0 Twin Spark (TS). A engenharia da
Alfa Romeo redesenhou o cabeçote do motor de dois litros para adotar duas velas por cilindro (promovendo uma
queima mais homogênea), câmaras de combustão hemisféricas rasas, injeção eletrônica digital Bosch Motronic e
o pioneiro sistema de variação de fase no comando de válvulas de admissão. O motor gerava 148 cv e melhorou
drasticamente o equilíbrio dinâmico do 75, pois o motor de alumínio era muito mais leve que os blocos V6,
eliminando a tendência de subesterço na entrada de curvas fechadas. No mesmo ano, surgiu o 3.0 V6 America,
elevando a cilindrada do motor Busco para 2.959 cc para render 188 cv.
Ainda em 1987, a Alfa Romeo produziu o raro 75 Turbo Evoluzione, limitado a exatamente 500 exemplares
montados entre março e abril. Essa versão foi necessária para homologar modificações aerodinâmicas e
mecânicas adicionais para o campeonato WTCC de 1987. Pela regra da FIA, motores turbo sofriam um
multiplicador de capacidade de 1,7 para fins de classe de competição. O motor de 1.779 cc original
equivaleria a 3.024 cc, enquadrando o 75 na Classe 1, o que o colocaria em desvantagem contra carros
maiores.
Para colocá-lo na Classe 2 (até 3.000 cc), a Alfa Romeo reduziu o diâmetro dos cilindros de 80 mm para 79,6
mm, diminuindo a cilindrada física para 1.752 cc. Isso resultava em uma cilindrada corrigida de 2.978 cc
(1752 x 1,7). O bloco do Evoluzione (Tipo 061.58) trazia paredes de cilindro mais espessas para suportar
pressões extremas de turbo nas pistas, cabeçote revisado e um turbo Garrett T03 ajustado para 0,9 bar na
versão de rua. Embora oficialmente declarado com os mesmos 155 cv do turbo convencional, o motor gerava
cerca de 175 cv reais em uso civil.
Segunda Série (Facelift de 1988 a 1992)
Introduzida no outono de 1988 para o ano-modelo 1989, a Série 2 trouxe mudanças de estilo e de engenharia
mecânica. No exterior, o veículo recebeu uma nova grade dianteira com aletas horizontais cinzas integradas e
lentes das lanternas traseiras totalmente vermelhas. O painel de instrumentos foi atualizado com grafismos
revisados e fundo cinza.
A alteração mais significativa da Série 2 foi a instalação do sistema de seleção de marchas "isostático". O
trancamento e a imprecisão crônica das trocas de marcha dos modelos anteriores — causados pelo longo caminho
entre a alavanca no console e o câmbio traseiro — foram solucionados por um novo conjunto de hastes e pivôs
balanceados, acompanhado por uma nova embreagem monodisco e sincronizadores de marchas redesenhados.
Para atender aos limites de poluição da Europa, a injeção eletrônica multiponto (i.e.) foi estendida aos
motores menores, eliminando os antigos carburadores duplos. O motor 1.8 ganhou a versão 1.8 i.e. (122 cv) e,
no fim de 1989, o 1.6 recebeu a versão 1.6 i.e. (107 cv). Um novo motor turbodiesel de 2,4 litros da VM
Motori, gerando 112 cv e equipado com intercooler, foi incorporado ao catálogo para atender ao mercado
europeu de longa distância.
Em 1990, a Alfa Romeo atualizou as variantes topo de linha. O motor 1.8 Turbo recebeu a calibração
Quadrifoglio Verde (QV), alcançando 165 cv. O topo da linha passou a ser o 3.0 V6 QV "Potenziata", que
abandonou a injeção analógica Bosch L-Jetronic em favor do sistema digital integrado Bosch Motronic
(compartilhado com o Alfa 164), elevando a potência para 192 cv. Essa versão de alta cilindrada recebeu
novas barras de torção estabilizadoras, amortecedores mais rígidos e rodas de liga leve de 15 polegadas.
Entre 1991 e 1992, nos últimos meses de fabricação, surgiram edições numeradas como a ASN (Allestimento
Sportivo Numerato), que trazia bancos Recaro de tecido aveludado cinza, rodas de liga leve exclusivas de 14
polegadas Speedline e uma placa de identificação numerada no painel. As edições especiais Indy, Imola e
Trofeo concluíram o ciclo de produção no fim de 1992, abrindo espaço para a introdução definitiva do Alfa
Romeo 155.