A trajetória comercial do Alfa Romeo 90 foi marcada por uma concorrência extremamente agressiva. Ele foi
lançado para combater modelos consagrados do mercado alemão como o BMW Série 3 (E30), o Mercedes-Benz 190E e
o Audi 80. Além disso, o sedã disputava espaço diretamente com os modernos modelos que compartilhavam a nova
plataforma "Tipo Quattro" do grupo Fiat-Svenska, como o Lancia Thema, o Fiat Croma e o Saab 9000. Diante de
rivais com carrocerias de linhas muito mais aerodinâmicas e modernas, o desenho reto e tradicional do Alfa
90 encontrou dificuldades para conquistar o mercado corporativo europeu.
No entanto, o maior entrave para o sucesso do Alfa 90 veio de dentro da própria marca. O lançamento do Alfa
Romeo 75 em 1985 — que utilizava rigorosamente os mesmos motores e suspensão, mas vestia uma carroceria com
design muito mais jovem, agressivo e dinâmico — canibalizou as vendas do irmão de maior porte. A grande
maioria dos "Alfistas" (como são conhecidos os entusiastas da marca) ignorou o Alfa 90 em favor do apelo
esportivo do Alfa 75. Para tentar mitigar as vendas fracas no varejo, a Alfa Romeo dependeu de frotas
estatais da Itália. O sedã foi adquirido em grande escala pelo governo, tornando-se uma viatura lendária nas
mãos das forças de segurança da Polizia di Stato (Polícia do Estado) e dos Carabinieri durante o final dos
anos 1980.
Entre as raridades associadas ao modelo, destaca-se um projeto de carroceria do tipo Station Wagon (perua)
encomendado em 1985 pela revista de automobilismo italiana Auto Capital à prestigiada Carrozzeria Marazzi.
Embora o desenho apresentasse boa integração de linhas e utilizasse lanternas traseiras vindas do Fiat Uno
para baratear custos, o projeto não obteve aprovação para produção comercial, restando apenas duas unidades
físicas fabricadas em todo o mundo.
Para o mercado alemão, a marca ainda desenvolveu uma série especial limitada sob o nome "Alfa 90 Campione".
Equipado com o motor V6 de 2.5 litros de 158 cv (uma variação ligeiramente recalibrada), esse modelo trazia
como diferencial um ajuste de suspensão consideravelmente mais rígido para otimizar o comportamento dinâmico
nas rodovias de alta velocidade do país.
Em julho de 1987, após uma produção acumulada de apenas 56.428 carros em Arese, a montadora desativou as
linhas de montagem do Alfa 90. O modelo foi oficialmente sucedido pelo revolucionário Alfa Romeo 164, que
foi desenvolvido sobre a plataforma de tração dianteira "Tipo Quattro" compartilhada com Fiat e Lancia,
encerrando definitivamente o ciclo de sedãs executivos clássicos com transmissão transaxle traseira da
marca.