O excelente acerto dinâmico do chassi do Sprint motivou engenheiros da Itália e de outros continentes a criar
versões de altíssimo desempenho, reconfigurando completamente a arquitetura mecânica do modelo:
O Protótipo Autodelta Sprint 6C (1982)
Projetado pela Autodelta, divisão oficial de competições da Alfa Romeo sob comando do engenheiro Carlo Chiti,
com o objetivo de homologar o carro na categoria de rali do Grupo B da FIA. Para isso, a dianteira foi toda
liberada: o motor Boxer e a tração dianteira foram retirados. No lugar dos bancos traseiros, foi instalado
longitudinalmente o motor Busso 2.5 V6 de 158 cv (herdado do GTV6), acoplado a um transeixo de cinco marchas
da marca alemã ZF que enviava a tração para as rodas traseiras.
Apenas dois protótipos foram construídos. O primeiro possuía acabamento mais civilizado em couro cinza e
carpete vermelho, enquanto o segundo era voltado a testes em pista, com janelas de acrílico e tampa de motor
modificada com saídas de ar integradas. Atualmente, o segundo protótipo repousa no acervo histórico do Museu
de Arese, na Itália, enquanto o primeiro foi localizado na África do Sul após anos desaparecido.
O Australiano Giocattolo Group B (1986–1989)
Inspirado pelo protótipo italiano 6C, o empresário australiano Paul Halstead e o projetista de Fórmula 1
Barry Lock (ex-McLaren) criaram um superesportivo de motor central. Inicialmente, o projeto previa o uso de
motores V6 da Alfa Romeo montados na traseira do Sprint. No entanto, devido aos altos custos de importação e
à recusa da fabricante italiana em fornecer componentes oficiais diretamente, Halstead alterou o plano.
O motor V6 foi substituído pelo potente motor Holden Walkinshaw Group A V8 de 5.0 litros fabricado pela
divisão esportiva HSV, gerando 255 cv (190 kW) e acoplado a uma transmissão ZF. O engenheiro Barry Lock
projetou uma suspensão traseira independente com braços sobrepostos acoplada a uma estrutura de alumínio
leve. Com portas e tampas feitas em Kevlar, o carro pesava somente 1.084 kg (2.390 lbs) e acelerava de 0 a
100 km/h na faixa dos 4,5 segundos, superando concorrentes contemporâneos como a Ferrari 348.
Apenas 15 carros foram montados na fábrica de Caloundra, Queensland, sendo que 14 exemplares originais
sobrevivem até hoje. Como detalhe folclórico, o estojo de ferramentas oficial do carro continha uma garrafa
do tradicional rum australiano Bundaberg acompanhada de dois copos para "confortar" o proprietário em caso
de pane mecânica na estrada.