1ª Geração
(2005 - 2008)
Ficha técnica, versões e história do Alfa Romeo Brera.
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(2005 - 2008)
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O Alfa Romeo Brera, conhecido pelo código de projeto interno Tipo 939, representa um dos marcos de design e engenharia mais emblemáticos da indústria automotiva italiana na década de 2000. A história deste modelo começou em 2002, quando o estúdio Italdesign, chefiado pelo renomado designer Giorgetto Giugiaro, revelou um carro-conceito homônimo no Salão do Automóvel de Genebra. Aquele conceito original trazia uma chamativa carroceria cupê feita de fibra de carbono, tração traseira e um motor V8 de alto desempenho fornecido pela Maserati. Devido à recepção extremamente positiva do público e dos entusiastas da marca, a diretoria da Alfa Romeo decidiu adaptar as linhas futuristas do conceito para a produção comercial.
O modelo definitivo de produção estreou no Salão de Genebra de 2005 com a missão de substituir o antigo Alfa Romeo GTV. No entanto, para tornar o projeto viável comercialmente, a fabricante optou por montar o carro sobre a plataforma Premium, desenvolvida em conjunto por Fiat e General Motors (GM), compartilhando essa base mecânica diretamente com o sedã Alfa Romeo 159. A montagem final do cupê foi terceirizada para a tradicional encarroçadora Pininfarina, na fábrica localizada em San Giorgio Canavese. Essa mudança de plataforma, embora tenha garantido uma excelente rigidez e altos padrões de segurança, trouxe desafios em relação ao peso e à agilidade, definindo os caminhos para o desenvolvimento do Brera nos anos seguintes.
A fabricação oficial do Alfa Romeo Brera estendeu-se de novembro de 2005 até o final de 2010, embora o estoque restante nas concessionárias tenha sido comercializado até meados de 2011. O primeiro veículo de série saiu da fábrica em 8 de novembro de 2005, ostentando o número de chassi (VIN) ZAR93900005000001. O último exemplar foi produzido em 29 de outubro de 2010, registrado sob o número de chassi ZAR93900005034194.
Ao longo de todo o seu ciclo de produção de cinco anos, foram fabricadas exatamente 21.786 unidades do cupê Brera. Para fins de comparação de mercado dentro da mesma linha Tipo 939, a versão conversível, comercializada como Alfa Romeo Spider, registrou um total de 12.488 unidades produzidas. A distribuição anual de fabricação do cupê mostra que o modelo concentrou seu volume de vendas principalmente nos dois primeiros anos completos de mercado, sofrendo quedas graduais nos anos seguintes.
Produção Anual do Alfa Romeo Brera
| Ano de Produção | Unidades Fabricadas (Cupê) |
|---|---|
| 2005 | 1.630 |
| 2006 | 8.248 |
| 2007 | 4.795 |
| 2008 | 3.770 |
| 2009 | 1.629 |
| 2010 | 1.589 |
| Total de Produção Anual | 21.661* |
*Nota: A pequena diferença de 125 unidades entre o somatório anual de 21.661 carros e o total histórico de 21.786 unidades homologadas deve-se à montagem de protótipos de desenvolvimento e modelos de teste internos pela fábrica que não entraram no fluxo padrão de vendas anuais.
O Alfa Romeo Brera não teve diferentes gerações ao longo de sua existência, mas passou por duas reestruturações importantes que aprimoraram consideravelmente o seu conjunto. No seu lançamento em 2005, o carro contava com os níveis de acabamento Medio e Sky View (este último equipado com um amplo teto solar panorâmico de vidro escurecido integrado à carroceria). Contudo, a robusta estrutura herdada do sedã 159 fazia com que o carro apresentasse um comportamento pesado em trechos sinuosos, o que motivou a fabricante a buscar soluções de engenharia.
No final de 2007, a Alfa Romeo implementou as primeiras modificações focadas no conforto interno e na eficiência mecânica. O interior do veículo ganhou um visual mais elegante com o fim das opções de cores muito contrastantes no painel, como azul com laranja ou vermelho com bege, sendo substituídas por uma moldura de console central cinza-escuro com acabamento refinado. Os assentos de couro de fábrica foram substituídos por revestimentos de alto luxo fornecidos pela famosa grife italiana Poltrona Frau (Pelle Frau). Além disso, a Alfa Romeo disponibilizou uma versão de tração dianteira (FWD) para o motor 3.2 V6 JTS, que antes estava restrito ao pesado sistema de tração integral Q4 (AWD), permitindo aos clientes optarem por uma condução mais leve e direta.
O facelift técnico mais significativo ocorreu no início de 2008. Em vez de focar em mudanças externas drásticas que pudessem descaracterizar as belas linhas premiadas de Giugiaro, os engenheiros da Alfa Romeo realizaram um profundo programa de alívio de peso. O aço de várias partes do chassi foi substituído por alumínio fundido de alta resistência. Os suportes da suspensão dianteira passaram a ser de alumínio, a barra estabilizadora adotou um formato tubular oco e as rodas de liga leve de 18 polegadas começaram a ser construídas por conformação por rotação para reduzir o peso rotacional não suspenso (o peso das rodas e componentes de suspensão). Os modelos com motores de quatro cilindros também receberam pinças de freio dianteiras monobloco de alumínio. Todo esse esforço reduziu o peso total do carro em vários quilos.
Além disso, a linha 2008 passou a equipar todas as versões de série com o diferencial eletrônico e-Q2. Este sistema eletrônico atua nos freios dianteiros para emular um bloqueio físico de diferencial, pinçando a roda de dentro da curva em acelerações fortes para enviar a força do motor para a roda de fora, reduzindo drasticamente a tendência de o carro sair de frente em velocidades elevadas. No interior, o Brera ganhou um volante redesenhado com formato esportivo e comandos de ar-condicionado de dupla zona revisados.
Os motores do Alfa Romeo Brera eram divididos entre propulsores a gasolina com injeção direta (tecnologia JTS) e turbodiesel do tipo common-rail com geometria variável (tecnologia JTDM).
A origem dos blocos a gasolina JTS (Jet Thrust Stoichiometric) remete à parceria industrial de curto prazo entre o Grupo Fiat e a General Motors. Os motores de quatro cilindros (1.9 JTS e 2.2 JTS) utilizavam blocos fornecidos pela GM (da família Ecotec) com comando de válvulas por corrente e variação contínua nos eixos de admissão e escape. Da mesma forma, o bloco do motor 3.2 V6 JTS era fundido na Austrália pela Holden (uma subsidiária da GM na época). No entanto, os engenheiros italianos da Alfa Romeo modificaram profundamente o motor V6 de 3,2 litros. Foram criados cabeçotes próprios com injeção direta de gasolina, sistema TwinPhaser para variação nos eixos de comando e coletores de admissão e escape redesenhados para conferir ao propulsor o som rascante e o comportamento esportivo típicos da engenharia da marca.
Em 2009, a Alfa Romeo introduziu o aclamado motor 1750 TBi (1.75 Turbo) de quatro cilindros. Com turboalimentação moderna, injeção direta e variação de válvulas, esse motor menor conseguia entregar 200 cavalos de potência e um excelente torque máximo de 320 Nm logo a 1.400 rpm, superando e aposentando o antigo 2.2 JTS aspirado e aliviando consideravelmente o peso sobre o eixo dianteiro. Na linha a diesel, o destaque era o motor de cinco cilindros em linha 2.4 JTDM, que evoluiu de 200 cavalos para 210 cavalos de potência e alcançou expressivos 440 Nm de torque em seus últimos anos de produção.
As especificações detalhadas de cada motorização podem ser comparadas diretamente na tabela a seguir:
Especificações Técnicas dos Motores do Alfa Romeo Brera
| Motor | Tipo | Cilindrada | Potência Máxima | Torque Máximo | Anos de Produção | Transmissões | Velocidade Máxima | Aceleração (0 a 100 km/h) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1.75 TBi | I4 Turbo | 1.742 cc | 200 PS @ 5.000 rpm | 320 Nm @ 1.400 rpm | 2009 - 2010 | Manual de 6 m | 235 km/h | 7,7 s |
| 2.2 JTS | I4 Aspirado | 2.198 cc | 185 PS @ 6.500 rpm | 230 Nm @ 4.500 rpm | 2005 - 2010 | Manual de 6 m / Selespeed de 6 m | 222 km/h (Selespeed) / 224 km/h (Manual) | 8,6 s |
| 3.2 V6 JTS Q4 | V6 Aspirado (AWD) | 3.195 cc | 260 PS @ 6.300 rpm | 322 Nm @ 4.500 rpm | 2005 - 2010 | Manual de 6 m / Q-Tronic de 6 m | 240 km/h (Manual) / 244 km/h (Q-Tronic) | 6,8 s (Manual) / 7,0 s (Q-Tronic) |
| 3.2 V6 JTS FWD | V6 Aspirado (FWD) | 3.195 cc | 260 PS @ 6.300 rpm | 322 Nm @ 4.500 rpm | 2008 - 2010 | Manual de 6 m | 250 km/h | 7,0 s |
| 2.0 JTDM | I4 Turbo (Diesel) | 1.956 cc | 170 PS @ 4.000 rpm | 360 Nm @ 1.750 rpm | 2009 - 2010 | Manual de 6 m | 218 km/h | 8,8 s |
| 2.4 JTDM (200 PS) | I5 Turbo (Diesel) | 2.387 cc | 200 PS @ 4.000 rpm | 400 Nm @ 2.000 rpm | 2005 - 2006 | Manual de 6 m / Q-Tronic de 6 m | 228 km/h (Manual) / 225 km/h (Q-Tronic) | 8,1 s (Manual) / 8,3 s (Q-Tronic) |
| 2.4 JTDM (210 PS) | I5 Turbo (Diesel) | 2.387 cc | 210 PS @ 4.000 rpm | 400 Nm @ 1.500 rpm | 2007 - 2008 | Manual de 6 m | 230 km/h | 7,9 s |
| 2.4 JTDM (Evoluído) | I5 Turbo (Diesel) | 2.387 cc | 210 PS @ 4.000 rpm | 440 Nm @ 1.500 rpm | 2009 - 2010 | Manual de 6 m | 250 km/h | 7,2 s |
As transmissões disponíveis adaptavam-se à proposta de cada versão. Além do tradicional câmbio manual de 6 velocidades, o motor 2.2 JTS contava com a opção robotizada automatizada Selespeed, que trazia trocas sequenciais na alavanca ou por aletas atrás do volante e um modo puramente automático com botão esportivo que reduzia o tempo das trocas em 20%. Já o motor V6 e a linha a diesel 2.4 contavam com a transmissão automática convencional Q-Tronic de 6 marchas, que oferecia o conforto de trocas macias e contava com os modos específicos "Sport" e "Winter" (Inverno) para auxiliar no controle dinâmico em pisos escorregadios.
As dimensões gerais do veículo e a variação de peso bruto por versão estão detalhadas nos quadros abaixo, ilustrando o impacto dos diferentes blocos mecânicos e sistemas de tração na carroceria do Tipo 939:
Dimensões e Capacidades Físicas do Brera
| Dimensão / Parâmetro | Medida Oficial |
|---|---|
| Comprimento | 4.410 mm a 4.415 mm |
| Largura | 1.830 mm |
| Altura | 1.341 mm a 1.380 mm |
| Entre-eixos | 2.528 mm a 2.530 mm |
| Capacidade do Porta-malas | 300 a 610 litros (com assentos rebatidos) |
| Capacidade do Tanque de Combustível | 70 litros (ou 69 litros na versão V6) |
Comparativo de Pesos (Em Ordem de Marcha)
| Versão de Motorização e Tração | Peso Oficial |
|---|---|
| 1.75 TBi FWD | 1.420 kg |
| 2.2 JTS FWD | 1.445 kg (Manual) / 1.440 kg (Automático) |
| 3.2 V6 JTS FWD | 1.515 kg |
| 3.2 V6 JTS Q4 (AWD) | 1.605 kg (Manual) / 1.625 kg (Automático) |
| 3.2 V6 JTS Q4 (Peso de Homologação Japonês) | 1.770 kg |
A paleta de cores externas do Alfa Romeo Brera desempenhou um papel vital em sua apresentação estética de luxo. Abaixo constam as principais cores oferecidas ao longo dos anos de produção:
| Código de Fábrica | Nome da Cor | Disponibilidade Inicial |
|---|---|---|
| 289/A | Rosso Alfa (Vermelho clássico sólido) | 2005 |
| 601 | Nero Luxor (Preto sólido) | 2005 |
| 203/B | Blu Montecarlo Met. (Azul metálico) | 2005 |
| 565/A | Argento Alfa Met. (Prata metálico) | 2005 |
| 583/A | Rosso Rubino Met. (Vermelho rubi metálico) | 2005 (Descontinuada em 2007) |
| 585/A | Grigio Touring Met. (Cinza metálico) | 2005 |
| 586/A | Blu Misano Met. (Azul brilhante metálico) | 2005 |
| 588/A | Oro Soave Met. (Dourado metálico) | 2005 |
| 696/A | Grigio Diamante Met. (Cinza escuro metálico) | 2005 (Descontinuada em 2007) |
| 876/B | Nero Carbonio Met. (Preto carbono metálico) | 2005 |
| 296 | Ghiaccio White (Branco sólido) | Adicionada em 2007 |
| 702/B | Titan Matt (Cinza titânio fosco) | Adicionada em 2007 |
A Alfa Romeo aproveitou o forte apelo de imagem do Brera para lançar algumas séries especiais exclusivas voltadas a mercados locais ou marcas de estilo parceiras.
Desenvolvida em parceria com a renomada preparadora britânica Prodrive, esta versão exclusiva foi criada para responder às críticas quanto ao comportamento pesado do Brera original nas estradas sinuosas do Reino Unido.
Desenvolvida em conjunto com a marca de estilo italiana comandada por Lapo Elkann, esta edição especial focou no apelo visual futurista e de alta moda.
Lançada em dezembro de 2008 de maneira muito restrita, essa versão destinava-se unicamente ao mercado do Japão. O cupê destacava-se pela pintura branca especial combinada com pinças de freio de alto desempenho pintadas em vermelho brilhante. Sob o capô, trazia o motor de topo de linha 3.2 V6 acoplado à transmissão automática Q-Tronic.
Para os entusiastas da marca que consideravam o desempenho dos motores originais aquém do esperado para um cupê esportivo, a preparadora independente inglesa Autodelta projetou e comercializou pacotes de modificações de alto rendimento baseados no uso de sobrealimentadores centrífugos.
Baseado no modelo equipado com o motor 3.2 V6, este projeto adotava o compressor mecânico centrífugo Rotrex C38. A preparação elevava a potência máxima de 260 cavalos de fábrica para expressivos 348 cavalos (podendo atingir 370 cavalos em projetos extremos de tração dianteira). Na versão com tração integral, o Brera J5 acelerava de 0 a 100 km/h em 5,3 segundos e atingia a velocidade máxima de 260 km/h. O pacote estético incluía um para-choque dianteiro redesenhado com entradas de ar maiores para alimentar o radiador de óleo do compressor e um extrator de ar traseiro de aço inoxidável. O preço para a instalação completa desse kit supercharger de forma avulsa passava de 7.000 libras esterlinas.
O pacote J4 foi desenvolvido especificamente para o motor de quatro cilindros de 2,2 litros. A grande justificativa técnica desse kit era o fato de o motor de 2,2 litros ser cerca de 150 kg mais leve do que o pesado bloco V6 de 3,2 litros, conferindo ao Brera um comportamento dinâmico muito mais equilibrado nas curvas. Com a instalação do compressor centrífugo Rotrex C30-74 operando com 0,65 bar de pressão, a potência do propulsor saltava de 185 cavalos de fábrica para 245 cavalos, com torque máximo subindo de 230 Nm para 290 Nm.
Para garantir a confiabilidade mecânica, a Autodelta substituiu o coletor de admissão de plástico original por uma peça fundida sob medida em alumínio e recalibrou o sistema do variador de válvulas para otimizar a entrega de torque desde baixas rotações. Como auxílio de tração na dianteira, a preparadora comercializou um diferencial mecânico de deslizamento limitado (LSD) para o eixo dianteiro do motor 2.2 JTS por 894 libras esterlinas, o que melhorava a aderência do esportivo em asfalto molhado ou curvas apertadas.
Apesar de seu apelo visual incontestável — que garantiu ao modelo a reputação de um clássico que envelheceu extremamente bem —, o Alfa Romeo Brera recebeu duras críticas da imprensa automotiva e de proprietários ao longo do seu período de comercialização. O principal ponto fraco apontado era a visibilidade traseira severamente limitada, agravada pelas largas colunas de sustentação da traseira e pelo caimento abrupto do teto, criando grandes pontos cegos laterais durante as manobras.
Outro elemento bastante criticado era o sistema de entretenimento integrado e o computador de bordo do console central, considerados visualmente antiquados para o seu segmento. Além disso, o arranjo interno de espaço dos assentos traseiros era extremamente acanhado, de modo que o cupê atuava como um esportivo de configuração prática do tipo 2+2, em que os bancos de trás serviam primariamente para transporte de bagagens adicionais ou crianças pequenas em trajetos urbanos curtos.
O peso elevado do veículo, em decorrência da robusta plataforma Premium compartilhada com o modelo 159, também cobrava o seu preço no consumo de combustível, principalmente nas versões com tração integral Q4. Ainda assim, as evoluções estruturais adotadas a partir de 2008 e o caráter purista das edições especiais de chassi calibrado, como o Brera S, asseguraram ao veículo um legado marcante de estilo e paixão automotiva.
Imagens do Alfa Romeo Brera