O ciclo de vida do Giulia Sedan estendeu-se por quinze anos de produção contínua, período no qual recebeu
aprimoramentos estéticos, simplificações de custos e novas opções de motorização. O portfólio de modelos
desenvolveu-se de maneira gradual através de quatro fases principais.
A Era de Lançamento e o Esportivo Homologado (1962–1967)
A fase inicial estabeleceu a reputação de esportividade do modelo com o lançamento do Giulia TI (Tipo 105.14)
em 1962. Equipado com o motor Twin Cam de 1.570 cc alimentado por um carburador simples de corpo duplo Solex
33 PAIA 7, o sedã entregava 92 cv de potência. O interior apresentava uma configuração de banco dianteiro
inteiriço com divisão no encosto e alavanca de câmbio montada na coluna de direção, permitindo transportar
oficialmente até seis ocupantes. O painel de instrumentos tinha acabamento metálico com um velocímetro de
escala horizontal (tipo fita) e volante de dois raios com aro de buzina cromado. Em maio de 1964, a Alfa
Romeo disponibilizou a versão com alavanca de câmbio no assoalho (Tipo 105.08) em associação exclusiva com
novos bancos dianteiros individuais esportivos. Os kits CKD destinados à exportação recebiam a denominação
de chassi Tipo 105.09.
Para consolidar a participação em competições de turismo, a marca desenvolveu o Giulia TI Super (Tipo
105.16), uma versão aliviada que teve apenas 501 unidades fabricadas entre 1963 e 1964. O motor recebia
modificações idênticas às do cupê Sprint Speciale, adotando dois carburadores duplos horizontais Weber 45
DCOE 14, o que elevava a potência para 112 cv. A redução do peso para 910 kg foi alcançada com a retirada
dos para-choques adicionais, substituição dos dois faróis internos da grade dianteira por telas de malha de
aço para admissão de ar, adoção de janelas traseiras de acrílico e rodas de liga de magnésio Campagnolo. Por
dentro, o modelo vinha com bancos do tipo concha simplificados, volante de alumínio com três raios e painel
de instrumentos com mostradores circulares. Para economizar peso nas portas, as maçanetas internas de metal
foram trocadas por tiras de couro trançado, uma solução que posteriormente seria replicada no modelo de
corrida GTA.
Em fevereiro de 1966, a Alfa Romeo aplicou o primeiro conjunto abrangente de atualizações de estilo e
funcionalidade ao Giulia TI. A alavanca de câmbio no assoalho tornou-se equipamento padrão em todas as
unidades. A cabine passou a ostentar painéis de porta redesenhados, assentos mais anatômicos e um painel de
instrumentos renovado com três mostradores circulares no lugar do antigo velocímetro horizontal. Pelo lado
externo, as lanternas traseiras ganharam frisos cromados em formato de "L" em substituição aos antigos
frisos em "C". A produção desta especificação original do TI foi descontinuada em 1967, sendo sucedida pelo
modelo 1600 S.
Expansão da Linha e a Consagração do Giulia Super (1964–1972)
Visando ampliar a base de clientes e driblar a alta carga tributária italiana sobre motores de alta
cilindrada, a Alfa Romeo introduziu o Giulia 1300 (Tipo 105.06) em 1964. O modelo contava com um motor de
1.290 cc alimentado por carburador simples que rendia 78 cv de potência, acoplado a uma transmissão
simplificada de quatro marchas no assoalho. Externamente, era reconhecido pela dianteira dotada de apenas
dois faróis circulares e, no interior, pelo acabamento desprovido de carpetes, substituídos por tapetes de
borracha. Em 1965, este foi complementado pelo Giulia 1300 TI (Tipo 105.39), que trazia uma evolução do
bloco de 1.290 cc para render 82 cv, agora associado a uma transmissão de cinco marchas. Com um interior
ligeiramente aprimorado e preço competitivo, o 1300 TI tornou-se o maior sucesso de vendas de toda a
história do Giulia, registrando mais de 140 mil unidades produzidas.
O sedã definitivo da série surgiu em 1965 com o nome de Giulia Super (Tipo 105.26). O projeto consistia em
aplicar o motor de 1.570 cc alimentado por dois carburadores duplos horizontais Weber 40 DCOE, mas com uma
calibração mais mansa e elástica do que a utilizada no TI Super de pista, resultando em 98 cv de potência e
torque abundante em médias rotações. A carroceria exibia quatro faróis na dianteira, grade com acabamento
metálico em duas peças fundidas e bancos dianteiros envolventes descritos como poltronas. O painel de
instrumentos recebia apliques imitando madeira e uma cobertura de instrumentos com dois grandes relógios
circulares.
No ano de 1969, a Alfa Romeo lançou a versão premium Giulia Super "Biscione", caracterizada pela aplicação de
dois emblemas esmaltados com a serpente da família Sforza nas colunas traseiras, frisos cromados nas
soleiras laterais da carroceria, vidro traseiro com filamentos de aquecimento integrados e potência máxima
elevada para 104 cv.
Paralelamente, em 1968, a montadora criou o Giulia 1600 S (Tipo 105.85) como uma resposta comercial direta ao
sucesso do Fiat 125 Special de 100 cv. Tratava-se de um modelo intermediário que utilizava a carroceria
simplificada do 1300 de dois faróis, mas equipada com o motor de 1.570 cc dotado de carburador simples de
corpo duplo para entregar 95 cv de potência. Este modelo voltado a rodovias foi produzido por apenas dois
anos, sendo retirado do mercado em 1970. Também nesse período, foram comercializadas pequenas séries de
conversão perua do sedã sob a designação Giulia Super Promiscua, fabricadas externamente pela Carrozzeria
Colli e destinadas principalmente ao uso policial e comercial. Em 1970, foi apresentado o Giulia 1300 Super
(Tipo 115.09), que combinava o motor 1.3 de dois carburadores duplos (89 cv) com o acabamento de luxo de
quatro faróis e painel de madeira típico das versões 1.6, sendo a primeira vez que o prefixo de chassi 115
foi empregado no sedã.
A Fase Unificado (1972–1974)
Em 1972, a Alfa Romeo adotou uma profunda reestruturação produtiva conhecida como "Unificato" para conter a
elevação dos custos industriais. A diferenciação visual entre as versões de cilindradas distintas foi
eliminada. O Giulia Super 1.3 (Tipo 115.09) e o Giulia Super 1.6 (Tipo 105.26) passaram a compartilhar
exatamente a mesma carroceria de quatro faróis dianteiros, calotas metálicas sem sobrearos cromados e com
parafusos de roda expostos, console central no habitáculo e carpetes de nylon moldados. A única distinção
técnica residia na cilindrada dos motores, no ajuste final da relação de transmissão do diferencial traseiro
e na potência do motor 1.6, que foi sutilmente recalibrado para 106 cv sob o código de motor 00526/A*S
visando reduzir emissões de gases nocivos e o consumo de combustível.
O Redesenho Nuova Super e a Variante Diesel (1974–1979)
A última grande transformação estilística do Giulia ocorreu em 1974 com o lançamento do Nuova Super (Tipo
115.09S para o motor 1.3 e Tipo 105.26S para o motor 1.6). Com o objetivo de alinhar as linhas clássicas da
década de 1960 à estética retilínea dos anos 1970, a Alfa Romeo eliminou as nervuras e vincos decorativos do
capô dianteiro e da tampa do porta-malas, tornando as superfícies de chapa totalmente lisas. A dianteira
recebeu uma nova grade em plástico preto fosco que integrava quatro faróis redondos de mesmo diâmetro,
enquanto os para-choques de metal cromado foram substituídos por peças lineares com tiras grossas de
borracha protetora. O interior foi atualizado com consoles centrais integrados ao painel, revestimento de
madeira fosca e assentos dianteiros equipados de série com apoios de cabeça reguláveis.
A crise mundial de energia de 1973 levou a fabricante a lançar, em junho de 1976, o Giulia Nuova Super Diesel
(Tipo 115.40). Tratava-se do primeiro automóvel de passageiros com propulsão ciclo Diesel da história da
Alfa Romeo. O motor adotado foi um propulsor de quatro cilindros de injeção indireta fabricado pela empresa
britânica Perkins (modelo 4.108), com 1.760 cc (comumente chamado de 1,8 litro). O motor de aspiração
natural produzia 55 cv de potência máxima, permitindo atingir uma velocidade limite de apenas 138 km/h. O
modelo enfrentou críticas pelo nível elevado de vibrações na cabine e pelo comportamento dinâmico apático
quando comparado aos tradicionais Twin Cam a gasolina, porém encontrou vendas regulares em frotas comerciais
e taxistas na Itália até o término definitivo da linha em 1977.
Uma variação esportiva geográfica notável foi desenvolvida localmente na África do Sul em dezembro de 1972,
sob o nome de Giulia 1600 Rallye. Visando competições locais, a subsidiária sul-africana combinou a
carroceria simplificada e mais leve de dois faróis do 1300 Super com um motor 1.6 de alta performance
preparado para render 125 cv (SAE), equipando o veículo com faróis auxiliares de milha integrados, espelhos
retrovisores esportivos, bancos de competição ajustáveis e um diferencial de deslizamento limitado de
fábrica.