1ª Geração
(1962 - 1964)
Ficha técnica, versões e história do Alfa Romeo Giulia Sprint.
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(1962 - 1964)
No período pós-guerra, a Alfa Romeo mudou sua estratégia para se tornar uma fabricante de automóveis em larga escala, deixando de lado a produção quase artesanal de veículos de luxo de baixo volume. O principal pilar dessa transição foi a linha Giulietta (Série 750), lançada em 1954. Para reduzir os custos de fabricação e simplificar a montagem, a Alfa Romeo introduziu modificações graduais na carroceria e nos motores no final da década de 1950. Entre essas melhorias, destaca-se a mudança na fundição dos blocos de motor, que deixaram de ser moldados em areia para serem fundidos sob pressão. Além disso, em 1958, os carros receberam uma nova caixa de câmbio mais resistente com sincronizadores do tipo Porsche.
Em 1959, a designação oficial da linha mudou de Série 750 para Série 101. Uma das alterações físicas mais importantes dessa transição ocorreu no modelo Spider, que teve seu entre-eixos alongado em 50 mm (passando de 2.200 mm para 2.250 mm) para melhorar o espaço interno e o conforto dos ocupantes.
Em 1962, a fabricante lançou o novo motor de 1.570 cc (1.6L) com duplo comando de válvulas no cabeçote (DOHC) para equipar o novo sedã Giulia TI (Série 105). Para aproveitar o enorme sucesso das carrocerias cupê e conversível da Série 101, a Alfa Romeo decidiu atualizar esses modelos existentes instalando o novo motor de 1.6 litro e uma transmissão manual de cinco marchas totalmente sincronizada. O nome "Giulia" foi escolhido como uma brincadeira de palavras em italiano, sugerindo que o novo carro era a versão adulta ou crescida da pequena "Giulietta". Essa evolução deu origem aos modelos Giulia Sprint e Giulia Spider.
O Giulia Spider manteve o estilo visual elegante de dois lugares criado pelo estúdio Pininfarina. No entanto, a versão com motor de 1.6 litro pode ser facilmente identificada por uma entrada de ar falsa instalada no capô. Essa modificação visual foi uma necessidade técnica para abrir espaço para o motor de 1.570 cc, que era fisicamente mais alto do que o antigo motor de 1.3 litro. O modelo foi oferecido em duas versões principais: Normale e Veloce.
A versão de entrada vinha equipada com o motor de 1.570 cc (Código de motor Tipo 122 ou AR00112 em alguns mercados) alimentado por um único carburador Solex 32 PAIA 5 de corpo duplo. Esse motor gerava 92 cv de potência a 6.200 rpm, permitindo que o conversível atingisse uma velocidade máxima de 172 km/h. A grande novidade mecânica era o câmbio manual de cinco marchas, um item muito raro para a época em carros dessa cilindrada, que garantia uma condução ágil e confortável na estrada. Os freios eram originalmente a tambor nas quatro rodas, com freios a disco opcionais para o eixo dianteiro surgindo mais tarde na produção.
Lançado em 1964, o Spider Veloce era a versão focada em alto desempenho esportivo. Ele trazia o motor de alta performance Tipo 121 (prefixo de motor 00121) alimentado por dois carburadores Weber 40 DCOE 2 de fluxo horizontal, entregando 112 cv de potência a 6.500 rpm e alcançando uma velocidade máxima de 182 km/h. Visualmente, exibia o emblema "1600 Veloce" na tampa do porta-malas.
Para suportar o esforço extra das competições, o motor Veloce contava com peças internas exclusivas e trabalhadas à mão, incluindo comandos de válvulas com maior abertura e tempo de permanência, pistões de alta compressão, bielas forjadas e balanceadas, e um coletor de escape tubular de fluxo livre. O modelo também possuía um cárter de óleo dividido em duas seções com um labirinto interno de refrigeração para evitar a falta de lubrificação em curvas rápidas. A partir de 1964, o Veloce adotou de série freios dianteiros a disco Dunlop reforçados e tambores maiores na traseira.
O Giulia Sprint 1600 (Tipo 101.12) chegou ao mercado em junho de 1962 utilizando a clássica carroceria cupê 2+2 desenhada pela Carrozzeria Bertone. Ele substituiu o Giulietta Sprint e manteve quase o mesmo desenho externo, diferenciando-se visualmente apenas pela instalação do emblema "1600" posicionado logo atrás dos arcos das rodas traseiras.
Por dentro, o Giulia Sprint recebeu atualizações importantes no acabamento e na ergonomia. O painel de instrumentos trapezoidal antigo foi substituído por uma peça com três mostradores circulares pretos, o volante ganhou três raios de liga leve com aro de plástico preto, e a ignição foi instalada diretamente no painel.
Mecanicamente, o cupê utilizava o motor Tipo 112 de 1.570 cc com carburador de corpo duplo Solex, gerando 92 cv de potência. O carro vinha equipado com pneus Pirelli Cinturato na medida 155x15 e uma transmissão manual de cinco marchas. Os freios a disco na dianteira tornaram-se itens de série a partir do final de 1962 e ao longo de 1963. O Giulia Sprint 1600 teve sua produção encerrada em 1964 com o lançamento da nova geração Giulia Sprint GT (Série 105).
Para atender ao mercado europeu e contornar os altos impostos aplicados a motores maiores na Itália, a Alfa Romeo reintroduziu o motor de 1.290 cc na carroceria cupê Tipo 101 entre 1962 e 1964. Vendido como "Sprint 1300", este carro trazia a inscrição "1300" na tampa traseira. Embora usasse o motor Giulietta Tipo 102 de 79 cv com carburador simples, ele adotava as melhorias técnicas da linha Giulia, como a transmissão de cinco marchas e os freios dianteiros a disco de série.
O Giulia Sprint Speciale, ou simplesmente Giulia SS, foi produzido de 1963 a 1966 e se tornou um dos carros mais marcantes da fabricante devido ao seu design aerodinâmico revolucionário. Projetado por Franco Scaglione no estúdio Bertone, o modelo foi inspirado diretamente nos estudos conceituais B.A.T. (Berlinetta Aerodinamica Tecnica) da década de 1950. A carroceria fluida apresentava um excelente coeficiente de arrasto aerodinâmico de apenas 0,28, uma marca que a indústria automobilística mundial levou mais de duas décadas para superar.
O Giulia SS substituiu a versão Giulietta SS (Tipo 101.20) no Salão de Genebra em março de 1963. A antiga versão Giulietta de 1.3 litros havia passado por modificações graduais, como a transição de um bico baixo ("low nose") nas primeiras 101 unidades de homologação para um bico ligeiramente mais alto, além da substituição das portas de alumínio por portas de aço e a remoção das janelas de plexiglass para melhorar a usabilidade cotidiana.
Com a chegada do Giulia SS (Tipo 101.21), o veículo adotou o motor Tipo 121 de 1.570 cc com dois carburadores duplos Weber 40 DCOE 2. Esse motor, o mesmo usado no sedã esportivo Giulia TI Super, produzia 112 cv a 6.500 rpm e permitia ao cupê atingir a marca de 200 km/h. A grande maioria desses carros saiu de fábrica equipada com freios a disco no eixo dianteiro e transmissão de cinco marchas. O carro trazia emblemas escritos "Giulia SS" nas laterais e oferecia um nível mínimo de isolamento acústico para manter o peso controlado em 950 kg. No total, foram fabricadas 1.400 unidades do Giulia SS, das quais 25 exemplares foram convertidos para direção do lado direito (mão inglesa) pela empresa RuddSpeed.
A transição da linha Giulietta de 1.3 litros para a linha Giulia de 1.6 litros trouxe avanços significativos na dirigibilidade e na segurança dos modelos Tipo 101. No início, todos os carros da série utilizavam freios a tambor nas quatro rodas. Na dianteira, eram usados tambores especiais com três sapatas atuantes, herdados dos carros de corrida da marca.
Com o aumento de peso e potência dos novos motores de 1.570 cc, os freios a tambor começaram a demonstrar limitações sob uso intenso. Em agosto de 1963, a Alfa Romeo começou a instalar freios a disco de quatro pistões da marca Dunlop, acompanhados de servo-freio a vácuo, no sedã Giulia TI. Essa inovação foi rapidamente adaptada para os modelos esportivos da Série 101. O Giulia Sprint 1600 e o Spider Veloce receberam freios a disco dianteiros de série em 1964, enquanto o Spider Normale manteve os discos dianteiros como um opcional de fábrica.
A transmissão também desempenhou um papel fundamental nessa evolução. A substituição do antigo câmbio de quatro marchas pela nova caixa manual de cinco marchas reduziu consideravelmente a rotação do motor em velocidades de viagem. Isso diminuiu o ruído interno na cabine e melhorou o consumo de combustível, transformando o Giulia Sprint e o Spider em carros de turismo rápidos e confortáveis para longas distâncias.
As tabelas abaixo organizam as informações detalhadas sobre motores, códigos de chassi e o histórico de produção anual para cada versão da série Giulia Tipo 101.
| Modelo | Código do Chassi | Código do Motor | Cilindrada | Sistema de Alimentação | Potência Máxima | Velocidade Máxima | Freios Dianteiros |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Giulia Sprint 1600 | Tipo 101.12 | Tipo 112 | 1.570 cc | 1x Carburador Solex de corpo duplo | 92 cv @ 6.200 rpm | 172 km/h | Tambor / Disco (no final de produção) |
| Sprint 1300 | Tipo 101.02 | Tipo 102 | 1.290 cc | 1x Carburador Solex simples | 79 cv @ 6.300 rpm | 160 km/h | Disco (de série de fábrica) |
| Giulia Spider Normale | Tipo 101.23 | Tipo 122 | 1.570 cc | 1x Carburador Solex 32 PAIA 5 | 92 cv @ 6.200 rpm | 172 km/h | Tambor / Disco (opcional de fábrica) |
| Giulia Spider Veloce | Tipo 101.18 | Tipo 121 | 1.570 cc | 2x Carburadores Weber 40 DCOE 2 | 112 cv @ 6.500 rpm | 182 km/h | Disco Dunlop (de série de fábrica) |
| Giulia Sprint Speciale | Tipo 101.21 | Tipo 121 | 1.570 cc | 2x Carburadores Weber 40 DCOE 2 | 112 cv @ 6.500 rpm | 200 km/h | Disco (de série na maioria) |
| Modelo / Versão de Produção | 1962 | 1963 | 1964 | 1965 | Total Produzido |
|---|---|---|---|---|---|
| Giulia Sprint 1600 (Tipo 101.12) | 3.702 | 3.388 | 17 | — | 7.107 unidades |
| Giulia Spider 1600 Normale (LHD) | 3.145 | 3.542 | 1.878 | 285 | 8.850 unidades |
| Giulia Spider 1600 Normale (RHD) | — | 333 | 67 | — | 400 unidades |
| Giulia Spider 1600 Veloce (Tipo 101.18) | — | — | — (Início) | 1.091 | 1.091 unidades |
| Giulia Sprint Speciale (Tipo 101.21) | — (Protótipo) | — (Início) | — | — | 1.400 unidades |