Em novembro de 1977, a Alfa Romeo reintroduziu no mercado automobilístico o nome Giulietta. Conhecida
popularmente como Nuova Giulietta, a geração Tipo 116 foi projetada como um sedã executivo de porte médio,
posicionado para substituir a antiga linha Giulia (Tipo 105) e preencher o catálogo de produtos entre o
compacto Alfasud de tração dianteira e o sedã maior Alfetta.
Arquitetura Mecânica Transaxle
O Giulietta Tipo 116 compartilhava a sofisticada plataforma mecânica do Alfetta. O motor era posicionado de
forma longitudinal na dianteira, mas o conjunto de embreagem, caixa de câmbio manual de cinco marchas e o
diferencial de tração eram agrupados em uma única carcaça montada no eixo traseiro (configuração transaxle).
Essa disposição de componentes garantia uma distribuição de peso próxima da relação ideal de 50% em cada
eixo, minimizando as transferências bruscas de carga dinâmica e resultando em excelente estabilidade e
facilidade de controle em curvas.
A suspensão dianteira utilizava braços triangulares sobrepostos associados a barras de torção longitudinais
agindo sobre as bandejas inferiores e amortecedores hidráulicos verticais. A suspensão traseira utilizava um
avançado sistema de eixo rígido do tipo De Dion, apoiado por molas helicoidais e estabilizado lateralmente
por um paralelogramo de Watt. Os freios traseiros a disco eram instalados de forma interna (inboard),
montados diretamente na saída do diferencial e não junto às rodas, o que reduzia a massa não suspensa do
chassi.
Soluções de Design e Ergonomia Incomuns
A carroceria de três volumes foi desenhada internamente pelo Centro Stile Alfa Romeo, sob o comando do
designer Ermanno Cressoni. O carro exibia uma frente em cunha pronunciada com a traseira muito curta, alta e
dotada de um pequeno spoiler aerodinâmico moldado diretamente na tampa de aço do porta-malas.
O interior do veículo contava com detalhes ergonômicos e funcionais muito peculiares para os padrões europeus
da época:
- Conta-giros Reverso: O ponteiro de rotações do motor funcionava em sentido
anti-horário. Essa configuração fazia com que o ponteiro do conta-giros e o do velocímetro convergissem
no topo central do quadro de instrumentos ao atingirem as faixas máximas de desempenho.
- Porta-luvas Tipo Gaveta: Em vez de abrir de forma articulada para baixo, o porta-luvas
deslizava de forma horizontal diretamente em direção ao passageiro, comportando-se exatamente como uma
gaveta doméstica.
- Comandos de Vidro no Teto: Os botões para acionamento elétrico dos vidros dianteiros
não eram montados nas portas ou no console central, mas sim em um console de teto, posicionada logo
acima do espelho retrovisor interno.
Evolução das Três Séries (Tipo 116)
Ao longo de seus oito anos de comercialização, o Giulietta Tipo 116 foi submetido a duas reestilizações
estéticas e mecânicas:
- Série 1 (1977 a 1981): O sedã foi lançado inicialmente com duas opções de motorização
Twin Cam alimentadas por carburadores de corpo duplo: 1.3 de 1.357 cc (95 cv) e 1.6 de 1.570 cc (109
cv). Em abril de 1979, o propulsor 1.8 de 1.779 cc (122 cv) foi introduzido. Em maio de 1980, foi
lançado o topo de linha Giulietta Super 2.0 de 1.962 cc (130 cv). O motor 1.3 desta série possuía um
diâmetro de pistão e curso superquadrado incomum de 80 mm x 67,5 mm, entregando alta rotação.
- Série 2 (1981 a 1983): No verão de 1981, o sedã recebeu o seu primeiro facelift.
Visualmente, o veículo ganhou molduras e proteções plásticas cinzas na parte inferior da carroceria,
novos para-choques remodelados e novas rodas de liga leve. No habitáculo, o console central e o apoio de
braço foram modificados, e o volante e os bancos receberam novos desenhos. Em 1982, foram lançadas as
versões 2.0 Ti e a primeira versão Turbodiesel da história da linha, equipada com o motor de 1.995 cc da
fabricante italiana VM Motori, que rendia 82 cv e estabeleceu diversos recordes de velocidade em pista.
Devido ao peso do motor diesel de ferro fundido, a distribuição ideal de peso era ligeiramente
prejudicada nesta versão, concentrando 56,9% da massa sobre o eixo dianteiro.
- Série 3 (1983 a 1985): Lançado no final de 1983 sob a denominação comercial de linha
"84", o modelo recebeu para-choques traseiros e dianteiros redesenhados de forma mais integrada, grade
dianteira atualizada e uma reestruturação profunda do painel de instrumentos, que recebeu novos relógios
de visualização mais limpa. O formato do banco traseiro foi sutilmente modificado nas versões superiores
de acabamento. As mudanças mecânicas incluíram atualizações no coletor de admissão e uma nova calibração
do servo-freio. Foi nesta série que se introduziu a versão 1.8 Turbo de 150 cv.
Edições Especiais: O Giulietta Turbodelta
Desenvolvido pela Autodelta (divisão oficial de corridas e preparação da Alfa Romeo), o Giulietta Turbodelta
foi o último automóvel esportivo a ostentar de fábrica a chancela oficial da preparadora antes de seu
fechamento definitivo. Equipado com o motor de 1.962 cc, o Turbodelta adotava um turbocompressor da marca
KKK que soprava pressão para dentro de dois carburadores horizontais de corpo duplo Weber.
Com uma potência de 170 cv e torque de 283 Nm, o modelo acelerava de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos e atingia
velocidade máxima de 206 km/h. Exclusivo e com apenas 361 unidades produzidas, o Turbodelta era
caracterizado pela carroceria pintada em tom cinza e preto metálico de dois tons, rodas Speedline de 14
polegadas e interior revestido em veludo vermelho-salmão com detalhes em couro sintético vermelho de nome
Texalfa.
Variantes Perua da Geração Tipo 116: Conversões Moretti e Lombardi
A Alfa Romeo nunca vendeu de forma oficial uma versão perua (station wagon) da plataforma Tipo 116. No
entanto, encarroçadores parceiros mantiveram a tradição de criar tais versões utilitárias sob encomenda:
- Moretta Giardinetta: Desenvolvida pela encarroçadora Moretti S.p.A. no primeiro
semestre de 1978, esta versão utilizava a base estrutural do sedã de produção comum. Visando conter os
custos de retrabalho na estrutura de metal, a Moretti optou por manter inalteradas as quatro portas
laterais do sedã e até mesmo as lanternas traseiras. A transformação consistia em elevar e estender o
teto longitudinalmente e criar uma área envidraçada extra entre as colunas C e D do carro, com vidros
basculantes para ventilação. A grande vantagem era o acesso ao compartimento de carga traseiro,
facilitado por uma ampla tampa traseira de abertura vertical que cortava o para-choque de forma reta. A
produção desta perua ocorreu sob volumes extremamente residuais de encomendas individuais.
- Conversões Lombardi: A Carrozzeria Lombardi também desenvolveu estudos e projetos de
conversão familiar no final da década de 1970. Essas peruas eram altamente valorizadas pelo público
focado em transporte de bagagens de luxo de forma rápida, embora o número exato de unidades convertidas
permaneça impreciso devido à produção descentralizada destas oficinas.