Type 750
(1954 - 1959)
Ficha técnica, versões e história do Alfa Romeo Giulietta Sprint.
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(1954 - 1959)
(1959 - 1965)
(1959 - 1962)
(1960 - 1962)
No início da década de 1950, a Alfa Romeo iniciou uma transição estratégica essencial, deixando de ser uma fabricante artesanal de veículos de luxo de baixo volume para se tornar uma produtora industrial de massa. Sob a liderança técnica dos engenheiros Rudolf Hruska e Giuseppe Busso, a marca planejava o lançamento da Berlina, um sedã familiar de quatro portas focado no mercado de grande volume.
No entanto, o desenvolvimento do sedã enfrentou atrasos na fábrica de Portello, em Milão. Para acalmar os investidores e cumprir obrigações com os acionistas, a diretoria decidiu terceirizar a produção de uma versão esportiva em menor escala. Três estúdios de design apresentaram propostas: Boneschi, Boano e Bertone. O desenho de Franco Scaglione, então designer-chefe da Carrozzeria Bertone, foi o escolhido. Assim nasceu o Giulietta Sprint, um cupê esportivo de configuração 2+2 apresentado no Salão de Turim em 1954. O sucesso foi imediato e transformou a trajetória da empresa, consolidando-a na categoria de motores de 1,3 litro. A alta demanda exigiu que a Bertone ampliasse suas instalações em Grugliasco para dar conta da produção. O sucesso do cupê serviu de base para o lançamento do sedã Berlina em 1955 e, logo em seguida, da versão conversível Spider.
Os primeiros exemplares do Giulietta Sprint, conhecidos como modelos de pré-produção (com cerca de 200 a 1.000 unidades fabricadas), traziam componentes artesanais e extensivo uso de alumínio, o que baixava o peso do veículo para apenas 880 kg. Mecanicamente, o carro estreou o clássico motor Alfa Romeo Twin Cam de 1290 cc com bloco e cabeçote de liga leve e duplo comando de válvulas no cabeçote. Alimentado por um carburador de corpo duplo, gerava inicialmente 65 cv. No final de 1956, a potência subiu para 70 cv. O câmbio original tinha quatro marchas com alavanca na coluna de direção, substituída por uma alavanca no assoalho a partir de 1957.
Após derrotas para os modelos de 1,3 litro da Porsche na Mille Miglia de 1955, a Alfa Romeo desenvolveu o Giulietta Sprint Veloce em 1956. A primeira versão, focada em competições, recebeu o nome de Alleggerita (Aliviada). A Bertone fabricou cerca de 600 unidades deste modelo, que trazia portas, capô e tampa do porta-malas em alumínio, janelas laterais e traseira em Plexiglas corrediço e nenhum isolamento acústico. O peso caía para 780 kg. Equipado com dois carburadores Weber horizontais de corpo duplo e taxa de compressão de 9,5:1, o motor gerava 90 cv, alcançando mais de 170 km/h. Essa configuração dominou sua categoria na Mille Miglia de 1956.
Para os clientes que desejavam esse desempenho sem o desconforto de um carro de corrida purista, a Alfa Romeo lançou no final de 1957 a versão Confortevole. Ela trazia a mecânica Veloce de 90 cv montada na carroceria padrão de aço, com janelas de vidro convencionais, acabamento acústico completo e molduras de alumínio nos vidros. Estima-se que apenas 200 unidades da versão Confortevole tenham sido fabricadas.
Em meados de 1958, a Alfa Romeo apresentou a segunda série do Sprint, com atualizações estéticas feitas por Giorgetto Giugiaro na Bertone. A grade frontal ganhou um padrão de colmeia mais fino e as aberturas laterais receberam grades completas com os piscas integrados, eliminando os frisos cromados antigos (conhecidos como "sobrancelhas"). Na traseira, as lanternas e o suporte da placa foram modificados. O motor padrão recebeu melhorias, como nova taxa de compressão de 8,5:1 e coletor de escape dividido, elevando a potência da versão básica (Normale) para 80 cv.
Em 1959, a designação oficial de engenharia mudou da Série 750 para a Série 101. A transição industrial gerou peculiaridades. Após a parada de produção no verão de 1959, a Alfa Romeo introduziu o motor da série 101, mas as versões Veloce com esse novo bloco ainda não estavam prontas. Com isso, a fábrica montou uma série especial de transição: 101 unidades do Sprint Veloce (chassis AR1493*11001 a *11101) utilizando o motor Veloce da antiga Série 750 de 1959. A partir de maio de 1960, os modelos Veloce passaram a usar em definitivo o bloco da série 101, que gerava 96 cv.
Em 1962, com o lançamento da linha Giulia, a carroceria do Sprint foi equipada com o motor de 1570 cc (1.6L) de 92 cv e câmbio de cinco marchas, passando a se chamar Giulia Sprint (Série 101.12), que também ganhou freios a disco na dianteira.
Para atender à demanda por carros mais acessíveis e contornar a pesada tributação italiana sobre motores maiores, a Alfa Romeo reintroduziu a motorização de 1,3 litro em 1964. Batizado de "Alfa Romeo 1300 Sprint" (Tipo 101.02), o modelo utilizava a mesma carroceria atualizada do Giulia, o motor de 1290 cc de 79 cv, transmissão de cinco marchas e freios a disco de série na dianteira. Foram produzidas apenas 1.900 unidades desta versão até o encerramento definitivo da linha em late 1965.
O nascimento do Giulietta Spider foi impulsionado pelo importador norte-americano Max Hoffman, que garantiu a compra de 600 unidades se a Alfa Romeo produzisse um conversível de dois lugares voltado ao mercado dos Estados Unidos. A fabricante encomendou propostas para a Bertone e para a Pininfarina, sendo o projeto elegante e equilibrado desenvolvido por Franco Martinengo para a Pininfarina o escolhido para a produção em série.
Lançado em meados de 1955, o primeiro Giulietta Spider (Tipo 750D) utilizava um chassi monobloco com entre-eixos encurtado de 2.200 mm (86,6 polegadas), garantindo excelente agilidade. Visualmente limpa, a primeira série caracterizava-se por portas sem quebra-ventos, porta-luvas aberto no painel de instrumentos e pequenas lanternas traseiras arredondadas. O motor era o de 1290 cc com 65 cv (70 cv após 1956) e câmbio de quatro marchas no assoalho. A versão de alta performance Spider Veloce (Tipo 750F), alimentada por dois carburadores de corpo duplo e gerando 90 cv, estreou em 1956.
Apresentado no Salão de Frankfurt em setembro de 1959, o novo Giulietta Spider marcou a transição para o chassi Tipo 101. Embora as linhas gerais parecessem idênticas, as modificações de engenharia e ergonomia foram profundas:
A transição de 1959 gerou modelos híbridos raros. Durante a mudança de linha, a Alfa Romeo produziu 1.593 unidades do Spider da Série 750 antes de adotar o chassi 101. Algumas dessas unidades de transição traziam a suspensão da Série 101 combinada ao motor da Série 750, enquanto outros poucos carros combinavam o chassi curto com os novos quebra-ventos das portas. Houve ainda 112 unidades do Spider Veloce de transição (chassis AR1493*07501 a *07612) equipadas com o motor Veloce 750. A partir de 1960, a linha adotou em definitivo os motores Tipo 101, com as versões Spider Normale (Tipo 101.03) gerando 80 cv e Spider Veloce (Tipo 101.07) entregando 96 cv.
Em março de 1962, a fabricante substituiu o modelo pelo Giulia Spider (Série 101.23). O design Pininfarina foi mantido, adicionando apenas uma pequena entrada de ar no capô para acomodar o motor maior de 1570 cc de 92 cv. A transmissão passou a ser de cinco marchas de série, com freios a disco na dianteira. A versão mais potente Giulia Spider Veloce (Tipo 101.18), produzida entre 1964 e 1965 com dois carburadores Weber de corpo duplo, gerava 113 cv e alcançava 171 km/h, encerrando a história da plataforma 101.
Para além dos modelos tradicionais Sprint e Spider, a plataforma técnica do Giulietta serviu de base para a criação de outras variantes exclusivas que marcaram época:
A tabela abaixo compila de forma comparativa os motores, sistemas de alimentação, taxas de compressão e desempenho de todas as versões do Giulietta e Giulia que utilizaram as plataformas das Séries 750 e 101.
| Modelo / Variante | Tipo de Chassi | Anos de Produção | Cilindrada | Sistema de Alimentação | Taxa de Compressão | Potência Máxima | Câmbio | Velocidade Máxima |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Sprint (1ª Série) | 750B | 1954–1956 | 1290 cc | 1 Carb. duplo Solex | 8,0:1 | 65 cv @ 6.000 rpm | 4 marchas (coluna) | 160 km/h |
| Sprint (2ª Série) | 750B | 1956–1958 | 1290 cc | 1 Carb. duplo Solex | 8,0:1 | 70 cv @ 6.000 rpm | 4 marchas (assoalho) | 160 km/h |
| Sprint Veloce (Alleggerita) | 750E | 1956–1958 | 1290 cc | 2 Carb. duplos Weber | 9,5:1 | 90 cv @ 6.000 rpm | 4 marchas (assoalho) | 180 km/h |
| Sprint (Série 101) | 101.02 / 101.05 | 1959–1962 | 1290 cc | 1 Carb. duplo Solex | 8,5:1 | 80 cv @ 6.300 rpm | 5 marchas (assoalho) | 165 km/h |
| Sprint Veloce (Série 101) | 101.06 | 1959–1962 | 1290 cc | 2 Carb. duplos Weber | 9,5:1 | 96 cv @ 6.000 rpm | 4 marchas (assoalho) | 174 km/h |
| Sprint 1300 (Tardio) | 101.02 / 101.05 | 1962–1964 | 1290 cc | 1 Carb. simples Solex | 8,5:1 | 79 cv @ 6.300 rpm | 5 marchas (discos diant.) | 165 km/h |
| Giulia Sprint 1600 | 101.12 | 1962–1964 | 1570 cc | 1 Carb. duplo Solex | 9,0:1 | 92 cv @ 6.200 rpm | 5 marchas (discos diant.) | 172 km/h |
| Sprint Speciale (Giulietta SS) | 101.20 | 1959–1963 | 1290 cc | 2 Carb. duplos Weber | 9,7:1 | 100 cv @ 6.500 rpm | 5 marchas (assoalho) | 193 km/h |
| Sprint Zagato (SZ) | 101.26 | 1960–1963 | 1290 cc | 2 Carb. duplos Weber | 9,7:1 | 100 cv @ 6.500 rpm | 5 marchas (assoalho) | 200 km/h |
| Spider (1ª Série) | 750D | 1955–1956 | 1290 cc | 1 Carb. duplo Solex | 8,0:1 | 65 cv @ 6.000 rpm | 4 marchas (assoalho) | 160 km/h |
| Spider (2ª Série) | 750D | 1956–1958 | 1290 cc | 1 Carb. duplo Solex | 8,0:1 | 70 cv @ 6.000 rpm | 4 marchas (assoalho) | 160 km/h |
| Spider Veloce (Série 750) | 750F | 1956–1959 | 1290 cc | 2 Carb. duplos Weber | 9,5:1 | 90 cv @ 6.000 rpm | 4 marchas (assoalho) | 180 km/h |
| Spider (Série 101) | 101.03 / 101.04 | 1959–1962 | 1290 cc | 1 Carb. duplo Solex | 8,5:1 | 80 cv @ 6.300 rpm | 4 marchas (assoalho) | 165 km/h |
| Spider Veloce (Série 101) | 101.07 / 101.25 | 1959–1962 | 1290 cc | 2 Carb. duplos Weber | 9,5:1 | 96 cv @ 6.000 rpm | 4 marchas (assoalho) | 180 km/h |
| Giulia Spider 1600 | 101.23 | 1962–1965 | 1570 cc | 1 Carb. duplo Solex | 9,0:1 | 92 cv @ 6.200 rpm | 5 marchas (discos diant.) | 172 km/h |
| Giulia Spider Veloce | 101.18 | 1964–1965 | 1570 cc | 2 Carb. duplos Weber | 9,7:1 | 113 cv @ 6.500 rpm | 5 marchas (discos diant.) | 171 km/h |
A tabela a seguir apresenta os volumes oficiais de produção para as principais variantes da linha Giulietta e de seus sucessores diretos na transição das Séries 750 e 101.
| Modelo / Variante | Tipo de Chassi | Volume Produzido (Unidades) |
|---|---|---|
| Giulietta Sprint | 750B / 101.02 / 1300 | 24.084 |
| Giulietta Sprint Veloce | 750E / 101.06 | 3.058 |
| Giulia Sprint | 101.12 | 7.107 |
| Giulietta Sprint Speciale (SS) | 101.20 | 1.366 |
| Giulietta Sprint Zagato (SZ) | 101.26 | 210 a 217 |
| Giulietta Spider | 750D / 101.03 | 14.300 |
| Giulietta Spider Veloce | 750F / 101.07 | 2.796 |
| Giulia Spider | 101.23 | 7.107 |
| Giulia Spider Veloce | 101.18 | 3.300 |
| Giulietta Berlina (Sedã) | 750C / 101.00 | 39.057 |
| Giulietta Berlina TI (Sedã) | 753 / 101.11 | 92.728 |
| Giulietta Promiscua (Perua) | Colli | 91 |
A especificação Veloce representava uma alteração mecânica profunda e artesanal, que garantia aos modelos de competição e rua uma durabilidade muito superior sob condições extremas de uso. Entre entusiastas e colecionadores, a adaptação de peças Veloce em chassis Normale é popularmente chamada de "Abnormale", o que ressalta a importância de identificar as marcações originais de fábrica para comprovar a autenticidade de um Veloce original.
Os motores Veloce eram montados sobre um bloco de alumínio diferenciado, equipado com capas de mancal de maior espessura para aumentar a rigidez do virabrequim sob altas rotações. Os pistões eram forjados e desenhados para garantir uma taxa de compressão de 9,7:1. As bielas eram forjadas, polidas e jateadas com esferas de aço para eliminar pontos de tensão microscópicos. O cabeçote passava por um aplainamento extra nas versões 750 para elevar a taxa de compressão, operando com comandos de válvulas que possuíam maior tempo de abertura e maior curso.
Diferente dos modelos Normale (que usavam um único carburador vertical), os motores Veloce vinham equipados com dois carburadores Weber horizontais de corpo duplo, montados em um coletor de admissão específico de alumínio. Para otimizar a captação de ar frio, os chassis Veloce recebiam uma tomada de ar metálica soldada diretamente na grade dianteira esquerda (do lado do motorista).
Enquanto os modelos Normale vinham com apenas um furo no painel interno do paralama esquerdo (usado para a ventilação interna da cabine), os modelos Veloce traziam dois furos para acomodar as mangueiras de captação de ar dos carburadores. Nos modelos Normale convertidos, esse segundo furo normalmente vinha selado de fábrica com uma placa parafusada.
Para lidar com a maior vibração e torque gerados pelo motor Veloce, a Alfa Romeo soldava um suporte extra de aço com um batente de borracha regulável (chamado de para-choque de limite de torque) na longarina esquerda do chassi, posicionado logo abaixo do suporte do motor.
Nos cupês Sprint Veloce, a necessidade de autonomia em corridas levou à adoção de um tanque de combustível de 80 litros (21 galões), contra o tanque padrão de 45-50 litros. Para abrir espaço para o tubo de transbordo desse tanque maior, o assoalho do porta-malas dos Sprint Veloce trazia uma estampagem diagonal exclusiva, que corria da lateral direita até a parte frontal do porta-malas. Os modelos Spider utilizavam o mesmo tamanho de tanque em ambas as versões.
A trajetória técnica das séries 750 e 101 demonstra um aprendizado constante da Alfa Romeo no desenvolvimento de estruturas monobloco e mecânica de alta rotação. Apesar da excelente rigidez torcional que garantia a dirigibilidade esportiva desses carros, a corrosão precoce e severa das chapas de aço era um ponto fraco crônico da linha Giulietta, exigindo cuidados extremos de conservação ao longo dos anos.
As evoluções implementadas na transição para a Série 101 em 1959 demonstraram a capacidade da fábrica em corrigir problemas práticos. O alongamento do chassi do Spider suavizou o comportamento traseiro do carro em frenagens e curvas rápidas, além de acomodar melhor os motoristas de maior estatura no mercado norte-americano. A realocação da bomba de combustível e do bocal do tanque de combustível nos sedãs e cupês resolveu falhas de segurança e de funcionamento, como o risco de vazamentos em batidas e as falhas por bolhas de ar na tubulação de combustível causadas pelo calor do motor.
A introdução posterior do câmbio de cinco marchas no final de 1962 estendeu o ciclo de vida comercial da linha. Ele reduzia as rotações do motor em viagens rodoviárias, diminuindo o ruído na cabine e o desgaste interno dos pistões. A Alfa Romeo chegou a disponibilizar essa transmissão em um kit de conversão de cinco marchas nas concessionárias para os antigos proprietários de modelos de quatro marchas, demonstrando o cuidado com a base de clientes. A versatilidade da plataforma Giulietta permitiu que ela servisse de ponte para a consolidação da marca na era moderna, tornando-se o pilar sobre o qual a Alfa Romeo se estabeleceu definitivamente como uma potência industrial global.