940 Series I
(2010-2013)
Ficha técnica, versões e história do Alfa Romeo Giulietta.
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Na história da Alfa Romeo, poucos nomes carregam tanto peso e nostalgia quanto "Giulietta". Desde o seu surgimento na década de 1950, representou a essência da marca: design cativante, performance ágil e um caráter esportivo acessível. Em 2010, no Salão do Automóvel de Genebra, a Alfa Romeo reviveu essa herança com o lançamento da terceira geração, o Giulietta (Tipo 940). Este não era apenas um novo carro; era uma declaração de intenções e uma peça central na estratégia de revitalização da marca, então sob a liderança de Sergio Marchionne.
Posicionado como o sucessor do bem-sucedido Alfa 147, o Giulietta 940 tinha a ambiciosa missão de competir de frente no acirrado segmento C europeu, um campo de batalha dominado por gigantes como o Volkswagen Golf. Para isso, a Alfa Romeo prometeu um veículo que unisse o inconfundível estilo italiano a uma plataforma de engenharia completamente nova e à dinâmica de condução que define o "Cuore Sportivo" (coração esportivo) da marca. O modelo foi um teste decisivo para a capacidade da Alfa Romeo, já integrada ao Grupo Fiat, de equilibrar o apelo emocional da sua herança com as exigências racionais de qualidade, tecnologia e eficiência do mercado moderno. Com um investimento significativo em uma nova arquitetura, o Giulietta 940 foi projetado para ser a ponte entre o passado apaixonado da Alfa e um futuro mais pragmático e global.
O design do Giulietta 940 foi, desde o seu lançamento, o seu maior trunfo e principal diferencial. Concebido no Centro Stile Alfa Romeo sob a direção de Lorenzo Ramaciotti, o carro era uma manifestação da filosofia de que um automóvel familiar não precisa ser desprovido de beleza e emoção.
O exterior do Giulietta é uma aula de proporção e fluidez. A dianteira é dominada pela tradicional grade "scudetto", que parece flutuar, em vez de estar simplesmente embutida no para-choque, um detalhe que lhe confere tridimensionalidade. Os faróis, com luzes diurnas em LED, têm um formato alongado que se integra harmoniosamente às linhas do capô e dos para-lamas.
De perfil, a característica mais marcante é a linha de cintura ascendente e a solução engenhosa das maçanetas das portas traseiras, ocultas na coluna C, criando a ilusão de um coupé de três portas e reforçando a sua vocação esportiva. A traseira é igualmente distinta, com lanternas horizontais em LED que se estendem pela tampa do porta-malas e um leve indício de "coda tronca" (cauda cortada), uma homenagem sutil aos clássicos esportivos da marca. O resultado é uma carroceria que parece esculpida pelo vento, um contraste deliberado com as linhas mais retas e funcionais de seus concorrentes alemães.
Por dentro, a filosofia focada no motorista continua. O painel de instrumentos tem um desenvolvimento horizontal, com os clássicos mostradores "a binóculo" para o velocímetro e o conta-giros, uma assinatura da Alfa Romeo. No console central, uma fileira de interruptores inspirados na aviação controla diversas funções, adicionando um toque de charme retrô.
No entanto, o interior do Giulietta personifica uma dualidade. Se por um lado o design evoca paixão e esportividade, por outro, ele foi alvo de críticas quando comparado aos rivais mais pragmáticos. A qualidade de alguns plásticos era considerada inferior à dos concorrentes alemães, e a ergonomia apresentava peculiaridades, como uma posição de dirigir que não agradava a todos os biotipos e pedais considerados muito próximos por alguns motoristas. A praticidade também era um ponto de debate: os porta-objetos eram escassos e a visibilidade traseira, comprometida pelas colunas largas e pelo vidro pequeno, era limitada. O porta-malas, com capacidade de 350 litros, estava na média do segmento, mas a boca de carregamento alta dificultava o uso.
Essa abordagem de design, que priorizou a forma sobre a função, foi ao mesmo tempo a maior força e a maior fraqueza do carro. Atraiu compradores que buscavam se diferenciar e valorizavam a estética, mas afastou aqueles que, no segmento C, dão mais peso à lógica da praticidade e da ergonomia perfeita, áreas onde o VW Golf se destacava. O Giulietta era, em essência, um produto de nicho dentro de um segmento de massa.
Para que o Giulietta entregasse a dinâmica de condução esperada de um Alfa Romeo, a engenharia por baixo da carroceria precisava ser de ponta. O modelo estreou uma arquitetura completamente nova, que representou um salto tecnológico significativo para o grupo.
O Giulietta foi o primeiro veículo a utilizar a plataforma "Compact", também conhecida como C-Evo, desenvolvida com um investimento de 100 milhões de euros. A estrutura foi projetada com foco em rigidez e leveza, empregando extensivamente aços de alta e ultra-alta resistência, que compunham mais de 90% da massa total do chassi. Além disso, materiais nobres como alumínio foram utilizados em componentes da suspensão dianteira e traseira, e magnésio na travessa do painel, resultando em uma economia de peso significativa sem comprometer a segurança.
O conjunto de suspensão era particularmente sofisticado para o segmento. Na dianteira, utilizava um sistema do tipo McPherson "Evo", otimizado para máxima rigidez lateral. Na traseira, o Giulietta contava com um sistema independente Multi-link, uma solução mais avançada e que proporciona melhor controle e conforto do que o eixo de torção usado por muitos de seus concorrentes diretos. Essa base mecânica robusta foi fundamental para o comportamento ágil e a dirigibilidade elogiada do carro.
Para gerenciar o potencial do chassi e do motor, o Giulietta foi equipado com o sistema Alfa DNA, um seletor de modos de condução que se tornou uma assinatura da marca. Localizado próximo à alavanca de câmbio, o seletor permite ao motorista escolher entre três configurações distintas que alteram profundamente o caráter do carro:
O sistema DNA também interagia com o diferencial eletrônico Q2, que freia a roda dianteira interna em curvas para reduzir o subesterço e melhorar a tração na saída de curvas. Essa tecnologia permitiu que o Giulietta oferecesse múltiplas personalidades em um único pacote, algo inovador para a categoria na época. No entanto, essa sofisticação eletrônica também introduziu novos pontos de vulnerabilidade. Falhas no sistema DNA, muitas vezes associadas ao atuador do sistema MultiAir nos motores a gasolina, tornaram-se uma queixa relativamente comum, alimentando, para os céticos, a antiga reputação de "temperamento" da marca.
Com um ciclo de vida de uma década, o Giulietta passou por várias atualizações para se manter competitivo. Essas mudanças focaram principalmente em estética, tecnologia interna e na estrutura das versões.
O modelo original foi lançado com versões de acabamento como Progression e Distinctive, oferecendo uma gama de motores turbo a gasolina e diesel. A recepção inicial da crítica foi positiva, com muitos elogios ao design exterior e à dinâmica de condução. Contudo, o interior foi apontado como uma área que precisava de melhorias, especialmente em termos de tecnologia de infotainment e qualidade de alguns materiais.
A primeira atualização, apresentada no final de 2013, buscou corrigir as principais críticas ao interior. Embora as mudanças externas tenham sido discretas — uma nova grade frontal e molduras cromadas nos faróis de neblina — a cabine foi significativamente modernizada. A principal novidade foi a introdução do sistema de infotainment Uconnect com tela sensível ao toque de 5 ou 6,5 polegadas, que integrou rádio, Bluetooth e navegação. Novos volantes, bancos com melhor suporte e materiais de acabamento aprimorados também foram implementados, elevando a percepção de qualidade do interior.
Em 2016, o Giulietta recebeu seu facelift mais importante, com o objetivo de criar um "family feeling" com o recém-lançado sedã Giulia. A dianteira foi redesenhada com uma grade em colmeia e um para-choque mais esportivo. O novo logotipo da Alfa Romeo foi adotado, e a inscrição "Giulietta" na traseira passou a usar a mesma fonte do Giulia. A estrutura de versões foi simplificada, com nomenclaturas como Giulietta, Super e Veloce. Uma mudança notável foi que a versão de topo, antes chamada de "Quadrifoglio Verde", foi renomeada para "Veloce", alinhando-se à estratégia de nomenclatura da nova gama. O sistema Uconnect foi atualizado para a versão "Live", com melhor integração a smartphones e acesso a serviços online.
Nos seus últimos anos, as atualizações foram mínimas. A gama de motores foi simplificada para atender às novas normas de emissões, e foram introduzidos pacotes de estilo e novas cores para manter o modelo atraente. A produção do Alfa Romeo Giulietta foi oficialmente encerrada em 22 de dezembro de 2020, na fábrica de Cassino, na Itália, após uma década no mercado.
O longo ciclo de vida do Giulietta, com atualizações focadas em estética e tecnologia em vez de mudanças estruturais, reflete uma estratégia de "manutenção" por parte da Alfa Romeo. Enquanto o hatchback envelhecia, os recursos de desenvolvimento da empresa estavam totalmente focados nos modelos mais estratégicos para o seu renascimento global: o Giulia e o Stelvio. As atualizações mantiveram o Giulietta visualmente alinhado com a nova identidade da marca, mas não conseguiram esconder o fato de que, em 2020, era um projeto de 2010 competindo com carros muito mais modernos, o que explica o declínio acentuado em suas vendas nos últimos anos.
A alma de qualquer Alfa Romeo está em seu motor, e o Giulietta 940 ofereceu uma vasta gama de opções, todas turboalimentadas, para atender a diferentes perfis de motoristas.
A oferta a gasolina era centrada no motor 1.4 Turbo (TB), disponível em várias configurações. As versões de entrada entregavam 105 cv e 120 cv, oferecendo um desempenho adequado para o uso diário.
O grande destaque tecnológico era o motor 1.4 TB com o sistema MultiAir. Esta tecnologia inovadora, desenvolvida pela Fiat Powertrain, substitui o tradicional comando de válvulas de admissão por um sistema eletro-hidráulico. Isso permite um controle infinitamente variável da abertura das válvulas, otimizando a entrada de ar no cilindro em qualquer rotação. O resultado é mais potência e torque, com menor consumo de combustível e emissões. No Giulietta, o 1.4 TB MultiAir foi oferecido com 150 cv e 170 cv, proporcionando um excelente equilíbrio entre performance e eficiência.
Para os que não abriam mão do desempenho máximo, o motor 1750 TBi (Turbo Benzina iniezione diretta) equipava as versões de topo, que serão detalhadas no próximo capítulo. Havia também uma versão de 120 cv preparada de fábrica para funcionar com GPL (Gás Liquefeito de Petróleo), uma opção popular em alguns mercados europeus.
A linha de motores a diesel, com a tecnologia Common Rail MultiJet de segunda geração (JTDm-2), era igualmente completa. A opção mais econômica era o 1.6 JTDm, disponível com 105 cv e, posteriormente, 120 cv. Este motor era conhecido por seu baixo consumo de combustível, tornando o Giulietta uma opção viável para longas distâncias.
Para quem buscava mais performance sem abrir mão da economia, o 2.0 JTDm era a escolha ideal. Foi oferecido em uma ampla faixa de potências ao longo dos anos, incluindo versões de 140 cv, 150 cv, 170 cv e até 175 cv. Com um torque generoso em baixas rotações, este motor proporcionava acelerações vigorosas e ultrapassagens seguras.
A maioria das versões do Giulietta vinha equipada de série com uma transmissão manual de 6 velocidades, geralmente elogiada pela precisão e pelo bom escalonamento das marchas.
Como alternativa, a Alfa Romeo ofereceu a transmissão TCT (Twin Clutch Transmission), uma caixa automatizada de dupla embreagem com 6 velocidades. Em teoria, a TCT combinava o melhor de dois mundos: trocas de marcha mais rápidas que um automático convencional e uma eficiência superior à de um manual. Na prática, seu comportamento era misto. Em condução esportiva, as trocas eram rápidas, mas no trânsito urbano, especialmente nos primeiros modelos, a transmissão podia ser hesitante em baixas velocidades. O sistema start-stop integrado também foi alvo de críticas por ser lento para religar o motor. Com o tempo, a calibração do software foi aprimorada, mas a TCT nunca alcançou a suavidade das melhores caixas de dupla embreagem do mercado. Além disso, a manutenção e eventuais reparos, como a troca do conjunto de embreagens, eram consideravelmente mais caros do que na versão manual.
| Motor | Código do Motor | Cilindrada (cm³) | Potência (cv @ rpm) | Torque (Nm @ rpm) | 0-100 km/h (s) | Vel. Máxima (km/h) | Período |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Gasolina | |||||||
| 1.4 TB | 940B1000/940B8000 | 1368 | 105 @ 5000 | 206 @ 1750 | 10.9 | 186 | 2011–2016 |
| 1.4 TB | 198A4000/940B7000 | 1368 | 120 @ 5000 | 206 @ 1750 | 9.4 | 195 | 2010–2020 |
| 1.4 TB MultiAir | 940C2000 | 1368 | 150 @ 5500 | 250 @ 2500 | 8.2 | 210 | 2014–2019 |
| 1.4 TB MultiAir | 940A2000 | 1368 | 170 @ 5500 | 250 @ 2500 | 7.8 (Manual) / 7.7 (TCT) | 218 | 2010–2019 |
| 1750 TBi | 940A1000 | 1742 | 235 @ 5500 | 340 @ 1900 | 6.8 | 242 | 2010–2013 |
| 1750 TBi | 940B2000/960A1000 | 1742 | 240 @ 5750 | 340 @ 2000 | 6.0 | 244 | 2014–2019 |
| Diesel | |||||||
| 1.6 JTDm | 940A3000 | 1598 | 105 @ 4000 | 320 @ 1750 | 11.3 | 185 | 2010–2015 |
| 1.6 JTDm | 940C1000/940C5000 | 1598 | 120 @ 3750 | 320 @ 1750 | 10.0 (Manual) / 10.2 (TCT) | 195 | 2015–2021 |
| 2.0 JTDm | 940A5000 | 1956 | 140 @ 3750 | 350 @ 1500 | 9.0 | 205 | 2010–2013 |
| 2.0 JTDm | 940B5000/940C3000 | 1956 | 150 @ 3750 | 380 @ 1750 | 8.8 | 210 | 2013–2019 |
| 2.0 JTDm | 940A4000 | 1956 | 170 @ 4000 | 350 @ 1750 | 8.0 (Manual) / 7.9 (TCT) | 218 | 2010–2013 |
| 2.0 JTDm | 940B4000 | 1956 | 175 @ 3750 | 350 @ 1750 | 7.8 (TCT) | 219 | 2014–2020 |
No topo da gama Giulietta estava a versão que carregava o lendário trevo de quatro folhas, o Quadrifoglio Verde (QV), posteriormente rebatizado de Veloce. Este era o "hot hatch" da Alfa Romeo, projetado para competir diretamente com o Volkswagen Golf GTI e outros esportivos compactos.
O coração do QV era o motor 1750 TBi, um quatro cilindros com turbo e injeção direta. Na sua primeira fase (2010-2013), ele entregava 235 cv e era construído com um bloco de ferro. Em 2014, o modelo recebeu uma atualização crucial: passou a usar o motor do superesportivo Alfa Romeo 4C. Este novo motor, embora com a mesma cilindrada, era construído inteiramente em alumínio, o que reduziu o peso sobre o eixo dianteiro em 22 kg, e sua potência subiu para 240 cv. A partir desta atualização, o QV passou a ser oferecido exclusivamente com a transmissão TCT de dupla embreagem.
Uma parte fundamental da experiência era o som do motor. Os engenheiros da Alfa Romeo trabalharam especificamente no sistema de admissão para amplificar as frequências certas (entre 200 e 450 Hz), criando uma sonoridade rouca e envolvente que remetia aos clássicos motores "bialbero" da marca, um som que se tornava viciante em altas rotações.
Para lidar com a potência extra, o chassi do QV/Veloce recebia aprimoramentos. A suspensão era rebaixada em 15 mm na dianteira e 10 mm na traseira, os freios dianteiros eram da renomada marca Brembo com pinças vermelhas, e as rodas eram de 17 ou 18 polegadas com design exclusivo.
Em movimento, o Giulietta QV era um carro de caráter forte. A entrega de torque era vigorosa desde as baixas rotações, e a agilidade em estradas sinuosas era um de seus pontos fortes. No entanto, quando levado ao limite, o carro exibia uma tendência ao subesterço (saída de frente), especialmente em curvas mais fechadas, um comportamento comum em carros de tração dianteira potentes. O diferencial eletrônico Q2 ajudava a mitigar esse efeito, mas não o eliminava completamente.
A comparação com seu arqui-rival, o VW Golf GTI, revela uma diferença de filosofias. O GTI era consistentemente apontado como o benchmark de competência técnica: ergonomia perfeita, praticidade superior e uma dirigibilidade extremamente eficaz e previsível. Era a escolha da "razão". O Giulietta QV, por outro lado, conquistava pelo coração. Seu design era considerado imbatível, seu som era mais emocionante e sua condução, embora menos precisa no limite, era vista como mais orgânica e envolvente. A rivalidade não era sobre quem tinha os melhores números, mas sobre qual cultura automotiva o motorista preferia: a perfeição clínica da engenharia alemã ou a paixão imperfeita da engenharia italiana.
A jornada de uma década do Giulietta 940 pode ser traduzida em números que contam a história de seu sucesso inicial e do seu gradual declínio em um mercado em constante mudança.
| Ano | Unidades Vendidas na Europa |
|---|---|
| 2010 | 34.168 |
| 2011 | 78.911 |
| 2012 | 60.665 |
| 2013 | 45.920 |
| 2014 | 40.941 |
| 2015 | 41.767 |
| 2016 | 41.528 |
| 2017 | 32.700 |
| 2018 | 26.632 |
| 2019 | 15.690 |
| 2020 | 10.817 |
Ao longo de seus dez anos de vida, foram produzidas um total de 469.067 unidades do Alfa Romeo Giulietta na fábrica de Cassino, na Itália. Outras fontes mencionam um número ligeiramente inferior, "mais de 400 mil unidades".
A análise dos dados de vendas anuais na Europa revela uma trajetória clara. O carro atingiu seu pico de popularidade em 2011, seu primeiro ano completo no mercado, com quase 79.000 unidades vendidas. A partir daí, iniciou-se um declínio constante, agravado pela crise econômica europeia que impactou severamente seu principal mercado, a Itália, que chegou a representar quase 45% do total de suas vendas globais. A forte dependência do mercado europeu (que respondia por mais de 90% das vendas) e a falta de presença em mercados-chave como EUA, China e Brasil limitaram seu potencial de crescimento.
O fim da produção em dezembro de 2020 marcou mais do que o fim de um modelo; representou o fim de uma era para a Alfa Romeo. O Giulietta não teve um sucessor direto no formato hatchback. A marca optou por direcionar seus esforços no segmento C para o SUV Tonale, refletindo uma mudança estratégica global da indústria automotiva em direção aos utilitários esportivos. Para muitos entusiastas, o Giulietta 940 é lembrado como o último verdadeiro hatchback da Alfa Romeo, encerrando uma linhagem que foi central para a identidade da marca por décadas.
O Alfa Romeo Giulietta (Tipo 940) foi um carro de dualidades. Era inegavelmente belo, mas com falhas de praticidade que o colocavam em desvantagem contra concorrentes mais racionais. Oferecia uma experiência de condução emocionante e cheia de caráter, mas carregava consigo uma reputação de confiabilidade que, embora melhor que a de Alfas do passado, nunca se livrou completamente das sombras de problemas elétricos e mecânicos específicos, como os do sistema MultiAir.
Apesar de suas imperfeições, o Giulietta cumpriu uma missão vital: manteve a chama do "Cuore Sportivo" acesa em um formato acessível e prático por uma década inteira. Em um mercado cada vez mais homogêneo, ele ofereceu uma alternativa com alma, um carro que era comprado tanto com o coração quanto com a razão. Para os "Alfisti" e para aqueles que apreciam o design e a paixão na condução, o Giulietta 940 não foi apenas um hatchback competente; foi o último de sua espécie, um lembrete de que, mesmo em um carro para o dia a dia, pode haver espaço para a beleza e a emoção.
Imagens do Alfa Romeo Giulietta