1ª Geração
(2003 - 2010)
Ficha técnica, versões e história do Alfa Romeo GT.
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(2003 - 2010)
O Alfa Romeo GT (Tipo 937) é um automóvel do tipo grã-turismo com tração dianteira e configuração de assentos de estilo coupé. Produzido entre os anos de 2003 e 2010, o modelo se destaca na história da marca italiana como o último veículo de produção em série projetado pela lendária casa de estilo Bertone. O design do GT foi amplamente elogiado pela crítica, chegando a receber o prêmio de "Coupé Mais Belo do Mundo" em 2004 por um júri europeu.
O veículo foi apresentado ao público em março de 2003, no Salão do Automóvel de Genebra. Sua produção começou oficialmente em 28 de novembro de 2003 na fábrica de Pomigliano d'Arco, no sul da Itália, onde compartilhava a linha de montagem com os modelos Alfa Romeo 147 e 159. Ao longo de seus sete anos de ciclo de vida, o Alfa Romeo GT acumulou um total de 80.832 unidades produzidas, consolidando-se como um clássico moderno altamente desejado por entusiastas de carros esportivos.
O desenvolvimento do Alfa Romeo GT começou no final da década de 1990, com a proposta de atuar como o sucessor do antigo Alfa Romeo GTV. O objetivo do projeto era resgatar a tradição da fabricante no segmento de turismo esportivo, criando um carro que oferecesse excelente desempenho dinâmico sem abrir mão do conforto e da praticidade para viagens longas.
Para viabilizar o projeto e reduzir os custos de fabricação, a Alfa Romeo utilizou como base a plataforma Fiat Type Two (revisão 3), que já servia de estrutura para os modelos 147 e 156. Contudo, a estrutura monobloco foi reforçada para o GT, resultando em um chassi 15% mais rígido do que o do sedã 156. Essa rigidez adicional deu aos engenheiros maior liberdade para ajustar a suspensão, o que garantiu um comportamento dinâmico mais afiado e menor rolagem da carroceria nas curvas.
Uma das maiores inovações do projeto foi a união de uma carroceria coupé elegante com a utilidade prática de uma tampa traseira do tipo hatchback (três portas). Em vez de utilizar uma tampa de porta-malas pequena e isolada da cabine, comum em coupés tradicionais, a Bertone desenhou uma ampla porta traseira integrada ao vidro. Aliado a isso, o carro trazia um banco traseiro completo homologado para três pessoas (em vez do aperto comum das configurações 2+2), oferecendo um espaço muito superior ao de seus rivais de época. O porta-malas tem capacidade para 320 litros, volume que pode ser expandido para até 905 litros com os bancos traseiros rebatidos.
A dianteira do modelo trazia traços marcantes compartilhados com o Alfa Romeo 147, incluindo peças de estamparia como o capô e os para-lamas dianteiros, que foram herdados diretamente da versão esportiva 147 GTA.
| Comprimento | 4.489 mm |
| Largura | 1.763 mm |
| Altura | 1.355 mm (versão V6) / 1.362 mm (versão JTS) / 1.366 mm (versão JTD) |
| Distância entre Eixos | 2.596 mm |
| Bitola Dianteira | 1.524 mm |
| Bitola Traseira | 1.510 mm |
| Peso em Ordem de Marcha | 1.320 kg (2.0 JTS) a 1.410 kg (3.2 V6) |
Para conferir ao GT o comportamento característico da Alfa Romeo, a suspensão foi projetada com foco em precisão direcional e conforto de rodagem. O sistema utiliza soluções de alta engenharia herdadas do modelo 156:
O sistema de frenagem padrão utiliza discos ventilados na dianteira com diâmetro de 284 mm para as motorizações de quatro cilindros. A potente versão topo de linha equipada com o motor V6 traz discos dianteiros maiores, de 330 mm, mordidos por pinças Brembo de alto desempenho. No eixo traseiro, todas as versões adotam discos sólidos de 276 mm.
Em termos de auxílios de condução, o modelo incluía freios ABS com distribuição eletrônica de frenagem (EBD), controle de tração (ASR) e o sistema de controle de estabilidade da marca, denominado VDC (Vehicle Dynamic Control).
O Alfa Romeo GT foi disponibilizado com três opções de motores a gasolina de aspiração natural e duas variantes turbodiesel de alta eficiência. Todas as opções enviavam a força exclusivamente para as rodas dianteiras.
| Motorização | Cilindrada | Potência Máxima | Torque Máximo | Transmissão | Aceleração (0-100 km/h) | Velocidade Máxima |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1.8 TS | 1.747 cc | 140 cv @ 6.500 rpm | 163 Nm @ 3.900 rpm | Manual de 5 marchas | 10,6 s | 200 km/h |
| 2.0 JTS | 1.970 cc | 165 cv @ 6.400 rpm | 206 Nm @ 3.250 rpm | Manual de 5 m / Selespeed 5 m | 8,7 s | 216 km/h |
| 3.2 V6 Busso | 3.179 cc | 240 cv @ 6.200 rpm | 300 Nm @ 4.800 rpm | Manual de 6 marchas | 6,7 s | 243 km/h |
| 1.9 JTD (150) | 1.910 cc | 150 cv @ 4.000 rpm | 305 Nm @ 2.000 rpm | Manual de 6 marchas | 9,5 s | 210 km/h |
| 1.9 JTDM (170) | 1.910 cc | 170 cv @ 3.750 rpm | 330 Nm @ 2.000 rpm | Manual de 6 marchas | 8,2 s | 216 km/h |
(Dados técnicos extraídos de manuais oficiais da fabricante:)
Diferente de outros carros que passam por grandes reestilizações estéticas de meia-vida, a Alfa Romeo optou por preservar as linhas icônicas desenhadas pela Bertone no GT. As evoluções ocorreram por meio de pacotes de equipamentos, melhorias de acabamento e aprimoramentos dinâmicos.
No ano-modelo de 2006, o Alfa Romeo GT recebeu leves retoques estéticos e de qualidade interna. Por fora, o modelo ganhou uma grade dianteira atualizada com frisos cromados e retrovisores externos novos. Por dentro, o console central e o painel ganharam materiais mais agradáveis ao toque para elevar a sensação de requinte e o isolamento acústico da cabine foi melhorado.
Em outubro de 2006, a Alfa Romeo introduziu o sistema "Q2" de tração mecânica para as motorizações turbodiesel de 150 cv e 170 cv. Trata-se de um diferencial mecânico de deslizamento limitado do tipo Torsen instalado no eixo motriz dianteiro.
Em termos práticos, em curvas rápidas ou pisos escorregadios, o sistema transfere automaticamente a força do motor para a roda externa da curva, que possui maior aderência, evitando que a roda interna gire em falso e perca tração. Essa tecnologia de ponta atenuou consideravelmente a saída de frente (subesterço) típica de carros de tração dianteira, tornando o carro muito mais ágil e seguro de guiar. Os modelos equipados com o sistema Q2 também receberam suspensão mais baixa e rígida, além de barras estabilizadoras redimensionadas para respostas de direção ainda mais ágeis.
Nos anos finais de fabricação, o Alfa Romeo GT foi oferecido em diversas séries limitadas criadas para mercados específicos, trazendo decorações exclusivas e mecânica aprimorada.
Lançada em 2006, a série especial Black Line contava com pintura metálica em preto (Carbonio Black), capas dos retrovisores e grade dianteira prateadas com acabamento fosco, ponteira de escapamento cromada e rodas de liga leve de 18 polegadas com desenho exclusivo inspirado no estilo da Lamborghini. O interior trazia bancos esportivos de couro preto com costuras vermelhas, pedais de alumínio e sistema de som Premium desenvolvido pela Bose. A versão Black Line III combinava esse acabamento com o motor diesel de 170 cv e o sistema dinâmico de diferencial Q2.
Batizada com o tradicional símbolo do trevo de quatro folhas da Alfa Romeo, esta série agregava suspensão rebaixada de fábrica, rodas exclusivas de 18 polegadas com raios duplos e pinças de freio pintadas em vermelho. O logotipo do trevo era instalado na tampa traseira nas versões padrão, enquanto a versão topo de linha turbodiesel de 170 cv trazia o logotipo dentro de um triângulo branco sobre o para-lama dianteiro. O interior apresentava bancos em couro esportivo preto, mostradores de instrumentos com fundo vermelho e iluminação branca.
Produzida em 2010 logo após a conclusão da fabricação em massa regular, esta rara edição teve apenas 12 unidades montadas exclusivamente para as concessionárias holandesas. Utilizava o motor 2.0 JTS calibrado para cumprir as normas Euro 4. O acabamento vinha com pintura na cor preta exclusiva, suspensão mais baixa, rodas de magnésio de 18 polegadas, pinças vermelhas com escrita Alfa Romeo e interior refinado com couro cinza de alta qualidade. O rádio de bordo trazia conectividade Bluetooth Blue&Me e entrada USB nativa integrada.
Criada em 2010 para celebrar os 100 anos da marca italiana, teve uma tiragem de apenas 130 unidades. Desse total, 30 unidades foram enviadas para a África do Sul e 100 para a Austrália. Esses modelos vinham equipados com o motor 3.2 V6 Busso de 240 cv, transmissão manual de seis marchas, rodas exclusivas e bancos em couro com costuras vermelhas. Para o mercado francês, a série Centenario trazia o motor turbodiesel 1.9 JTDM de 150 cv, câmera de ré integrada e conectividade Bluetooth.
Série exclusiva de apenas 60 exemplares montada em 2010 para o mercado japonês. Todas as unidades vinham na cor vermelha (Rosso Alfa) com volante no lado direito (RHD) e motorização 2.0 JTS combinada à transmissão automatizada Selespeed. O modelo contava com logotipos dourados da série nas colunas traseiras, rodas exclusivas de 18 polegadas, interior revestido de couro bege natural e painel de instrumentos esportivo com iluminação em tons pretos e vermelhos.
O Alfa Romeo GT encerrou seu ciclo de fabricação em junho de 2010, atingindo a marca definitiva de 80.832 exemplares. O principal motivo de sua descontinuação foi o envelhecimento da plataforma Type 937 de origem Fiat, que não era mais capaz de se adequar de maneira viável aos novos padrões europeus de segurança e testes de emissões de poluentes mais severos.
Além disso, a demanda global do mercado automotivo por coupés de duas portas registrou uma queda acentuada no final dos anos 2000, com os compradores migrando para os hatchbacks esportivos de cinco portas e SUVs compactos. Diante dessas mudanças estruturais do mercado, a Alfa Romeo concentrou seus recursos no desenvolvimento e lançamento do hatchback médio Giulietta (2010), que passou a ocupar a lacuna de carro de volume e apelo esportivo deixada pelo clássico coupé desenhado pela Bertone.