A grande mudança em relação ao protótipo de exposição de 1967 ocorreu sob o capô. Para dar ao Montreal um
desempenho condizente com o seu visual agressivo, a Alfa Romeo decidiu descartar o motor de quatro cilindros
e instalar um propulsor de alto rendimento derivado do modelo de competição Tipo 33, projetado pela divisão
Autodelta sob a tutela de Carlo Chiti.
O bloco e os cabeçotes de alumínio do motor de corrida original de 2.0 litros foram redimensionados para o
uso civil diário, com o diâmetro dos cilindros ampliado para 80 mm e o curso dos pistões definido em 64,5
mm, totalizando uma cilindrada de 2.593 cc. Esse motor V8 de 90° utilizava quatro comandos de válvulas no
cabeçote (DOHC), duas válvulas por cilindro e um sistema de lubrificação por cárter seco com reservatório de
óleo separado. O combustível era dosado por um sistema de injeção mecânica indireta SPICA, alimentado por
duas bombas elétricas de combustível.
A força mecânica era transmitida às rodas traseiras por uma caixa de câmbio manual de cinco marchas da marca
alemã ZF, com a primeira marcha posicionada para trás (padrão dogleg), acoplada a uma embreagem de disco
duplo fornecida pela Fichtel & Sachs e a um diferencial traseiro de deslizamento limitado.
| Ficha Técnica de Desempenho |
Especificações do Alfa Romeo Montreal (Produção) |
| Tipo de Motor |
V8 em ângulo de 90° com bloco e cabeçotes em liga leve de alumínio |
| Cilindrada Exata |
2.593 cc (2.6 Litros) |
| Diâmetro x Curso |
80,0 mm x 64,5 mm |
| Taxa de Compressão |
9,0:1 |
| Alimentação de Combustível |
Injeção Mecânica Indireta SPICA (bomba injetora de 8 pistões) |
| Sistema de Ignição |
Ignição eletrônica fornecida pela Bosch |
| Potência Máxima |
200 cv @ 6.500 rpm |
| Torque Máximo |
235 Nm (24 kgfm) @ 4.750 rpm |
| Velocidade Máxima |
Entre 220 km/h e 222 km/h |
| Aceleração (0 a 100 km/h) |
7,1 a 7,6 segundos |
| Consumo de Combustível |
Elevado, característico de motores de alta rotação baseados em competição |
Embora o motor V8 entregasse excelente elasticidade e um som de escapamento encorpado e elogiado pela
imprensa, ele possuía algumas particularidades de manutenção. O sistema de injeção mecânica SPICA exigia
conhecimento especializado para regulagem correta e, com o desgaste natural após alta quilometragem, os
pistões internos da bomba podiam apresentar folgas, permitindo a infiltração de combustível no reservatório
de óleo do cárter seco, gerando fumaça no escapamento e perda de rendimento.
A localização do orifício de calibração que controlava a pressão do combustível também era peculiar,
posicionado na linha de retorno de combustível junto ao tanque traseiro, e não diretamente na saída da
bomba. Em termos de compartilhamento de componentes com a linha de produção regular da Alfa Romeo, o
Montreal era um veículo isolado: apenas o filtro de óleo, as maçanetas externas e o volante Hellebore (este
último compartilhado apenas com o sedã 2000 Berlina) podiam ser intercambiados com outros modelos clássicos
da marca.