A Revolução do Design e Aerodinâmica
Sob a liderança de Marek Reichman, a equipe de design da Aston Martin enfrentou o desafio de evoluir a
linguagem visual clássica da marca sem cair na armadilha do "design retrô". O objetivo era criar um Grand
Tourer (GT) que respeitasse a proporção áurea de 1:3 entre a área envidraçada e a carroceria, mas que
introduzisse elementos futuristas e funcionais.
A Engenharia do Capô "Clamshell"
Uma das características mais distintivas e tecnicamente complexas do DB11 é o seu capô em formato de concha
(clamshell). Trata-se de uma peça única de alumínio prensado, que se estende por toda a frente do veículo.
Esta decisão de design eliminou as inestéticas linhas de corte (fendas de separação de painéis) que
normalmente cruzam o capô e os para-lamas em carros convencionais.
Além da pureza estética, o capô clamshell serve a um propósito de segurança. Devido à sua grande área e
capacidade de deformação, ele é excepcionalmente eficaz na dissipação de energia em caso de impacto com
pedestres. Isso permitiu que os engenheiros dispensassem sistemas pirotécnicos pesados e complexos que
elevam o capô em colisões, economizando peso e espaço no compartimento do motor. A abertura do capô,
articulada na frente, é uma homenagem direta aos clássicos da marca, como o DB2 dos anos 1950, oferecendo
uma visão teatral do motor V12 ou V8.
Inovações Aerodinâmicas Patenteadas
O DB11 rompeu com a tradição de usar grandes aerofólios ou spoilers traseiros que poderiam comprometer a
silhueta elegante de um GT. Em vez de utilizar soluções visíveis, a equipe de engenharia integrou a
aerodinâmica dentro da carroceria através de duas inovações principais: o Curlicue e o AeroBlade.
| Recurso Aerodinâmico |
Localização |
Função Técnica |
| Curlicue |
Para-lamas dianteiros |
Uma saída de ar moldada dentro da caixa de roda que extrai o ar de alta pressão turbulento
gerado pela rotação das rodas. Isso reduz a sustentação (lift) no eixo dianteiro e suaviza o
fluxo de ar ao longo das laterais do carro. |
| AeroBlade |
Colunas C e Tampa do Porta-malas |
O ar é capturado por entradas discretas na base das colunas traseiras (C-pillars),
canalizado através de dutos internos na carroceria e expelido verticalmente por uma fenda na
tampa do porta-malas. Esse jato de ar cria um "spoiler virtual", empurrando a traseira para
baixo sem a necessidade de uma asa física. |
O sistema AeroBlade é complementado por um pequeno spoiler ativo (Gurney flap) que se eleva automaticamente
em velocidades muito altas para aumentar a eficácia do jato de ar, garantindo estabilidade sem penalizar o
coeficiente de arrasto em velocidades de cruzeiro.
Estrutura e Chassi: A Nova Plataforma de Alumínio
O DB11 estreou uma arquitetura inteiramente nova de alumínio colado e rebitado. Diferente da plataforma VH
anterior, esta nova estrutura foi otimizada para ser mais leve, rígida e eficiente em termos de
aproveitamento de espaço interno.
A construção utiliza uma combinação de alumínio extrudado para as longarinas principais e fundições complexas
para os pontos de montagem da suspensão, garantindo rigidez torcional superior. As portas são fabricadas em
magnésio, uma escolha de material exótico que reduz o peso em uma área crítica e facilita o fechamento com
uma sensação de solidez premium.
A suspensão adota uma configuração de triângulos sobrepostos (double wishbone) na dianteira e um sistema
multi-link na traseira. O comportamento dinâmico é gerenciado por amortecedores adaptativos Bilstein, que
oferecem três modos distintos selecionáveis pelo motorista: GT, Sport e Sport Plus. Estes modos alteram não
apenas a rigidez do amortecimento, mas também a resposta do acelerador, a velocidade das trocas de marcha e
o peso da direção assistida eletricamente (EPAS) — a primeira vez que um Aston Martin DB utilizou direção
elétrica.