A produção do Aston Martin DB4 estendeu-se de outubro de 1958 a junho de 1963, período no qual o modelo
passou por cinco séries de atualizações. Essas alterações, propostas pela fábrica e catalogadas formalmente
pelo Aston Martin Owners Club (AMOC), acompanharam a evolução técnica do automóvel.
Série I (Outubro de 1958 a Janeiro de 1960)
Esta série representa o desenho original e mais limpo do DB4, com carroceria de linhas limpas, grade
dianteira em formato de colmeia e lanternas traseiras inteiriças de peça única conhecidas como "catedral". O
capô era articulado na parte traseira, abrindo em direção ao para-brisa. As primeiras 50 unidades eram
caracterizadas por para-choques finos sem garras e janelas das portas sem molduras cromadas. A ausência de
molduras nas portas provocava assobios de vento incômodos em velocidades de cruzeiro, o que levou a fábrica
a adotar molduras metálicas a partir do 51º carro.
A partir do chassi DB4/201, um defletor de ar de alumínio foi adicionado à ventoinha do radiador para mitigar
o superaquecimento. Foram produzidas 149 unidades desta série, sendo 73 com direção do lado esquerdo para
exportação.
Série II (Janeiro de 1960 a Abril de 1961)
Visando solucionar em definitivo as falhas de arrefecimento dos primeiros clientes, a Série II trouxe
modificações importantes sob o capô. O cárter do motor foi ampliado de 14 para 17 litros e uma bomba de óleo
de maior vazão foi instalada. Opcionalmente, os compradores podiam equipar o modelo com um radiador de óleo
dianteiro, cuja presença era indicada por uma pequena entrada de ar adicional sob o para-choque frontal. O
capô passou a ser articulado na frente para evitar que se abrisse acidentalmente em alta velocidade caso a
trava falhasse.
As janelas traseiras laterais de abrir ganharam vidros planos em substituição aos anteriores de desenho
curvo, os para-choques tornaram-se mais pesados e equipados com garras de proteção, e as pinças de freio
dianteiras foram redimensionadas para maior eficiência. Como opcionais de conforto, surgiram os vidros
elétricos e a caixa de transmissão equipada com overdrive Laycock de acionamento elétrico. Foram produzidas
349 unidades.
Série III (Abril de 1961 a Setembro de 1961)
A principal mudança visual da Série III ocorreu na traseira. As lanternas "catedral" de peça única foram
substituídas por três lanternas redondas individuais montadas verticalmente sobre uma placa de suporte
cromada. No interior, o painel recebeu um conta-giros elétrico e o sistema de ventilação foi aprimorado com
cinco saídas de desembaçamento no para-brisa em vez de três.
Os comandos da coluna de direção foram simplificados de duas hastes para apenas uma, e a articulação do freio
de mão e dos pedais recebeu coberturas de proteção. O chassi passou a contar com hastes duplas de
sustentação do capô. Três raras unidades saíram de fábrica equipadas com o motor de especificação de pista
do DB4 GT. Foram construídas apenas 165 unidades.
Série IV (Setembro de 1961 a Outubro de 1962)
A Série IV é facilmente reconhecida pelo desenho frontal renovado. A clássica grade em formato de colmeia foi
substituída por uma grade de barras horizontais proeminentes contendo apenas sete barras verticais. A
entrada de ar do capô foi significativamente rebaixada e perdeu a grelha interna. O radiador de óleo passou
a ser oferecido como equipamento de série. Internamente, o cinzeiro foi reposicionado do topo do painel para
o console sobre o túnel de transmissão.
O destaque desta série foi a introdução da motorização de alta performance chamada Vantage (ou motor Special
Series). Equipada com três carburadores SU HD8, válvulas maiores e taxa de compressão de 9,0:1, esta versão
gerava 266 cv. Quase todas as unidades Vantage receberam o desenho frontal do DB4 GT, caracterizado por
faróis embutidos e cobertos por lentes acrílicas curvas com aros cromados. Foram produzidos 185 cupês Série
IV.
Série V (Setembro de 1962 a Junho de 1963)
A última série do DB4 serviu de transição direta para o DB5. Para proporcionar maior espaço para pernas no
banco traseiro e ampliar a capacidade do porta-malas, a Aston Martin esticou a carroceria do cupê em 9 cm. A
linha do teto também foi ligeiramente elevada. Para compensar o aumento na carroceria e manter a altura
total do veículo inalterada em 132 cm, as rodas de raio de 16 polegadas foram substituídas por rodas de 15
polegadas de diâmetro.
Na traseira, as três lanternas individuais foram ligeiramente recuadas em relação à borda da carroceria e
passaram a integrar uma luz de ré, deslocando os refletores vermelhos diretamente para o para-choque. Sob o
capô, foi instalada uma caixa de ar para os carburadores, uma ventoinha elétrica adicional à frente do
radiador e o sistema de ignição recebeu avanço a vácuo. O painel de instrumentos no estilo de competição do
DB4 GT tornou-se padrão a partir do chassi DB4/1001. Foram fabricados apenas 50 cupês com motorização de 240
cv e 90 cupês na especificação Vantage.