1ª Geração
(1963 - 1966)
Ficha técnica, versões e história do Aston Martin DB5 Convertible.
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(1963 - 1966)
O Aston Martin DB5 é amplamente considerado o ápice da categoria de Grã-Turismo (GT) britânica da década de 1960. Lançado em setembro de 1963, o modelo não surgiu como um projeto totalmente novo, mas sim como uma evolução refinada de seu antecessor, o DB4. Sob a gestão do empresário David Brown — cujas iniciais batizam a célebre linhagem "DB" —, o DB5 equilibrou o desempenho robusto da engenharia mecânica inglesa com a sofisticação visual das linhas desenhadas pelo estúdio italiano Carrozzeria Touring Superleggera.
Embora o design externo fosse quase idêntico ao do DB4 Série V, as atualizações técnicas e de conforto foram profundas o suficiente para que a diretoria da Aston Martin optasse por rebatizar o carro, em vez de lançá-lo apenas como uma série subsequente do DB4. Com isso, o modelo assumiu uma identidade própria, focada em uma experiência de condução mais luxuosa, silenciosa e potente, estabelecendo os padrões visuais e mecânicos que ainda servem de referência para os modelos modernos da marca.
A evolução mais marcante do Aston Martin DB5 ocorreu sob o capô. O motor original de seis cilindros em linha, construído inteiramente em liga de alumínio com duplo comando de válvulas no cabeçote (DOHC), foi projetado pelo engenheiro de motores Tadek Marek — conhecido também por seu trabalho em tanques de guerra britânicos durante a Segunda Guerra Mundial. Marek ampliou o diâmetro dos cilindros para 96 mm, elevando a cilindrada de 3,7 litros para 4,0 litros (3.995 cc).
O motor foi oferecido em duas versões de desempenho durante a produção regular do veículo:
A versão padrão do bloco de 4,0 litros era alimentada por três carburadores SU HD8. Esse conjunto gerava uma potência de 282 bhp (cerca de 286 cv) a 5.500 rpm e um torque máximo de 288 lb-ft (390 N·m) a 3.850 rpm. Com essa especificação, o carro acelerava de 0 a 97 km/h (0-60 mph) em 8 segundos e atingia a velocidade máxima de 233 km/h (145 mph).
Introduzida em setembro de 1964, a especificação Vantage era voltada para condutores que exigiam comportamento mais esportivo. A Aston Martin substituiu os carburadores originais por três carburadores Weber de corpo duplo (45DCOE) e adotou comandos de válvulas com perfil revisado para otimizar o fluxo de combustível em altas rotações. Essas alterações elevaram a potência para 325 bhp (330 cv) a 5.500 rpm. A aceleração de 0 a 97 km/h caiu para aproximadamente 6,5 segundos, enquanto a velocidade máxima superava os 240 km/h. Esse ganho de potência exigia um investimento adicional de £158 (mais taxas de compra da época) sobre o valor do veículo.
Embora o DB5 tenha permanecido em produção por apenas três anos (de julho de 1963 a setembro de 1965) e não tenha passado por reestilizações estéticas profundas, ele recebeu melhorias mecânicas e elétricas contínuas ao longo de sua história.
No lançamento, o DB5 vinha equipado com uma transmissão manual de quatro marchas com sobremarcha (overdrive). Essa configuração foi rapidamente descontinuada em 1964 em favor de uma nova caixa manual ZF de cinco marchas totalmente sincronizada, muito mais resistente e precisa. Como alternativa de conforto, os compradores podiam optar por uma transmissão automática Borg-Warner de três velocidades (inicialmente o modelo DG, atualizado para o modelo Borg-Warner Model 8 pouco antes do término da produção).
A parte elétrica do carro também evoluiu com a substituição do antigo dínamo por um alternador moderno, garantindo melhor estabilidade de energia para os novos vidros elétricos de série. O chassi de plataforma de aço, projetado pelo engenheiro Harold Beach para suportar os painéis de alumínio da carroceria Superleggera, teve sua rigidez aprimorada. O sistema de suspensão contava com braços sobrepostos e amortecedores telescópicos na dianteira, enquanto a traseira utilizava eixo rígido com braços tensores e ligação de Watt para conter o balanço lateral.
O comportamento dinâmico foi refinado com a substituição dos freios Dunlop anteriores por discos sólidos de aço da marca Girling assistidos por dois servos hidráulicos independentes, além da instalação de rodas raiadas de 15 polegadas de série. O isolamento acústico e o conforto térmico também foram aprimorados com a inclusão de vidros atérmicos Triplex Sundym, quatro silenciadores de escapamento (substituindo o sistema duplo do DB4) e a oferta opcional de ar-condicionado.
| Parâmetro Técnico | DB5 Saloon (Padrão) | DB5 Vantage |
|---|---|---|
| Anos de Produção | 1963 – 1965 | 1964 – 1965 |
| Configuração do Bloco | 6 cilindros em linha, DOHC | 6 cilindros em linha, DOHC |
| Cilindrada | 3.995 cc (diâmetro: 96 mm / curso: 92 mm) | 3.995 cc (diâmetro: 96 mm / curso: 92 mm) |
| Alimentação de Combustível | 3 carburadores SU HD8 | 3 carburadores Weber 45DCOE |
| Potência Máxima | 282 bhp @ 5.500 rpm | 325 bhp @ 5.500 rpm |
| Torque Máximo | 288 lb-ft (390 N·m) @ 3.850 rpm | 288 lb-ft (390 N·m) @ 4.500 rpm |
| Transmissões Disponíveis | Manual de 5 marchas (ZF) ou Automática de 3 marchas | Manual de 5 marchas (ZF) |
| Sistema de Freios | Discos sólidos Girling com servo duplo | Discos sólidos Girling com servo duplo |
| Aceleração (0 a 97 km/h) | 8,0 segundos | 6,5 segundos |
| Velocidade Máxima | 233 km/h (145 mph) | 241 km/h (150 mph) |
| Peso Total do Veículo | 1.502 kg | 1.502 kg |
A família DB5 foi composta por quatro configurações de carroceria muito distintas, cada uma voltada para um nicho específico do mercado de alto luxo da época.
A carroceria cupê de duas portas e configuração interna de 2+2 assentos foi a mais popular da linha, servindo de base para o desenvolvimento do carro que alcançaria fama mundial nas telas de cinema. Foram produzidas pouco mais de 800 unidades nesta configuração clássica.
Lançado logo após a apresentação do cupê, o modelo conversível de duas portas manteve o refinamento e as linhas elegantes da Touring Superleggera. Entre 1963 e 1965, foram fabricados apenas 123 exemplares do conversível, tornando-o consideravelmente mais raro que o cupê. Desse lote, somente 19 unidades foram produzidas originalmente com direção do lado esquerdo para atender ao mercado de exportação. O acabamento interno exibia um painel pintado na cor externa da carroceria, e a Aston Martin oferecia como acessório raro de fábrica uma capota rígida removível feita de aço. Apenas 12 desses conversíveis saíram de fábrica equipados com a motorização Vantage original.
No final da produção do DB5, em setembro de 1965, restavam 37 chassis não utilizados na fábrica. Para aproveitar essa estrutura de forma eficiente enquanto iniciava as vendas do novo DB6 (que contava com entre-eixos alongado), a fabricante lançou uma série de transição muito exclusiva. Produzidos entre outubro de 1965 e outubro de 1966, esses 37 conversíveis ficaram conhecidos como "Short Chassis" Volante. Sob a carroceria, os veículos eram essencialmente carros da série DB5, mas visualmente traziam elementos de estilo do DB6, como os para-choques bipartidos dianteiros e traseiros, além de lanternas traseiras verticais emprestadas do Triumph TR4. Foi a primeira vez que a marca utilizou a nomenclatura "Volante" para designar seus conversíveis de luxo.
A perua de luxo de duas portas nasceu de uma exigência pessoal de David Brown. Como era praticante de polo e caçador ativo, ele precisava de um veículo que comportasse seus cães e equipamentos esportivos sem abrir mão do requinte e desempenho de seu cupê esportivo pessoal. O protótipo construído para ele despertou interesse imediato de clientes abastados da marca. Devido à alta demanda na linha de montagem principal em Newport Pagnell, a Aston Martin transferiu as conversões para a tradicional empresa de carrocerias Harold Radford, em Londres.
Radford modificou 12 cupês para o formato Shooting Brake. O processo exigiu uma reconstrução significativa do teto de alumínio, a adaptação de uma grande porta traseira articulada no topo e a instalação de bancos traseiros rebatíveis para ampliar o espaço de bagagem. Para garantir a estabilidade do veículo após a alteração de peso e estrutura, o chassi recebia reforços pesados adicionais. O custo dessa modificação aumentava o valor de tabela do veículo em cerca de £2.000, o que equivalia ao preço de uma casa inteira no Reino Unido na época, limitando o público comprador a um círculo muito seleto.
Embora diversos registros históricos apresentem pequenas variações nos números de produção do DB5 devido à inclusão de protótipos de desenvolvimento e conversões posteriores, as estatísticas oficiais consolidadas pela Aston Martin detalham uma produção total de exatamente 1.059 chassis originais.
A tabela a seguir apresenta a matemática exata por trás da contagem de todas as variações de chassi construídas pela fabricante entre 1963 e 1966:
| Tipo de Carroceria | Quantidade de Chassis | Detalhes de Distribuição e Motorização |
|---|---|---|
| Saloon (Cupê) - Padrão | 822 unidades | Equipados originalmente com o motor de 282 bhp e carburadores SU. |
| Saloon (Cupê) - Vantage | 65 unidades | Configuração original de fábrica com motor de 325 bhp e carburadores Weber. |
| Convertible - Padrão | 111 unidades | Conversíveis regulares com capota de tecido e motor de especificação padrão. |
| Convertible - Vantage | 12 unidades | Conversíveis extremamente raros que saíram da fábrica com motor Vantage original. |
| Shooting Brake (Radford) | 12 unidades | Conversões autorizadas de cupês DB5 feitas de forma artesanal pela Radford. |
| Short Chassis Volante | 37 unidades | Os últimos 37 chassis de conversível DB5 finalizados com estilo visual do DB6. |
| Total Geral Original | 1.059 unidades |
Nota: Esta contagem consolida todas as variações mecânicas e de carroceria produzidas na década de 1960.
O papel do Aston Martin DB5 como o veículo de escolha do agente secreto James Bond no filme Goldfinger (1964) transformou instantaneamente o modelo em um ícone pop internacional, elevando a marca britânica ao cenário de desejo global. Para o filme original, quatro exemplares foram utilizados: dois carros ativos para as filmagens e dois modelos idênticos apenas para fins promocionais. O principal protótipo de desenvolvimento de chassi com os dispositivos funcionais de espionagem instalados (chassis DP/216/1) foi roubado de um hangar de aeroporto na Flórida em 1997 e permanece desaparecido até os dias atuais.
Mais de meio século após o encerramento da produção, a Aston Martin celebrou essa parceria de sucesso ao recriar o carro em uma tiragem especial de apenas 25 unidades de clientes. Batizada de "DB5 Goldfinger Continuation", a série foi montada manualmente em Newport Pagnell usando os mesmos gabaritos e desenhos clássicos de estrutura, revestidos com painéis de alumínio idênticos aos da década de 1960.
Cada uma dessas novas unidades foi vendida por cerca de £3,3 milhões (aproximadamente 3,5 a 3,8 milhões de dólares). Embora os carros não pudessem ser registrados para uso diário em vias públicas devido às regulamentações de segurança atuais, eles traziam um motor de 4,0 litros aprimorado para render 290 bhp, além de todos os dispositivos clássicos de espionagem simulados sob a supervisão do diretor de efeitos especiais da franquia de cinema, Chris Corbould.
O Aston Martin DB5 consolidou o conceito de Grã-Turismo britânico ao alinhar estilo, conforto artesanal e potência mecânica em um conjunto extremamente harmônico. Mais do que um veículo de alta velocidade para sua época, ele representou uma mudança de caráter na Aston Martin, afastando-se do comportamento rústico de pistas de corrida para focar no luxo estradista de longa distância.
Mesmo com um volume original de produção bastante reduzido para os padrões de qualquer fabricante de automóveis modernos, o DB5 perpetuou o seu legado estético e técnico na história automotiva, sendo constantemente valorizado como uma verdadeira obra de arte sobre rodas pelo colecionismo global.