O desenvolvimento do DB7 foi um exercício de pragmatismo brilhante. Ao utilizar a
plataforma do Jaguar XJS, a Aston Martin conseguiu trazer um carro ao mercado em tempo
recorde e com um orçamento fração do que seria necessário para um design "folha em
branco". No entanto, isso impôs desafios significativos, especialmente para a futura
variante Volante.
A Estrutura e o Desafio do Conversível
O chassi do XJS datava de meados da década de 1970. Embora fosse competente, a sua
adaptação para um GT moderno exigiu um trabalho extenso. A carroceria do DB7 foi
construída utilizando uma monocoque de aço semi-estrutural, com o capô, os para-lamas
dianteiros e a tampa da mala fabricados em materiais compósitos (Resina Transfer
Moulding - RTM) para poupar peso e permitir curvas complexas no design.
Para a versão Volante, a remoção do teto rígido — um componente essencial para a
integridade estrutural em monocoques — exigiu reforços substanciais. A equipa de
engenharia teve de adicionar vigas de aço nas soleiras das portas, reforços transversais
no assoalho e uma estrutura de para-brisas mais robusta. O objetivo era manter a rigidez
torcional necessária para um comportamento dinâmico preciso, evitando a "vibração do
chassi" (scuttle shake) comum em conversíveis da época. Relatórios técnicos indicam que,
apesar destes esforços, o chassi do Volante ainda apresentava alguma flexibilidade em
comparação com o Coupé, uma característica que seria mitigada, mas nunca totalmente
eliminada, ao longo da vida do modelo.
A Assinatura de Ian Callum
O design de Ian Callum para o DB7 é amplamente considerado uma obra-prima. Ele conseguiu
disfarçar as proporções herdadas do XJS com linhas fluidas e orgânicas que definiam uma
elegância intemporal. Para o Volante, Callum desenhou uma linha de cintura que subia
suavemente em direção à traseira, conferindo ao carro uma postura musculada mesmo com a
capota aberta.
Um ponto de design frequentemente discutido no Volante foi o armazenamento da capota.
Devido às restrições de espaço impostas pelo tanque de combustível e pela suspensão
traseira do XJS, não foi possível criar um compartimento onde a capota se ocultasse
completamente sob uma tampa rígida (tonneau cover) nivelada com a carroceria. Em vez
disso, a capota, quando dobrada, ficava "empilhada" visivelmente na traseira, coberta
por uma capa de couro ou vinil que precisava ser fixada manualmente. Embora fosse uma
solução menos elegante que a dos rivais alemães (como o Mercedes SL), tornou-se uma
característica distintiva do modelo, remetendo aos clássicos conversíveis britânicos.