O Antecessor Esquecido: Jaguar XJ41/XJ42
No início da década de 1980, a Jaguar iniciou o desenvolvimento de um sucessor espiritual
para o lendário E-Type e um substituto técnico para o XJ-S. O projeto, designado
internamente como XJ41 (para o cupê) e XJ42 (para o conversível), visava criar um carro
esportivo moderno, aerodinâmico e turboalimentado, destinado a competir com o Porsche
911 e o Chevrolet Corvette.
O desenvolvimento do XJ41 estendeu-se ao longo da década de 1980, consumindo recursos
significativos. O veículo projetado era, sem dúvida, esteticamente agradável e rápido,
mas sofria de um "inchaço" progressivo em termos de peso, complexidade técnica e custos
de fabricação. Quando a Ford Motor Company adquiriu a Jaguar em 1989/1990, os auditores
americanos revisaram o projeto XJ41. A conclusão foi severa: o carro estava massivamente
acima do orçamento e muito pesado para atingir seus objetivos de desempenho.
Consequentemente, a Ford cancelou o projeto XJ41 em 1990, instruindo a Jaguar a focar na
atualização do XJ-S e no desenvolvimento de uma plataforma inteiramente nova para o
futuro XK8.
A Intervenção da TWR e o "Projeto XX"
O cancelamento do XJ41 deixou um vácuo, mas também uma oportunidade. Tom Walkinshaw,
fundador da Tom Walkinshaw Racing (TWR), mantinha uma relação estreita com a Jaguar
através do programa de corridas do Grupo C e da joint-venture JaguarSport.
Walkinshaw, percebendo o potencial do design do XJ41, propôs uma solução alternativa. Ele
encarregou o designer Ian Callum de adaptar as linhas gerais do XJ41 para uma plataforma
existente e já homologada: a do Jaguar XJ-S. A ideia era criar um carro com o visual
moderno do projeto cancelado, mas com custos de produção drasticamente reduzidos,
utilizando o chassi de aço do XJ-S em vez da complexa engenharia original do XJ41. Este
novo conceito foi codificado pela TWR como "Projeto XX".
A intenção original de Walkinshaw era vender o Projeto XX de volta para a Jaguar como um
substituto "pronto para uso" e de baixo custo para o XJ-S. No entanto, a gestão da
Jaguar rejeitou a proposta. O motivo, segundo relatos de Ian Callum, foi uma mistura de
política interna ("não foi inventado aqui") e o fato de a Jaguar já estar comprometida
com o desenvolvimento do XK8 sob a supervisão da Ford.
A Conexão Walter Hayes e o Nascimento do NPX
Neste momento crítico, os destinos da TWR e da Aston Martin se cruzaram. A Aston Martin,
também sob propriedade da Ford na época, era liderada por Walter Hayes. A marca estava
em uma situação financeira precária, vendendo pouquíssimas unidades do caro e pesado
Virage. A marca precisava desesperadamente de um modelo de "entrada" para aumentar o
volume e garantir sua sobrevivência.
Hayes e Walkinshaw viram uma simbiose perfeita: a Aston Martin precisava de um carro novo
mas não tinha orçamento para desenvolvê-lo do zero; a TWR tinha um carro quase pronto (o
Projeto XX) mas não tinha uma marca para vendê-lo. Assim, o Projeto XX rejeitado pela
Jaguar foi rebatizado como "Projeto NPX" (Newport Pagnell Experimental). Ian Callum foi
então instruído a "Aston-martinizar" o design, incorporando a grade clássica da marca e
ajustando as linhas para evocar a linhagem DB.