Aston Martin DB9 Volante

Aston Martin DB9 Volante

A sinfonia do motor V12 e a liberdade do céu aberto em um conversível de elegância absoluta.

Gerações do Aston Martin DB9 Volante

Selecione uma geração para ver as versões disponíveis

Aston Martin DB9 Volante G1

1ª Geração

(2004-2008)

5.9 456 cv
Aston Martin DB9 Volante G1F

1ª Geração Facelift

(2009-2010)

5.9 477 cv
Aston Martin DB9 Volante G2

2ª Geração

(2011-2012)

5.9 477 cv
Aston Martin DB9 Volante G2F

2ª Geração Facelift

(2013-2016)

5.9 547 cv

Dados Técnicos e Históricos: Aston Martin DB9 Volante

O Marco do Renascimento em Gaydon

O Aston Martin DB9 Volante não representa apenas mais um modelo na ilustre linhagem de conversíveis de luxo da fabricante britânica; ele simboliza o ponto de inflexão mais crítico na história moderna da empresa. No início dos anos 2000, a Aston Martin encontrava-se em uma encruzilhada. Após sobreviver financeiramente na década de 1990 graças ao sucesso do DB7 — um carro belíssimo, mas construído sobre uma plataforma adaptada e envelhecida do Jaguar XJS —, a marca precisava de um produto que não apenas competisse, mas que definisse o padrão no setor de Grand Tourers (GT) de luxo. Sob a gestão do Grupo Ford e a liderança do CEO Dr. Ulrich Bez, a resposta foi um investimento maciço em uma nova sede e uma nova filosofia de construção.

O DB9, lançado inicialmente como coupé no Salão do Automóvel de Frankfurt de 2003 e seguido pelo conversível Volante no Salão de Detroit em 2004, foi o primeiro fruto da nova fábrica dedicada em Gaydon, Warwickshire. Diferente de seus antecessores montados manualmente em Newport Pagnell ou Bloxham, o DB9 inaugurou uma era de manufatura de alta tecnologia, embora mantendo o acabamento artesanal que define a marca.

Este relatório analisa exaustivamente a trajetória do DB9 Volante, desde sua concepção sobre a revolucionária plataforma VH até as suas edições finais em 2016. Exploraremos a engenharia que permitiu a um conversível manter a rigidez estrutural de um coupé, a evolução meticulosa do motor V12 de 6.0 litros, as nuances de cada atualização de modelo (facelifts) e a análise de mercado baseada nos números de produção raros e específicos. O objetivo é fornecer um documento definitivo para entusiastas, colecionadores e historiadores automotivos, detalhando cada aspecto que torna o DB9 Volante um futuro clássico garantido.

A Revolução Técnica: Arquitetura VH e Chassi

O Conceito da Plataforma "Vertical / Horizontal" (VH)

A espinha dorsal do sucesso do DB9 Volante reside na sua arquitetura. O modelo foi o veículo pioneiro a utilizar a plataforma VH (Vertical / Horizontal) da Aston Martin. O nome "Vertical / Horizontal" não se refere apenas à geometria física, mas à flexibilidade da plataforma para ser expandida verticalmente (em altura e tamanho) e horizontalmente (em diferentes modelos e tipos de veículos) dentro da gama da marca.

Diferente das construções tradicionais de aço estampado e soldado, a plataforma VH utilizava alumínio extrudado e colado, uma tecnologia derivada diretamente da indústria aeroespacial. As peças do chassi não eram unidas por soldas convencionais, mas sim por adesivos epóxi de resistência industrial, curados a quente, e reforçados por rebites mecânicos.

Vantagens da Construção em Alumínio Colado (Plataforma VH)
Característica Benefício Técnico Impacto para o Motorista
Rigidez Estrutural A colagem cria uma união contínua ao longo de toda a junta, diferentemente da solda que une apenas pontos específicos. O carro vibra menos em buracos e responde de forma mais precisa aos comandos do volante.
Peso Reduzido O alumínio é significativamente mais leve que o aço. O chassi do DB9 pesava 25% menos que o do seu antecessor, o DB7. Melhor aceleração, frenagem mais curta e menor consumo de combustível.
Absorção de Energia A estrutura foi projetada para dissipar a força de impactos de forma eficiente. Maior segurança passiva em caso de acidentes, uma prioridade no projeto moderno da Aston Martin.

Desafios do Conversível: A Rigidez do Volante

O grande desafio na engenharia de qualquer conversível é a perda do teto. Em um carro convencional, o teto atua como um elemento estrutural fundamental, fechando a "caixa" do chassi. Ao removê-lo, o carro tende a torcer, um fenômeno conhecido como "scuttle shake" (vibração do chassi), onde a estrutura flexiona visivelmente ao passar por imperfeições na estrada.

O DB9 Volante foi projetado em paralelo com o coupé, e não como uma adaptação tardia. Graças à rigidez inerente da plataforma VH, a Aston Martin conseguiu criar um conversível com o dobro da rigidez torcional do antigo DB7, sem adicionar um peso excessivo em reforços. Embora a suspensão do Volante tenha sido calibrada para ser ligeiramente mais macia que a do coupé — reconhecendo seu caráter mais voltado ao turismo de lazer do que à pilotagem em pista — a integridade estrutural permitiu que o carro mantivesse uma dinâmica de condução esportiva e precisa.

Segurança Ativa em Capotamentos

A segurança foi um ponto central no desenvolvimento do Volante. O modelo conta com pilares do para-brisas reforçados para suportar o peso do carro em caso de inversão. Além disso, atrás dos encostos de cabeça dos bancos traseiros, existem dois aros de proteção ("roll-hoops") implantáveis. Sensores monitoram a inclinação e a aceleração do veículo; se um capotamento for iminente, esses aros são disparados pirotecnicamente em milissegundos, quebrando o vidro traseiro (se a capota estiver fechada) para criar uma zona de sobrevivência para os ocupantes.

Design e Estética: A Proporção Áurea

A Filosofia de Ian Callum e Henrik Fisker

O design do DB9 é amplamente creditado a Ian Callum, que iniciou o projeto, e Henrik Fisker, que o finalizou e o levou à produção. A estética do carro foi baseada na "Proporção Áurea", uma regra matemática de beleza e harmonia encontrada na natureza e na arte clássica. O objetivo era criar um carro que parecesse "certo" de qualquer ângulo, sem a necessidade de excessos visuais como grandes aerofólios ou entradas de ar agressivas.

Para o Volante, a pureza das linhas era crítica. Fisker desenhou o carro para que a linha de cintura (a linha que corre logo abaixo das janelas) fosse ininterrupta e plana, fluindo do capô até a traseira. Isso dá ao carro uma postura elegante e "assentada" na estrada.

O Mecanismo da Capota "K-Fold"

Diferente da tendência da época, que favorecia tetos rígidos retráteis (hard-tops) — vistos em concorrentes como o Mercedes-Benz SL ou o Ferrari California —, a Aston Martin optou por uma capota de tecido tradicional. A razão era puramente estética e prática: tetos rígidos ocupam muito espaço no porta-malas e exigem uma traseira volumosa e alta para acomodar os painéis dobrados, o que arruinaria as linhas esguias do DB9.

A solução da Aston Martin foi uma capota de tecido com um mecanismo de dobra em "K".

  • Operação: A capota se recolhe em apenas 17 segundos, ao toque de um botão.
  • Armazenamento: Quando aberta, a capota desaparece completamente sob uma cobertura rígida (tonneau cover) que fica perfeitamente nivelada com a carroceria. Isso é um avanço significativo em relação ao DB7 Volante, onde a capota ficava empilhada visivelmente na traseira, coberta por uma capa de vinil manual.
  • Isolamento: A capota possui múltiplas camadas de material isolante (Thinsulate), garantindo que, quando fechada, o conforto acústico e térmico seja comparável ao do coupé, permitindo conversas em tom normal mesmo em altas velocidades.
O Coração: Evolução do Motor V12

Durante toda a sua produção (2004–2016), o DB9 Volante foi movido exclusivamente por um motor V12 naturalmente aspirado de 5.9 litros (comercialmente denominado 6.0 litros). Este motor é a alma do carro, proporcionando não apenas desempenho, mas uma trilha sonora característica que define a experiência de possuir um Aston Martin.

Especificações Técnicas Básicas

  • Configuração: V12 a 60 graus.
  • Cilindrada: 5.935 cc.
  • Válvulas: 48 válvulas (4 por cilindro).
  • Comando: Duplo comando de válvulas no cabeçote (DOHC).
  • Posição: Dianteira-central (Front Mid-mounted). O motor é posicionado o mais recuado possível no chassi, atrás do eixo dianteiro, para otimizar a distribuição de peso, resultando em um equilíbrio próximo de 50% na frente e 50% na traseira.
Evolução das Especificações do Motor V12 no DB9 Volante
Período Código/Geração Potência Máxima Torque Máximo Notas Técnicas
2004 – 2008 V12 Gen 2 450 bhp (456 cv) a 6.000 rpm 570 Nm a 5.000 rpm Versão inicial lançada com o carro. Focada em entrega de torque linear.
2009 – 2012 V12 Gen 3 470 bhp (477 cv) a 6.000 rpm 600 Nm a 5.000 rpm Cabeçote revisado para maior eficiência e resposta.
2013 – 2015 V12 AM11 (Gen 4) 510 bhp (517 cv) a 6.500 rpm 620 Nm a 5.500 rpm Bloco reforçado, novos comandos variáveis duplos, câmara de combustão usinada.
2016 V12 GT Spec 540 bhp (547 cv) a 6.750 rpm 620 Nm a 5.500 rpm Exclusivo da versão final "DB9 GT". A versão mais potente instalada no chassi DB9.
Cronologia Evolutiva Detalhada

Embora o DB9 Volante pareça visualmente semelhante ao longo de seus 12 anos de vida, ele passou por mudanças profundas sob a pele. Podemos segmentar sua história em quatro fases distintas.

Fase 1: O Lançamento e Primeiros Anos (2004–2008)

O DB9 Volante chegou ao mercado em 2005, cerca de um ano após o coupé. As críticas iniciais foram extremamente positivas quanto ao design e ao som do motor, mas apontaram que o sistema de navegação (fornecido pela Volvo) era antiquado e que a transmissão automática, embora suave, não era a mais rápida do mercado.

  • Transmissão: Inicialmente, o carro era oferecido com uma caixa automática ZF de 6 velocidades ("Touchtronic") ou uma caixa manual Graziano de 6 velocidades. A transmissão é montada na traseira (sistema Transaxle) para ajudar no equilíbrio de peso.
  • Pacote Sports Pack (2006): Em resposta aos clientes que desejavam uma condução mais afiada, a Aston Martin lançou o "Sports Pack" opcional. Este pacote incluía rodas de liga leve forjadas de 5 raios (mais leves que as padrão), molas mais rígidas, uma barra estabilizadora dianteira revisada e uma placa estrutural inferior de alumínio que aumentava a rigidez traseira. Embora mais comum nos coupés, alguns Volantes foram equipados com este pacote, transformando a dinâmica de "cruiser" relaxado para um esportivo mais focado.

Fase 2: Atualização de Meia-Vida e Refinamento (2009–2010)

No final de 2008, para o modelo 2009, a Aston Martin implementou a primeira grande atualização técnica.

  • Motor: A potência subiu para 477 cv (470 bhp) graças a modificações no cabeçote e no gerenciamento do motor.
  • Transmissão: Introdução da caixa "Touchtronic 2". Esta nova versão do câmbio automático ZF oferecia trocas de marcha mais rápidas e permitia que o motorista segurasse as marchas no limitador de giros quando em modo manual, oferecendo um controle mais esportivo.
  • Interior: O console central foi redesenhado. A chave de ignição tradicional foi substituída pela famosa "ECU" (Emotion Control Unit) — uma peça de cristal de safira e aço inoxidável que é inserida no centro do painel para ligar o carro.
  • Chassi: Novos amortecedores Bilstein foram adotados para melhorar o refinamento do rodar, lidando melhor com pequenas imperfeições do asfalto.

Fase 3: A Era Confusa e o Facelift "Virage" (2011–2012)

Este período é marcado por uma estratégia de produto curiosa. Em 2011, a Aston Martin lançou o modelo Virage, que se posicionava entre o DB9 e o topo de linha DBS. O Virage usava a mesma plataforma e motor, mas tinha 497 cv e um visual mais moderno, com faróis afilados.

Durante esse tempo, o DB9 Volante recebeu um facelift discreto para se manter relevante, mas não recebeu o visual completo do Virage.

  • Alterações Visuais: Nova grade dianteira prateada brilhante, tomadas de ar inferiores revisadas com malha hexagonal, e saias laterais redesenhadas.
  • Suspensão Adaptativa (ADS): O Sistema de Amortecimento Adaptativo tornou-se padrão, permitindo ao motorista selecionar modos de rigidez da suspensão (Normal e Sport) através de um botão no painel.

Fase 4: O "Novo" DB9 e a Consolidação (2013–2015)

Em 2012, a Aston Martin descontinuou o modelo Virage após apenas 18 meses de produção, percebendo que ele canibalizava as vendas do DB9. A solução foi aplicar todas as melhorias e o design do Virage ao próprio DB9, criando o que é conhecido como o "DB9 Gen 4" ou "Facelift 2013". Esta é considerada a versão "madura" e definitiva do modelo padrão.

  • Estética: O DB9 Volante 2013 adotou a frente do Virage, com faróis bi-xenônio mais alongados e agressivos, contendo luzes diurnas de LED integradas. A grade frontal foi inspirada no hipercarro One-77, com 5 lâminas horizontais chanfradas. Na traseira, a tampa do porta-malas ganhou um spoiler integrado ("boot flip") mais pronunciado para melhorar a aerodinâmica em alta velocidade.
  • Motor AM11: O motor foi atualizado para a especificação AM11, entregando 517 cv. Crucialmente, o motor foi reposicionado 19 mm mais baixo no chassi. Isso não apenas baixou o centro de gravidade (melhorando a estabilidade em curvas), mas também criou um espaço de deformação entre o capô e o motor para atender às novas normas europeias de proteção a pedestres.
  • Freios de Carbono-Cerâmica (CCM): Uma das mudanças mais significativas foi a inclusão de freios de Carbono-Cerâmica da Brembo como item de série em todos os DB9 Volantes. Discos de 398 mm na frente e 360 mm atrás resultaram em uma redução de cerca de 12,5 kg no peso não suspenso, melhorando o conforto de rodagem e a precisão da direção.
  • Fim do Câmbio Manual: A partir desta atualização, a opção de câmbio manual foi permanentemente removida do catálogo. Todos os carros passaram a ser equipados exclusivamente com o Touchtronic 2.

Fase 5: O Gran Finale – DB9 GT (2016)

Para celebrar o final da produção antes da chegada do sucessor DB11, a Aston Martin lançou o DB9 GT Volante.

  • Performance: O motor foi calibrado para 547 cv, tornando-o o DB9 de produção mais potente da história. O 0 a 100 km/h baixou para 4,5 segundos.
  • Tecnologia: O interior recebeu o sistema de infoentretenimento AMi II, com tela de melhor resolução e processamento mais rápido, resolvendo uma das críticas mais antigas ao modelo.
  • Identificação: Tampa de combustível em alumínio maciço com a inscrição "GT", divisor dianteiro e difusor traseiro pintados de preto, e lanternas traseiras com lentes transparentes (Clear LED rear lamps).
Edições Especiais: O Colecionismo

A Aston Martin é mestre em manter o interesse em modelos de longa vida através de edições especiais altamente personalizadas e limitadas. Estas versões do DB9 Volante são as mais procuradas por investidores e colecionadores.

DB9 Volante Morning Frost (2011–2012)

Esta edição foi criada para destacar o lado luxuoso do "Grand Touring", em contraste com as edições esportivas. Foi uma vitrine para a divisão de personalização "Q by Aston Martin".

  • Exterior: Pintura exclusiva em Branco Perolado ("Morning Frost White"), uma cor de alta profundidade que brilha sob a luz do sol.
  • Interior: O destaque é o couro na cor Bronze Metálico no painel e volante, combinado com couro dos bancos em tom claro e costuras em Chocolate Amargo. O painel central (facia) é acabado em Black Piano (preto brilhante).
  • Detalhes: Rodas de 19 polegadas com acabamento diamantado prateado, pinças de freio prateadas e grades com malha "Magnum Silver". É uma das configurações mais elegantes e raras já produzidas.

DB9 Centenary Edition (2013)

Lançada para comemorar o aniversário de 100 anos da fundação da Aston Martin. Apenas 100 unidades da edição Centenary foram produzidas no total. Estima-se que o número de DB9 Volante Centenary Edition seja extremamente baixo, possivelmente ao redor de 10 unidades em todo o mundo, com a maioria indo para o mercado americano.

  • Acabamento Único: A característica mais marcante é a pintura "gradiente". A cor da carroceria transita suavemente para um tom mais escuro no capô e no teto. Este processo de pintura adicionava 68 horas ao tempo de produção de cada carro.
  • Luxo: Os emblemas da Aston Martin (as "asas") são feitos de prata esterlina sólida com detalhes em esmalte "Trans Flux". O interior apresentava couro Deep Soft (usado no One-77) na cor Obsidian Black com costuras prateadas.
  • Acessórios: Cada carro vinha com uma caixa de presentes numerada contendo abotoaduras de prata sólida, uma caneta rollerball de prata e fones de ouvido Bang & Olufsen.

Carbon Black, Carbon White & Carbon Edition (2014–2015)

Em contraste com o luxo clássico do Morning Frost, as edições Carbon focavam em uma estética moderna e agressiva. Apenas 66 unidades do DB9 Carbon Edition Volante foram construídas.

  • Conceito: Eliminação de cromados. As molduras das janelas eram pretas.
  • Materiais: Uso extensivo de fibra de carbono exposta. O divisor dianteiro, difusor traseiro, capas dos retrovisores e as barras laterais decorativas ("side strakes") eram feitos de fibra de carbono.
  • Cores: Disponíveis principalmente em Carbon Black II (preto) ou Stratus White (branco), embora o mercado norte-americano tenha recebido algumas cores adicionais sob esta especificação.

DB9 GT Bond Edition (2015–2016)

Lançado em conjunto com o filme Spectre da franquia 007, celebrando a longa parceria entre a marca e o espião ficcional. Limitado estritamente a 150 unidades globais (a maioria Coupés, tornando o Volante Bond Edition ainda mais raro).

  • Especificação: Pintura exclusiva na cor "Spectre Silver". Emblemas da Aston Martin em prata esterlina na frente e atrás.
  • Interior: Bordados com o design do cano da arma de 007 no divisor do banco traseiro. A tela do sistema de infoentretenimento exibe o logotipo oficial do James Bond ao ligar o veículo.
  • Kit do Proprietário: O carro era entregue com um relógio Omega Seamaster Aqua Terra exclusivo (com a pulseira Aston Martin) e uma mala de viagem Globe-Trotter de 21 polegadas, itens que hoje valem uma fortuna no mercado de colecionáveis.

"Last of 9" (2016)

Uma série final de despedida, composta pelas últimas nove unidades do DB9 a saírem da linha de produção. Todas as nove unidades foram construídas com especificações idênticas, pintadas na cor de herança "Cumberland Grey" com interior em "Bitter Chocolate". Estes carros possuem placas internas indicando sua posição na sequência final e representam o encerramento definitivo da era DB9.

Análise de Produção e Manutenção

Números Totais e Raridade

O volume total de produção do modelo DB9 (somando todas as variantes Coupé e Volante) durante os 12 anos de vida é de aproximadamente 16.500 unidades. Isso faz do DB9 o modelo mais bem-sucedido da história da marca até aquele momento, superando o DB7. Estima-se que existam entre 6.000 e 7.000 unidades do DB9 Volante produzidas no total.

O "Santo Graal": Câmbio Manual

A estatística mais importante para investidores e puristas da condução é a referente à transmissão manual. Originalmente, o DB9 foi lançado apenas com câmbio automático. A opção manual (Graziano de 6 marchas) foi introduzida silenciosamente depois, mas a demanda foi extremamente baixa. A opção foi descontinuada antes do facelift de 2013.

  • Total de DB9 Manuais (Coupé + Volante): Menos de 5% da produção total.
  • DB9 Volante Manual: Apenas 237 unidades foram produzidas em toda a história.

Implicação: Encontrar um DB9 Volante com câmbio manual é extremamente difícil. Estes carros comandam um prêmio de preço significativo (muitas vezes custando o dobro ou mais) em relação aos modelos automáticos equivalentes, sendo considerados verdadeiros unicórnios no mercado de colecionáveis.

Guia do Proprietário e Manutenção

  • Bobinas de Ignição (Coil Packs): Os motores V12 produzidos até cerca de 2008/2009 eram conhecidos por terem bobinas de ignição que falhavam prematuramente. A substituição é trabalhosa devido à dificuldade de acesso aos cilindros traseiros.
  • Módulo da Capota (CRM): Nos modelos pós-2013, houve relatos de falhas no módulo eletrônico de controle da capota conversível (CRM). A solução geralmente envolve a substituição do módulo e reprogramação.
  • Faróis e Infiltração: Como muitos carros britânicos de baixo volume, os DB9s podem sofrer com condensação dentro das lentes dos faróis dianteiros e das lanternas traseiras.

Considerações Finais e Legado

O Aston Martin DB9 Volante encerrou sua produção em julho de 2016, sendo substituído pelo DB11 Volante. Seu legado, no entanto, é duradouro. Ele provou que a Aston Martin poderia transitar de uma fabricante de nicho artesanal para uma empresa moderna e tecnologicamente avançada, sem perder a alma de seus produtos.

O DB9 Volante permanece como um dos designs automotivos mais belos e atemporais do século XXI. A combinação da proporção perfeita desenhada por Callum e Fisker, o som inebriante do V12 naturalmente aspirado (uma espécie em extinção no mundo automotivo atual dominado por turbos e híbridos) e a usabilidade prática garantida pela engenharia da plataforma VH, garantem seu lugar no panteão dos grandes carros.

Para o comprador atual, o DB9 Volante oferece uma oportunidade única de possuir um V12 artesanal por uma fração do preço de um carro novo equivalente. Enquanto os modelos automáticos padrão oferecem um custo-benefício incrível no mercado de usados, as raras versões manuais e as edições especiais já começaram a se valorizar, consolidando-se como ativos de investimento tangíveis. Seja como um Grand Tourer para viagens de fim de semana ou como peça central de uma coleção, o DB9 Volante é, e continuará sendo, um ícone do luxo britânico.

Dados técnicos baseados em: • Catálogo oficial da montadora • Documentação WLTP / Inmetro quando disponível • Press releases oficiais

Conteúdo editorial produzido por Gabriel Carvalho. | Última revisão: Dezembro/2025.