1ª Geração
(2004-2008)
A sinfonia do motor V12 e a liberdade do céu aberto em um conversível de elegância absoluta.
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(2004-2008)
(2009-2010)
(2011-2012)
(2013-2016)
O Aston Martin DB9 Volante não representa apenas mais um modelo na ilustre linhagem de conversíveis de luxo da fabricante britânica; ele simboliza o ponto de inflexão mais crítico na história moderna da empresa. No início dos anos 2000, a Aston Martin encontrava-se em uma encruzilhada. Após sobreviver financeiramente na década de 1990 graças ao sucesso do DB7 — um carro belíssimo, mas construído sobre uma plataforma adaptada e envelhecida do Jaguar XJS —, a marca precisava de um produto que não apenas competisse, mas que definisse o padrão no setor de Grand Tourers (GT) de luxo. Sob a gestão do Grupo Ford e a liderança do CEO Dr. Ulrich Bez, a resposta foi um investimento maciço em uma nova sede e uma nova filosofia de construção.
O DB9, lançado inicialmente como coupé no Salão do Automóvel de Frankfurt de 2003 e seguido pelo conversível Volante no Salão de Detroit em 2004, foi o primeiro fruto da nova fábrica dedicada em Gaydon, Warwickshire. Diferente de seus antecessores montados manualmente em Newport Pagnell ou Bloxham, o DB9 inaugurou uma era de manufatura de alta tecnologia, embora mantendo o acabamento artesanal que define a marca.
Este relatório analisa exaustivamente a trajetória do DB9 Volante, desde sua concepção sobre a revolucionária plataforma VH até as suas edições finais em 2016. Exploraremos a engenharia que permitiu a um conversível manter a rigidez estrutural de um coupé, a evolução meticulosa do motor V12 de 6.0 litros, as nuances de cada atualização de modelo (facelifts) e a análise de mercado baseada nos números de produção raros e específicos. O objetivo é fornecer um documento definitivo para entusiastas, colecionadores e historiadores automotivos, detalhando cada aspecto que torna o DB9 Volante um futuro clássico garantido.
A espinha dorsal do sucesso do DB9 Volante reside na sua arquitetura. O modelo foi o veículo pioneiro a utilizar a plataforma VH (Vertical / Horizontal) da Aston Martin. O nome "Vertical / Horizontal" não se refere apenas à geometria física, mas à flexibilidade da plataforma para ser expandida verticalmente (em altura e tamanho) e horizontalmente (em diferentes modelos e tipos de veículos) dentro da gama da marca.
Diferente das construções tradicionais de aço estampado e soldado, a plataforma VH utilizava alumínio extrudado e colado, uma tecnologia derivada diretamente da indústria aeroespacial. As peças do chassi não eram unidas por soldas convencionais, mas sim por adesivos epóxi de resistência industrial, curados a quente, e reforçados por rebites mecânicos.
| Característica | Benefício Técnico | Impacto para o Motorista |
|---|---|---|
| Rigidez Estrutural | A colagem cria uma união contínua ao longo de toda a junta, diferentemente da solda que une apenas pontos específicos. | O carro vibra menos em buracos e responde de forma mais precisa aos comandos do volante. |
| Peso Reduzido | O alumínio é significativamente mais leve que o aço. O chassi do DB9 pesava 25% menos que o do seu antecessor, o DB7. | Melhor aceleração, frenagem mais curta e menor consumo de combustível. |
| Absorção de Energia | A estrutura foi projetada para dissipar a força de impactos de forma eficiente. | Maior segurança passiva em caso de acidentes, uma prioridade no projeto moderno da Aston Martin. |
O grande desafio na engenharia de qualquer conversível é a perda do teto. Em um carro convencional, o teto atua como um elemento estrutural fundamental, fechando a "caixa" do chassi. Ao removê-lo, o carro tende a torcer, um fenômeno conhecido como "scuttle shake" (vibração do chassi), onde a estrutura flexiona visivelmente ao passar por imperfeições na estrada.
O DB9 Volante foi projetado em paralelo com o coupé, e não como uma adaptação tardia. Graças à rigidez inerente da plataforma VH, a Aston Martin conseguiu criar um conversível com o dobro da rigidez torcional do antigo DB7, sem adicionar um peso excessivo em reforços. Embora a suspensão do Volante tenha sido calibrada para ser ligeiramente mais macia que a do coupé — reconhecendo seu caráter mais voltado ao turismo de lazer do que à pilotagem em pista — a integridade estrutural permitiu que o carro mantivesse uma dinâmica de condução esportiva e precisa.
A segurança foi um ponto central no desenvolvimento do Volante. O modelo conta com pilares do para-brisas reforçados para suportar o peso do carro em caso de inversão. Além disso, atrás dos encostos de cabeça dos bancos traseiros, existem dois aros de proteção ("roll-hoops") implantáveis. Sensores monitoram a inclinação e a aceleração do veículo; se um capotamento for iminente, esses aros são disparados pirotecnicamente em milissegundos, quebrando o vidro traseiro (se a capota estiver fechada) para criar uma zona de sobrevivência para os ocupantes.
O design do DB9 é amplamente creditado a Ian Callum, que iniciou o projeto, e Henrik Fisker, que o finalizou e o levou à produção. A estética do carro foi baseada na "Proporção Áurea", uma regra matemática de beleza e harmonia encontrada na natureza e na arte clássica. O objetivo era criar um carro que parecesse "certo" de qualquer ângulo, sem a necessidade de excessos visuais como grandes aerofólios ou entradas de ar agressivas.
Para o Volante, a pureza das linhas era crítica. Fisker desenhou o carro para que a linha de cintura (a linha que corre logo abaixo das janelas) fosse ininterrupta e plana, fluindo do capô até a traseira. Isso dá ao carro uma postura elegante e "assentada" na estrada.
Diferente da tendência da época, que favorecia tetos rígidos retráteis (hard-tops) — vistos em concorrentes como o Mercedes-Benz SL ou o Ferrari California —, a Aston Martin optou por uma capota de tecido tradicional. A razão era puramente estética e prática: tetos rígidos ocupam muito espaço no porta-malas e exigem uma traseira volumosa e alta para acomodar os painéis dobrados, o que arruinaria as linhas esguias do DB9.
A solução da Aston Martin foi uma capota de tecido com um mecanismo de dobra em "K".
Durante toda a sua produção (2004–2016), o DB9 Volante foi movido exclusivamente por um motor V12 naturalmente aspirado de 5.9 litros (comercialmente denominado 6.0 litros). Este motor é a alma do carro, proporcionando não apenas desempenho, mas uma trilha sonora característica que define a experiência de possuir um Aston Martin.
| Período | Código/Geração | Potência Máxima | Torque Máximo | Notas Técnicas |
|---|---|---|---|---|
| 2004 – 2008 | V12 Gen 2 | 450 bhp (456 cv) a 6.000 rpm | 570 Nm a 5.000 rpm | Versão inicial lançada com o carro. Focada em entrega de torque linear. |
| 2009 – 2012 | V12 Gen 3 | 470 bhp (477 cv) a 6.000 rpm | 600 Nm a 5.000 rpm | Cabeçote revisado para maior eficiência e resposta. |
| 2013 – 2015 | V12 AM11 (Gen 4) | 510 bhp (517 cv) a 6.500 rpm | 620 Nm a 5.500 rpm | Bloco reforçado, novos comandos variáveis duplos, câmara de combustão usinada. |
| 2016 | V12 GT Spec | 540 bhp (547 cv) a 6.750 rpm | 620 Nm a 5.500 rpm | Exclusivo da versão final "DB9 GT". A versão mais potente instalada no chassi DB9. |
Embora o DB9 Volante pareça visualmente semelhante ao longo de seus 12 anos de vida, ele passou por mudanças profundas sob a pele. Podemos segmentar sua história em quatro fases distintas.
O DB9 Volante chegou ao mercado em 2005, cerca de um ano após o coupé. As críticas iniciais foram extremamente positivas quanto ao design e ao som do motor, mas apontaram que o sistema de navegação (fornecido pela Volvo) era antiquado e que a transmissão automática, embora suave, não era a mais rápida do mercado.
No final de 2008, para o modelo 2009, a Aston Martin implementou a primeira grande atualização técnica.
Este período é marcado por uma estratégia de produto curiosa. Em 2011, a Aston Martin lançou o modelo Virage, que se posicionava entre o DB9 e o topo de linha DBS. O Virage usava a mesma plataforma e motor, mas tinha 497 cv e um visual mais moderno, com faróis afilados.
Durante esse tempo, o DB9 Volante recebeu um facelift discreto para se manter relevante, mas não recebeu o visual completo do Virage.
Em 2012, a Aston Martin descontinuou o modelo Virage após apenas 18 meses de produção, percebendo que ele canibalizava as vendas do DB9. A solução foi aplicar todas as melhorias e o design do Virage ao próprio DB9, criando o que é conhecido como o "DB9 Gen 4" ou "Facelift 2013". Esta é considerada a versão "madura" e definitiva do modelo padrão.
Para celebrar o final da produção antes da chegada do sucessor DB11, a Aston Martin lançou o DB9 GT Volante.
A Aston Martin é mestre em manter o interesse em modelos de longa vida através de edições especiais altamente personalizadas e limitadas. Estas versões do DB9 Volante são as mais procuradas por investidores e colecionadores.
Esta edição foi criada para destacar o lado luxuoso do "Grand Touring", em contraste com as edições esportivas. Foi uma vitrine para a divisão de personalização "Q by Aston Martin".
Lançada para comemorar o aniversário de 100 anos da fundação da Aston Martin. Apenas 100 unidades da edição Centenary foram produzidas no total. Estima-se que o número de DB9 Volante Centenary Edition seja extremamente baixo, possivelmente ao redor de 10 unidades em todo o mundo, com a maioria indo para o mercado americano.
Em contraste com o luxo clássico do Morning Frost, as edições Carbon focavam em uma estética moderna e agressiva. Apenas 66 unidades do DB9 Carbon Edition Volante foram construídas.
Lançado em conjunto com o filme Spectre da franquia 007, celebrando a longa parceria entre a marca e o espião ficcional. Limitado estritamente a 150 unidades globais (a maioria Coupés, tornando o Volante Bond Edition ainda mais raro).
Uma série final de despedida, composta pelas últimas nove unidades do DB9 a saírem da linha de produção. Todas as nove unidades foram construídas com especificações idênticas, pintadas na cor de herança "Cumberland Grey" com interior em "Bitter Chocolate". Estes carros possuem placas internas indicando sua posição na sequência final e representam o encerramento definitivo da era DB9.
O volume total de produção do modelo DB9 (somando todas as variantes Coupé e Volante) durante os 12 anos de vida é de aproximadamente 16.500 unidades. Isso faz do DB9 o modelo mais bem-sucedido da história da marca até aquele momento, superando o DB7. Estima-se que existam entre 6.000 e 7.000 unidades do DB9 Volante produzidas no total.
A estatística mais importante para investidores e puristas da condução é a referente à transmissão manual. Originalmente, o DB9 foi lançado apenas com câmbio automático. A opção manual (Graziano de 6 marchas) foi introduzida silenciosamente depois, mas a demanda foi extremamente baixa. A opção foi descontinuada antes do facelift de 2013.
Implicação: Encontrar um DB9 Volante com câmbio manual é extremamente difícil. Estes carros comandam um prêmio de preço significativo (muitas vezes custando o dobro ou mais) em relação aos modelos automáticos equivalentes, sendo considerados verdadeiros unicórnios no mercado de colecionáveis.
O Aston Martin DB9 Volante encerrou sua produção em julho de 2016, sendo substituído pelo DB11 Volante. Seu legado, no entanto, é duradouro. Ele provou que a Aston Martin poderia transitar de uma fabricante de nicho artesanal para uma empresa moderna e tecnologicamente avançada, sem perder a alma de seus produtos.
O DB9 Volante permanece como um dos designs automotivos mais belos e atemporais do século XXI. A combinação da proporção perfeita desenhada por Callum e Fisker, o som inebriante do V12 naturalmente aspirado (uma espécie em extinção no mundo automotivo atual dominado por turbos e híbridos) e a usabilidade prática garantida pela engenharia da plataforma VH, garantem seu lugar no panteão dos grandes carros.
Para o comprador atual, o DB9 Volante oferece uma oportunidade única de possuir um V12 artesanal por uma fração do preço de um carro novo equivalente. Enquanto os modelos automáticos padrão oferecem um custo-benefício incrível no mercado de usados, as raras versões manuais e as edições especiais já começaram a se valorizar, consolidando-se como ativos de investimento tangíveis. Seja como um Grand Tourer para viagens de fim de semana ou como peça central de uma coleção, o DB9 Volante é, e continuará sendo, um ícone do luxo britânico.