A inovação mais crítica introduzida pelo DB9 não foi seu motor ou seu design exterior,
mas sim a arquitetura que o sustentava. O modelo estreou a plataforma VH
(Vertical/Horizontal), uma filosofia de engenharia que ditaria a construção de todos os
Aston Martins da "Era Gaydon" até a chegada do DB11 em 2016.
A Arquitetura de Alumínio Colado
O termo "Vertical/Horizontal" refere-se à flexibilidade modular da plataforma, permitindo
que ela fosse esticada ou encurtada em dimensões verticais e horizontais para sustentar
diferentes modelos — do compacto Vantage ao sedã Rapide — utilizando os mesmos processos
de manufatura e pontos de fixação fundamentais. Isso permitiu à Aston Martin, uma
fabricante de baixo volume, diluir os custos de desenvolvimento de chassi entre
múltiplos veículos.
A construção do chassi do DB9 representou uma ruptura tecnológica com o passado.
Abandonando a construção tradicional em aço, os engenheiros de Gaydon optaram por um
chassi de alumínio extrudado e colado. O processo envolvia a união de painéis de
alumínio e vigas extrudadas utilizando adesivos epóxi de grau aeroespacial de alta
resistência, complementados por rebites mecânicos.
- Vantagens Técnicas: Esta técnica, similar à utilizada no Lotus
Elise, evita o calor da soldagem que pode distorcer o metal, resultando em uma
estrutura com tolerâncias muito mais precisas.
- Rigidez e Peso: O resultado foi um chassi que pesava 25% menos que
a carroceria do DB7, mas oferecia o dobro da rigidez torcional. Essa rigidez é
fundamental para o desempenho da suspensão, permitindo que os amortecedores
trabalhem de forma eficiente sem a interferência da flexão do chassi.
Materiais Compósitos e Distribuição de Massa
Para atingir o equilíbrio dinâmico ideal, a Aston Martin empregou uma estratégia de
materiais mistos na carroceria e nos componentes estruturais:
- Alumínio: Utilizado no capô, teto e para-lamas traseiros.
- Compósitos Leves: Os para-lamas dianteiros e a tampa do porta-malas
foram fabricados em materiais compósitos para reduzir o peso nas extremidades do
veículo, diminuindo o momento de inércia polar e melhorando a resposta em curvas.
- Magnésio: Empregado na coluna de direção e nas estruturas internas
das portas, economizando quilogramas cruciais em áreas altas do veículo, o que ajuda
a baixar o centro de gravidade.
A distribuição de peso foi meticulosamente planejada para atingir a proporção perfeita de
50:50 entre os eixos dianteiro e traseiro. Para isso, a caixa de câmbio foi montada na
traseira (configuração transaxle), conectada ao motor por um tubo de torque de liga leve
contendo um eixo de transmissão de fibra de carbono. O motor V12 foi posicionado na
configuração "dianteira-central", ou seja, fisicamente atrás da linha do eixo dianteiro,
garantindo que a maior parte da massa estivesse contida dentro da distância entre eixos.