2ª Geração
(2008-2012)
Ficha técnica, versões e história do Aston Martin DBS Volante.
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A história da Aston Martin é pontuada por siglas que evocam respeito imediato, mas poucas carregam o peso gravitacional da designação "DBS". Quando acoplada ao termo "Volante" — a nomenclatura histórica da marca para seus conversíveis de luxo — ela define uma classe muito específica de automóvel: o Super Grand Tourer de céu aberto. Este relatório destina-se a explorar, com profundidade exaustiva, a trajetória técnica, histórica e comercial do Aston Martin DBS Volante.
Diferente de modelos de entrada ou de carros puramente esportivos, o DBS Volante sempre ocupou o topo da hierarquia em Gaydon (e anteriormente em Newport Pagnell). Ele representa o momento em que a engenharia britânica decide não fazer concessões: o motor mais potente disponível é montado no chassi mais elegante, com o teto removido para amplificar a experiência sensorial.
A análise a seguir não se limita a uma cronologia superficial. Investigaremos os "anos perdidos" da era clássica, onde o modelo existiu mais como conceito do que como produto; detalharemos a renascença moderna com o glorioso motor V12 aspirado; e dissecaremos a era final da indução forçada com os modelos Superleggera e 770 Ultimate. Serão apresentados números de produção precisos — cruciais para colecionadores —, especificações de engenharia e a análise das edições especiais que transformaram este carro em um ativo de investimento.
Em meados da década de 1960, a Aston Martin desfrutava do sucesso global do DB5 e do DB6, impulsionado pela fama cinematográfica de James Bond. No entanto, o design da série DB4/5/6, criado pela Carrozzeria Touring Superleggera de Milão, começava a envelhecer frente às tendências mais angulares e modernas que surgiam na Itália e nos Estados Unidos. A Aston Martin precisava de um substituto que oferecesse mais espaço interno, acomodando quatro adultos com conforto real, algo que o DB6 fazia apenas parcialmente.
A Touring foi inicialmente contratada para desenhar o sucessor e produziu dois protótipos conhecidos como "DBS C". Estes carros eram conversíveis de dois lugares, com linhas fluidas e elegantes. Contudo, a Touring faliu em 1966, antes que o projeto pudesse ser industrializado. A Aston Martin, precisando de uma solução rápida, recorreu ao seu designer interno, William Towns. Towns criou algo radicalmente diferente: um coupé fastback largo, agressivo e angular, que rompia com as curvas suaves da década anterior. Lançado em 1967, o DBS Coupe foi um choque de modernidade.
Durante o período de produção do DBS (1967–1972), a Aston Martin tomou uma decisão estratégica e financeira curiosa. Embora tivessem um novo chassi e um novo design com o DBS, a demanda por conversíveis continuou sendo atendida pelo modelo anterior, o Aston Martin DB6 Volante.
A produção do DB6 Volante estendeu-se até 1970, coexistindo com o DBS Coupe. Para a diretoria da época, o DBS era posicionado como um GT moderno e fechado para o homem de negócios ou família, enquanto o DB6 Volante atendia ao cliente tradicional que desejava passear ao ar livre. Portanto, o "DBS Volante" nunca entrou no catálogo oficial da época como um modelo de produção regular.
O DBS original foi projetado para receber um novo motor V8, desenvolvido pelo lendário engenheiro Tadek Marek. No entanto, o motor sofreu atrasos de desenvolvimento. Como resultado, os primeiros DBS (1967–1969) foram equipados com o motor de seis cilindros em linha de 4.0 litros do DB6, produzindo cerca de 282 cv (ou 325 cv na especificação Vantage).
Foi apenas em 1969 que o DBS V8 foi lançado, equipado finalmente com o motor V8 de 5.3 litros. Este carro tornou-se, na época, o carro de quatro lugares mais rápido do mundo, capaz de atingir 257 km/h (160 mph).
Quando a empresa foi vendida e a era de David Brown encerrou-se em 1972, o DBS sofreu um "facelift" (recebendo dois faróis simples em vez de quatro) e foi renomeado simplesmente para Aston Martin V8. Foi somente anos depois, em 1978, sobre esta base revisada (que tecnicamente ainda era o chassi do DBS), que a Aston Martin lançou o "V8 Volante". Assim, embora o DNA do DBS estivesse presente, o nome "DBS Volante" permaneceu adormecido.
Após um hiato de 35 anos, a sigla DBS retornou em 2007 como o carro oficial de James Bond em Cassino Royale. Mas foi em 2009, no Salão do Automóvel de Genebra, que a história foi reescrita: a Aston Martin lançou, pela primeira vez em série, o DBS Volante. Este modelo não era apenas uma versão sem teto do coupé; era a afirmação da Aston Martin, então sob propriedade independente (após a venda pela Ford), de que poderia produzir o conversível mais belo e potente do mundo.
O DBS Volante (2009–2012) foi construído sobre a plataforma VH (Vertical-Horizontal) de alumínio colado, uma tecnologia aeroespacial que garantia rigidez estrutural leve. No entanto, para compensar a perda do teto, a engenharia precisou reforçar as soleiras e a estrutura do para-brisa.
Para mitigar o ganho de peso inerente aos reforços, a Aston Martin fez uso extensivo de fibra de carbono — algo raro para carros de produção em série naquela época. O capô, os para-lamas dianteiros e a tampa do porta-malas (tonneau) eram todos feitos de fibra de carbono.
O aumento de 115 kg era perceptível no papel, mas a calibração da suspensão adaptativa (ADS) foi ajustada para manter o caráter esportivo.
A Aston Martin resistiu à tendência da época de usar tetos rígidos retráteis (como na Ferrari California). A marca optou por uma capota de lona clássica com isolamento acústico "Thinsulate".
Sob o capô longo residia uma das maiores obras da engenharia automotiva britânica: o motor V12 de 6.0 litros naturalmente aspirado.
Este motor era famoso não apenas pela força, mas pela entrega linear de potência e pelo som. Equipado com válvulas de bypass no escapamento, o carro era civilizado em baixas rotações e emitia um uivo metálico e visceral acima de 4.000 rpm, uma característica que se perdeu na era dos turbos modernos.
O DBS Volante foi oferecido com duas opções de transmissão, montadas na traseira (transaxle) para distribuição de peso 50:50. Esta escolha define hoje o valor e a raridade do carro.
Para o colecionador sério e o historiador automotivo, os números de produção são a parte mais fascinante da história do DBS Volante. Graças aos registros detalhados do Aston Martin Heritage Trust, podemos dissecar a produção exata, revelando que o DBS Volante, especialmente na versão manual, é um dos carros mais raros da era moderna.
Durante os quatro anos de produção (Model Year 2009 a 2012), os números totais foram:
Isso significa que, para cada três Coupes fabricados, apenas um Volante saiu da linha de montagem em Gaydon.
A estatística mais chocante reside na transmissão. Enquanto o Coupe teve 984 unidades manuais produzidas (uma quantidade saudável), o Volante manual foi praticamente ignorado pelos compradores da época, tornando-se hoje o "Santo Graal".
| Ano Modelo (MY) | Produção Total (Volante) | Transmissão Touchtronic 2 (Auto) | Transmissão Manual |
|---|---|---|---|
| 2009 MY | 110 | 20 | 10 |
| 2010 MY | 97 | 92 | 5 |
| 2010.5 MY | 228 | 218 | 10 |
| 2010.75 MY | 131 | 121 | 10 |
| 2011 MY | 179 | 169 | 10 |
| 2012 MY | 20 | 9 | 20 |
| TOTAL GERAL | 845 | 801 | 44 |
Análise dos Dados: Com apenas 44 unidades manuais produzidas em todo o mundo, o DBS Volante Manual é mais raro do que hipercarros como o McLaren F1 ou muitas Ferraris de edição limitada. Destes 44, a divisão entre volante à direita (RHD) e volante à esquerda (LHD) torna certos mercados ainda mais escassos.
Para manter o apelo do modelo ao longo de sua vida útil, a Aston Martin lançou diversas edições especiais que adicionavam exclusividade cosmética e de acabamento.
Esta foi a primeira grande edição especial, focada em um visual "stealth".
Introduzida no final de 2011, esta edição expandiu o conceito da Carbon Black.
Uma das edições mais raras e culturalmente específicas, criada para o mercado chinês em celebração ao Ano do Dragão. A produção foi limitadíssima, com registros indicando apenas um único DBS Volante Dragon 88 construído (cor Amethyst Red).
O "canto do cisne" da geração V12 aspirada. Lançado em maio de 2012, o DBS Ultimate encerrou a produção.
Após a descontinuação do DBS em 2012, a Aston Martin lançou o Vanquish de segunda geração. O nome DBS ficou adormecido até 2018, quando retornou triunfante, agora acompanhado do sobrenome histórico "Superleggera" (Superleve), uma homenagem à construção da Touring dos anos 60. O DBS Superleggera Volante foi lançado em abril de 2019 e representou uma mudança filosófica completa. Se o DBS anterior era um GT elegante, o novo era um "Brute in a Suit" (Um bruto de terno).
A maior mudança foi a transição da aspiração natural para a indução forçada.
Insight: O torque do novo modelo era quase o dobro do antigo DBS em baixas rotações. Isso exigiu o abandono das caixas manuais e da antiga automática de 6 marchas.
O DBS Superleggera Volante incorporou inovações aerodinâmicas avançadas para manter a estabilidade a 340 km/h sem a necessidade de aerofólios gigantescos.
A plataforma DBS Superleggera serviu de base para diversas edições limitadas, embora a maioria tenha sido focada no Coupe. É fundamental distinguir quais existiram como Volante.
Homenagem à vitória em Le Mans em 1959. Limitado a 24 unidades. Baseado predominantemente no Coupe para replicar o teto do carro de corrida DBR1.
Homenagem aos 50 anos do filme "A Serviço Secreto de Sua Majestade". 50 unidades produzidas, apenas Coupe, replicando o verde oliva do carro do filme.
Lançado para o filme "Sem Tempo Para Morrer". 25 unidades produzidas, apenas Coupe, com especificação cinza cerâmico. O Volante não foi incluído nesta série numerada oficial.
Em janeiro de 2023, a Aston Martin anunciou o fim da linha DBS atual e, simbolicamente, o fim da era dos V12 puros de motor dianteiro sem hibridização. O modelo de despedida foi batizado de DBS 770 Ultimate.
O 770 Ultimate não foi apenas um pacote de adesivos; houve engenharia real envolvida.
Diferente das edições de filme, o 770 Ultimate teve uma alocação significativa de Volantes, reconhecendo a demanda por conversíveis de coleção.
Toda a produção foi vendida antes do lançamento público. Visualmente, distingue-se pelas rodas exclusivas inspiradas no hipercarro Valkyrie e uma nova ventilação em forma de ferradura no capô.
A trajetória do Aston Martin DBS Volante é uma história de dois capítulos distintos separados por décadas de silêncio.
No Capítulo Clássico (1967-1972), o DBS Volante foi o "carro que não existiu", uma sombra projetada pelo DB6 Volante e pelo futuro V8 Volante. Sua ausência nos catálogos de época o torna uma nota de rodapé fascinante sobre as estratégias de produto de David Brown.
No Capítulo Moderno (2009-Presente), o DBS Volante floresceu em duas formas distintas:
| Característica | DBS V12 Volante (2009–2012) | DBS Superleggera Volante (2019–2023) | DBS 770 Ultimate Volante (2023–2024) |
|---|---|---|---|
| Motor | 6.0L V12 Aspirado | 5.2L V12 Biturbo | 5.2L V12 Biturbo (Aprimorado) |
| Potência | 517 cv | 725 cv | 770 cv |
| Torque | 570 Nm | 900 Nm | 900 Nm |
| 0-100 km/h | 4,3 s | 3,6 s | 3,4 s (est.) |
| Velocidade Máx. | 307 km/h | 340 km/h | 340 km/h |
| Peso | 1.810 kg | 1.863 kg | ~1.845 kg |
| Produção Volante | 845 (44 Manuais) | ~1.500+ (Estimado) | 199 (Limitado) |
| Caráter | Analógico, Sonoro, Elegante | Digital, Explosivo, Agressivo | Focado, Preciso, Colecionável |
O legado do DBS Volante é o da persistência da configuração V12 em um mundo que se volta para a eletrificação. Seja na forma aspirada ou turbinada, ele permanece como o ápice do automobilismo britânico de céu aberto: imperfeito, caro, barulhento e absolutamente irresistível.
Imagens do Aston Martin DBS Volante