O Contexto do Nascimento do DBS
Em meados da década de 1960, a Aston Martin desfrutava do sucesso global do DB5 e do DB6,
impulsionado pela fama cinematográfica de James Bond. No entanto, o design da série
DB4/5/6, criado pela Carrozzeria Touring Superleggera de Milão, começava a envelhecer
frente às tendências mais angulares e modernas que surgiam na Itália e nos Estados
Unidos. A Aston Martin precisava de um substituto que oferecesse mais espaço interno,
acomodando quatro adultos com conforto real, algo que o DB6 fazia apenas parcialmente.
A Touring foi inicialmente contratada para desenhar o sucessor e produziu dois protótipos
conhecidos como "DBS C". Estes carros eram conversíveis de dois lugares, com linhas
fluidas e elegantes. Contudo, a Touring faliu em 1966, antes que o projeto pudesse ser
industrializado. A Aston Martin, precisando de uma solução rápida, recorreu ao seu
designer interno, William Towns. Towns criou algo radicalmente diferente: um coupé
fastback largo, agressivo e angular, que rompia com as curvas suaves da década anterior.
Lançado em 1967, o DBS Coupe foi um choque de modernidade.
Por Que Não Houve um DBS Volante Clássico?
Durante o período de produção do DBS (1967–1972), a Aston Martin tomou uma decisão
estratégica e financeira curiosa. Embora tivessem um novo chassi e um novo design com o
DBS, a demanda por conversíveis continuou sendo atendida pelo modelo anterior, o Aston
Martin DB6 Volante.
A produção do DB6 Volante estendeu-se até 1970, coexistindo com o DBS Coupe. Para a
diretoria da época, o DBS era posicionado como um GT moderno e fechado para o homem de
negócios ou família, enquanto o DB6 Volante atendia ao cliente tradicional que desejava
passear ao ar livre. Portanto, o "DBS Volante" nunca entrou no catálogo oficial da época
como um modelo de produção regular.
A Evolução Técnica e o Legado V8
O DBS original foi projetado para receber um novo motor V8, desenvolvido pelo lendário
engenheiro Tadek Marek. No entanto, o motor sofreu atrasos de desenvolvimento. Como
resultado, os primeiros DBS (1967–1969) foram equipados com o motor de seis cilindros em
linha de 4.0 litros do DB6, produzindo cerca de 282 cv (ou 325 cv na especificação
Vantage).
Foi apenas em 1969 que o DBS V8 foi lançado, equipado finalmente com o motor V8 de 5.3
litros. Este carro tornou-se, na época, o carro de quatro lugares mais rápido do mundo,
capaz de atingir 257 km/h (160 mph).
Quando a empresa foi vendida e a era de David Brown encerrou-se em 1972, o DBS sofreu um
"facelift" (recebendo dois faróis simples em vez de quatro) e foi renomeado simplesmente
para Aston Martin V8. Foi somente anos depois, em 1978, sobre esta base revisada (que
tecnicamente ainda era o chassi do DBS), que a Aston Martin lançou o "V8 Volante".
Assim, embora o DNA do DBS estivesse presente, o nome "DBS Volante" permaneceu
adormecido.
Resumo da Produção da Era Clássica
- DBS (6 cilindros): 787 unidades.
- DBS V8: Aproximadamente 402 unidades.
- DBS Volante (Fábrica): 0 unidades de produção em série (apenas
conversões especiais ou protótipos não comercializados em massa).