Diante da necessidade de criar um produto revolucionário para atrair a atenção do mercado global e demonstrar
a capacidade de inovação da marca sob nova gestão, a Aston Martin revelou o Lagonda Série 2 no Salão de
Londres de 1976. O designer William Towns abandonou o visual clássico e adotou o estilo de "papel dobrado"
ou design em cunha (wedge design), caracterizado por linhas extremamente angulares, superfícies planas e uma
carroceria muito baixa e larga. O visual externo trazia faróis escamoteáveis (pop-up) instalados no capô e
uma diminuta grade dianteira que servia como entrada de ar para o radiador de óleo da transmissão.
O modelo compartilhava o chassi alongado e a suspensão independente com braços sobrepostos na dianteira e
eixo De Dion com braços arrastados e ligação de Watt na traseira, além de freios a disco ventilados Girling
nas quatro rodas (com os discos traseiros montados de forma interna, junto ao diferencial). O motor
continuava a ser o V8 de 5,3 litros com quatro carburadores Weber 42DCNF de corpo duplo, gerando 280 cv a
5.000 rpm e 49,7 kgfm de torque a 3.000 rpm, acoplado exclusivamente a uma transmissão automática Chrysler
TorqueFlite de 3 marchas. O consumo médio era bastante alto, situando-se entre 4 e 5 km/l.
A Evolução da Cabine e os Desafios Eletrônicos
Embora o design externo do Série 2 tenha gerado grande repercussão, as entregas aos clientes só começaram em
1979 devido à enorme complexidade no desenvolvimento de sua cabine. O Lagonda foi o primeiro automóvel de
produção no mundo equipado com um painel de instrumentos totalmente digital e comandos sensíveis ao toque. A
primeira fase desse sistema eletrônico utilizava displays de LED (Diodos Emissores de Luz) e botões de
membrana capacitiva controlados por um microprocessador Z80.
Esse sistema inicial, desenvolvido em parceria com o Cranfield Institute of Technology, mostrou-se muito
instável em testes práticos, sofrendo com panes elétricas causadas pelo calor gerado pela fiação complexa de
mais de 300 cabos. Para sanar os problemas, a Aston Martin contratou a empresa americana Javelina
Corporation, especializada na eletrônica dos caças F-15 Eagle.
A partir de 1984, a Javelina substituiu o arranjo original por três telas de tubos de raios catódicos (CRT)
instaladas atrás do volante para exibir a velocidade, o nível de combustível e os parâmetros do motor, além
de adicionar um sintetizador de voz para alertas em quatro idiomas. O custo de desenvolvimento dessa
tecnologia foi enorme, representando cerca de quatro vezes o orçamento do restante do projeto do carro.
O Série 2 recebeu diversas atualizações ao longo de seus nove anos de produção:
- 1980: Desenvolvimento de um protótipo com motor V8 biturbo experimental.
- 1982: Homologação do modelo para o mercado dos Estados Unidos, com a introdução de
para-choques de absorção de impacto maiores de 5 mph e luzes indicadoras laterais exigidas pela
legislação local.
- 1983: Atualizações apresentadas no Salão de Frankfurt, incluindo rodas de liga leve BBS
de fábrica, saias laterais, comandos internos reposicionados e vidros traseiros que finalmente podiam
ser abertos pelos ocupantes (com uma divisão de vidro vertical nas portas traseiras).