1ª Geração
(2011 - 2012)
Ficha técnica, versões e história do Aston Martin One-77.
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(2011 - 2012)
O Aston Martin One-77 nasceu como o projeto mais ambicioso da montadora britânica durante a chamada "era Gaydon". Em 2007, após a Aston Martin se desvincular do controle direto do grupo Ford, a nova gestão liderada pelo consórcio de David Richards e pelo CEO Dr. Ulrich Bez buscou criar um modelo de vitrine tecnológica que consolidasse a independência e a capacidade artesanal da marca. O primeiro vislumbre público do hipercarro ocorreu no Salão do Automóvel de Paris de 2008, onde o veículo foi mantido parcialmente sob uma capa cinza listrada, revelando apenas um detalhe de sua dianteira e lateral direita.
A apresentação completa e sem disfarces ocorreu em março de 2009, no Salão de Genebra, onde a fabricante exibiu um modelo em azul metálico e um chassi funcional completo com todo o trem de força exposto. No mês seguinte, em abril de 2009, o protótipo funcional recebeu o prestigioso prêmio de design para carros-conceito e protótipos no Concorso d'Eleganza Villa d'Este, na Itália. O modelo final de produção começou a ser entregue aos compradores no início de 2011, com os últimos carros sendo finalizados no encerramento de 2012.
Para garantir um comportamento dinâmico superior e extrema leveza, a estrutura interna do One-77 foi concebida sobre um chassi monobloco de fibra de carbono rígida com painéis de alumínio em colmeia desenvolvidos em estreita colaboração com a canadense Multimatic, uma das maiores especialistas globais em materiais compostos. Em contraste com a estrutura de fibra de carbono, os painéis externos da carroceria foram moldados à mão de forma artesanal a partir de folhas de alumínio, criando uma superfície fluida e de forte apelo visual.
As dimensões do modelo foram projetadas para enfatizar sua presença visual e garantir estabilidade em altas velocidades. Com uma largura expressiva e altura reduzida, o modelo é visivelmente mais baixo e curto do que outros modelos contemporâneos da marca, como o DB9. Suas portas, conhecidas como portas do tipo "cisne" (swan doors), abrem-se ligeiramente para cima e para fora em um ângulo suave, facilitando o acesso ao habitáculo sem atingir guias ou calçadas.
As especificações dimensionais detalhadas do modelo de produção são apresentadas na tabela abaixo:
| Dimensão ou Parâmetro Físico | Valor Oficial do Modelo de Produção |
|---|---|
| Comprimento Total | 4.601 mm |
| Largura (sem espelhos) | 1.999,5 mm |
| Largura (com espelhos) | 2.204 mm |
| Altura | 1.222 mm |
| Distância Entre-Eixos | 2.791 mm |
| Bitola Dianteira | 1.706 mm |
| Bitola Traseira | 1.627 mm |
| Peso em Ordem de Marcha | 1.630 kg |
| Peso Projetado em Desenvolvimento | 1.500 kg |
| Capacidade do Tanque de Combustível | 98 litros |
O coração do Aston Martin One-77 é o seu motor V12 de aspiração natural de 7,3 litros, designado internamente como AM77 e desenvolvido em parceria com a Cosworth. A equipe técnica da Cosworth tomou como base o tradicional bloco V12 de 6,0 litros que equipava o DBS e o DB9, mas efetuou uma reengenharia quase total. A capacidade cúbica foi expandida para 7.312 cc através do aumento de diâmetro e curso dos cilindros. Com exceção da corrente de distribuição, quase todas as partes móveis e estruturais do motor foram redesenhadas de forma exclusiva, incluindo novos cabeçotes, pistões de alta resistência, bielas, virabrequim e comandos de válvulas.
Essas alterações resultaram em uma redução de peso de 15% (cerca de 60 kg) no bloco do motor em relação ao motor de 6,0 litros padrão. O motor utiliza um sistema de lubrificação por cárter seco, permitindo que a unidade de força seja instalada 100 mm mais baixa no chassi em relação a qualquer outro V12 anterior da Aston Martin. O motor também foi recuado 257 mm para trás em relação ao eixo dianteiro, configurando uma distribuição de peso central-dianteira extremamente eficiente para as curvas.
| Parâmetro Técnico do Motor V12 | Especificação Oficial |
|---|---|
| Tipo de Motor | V12 de alumínio, 48 válvulas, DOHC com comando variável |
| Cilindrada Exata | 7.312 cc (7,3 litros) |
| Taxa de Compressão | 10.9:1 |
| Potência Máxima | 750 hp (760 PS / 559 kW) a 7.500 rpm |
| Torque Máximo | 750 N·m (553 lb·ft) a 5.000 rpm |
| Transmissão | Manual automatizada de 6 marchas Graziano com borboletas |
| Velocidade Máxima | 354 km/h (220 mph) |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | Inferior a 3,7 segundos |
| Emissões de CO2 | 572 g/km |
A transmissão traseira transaxle automatizada de seis velocidades, fornecida pela Graziano Trasmissioni, opera por meio de um sistema eletro-hidráulico controlado por seletores atrás do volante. Toda a força é enviada às rodas traseiras através de um eixo de transmissão feito de fibra de carbono que gira dentro de um tubo de torque leve de liga de magnésio. Embora o sistema ofereça mudanças extremamente velozes em condução esportiva, a embreagem do tipo corrida apresenta um comportamento um pouco áspero e difícil de modular em baixas velocidades urbanas.
A dinâmica de condução do One-77 é diretamente inspirada nos conceitos de corrida da categoria DTM. O modelo adota uma suspensão independente de duplo triângulo nos quatro cantos com braços oscilantes (pushrods) internos, que transferem os movimentos verticais das rodas para conjuntos de mola e amortecedor montados horizontalmente dentro da estrutura do chassi. O One-77 foi o pioneiro entre os carros de rua a utilizar amortecedores com tecnologia de válvula de carretel dinâmico (DSSV ou Dynamic Spool Valve), que permite o ajuste elétrico preciso de altura e rigidez de rodagem diretamente pelos comandos do painel. A suspensão traseira é composta por quatro bobinas de mola, duas delas integradas a uma barra estabilizadora hidráulica ativa de torção mecânica.
Para conter a alta velocidade, o hipercarro conta com discos de freio de composto de cerâmica e carbono ventilados e perfurados. O sistema utiliza discos frontais de 398 mm de diâmetro operados por pinças de alumínio com seis pistões, e discos traseiros de 360 mm de diâmetro acoplados a pinças de quatro pistões. Os freios foram projetados com defletores e canais térmicos internos modificados para evitar que o calor de frenagem seja transmitido diretamente ao fluido hidráulico. O contato com o asfalto é feito por pneus esportivos Pirelli P Zero Corsa (medindo 255/35 ZR20 no eixo dianteiro e 335/30 ZR20 no traseiro), desenvolvidos de forma dedicada para este modelo.
O interior do One-77 concilia o minimalismo das pistas com o luxo tradicional da Aston Martin. O habitáculo acomoda apenas duas pessoas em assentos esportivos leves revestidos em couro Obsidian Black ou Alcantara de alta qualidade, com controles de ajuste elétrico e memória integrada. O painel de instrumentos traz um layout limpo com cinco mostradores analógicos dominados pelo velocímetro e pelo tacômetro. O console central é largo e divide de forma nítida os dois ocupantes, abrigando a tela do sistema de navegação por satélite e os botões seletores da transmissão, dispensando qualquer tipo de alavanca de câmbio física.
O acabamento interno do carro utiliza fibra de carbono exposta combinada com detalhes de alumínio anodizado preto e botões rotativos feitos de cristal de alta resistência. O sistema de chave eletrônica da ignição, conhecido como ECU (unidade de controle de emoção), também é feito de cristal fosco. Itens opcionais oferecidos aos proprietários originais incluíam câmera de marcha ré, acabamentos de botões em ouro rosa e pinças de freio com acabamento dourado.
O volume de produção do hipercarro foi estritamente fechado em 77 unidades destinadas à venda pública. O processo de aquisição exigia um depósito de reserva inicial de 200.000 libras sobre o preço final de 1.150.000 libras. Todas as 77 unidades de clientes já haviam sido totalmente vendidas e reservadas antes mesmo do início das primeiras entregas físicas em 2011. Para fins de homologação e certificação, a marca produziu mulas adicionais de testes; a de número de chassi 10711, após rodar extensivamente em testes, foi reconstruída, certificada e vendida para o mercado americano sob a licença de "Exibição ou Demonstração" do órgão de trânsito dos Estados Unidos (NHTSA), totalizando 78 carros em circulação ativa no mundo.
O Aston Martin One-77 teve apenas uma geração de produção e não recebeu atualizações de estilo estético (conhecidas como facelifts) ou modificações de meia-vida durante seu ciclo de fabricação.
Perto do encerramento das montagens em 2012, a marca lançou uma submarca de personalização e apresentou uma edição especial limitada dentro do lote original de produção. Denominada One-77 Q-Series, essa versão teve apenas 7 unidades produzidas de forma extremamente personalizada sob o novo programa de acabamentos especiais "Q by Aston Martin". Embora mantivessem exatamente a mesma mecânica do V12 de 7,5 litros e a mesma caixa de velocidades automatizada, os modelos Q-Series apresentavam decorações visuais marcantes. A série era composta por esquemas visuais estritos:
A tabela abaixo detalha as principais especificações e a evolução técnica direta da plataforma One-77 e de seus derivados criados pela marca ao longo dos anos:
| Modelo | Período de Produção | Volume de Produção | Motorização (Tipo de Combustível) | Potência Máxima | Torque Máximo | Transmissão Utilizada | Aplicação de Uso |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| One-77 (Padrão) | 2011 – 2012 | 70 unidades | 7.3L V12 Aspirado (Gasolina) | 750 hp (760 PS) | 750 N·m | Manual Automatizada de 6 marchas | Via pública / Estrada |
| One-77 Q-Series | 2012 | 7 unidades | 7.3L V12 Aspirado (Gasolina) | 750 hp (760 PS) | 750 N·m | Manual Automatizada de 6 marchas | Via pública / Personalizado |
| Vulcan | 2015 – 2016 | 24 unidades | 7.0L V12 Aspirado (Gasolina) | 820 hp | 780 N·m | Sequencial de corrida de 6 marchas | Exclusivo para pistas / Circuitos |
| Victor | 2020 | 1 unidade (Série Única) | 7.3L V12 Aspirado (Gasolina) | 836 hp | 821 N·m | Manual de 6 marchas (Graziano) | Via pública / Estrada |
A plataforma do One-77, construída com foco na rigidez da fibra de carbono, serviu como base direta de engenharia para dois carros de produção ultra-exclusivos da Aston Martin nos anos seguintes, expandindo o ciclo de vida dinâmico da plataforma original:
Lançado em 2015 com foco em pistas de corrida, o Vulcan utilizou toda a estrutura central do chassi monobloco de carbono e a configuração básica de suspensão do One-77 como base estrutural. No entanto, a Aston Martin removeu os painéis artesanais de alumínio da carroceria do One-77, substituindo-os por novos componentes aerodinâmicos agressivos construídos de forma integral em fibra de carbono para reduzir o peso total de pista para 1.350 kg.
O motor 7.3L foi substituído por uma unidade baseada no V12 de 6.0L de competição, com cilindrada ampliada para 7,0 litros para entregar 820 hp a 7.750 rpm através de um câmbio sequencial de corrida Xtrac. O arranjo aerodinâmico gera cerca de 1.350 kg de força descendente a 190 mph, superando a própria massa total do carro. A produção foi limitada a apenas 24 unidades exclusivas para pistas de corrida.
Desenvolvido em 2020 pela divisão especial de projetos personalizados Q, o Victor é um veículo de fabricação única (1 de 1) de rua que homenageia Victor Gauntlett, presidente que reergueu a empresa na década de 1980. O Victor utiliza um chassi monobloco de fibra de carbono remanescente do One-77, com a suspensão ajustável de competição em seis posições herdada do Vulcan. Seu motor V12 de 7,3 litros original do One-77 foi completamente recondicionado e modificado pela Cosworth para gerar 836 hp e 821 N·m de torque.
O conjunto mecânico do Victor abandonou a transmissão automatizada do One-77 original, adotando um câmbio manual de seis marchas tradicional fornecido pela Graziano com uma embreagem esportiva de pista, tornando-se o veículo manual naturalmente aspirado mais potente da história da marca. A carroceria do Victor é feita de fibra de carbono na cor verde Pentland Green, combinando linhas inspiradas no clássico V8 Vantage dos anos 1970 com lanternas traseiras dotadas de tecnologia derivada do hipercarro Valkyrie.