Series II
(1972-1973)
Ficha técnica, versões e história do Aston Martin V8.
Selecione uma geração para ver as versões disponíveis
(1972-1973)
(1974-1978)
(1978-1986)
(1986-1989)
Selecione uma motorização para ver a ficha técnica completa
A história do Aston Martin V8 não é meramente a crônica de um automóvel de luxo; é o registro tangível da resiliência de uma das marcas mais emblemáticas da Grã-Bretanha através de duas décadas de turbulência industrial, crises petrolíferas e incertezas corporativas. Este modelo, produzido artesanalmente em Newport Pagnell entre 1969 e 1989, serviu como a espinha dorsal financeira e de engenharia da Aston Martin Lagonda Ltd., permitindo que a empresa sobrevivesse à saída de seu patrono, Sir David Brown, e entrasse na era moderna.
O V8 representou uma transição fundamental na filosofia da marca: a passagem dos ágeis, porém menores, motores de seis cilindros que equiparam os lendários DB4, DB5 e DB6, para uma nova era de potência bruta e capacidade de Grand Touring (GT) de alta velocidade, impulsionada por um motor V8 de liga leve projetado pelo visionário engenheiro polonês Tadek Marek. Durante seu ciclo de vida de vinte anos, o modelo evoluiu de um GT rápido para o primeiro verdadeiro "supercarro" da Grã-Bretanha na forma do V8 Vantage, desafiando a hegemonia italiana da Ferrari e Lamborghini com uma combinação única de força bruta e refinamento aristocrático.
Para compreender o "Aston Martin V8", é imperativo analisar seu predecessor direto e doador de chassi, o Aston Martin DBS. Em meados da década de 1960, a Aston Martin reconheceu a necessidade de substituir o envelhecido DB6 por um carro mais moderno, espaçoso e aerodinâmico, capaz de acomodar o novo motor V8 que estava em desenvolvimento.
O design do novo carro foi confiado a William Towns, que concebeu uma carroceria moderna, angular e agressiva. O DBS foi lançado em 1967, mas inicialmente com o antigo motor de seis cilindros em linha devido a atrasos no V8. Foi apenas em 1969 que o motor V8 foi considerado apto para produção, dando origem ao DBS V8.
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Período de Produção | 1969 – 1972 |
| Unidades Produzidas | 402 (aprox.) |
| Motor | V8 5.3L, Injeção Mecânica Bosch |
| Potência Estimada | ~315 - 320 bhp |
| Velocidade Máxima | 160 mph (257 km/h) |
| Designer | William Towns |
Após a venda da Aston Martin por Sir David Brown em 1972, o nome "DBS" foi abandonado e o carro passou a ser chamado simplesmente de Aston Martin V8. O Aston Martin Owners Club (AMOC) classifica a evolução deste modelo em "Séries" distintas.
A primeira iteração sob a nova propriedade. A alteração visual mais marcante foi na dianteira: o arranjo de quatro faróis do DBS foi substituído por dois faróis simples de quartzo-iodo em uma nova grade de malha preta. Mecanicamente, reteve o sistema de injeção Bosch do DBS V8, que se provou problemático e difícil de manter.
Buscando maior confiabilidade e adequação às leis de emissões, a Aston Martin substituiu a injeção Bosch por quatro carburadores Weber 42 DCNF. Essa mudança exigiu uma entrada de ar proeminente no capô ("scoop"), que se tornou o identificador visual da Série 3. O desempenho estimado era de cerca de 310 bhp nas versões europeias, mas caía drasticamente nos modelos de "Controle de Emissões" dos EUA.
Considerada a maturação definitiva do V8 como um GT de luxo. O código interno "Oscar India" (October Introduction) batizou esta geração. O capô perdeu a entrada de ar aberta e ganhou uma "bossa de potência" fechada. Na traseira, um spoiler integrado ("tea tray") melhorou a aerodinâmica. O interior passou a ser inteiramente revestido em couro Connolly e ganhou madeira de nogueira como padrão.
Lançado em 1977, o V8 Vantage foi uma reconstrução mecânica profunda destinada a bater a Ferrari 512BB e o Lamborghini Countach. Os engenheiros equiparam o V8 com comandos de válvula de alta performance, válvulas maiores e gigantescos carburadores Weber 48 IDF.
A potência saltou para estimados 380 bhp, chegando a ultrapassar 400 bhp nas versões finais. O carro acelerava de 0 a 60 mph em 5,2 segundos, com velocidade máxima de 274 km/h, garantindo o título de "carro de quatro lugares mais rápido do mundo".
Para estabilidade a altas velocidades, a grade frontal foi fechada ("blanked off") e equipada com faróis de milha. Um enorme spoiler dianteiro e um spoiler traseiro (aparafusado inicialmente, depois integrado) foram adicionados. Arcos de roda alargados acomodavam pneus largos.
A Versão Definitiva: O "X-Pack" (1986–1989): Equipado com pistões Cosworth de alta compressão e cabeçotes trabalhados, o motor V580X entregava entre 410 e 432 bhp. Apenas cerca de 131 a 137 carros foram construídos com esta especificação.
| Modelo | 0-60 mph | Velocidade Máx. | Potência (Est.) | Carburadores |
|---|---|---|---|---|
| V8 Saloon (Padrão) | 6.6 seg | 240 km/h | 305 bhp | Weber 42 DCNF |
| V8 Vantage (Inicial) | 5.3 seg | 274 km/h | 380 bhp | Weber 48 IDF |
| V8 Vantage (X-Pack) | 5.2 seg | 275+ km/h | 432 bhp | Weber 48 IDF |
Em junho de 1978, a Aston Martin lançou o V8 Volante (Série 1) para atender à demanda do mercado norte-americano. Remover o teto exigiu reforços substanciais no chassi, aumentando o peso em até 100 kg. A capota elétrica era totalmente forrada para isolamento acústico e térmico.
Em 1987, o Príncipe Charles encomendou um V8 Vantage Volante, mas solicitou uma carroceria discreta, sem os spoilers e saias laterais agressivos do Vantage padrão. A Aston Martin criou o "lobo em pele de cordeiro": mecânica Vantage completa em uma carroceria Volante elegante. Apenas 22 unidades foram construídas com a especificação PoW completa, tornando-os extremamente valiosos.
A fase final do V8 Saloon adotou um sistema de injeção eletrônica sequencial Weber-Marelli, abandonando os carburadores (exceto no Vantage). Isso permitiu um controle preciso da mistura e eliminou a necessidade da "bossa" no capô, retornando a um perfil plano e limpo. Apenas cerca de 60 cupês desta série foram construídos.
Uma parceria com a carrozzeria italiana Zagato resultou em um carro mais leve, curto e aerodinâmico, capaz de atingir 300 km/h. O design angular foi polarizador. A produção foi estritamente limitada: 52 cupês e 37 volantes.
| Modelo / Geração | Período | Unidades (Aprox.) | Detalhes Chave |
|---|---|---|---|
| DBS V8 | 1969–1972 | 402 | Injeção Bosch, rodas de liga, 4 faróis. |
| V8 Saloon (Série 2) | 1972–1973 | 288 | Frente nova (2 faróis), Injeção Bosch. |
| V8 Saloon (Série 3) | 1973–1978 | 967 | Carburadores Weber, Scoop alto no capô. |
| V8 Saloon (Série 4) | 1978–1985 | 352 | "Oscar India", interior madeira, spoiler integrado. |
| V8 Saloon (Série 5 EFI) | 1986–1989 | ~60 (Cupês) | Injeção Weber-Marelli, capô plano. |
| V8 Volante (Série 1) | 1978–1985 | 656 | Conversível padrão, carburado. |
| V8 Volante (Série 2 EFI) | 1986–1989 | 245 | Conversível com injeção eletrônica. |
| V8 Vantage (Série 1) | 1977–1978 | 38 (+13 EUA) | "Bolt-on" spoiler, grade fechada. |
| V8 Vantage (Série 2) | 1978–1989 | 304 (+14 EUA) | Inclui Oscar India e X-Pack. |
| V8 Vantage Volante | 1986–1989 | 192 (+56 EUA) | Alta performance conversível. |
| V8 Vantage Volante PoW | 1987–1989 | 22 (+5 Cosm.) | Prince of Wales, visual discreto. |
| V8 Zagato (Coupé) | 1986–1988 | 52 | Carroceria especial italiana. |
| V8 Zagato (Volante) | 1987–1990 | 37 | Conversível Zagato. |
| Total Estimado | 1969–1989 | ~4.021 | Total de todas as variantes V8. |
Em 1987, James Bond voltou a dirigir um Aston Martin no filme "The Living Daylights", utilizando um V8 Vantage Volante (modificado para parecer um cupê em algumas cenas). O carro, equipado com esquis retráteis e mísseis, revitalizou o interesse global pelo modelo.
Hoje, o Aston Martin V8 é visto como um "Blue Chip". No topo da pirâmide estão os Vantage Volante Prince of Wales, que podem ultrapassar £500.000. Os modelos Série 3 e Série 5 EFI representam pontos de entrada mais acessíveis, embora exijam manutenção especializada.
O Aston Martin V8 foi o carro certo na hora certa — e na hora errada. Ele nasceu em meio à crise, sobreviveu à falência e floresceu na era do excesso dos anos 80. Sua engenharia, liderada pelo motor imortal de Tadek Marek, provou ser robusta o suficiente para evoluir de 300 para 430 cavalos ao longo de duas décadas. Mais do que qualquer outro modelo, o V8 manteve as luzes acesas em Newport Pagnell, preservando a tradição artesanal britânica. Ele permanece, até hoje, como a definição muscular, barulhenta e luxuosa do automobilismo britânico clássico.
Imagens do Aston Martin V8