Engenharia do Motor AM05
O coração do primeiro Vantage V8 moderno foi o motor de 4.3 litros (4280 cm³), designado internamente como
AM05. A origem deste motor é frequentemente debatida. Embora a arquitetura básica do bloco fosse
compartilhada com a Jaguar (o design AJ-V8), a Aston Martin realizou modificações tão extensas que o
considerava um motor exclusivo.
A principal diferença técnica para qualquer primo da Jaguar era o sistema de lubrificação. A Aston Martin
implementou um sistema de cárter seco (dry sump). Em motores convencionais de cárter úmido, o óleo fica
armazenado em um reservatório na base do motor. No cárter seco, o óleo é bombeado para um reservatório
externo. Isso oferece duas vantagens críticas para um carro esportivo:
- Centro de Gravidade: Sem o reservatório de óleo volumoso na base, o motor pôde ser
montado muito mais baixo no chassi, melhorando a estabilidade e a resposta da direção.
- Confiabilidade em Pista: O sistema garante que o motor receba lubrificação constante
mesmo sob forças G laterais extremas em curvas, onde o óleo em um cárter úmido poderia se deslocar e
deixar a bomba de óleo "a seco".
O motor era montado à mão na fábrica de motores da Aston Martin em Colônia, na Alemanha. Ele produzia 380 cv
(283 kW) a 7.300 rpm e 410 Nm (302 lb-ft) de torque a 5.000 rpm. A entrega de potência era linear e
progressiva, típica de motores aspirados de alta rotação, exigindo que o motorista trabalhasse as marchas
para extrair o máximo desempenho.
Transmissão e Dinâmica Transaxle
Para atingir a distribuição de peso ideal, a Aston Martin utilizou um layout transaxle. O motor estava na
dianteira (atrás do eixo dianteiro, configurando um "front-mid engine"), mas a caixa de câmbio foi montada
no eixo traseiro. A conexão entre o motor e o câmbio era feita por um tubo de torque de alumínio contendo um
eixo de transmissão de fibra de carbono, uma peça de engenharia exótica que garantia a transferência de
potência sem perdas ou torções.
Nos primeiros anos (2005-2006), o Vantage foi oferecido exclusivamente com uma transmissão manual de 6
velocidades fornecida pela Graziano. Esta decisão reforçou a imagem do Vantage como um "carro de motorista"
puro, em contraste com os modelos automáticos da concorrência que focavam mais em conforto. A distribuição
de peso resultante era de 49:51 (frente/traseira), criando um equilíbrio neutro que facilitava o controle em
limites de aderência.
Detalhes do Interior e a "ECU"
O interior do Vantage 2005 estabeleceu o padrão para a marca na década seguinte. O destaque era o console
central em "cachoeira" (waterfall), que descia suavemente do painel até o túnel de transmissão. Os materiais
eram autênticos: o que parecia metal era metal (muitas vezes magnésio ou alumínio), e o que parecia couro
era couro de alta qualidade (Bridge of Weir).
Um detalhe curioso e inovador foi a chave do carro, introduzida em modelos subsequentes mas conceitualizada
nesta era. Chamada de "Emotion Control Unit" (ECU), era feita de cristal de safira e aço inoxidável. Para
ligar o carro, o motorista inseria a ECU em um slot no centro do painel, que pulsava em vermelho ("batimento
cardíaco") antes da ignição.
Os mostradores do painel também eram únicos: o conta-giros girava no sentido anti-horário, espelhando o
velocímetro. Embora esteticamente agradável e simétrico, essa característica foi criticada por alguns
puristas pela legibilidade.
Dados de Performance (2005)
| Especificação |
Valor |
| Motor |
V8 4.3L Aspirado (AM05) |
| Potência |
380 cv @ 7.300 rpm |
| Torque |
410 Nm @ 5.000 rpm |
| 0-100 km/h |
4,9 segundos |
| Velocidade Máxima |
280 km/h (175 mph) |
| Peso |
~1.570 kg |
O desempenho, embora respeitável, foi o principal ponto de crítica inicial. Comparado ao Porsche 911 Carrera
S da época, o Vantage era ligeiramente mais lento e pesado, e o motor precisava ser levado ao limite para
acompanhar o ritmo, devido ao torque máximo surgir apenas a 5.000 rpm.