C1
(1968 - 1973)
Ficha técnica, versões e história do Audi 100 2-door Sedan.
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(1968 - 1973)
(1973 - 1977)
(1976 - 1979)
(1979 - 1983)
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A história do Audi 100 Sedan remonta a meados da década de 1960, um período de profunda reorganização corporativa na indústria automobilística alemã. Em 1964, o Grupo Volkswagen adquiriu a Auto Union da Daimler-Benz, assumindo as instalações fabris localizadas em Ingolstadt. O objetivo inicial da diretoria da Volkswagen era utilizar a capacidade fabril de Ingolstadt exclusivamente para suprir a alta demanda do Volkswagen Fusca, proibindo categoricamente o desenvolvimento de novos veículos sob a marca Audi.
Apesar dessa diretriz corporativa, o engenheiro-chefe e diretor técnico da Auto Union, Dr. Ludwig Kraus, reconheceu a necessidade de introduzir um sedã executivo de médio para grande porte no mercado para assegurar a rentabilidade da empresa a longo prazo. Kraus projetou o veículo em segredo, sem o conhecimento do conselho de administração em Wolfsburg. Quando o protótipo foi finalmente apresentado ao presidente da Volkswagen, Heinrich Nordhoff, a qualidade do projeto de engenharia convenceu a diretoria a aprovar a produção em série do automóvel.
O veículo foi apresentado oficialmente ao público em 26 de novembro de 1968 sob a denominação Audi 100, cujo número fazia referência direta à potência de 100 PS (99 hp) desenvolvida pela versão topo de linha da época. O sucesso comercial do modelo salvou a Audi da extinção financeira e estabeleceu a marca como uma fabricante premium capaz de rivalizar com marcas consolidadas como Mercedes-Benz e BMW.
Construído sobre a plataforma C1 do Grupo Volkswagen, a primeira geração do Audi 100 adotou uma arquitetura mecânica com motor dianteiro longitudinal e tração dianteira. A ausência de um túnel de transmissão central permitiu maximizar o espaço interno do habitáculo para acomodar confortavelmente cinco passageiros. O chassi contava com suspensão dianteira independente por braços sobrepostos e eixo de torção na traseira. Um detalhe de engenharia notável nos primeiros anos do modelo C1 foi o uso de freios a disco dianteiros montados internamente, junto à saída do diferencial (sistema inboard), visando reduzir a massa não suspensa do veículo.
A linha de carroçarias expandiu-se rapidamente para incluir um sedã de duas portas em 1969 e um cupê fastback denominado Audi 100 Coupé S em 1970. No mercado norte-americano, o sedã estreou em 1970 na versão LS, sendo o primeiro modelo da marca comercializado nos Estados Unidos. Em março de 1971, a unidade de número 500.000 da linha Audi foi produzida em Ingolstadt, demonstrando o ritmo acelerado de vendas.
No ano de 1972, a linha de motorizações passou por revisões técnicas nas quais as variantes de entrada de 80 PS e 90 PS foram substituídas por uma versão atualizada de 85 PS do motor 1.8 litro, alimentada a gasolina comum. Simultaneamente, a marca introduziu o nível de acabamento 100 GL, equipado com o motor de 1.9 litro de 115 PS anteriormente restrito ao Coupé S.
Em setembro de 1973 (para o ano-modelo 1974), a Audi apresentou a reestilização de meio de ciclo da geração C1. As alterações estéticas incluíram uma grade dianteira retangular de dimensões mais reduzidas, para-lamas dianteiros com linhas mais angulares e lanternas traseiras com novo desenho de lentes. Na parte mecânica, o eixo de torção traseiro foi substituído por uma suspensão com molas helicoidais, proporcionando maior estabilidade e conforto de rodagem. Para o ano-modelo 1975, a versão base passou a se chamar 100 L e adotou o motor 1.6 litro proveniente do Audi 80. Nos Estados Unidos, o modelo passou a contar com sistema de injeção eletrônica Bosch em 1975 para atender às normas locais de emissões.
As motorizações da geração C1 eram formadas por blocos de quatro cilindros em linha a gasolina com carburador ou injeção eletrônica.
| Versão | Cilindrada | Potência | Torque | Sistema de Alimentação | Período de Produção |
|---|---|---|---|---|---|
| 100 (Base) | 1.8L (1.760 cc) | 80 PS (79 hp / 59 kW) | 135 Nm | Carburador | 1968–1972 |
| 100 S | 1.8L (1.760 cc) | 90 PS (89 hp / 66 kW) | 142 Nm | Carburador | 1968–1972 |
| 100 LS | 1.8L (1.760 cc) | 100 PS (99 hp / 74 kW) | 150 Nm | Carburador / Injeção | 1968–1976 |
| 100 L | 1.6L (1.588 cc) | 85 PS (84 hp / 63 kW) | 122 Nm | Carburador | 1974–1976 |
| 100 GL / GLS | 1.9L (1.871 cc) | 112–115 PS (111–113 hp / 84 kW) | 160 Nm | Carburador | 1972–1976 |
A produção total do Audi 100 C1 atingiu 827.474 unidades. A carroçaria Sedan (duas e quatro portas) somou 796.787 exemplares, enquanto o Coupé S registrou 30.687 unidades produzidas.
Apresentado em agosto de 1976 em Luxemburgo, o Audi 100 C2 (Type 43) trouxe uma inovação técnica importante para a indústria automobilística: o primeiro motor a gasolina de cinco cilindros em linha em um carro de passeio de grande série. A intenção da engenharia da Audi era oferecer o desempenho suave de um motor de seis cilindros mantendo a eficiência de combustível e dimensões compactas comparáveis às de um motor de quatro cilindros.
A geração C2 manteve a configuração de tração dianteira e ofereceu opções de sedã com duas e quatro portas, além da introdução da variante Avant de cinco portas com carroçaria estilo fastback/station wagon em 1977. Em setembro de 1977, a linha ultrapassou o marco de um milhão de unidades Audi 100 fabricadas. Na América do Norte, o modelo foi vendido como Audi 5000 entre os anos-modelo 1978 e 1983, enquanto na Austrália foi comercializado sob o nome Audi 5E.
Em 1979, o C2 passou por uma atualização visual e tecnológica. A parte frontal recebeu faróis retangulares maiores com luzes direcionais integradas nas extremidades, além de novas lanternas traseiras horizontais estendidas e para-choques atualizados. O acabamento interno ganhou novos materiais de revestimento, isolamento acústico aprimorado e instrumentos retrabalhados.
No mesmo ano, a Audi lançou o Audi 200 (Type 43), uma derivação de alto luxo baseada na carroçaria do sedã C2. O Audi 200 trazia faróis duplos retangulares, acabamento interno refinado com assentos de padrão veludo ou couro e a estreia da versão turbocomprimida do motor de cinco cilindros de 2.1 litros, capaz de gerar até 170 PS a 182 PS. Em 1978, a Audi também passou a oferecer motores diesel de cinco cilindros aspirados de 2.0 litros e 70 PS, seguidos por uma versão turbodiesel de 85 PS em 1982.
A gama de motores do C2 incluiu blocos de quatro e cinco cilindros a gasolina e a diesel.
| Versão / Motor | Cilindrada | Potência | Sistema de Alimentação | Período de Produção |
|---|---|---|---|---|
| 1.6 I4 | 1.6L (1.588 cc) | 85 PS (84 hp / 63 kW) | Carburador | 1976–1982 |
| 2.0 I4 | 2.0L (1.984 cc) | 115 PS (113 hp / 85 kW) | Carburador | 1976–1978 |
| 2.1 I5 | 2.1L (2.144 cc) | 100–115 PS (99–113 hp) | Carburador | 1978–1982 |
| 2.1 I5 (5E / CD) | 2.1L (2.144 cc) | 136 PS (134 hp / 100 kW) | Injeção Eletrônica (K-Jetronic) | 1977–1982 |
| 2.0 D (Diesel) | 2.0L (1.986 cc) | 70 PS (69 hp / 51 kW) | Diesel Aspirado (Injeção Indireta) | 1978–1982 |
| 2.0 TD (Turbodiesel) | 2.0L (1.986 cc) | 85 PS (84 hp / 63 kW) | Turbodiesel | 1982–1983 |
A produção total da geração C2 alcançou 988.581 veículos. Desse volume, o Sedan de quatro portas correspondeu a 887.647 unidades, o Audi 100 Avant somou 49.652 unidades, e a série de luxo Audi 200 registrou 51.282 exemplares fabricados.
Lançado em 1982, o Audi 100 C3 (Type 44) alcançou um feito técnico relevante ao estabelecer um coeficiente de arrasto ($C_x$) de 0,30. Esse resultado aerodinâmico foi alcançado por meio do alinhamento dos vidros laterais rente à lataria (utilizando um sistema de montagem deslizante das janelas) e pela suavização dos contornos da carroçaria. O avanço aerodinâmico reduziu o consumo de combustível e o ruído do vento em altas velocidades no sedã executivo.
A partir de 1985, a Audi passou a fabricar o C3 com carroçaria em aço 100% galvanizado, garantindo proteção reforçada contra a corrosão. O modelo introduziu também o sistema de segurança passiva Procon-Ten (Programmed Contraction and Tension). Em colisões frontais severas, o sistema utilizava cabos de aço conectados ao bloco do motor para deslocar o volante para longe do motorista em direção ao painel e tensionar instantaneamente os cintos de segurança dianteiros. A tração integral permanente quattro foi disponibilizada para o sedã C3 a partir de 1984, utilizando um diferencial central travável.
Em janeiro de 1988, a Audi aplicou uma reestilização ao C3. A mudança externa mais evidente foi a adoção de maçanetas das portas embutidas, montadas no mesmo plano da lataria. O habitáculo recebeu um painel de instrumentos redesenhado com mostradores arredondados e comandos atualizados do sistema de ventilação.
No ano de 1990, a Audi introduziu no C3 o primeiro motor turbodiesel de injeção direta de combustível em um carro de passeio da marca: o 2.5 TDI de cinco cilindros em linha com 120 PS e 265 Nm de torque. A geração C3 teve papel relevante na expansão asiática da Volkswagen. A montagem local na China começou em 1988 via FAW-Volkswagen em Changchun, dando origem a sedãs e variantes alongadas produzidas sob a marca estatal Hongqi.
A gama de motores a gasolina e a diesel do C3 abrangia unidades de quatro e cinco cilindros.
| Versão / Motor | Cilindrada | Potência | Sistema de Alimentação / Destaque | Período de Produção |
|---|---|---|---|---|
| 1.8 I4 | 1.8L (1.781 cc) | 75–90 PS (74–89 hp) | Carburador / Injeção com Catalisador | 1982–1990 |
| 1.9 I5 | 1.9L (1.921 cc) | 100 PS (99 hp / 74 kW) | Carburador | 1982–1984 |
| 2.0 I5 | 2.0L (1.994 cc) | 115 PS (113 hp / 85 kW) | Injeção Eletrônica com Catalisador | 1984–1990 |
| 2.1 I5 | 2.1L (2.144 cc) | 136 PS (134 hp / 100 kW) | Injeção Eletrônica (K-Jetronic) | 1982–1984 |
| 2.2 I5 | 2.2L (2.226 cc) | 115–138 PS (113–136 hp) | Injeção Eletrônica | 1984–1990 |
| 2.3 I5 | 2.3L (2.309 cc) | 136 PS (134 hp / 100 kW) | Injeção Eletrônica (KE-Jetronic) | 1986–1990 |
| 2.2 Turbo I5 | 2.2L (2.226 cc) | 165 PS (163 hp / 121 kW) | Injeção Eletrônica Turbo | 1986–1990 |
| 2.0 D (Diesel) | 2.0L (1.986 cc) | 70 PS (69 hp / 51 kW) | Diesel Aspirado | 1982–1989 |
| 2.0 TD | 2.0L (1.986 cc) | 87–100 PS (86–99 hp) | Turbodiesel | 1983–1989 |
| 2.4 D | 2.4L (2.370 cc) | 82 PS (81 hp / 60 kW) | Diesel Aspirado | 1989–1990 |
| 2.5 TDI | 2.5L (2.461 cc) | 120 PS (118 hp / 88 kW) | Injeção Direta Turbodiesel | 1990 |
A produção da geração C3 na Alemanha acumulou 1.078.443 veículos no total (incluindo as variações Audi 100 Sedan, Avant e o Audi 200).
Lançado no final de 1990 na Europa (como ano-modelo 1991), o Audi 100 C4 (Type 4A) trouxe refinamentos na rigidez do chassis e no isolamento de ruídos e vibrações. O design exterior adotou traços mais arredondados, mantendo o vidro espia integrado à coluna C. O painel foi construído com plásticos injetados de textura macia e encaixes com tolerâncias reduzidas.
O avanço mecânico da geração C4 foi a introdução dos motores V6 a 90 graus com comando único no cabeçote (SOHC) e 12 válvulas. Disponibilizados nas cilindradas de 2.8 litros (174 PS) e 2.6 litros (150 PS), esses motores proporcionaram uma entrega contínua de torque e funcionamento suave.
Em agosto de 1991, a fábrica lançou a primeira versão de alta performance da linha: o Audi Ur-S4 Sedan. O modelo utilizava o motor 2.2 litros de cinco cilindros com turbo, intercooler e cabeçote de 20 válvulas, desenvolvendo 230 PS e 350 Nm de torque, associado ao sistema de tração integral permanente quattro e câmbio manual de cinco ou seis marchas.
Em meados de 1994, a Audi realizou uma atualização estilística na linha C4. Os para-choques dianteiros e traseiros foram redesenhados com pintura integral na cor do veículo, as lentes das luzes direcionais dianteiras passaram a ser transparentes, a grade frontal foi integrada ao capô e as lanternas traseiras receberam novo arranjo interno.
Junto a esse facelift, a Audi alterou seu sistema de nomenclatura oficial. O tradicional nome Audi 100 foi descontinuado e substituído por Audi A6 (mantendo a designação de plataforma C4), enquanto o modelo esportivo Ur-S4 passou a ser denominado Audi S6. Essa reestrutura organizou a linha ao lado do sedã compacto A4 e do sedã de topo A8.
As motorizações da quarta geração abrangeram blocos de quatro e cinco cilindros em linha, motores V6 e unidades turbodiesel.
| Versão / Motor | Cilindrada | Potência | Torque | Configuração de Cilindros | Período de Produção |
|---|---|---|---|---|---|
| 2.0 | 2.0L (1.984 cc) | 101 PS (100 hp / 74 kW) | 157 Nm | 4 Cilindros em Linha (AAE) | 1990–1994 |
| 2.0 E | 2.0L (1.984 cc) | 115 PS (113 hp / 85 kW) | 168 Nm | 4 Cilindros em Linha (ABK) | 1990–1994 |
| 2.0 E 16V | 2.0L (1.984 cc) | 137 PS (135 hp / 101 kW) | 180 Nm | 4 Cilindros em Linha 16V (ACE) | 1992–1994 |
| 2.3 E | 2.3L (2.309 cc) | 133 PS (131 hp / 98 kW) | 186 Nm | 5 Cilindros em Linha (AAR) | 1990–1994 |
| 2.6 V6 | 2.6L (2.598 cc) | 150 PS (148 hp / 110 kW) | 225 Nm | V6 a 90° SOHC 12V (ABC) | 1992–1994 |
| 2.8 V6 E | 2.8L (2.771 cc) | 174 PS (172 hp / 128 kW) | 245 Nm | V6 a 90° SOHC 12V (AAH) | 1990–1994 |
| 2.2 Turbo (Ur-S4) | 2.2L (2.226 cc) | 230 PS (227 hp / 169 kW) | 350 Nm | 5 Cilindros 20V Turbo (AAN) | 1991–1994 |
| 2.4 D | 2.4L (2.370 cc) | 82 PS (81 hp / 60 kW) | 164 Nm | 5 Cilindros Diesel (AAS) | 1991–1994 |
| 2.5 TDI | 2.5L (2.461 cc) | 115 PS (113 hp / 85 kW) | 265 Nm | 5 Cilindros Turbodiesel (AAT) | 1991–1994 |
Durante o período em que foi comercializado com o emblema Audi 100 (entre o final de 1990 e meados de 1994), o C4 registrou aproximadamente 480.000 unidades fabricadas, antes da transição comercial para a marca Audi A6.
A trajetória do Audi 100 reflete a evolução tecnológica da empresa ao longo de 26 anos de produção contínua sob este nome.
| Geração | Código Interno | Anos de Produção | Coeficiente Aerodinâmico (Cx) | Volume de Produção Global | Inovações Técnicas Principais |
|---|---|---|---|---|---|
| C1 | F104 | 1968–1976 | 0,38–0,42 | 827.474 unidades | Tração dianteira, freios inboard, construção leve sem túnel de transmissão. |
| C2 | Type 43 | 1976–1982 | 0,36 | 988.581 unidades | Primeiro motor 5 cilindros a gasolina do mundo, motor turbodiesel de 5 cilindros. |
| C3 | Type 44 | 1982–1991 | 0,30 | 1.078.443 unidades | Aerodinâmica de referência, corpo galvanizado, Procon-Ten, tração quattro, motor TDI. |
| C4 | Type 4A | 1990–1994 | 0,32 | ~480.000 unidades | Motores V6 a 90°, rigidez torcional elevada, versão de alta performance Ur-S4, transição para a série A6. |
O Audi 100 Sedan desempenhou um papel central no reposicionamento da Audi no segmento de automóveis de luxo. Desenvolvido inicialmente em segredo para contornar restrições corporativas, o modelo salvou a marca em Ingolstadt e atuou como plataforma para a introdução de tecnologias pioneiras, como os motores a gasolina de cinco cilindros, soluções aerodinâmicas avançadas, a tração integral quattro e os motores TDI. As quatro gerações produzidas entre 1968 e 1994 totalizaram mais de 3,3 milhões de veículos fabricados na Alemanha, consolidando as bases da engenharia que continuam na atual linha Audi A6.
Imagens do Audi 100 2-door Sedan