C3
(1983 - 1988)
Ficha técnica, versões e história do Audi 200 Avant.
Selecione uma geração para ver as versões disponíveis
(1983 - 1988)
(1988 - 1991)
Selecione uma motorização para ver a ficha técnica completa
O Audi 200 foi concebido no final da década de 1970 com o objetivo estratégico de elevar a marca alemã ao segmento de veículos executivos de luxo, rivalizando diretamente com modelos estabelecidos como o Mercedes-Benz W123/W124 e o BMW Série 5. Derivado da arquitetura estrutural do Audi 100, o Audi 200 posicionou-se como a variante topo de linha da gama, integrando níveis superiores de acabamento interno, maior oferta de equipamentos de série e motorizações exclusivas de cinco cilindros em linha com turbocompressor. Ao longo de duas gerações principais (C2 e C3) e uma atualização de meia vida decisiva, o modelo desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da tração integral permanente quattro e no estabelecimento dos motores turbo de alta performance que moldaram a identidade da Audi.
Apresentada no final de 1979 e comercializada até 1982, a primeira geração do Audi 200 recebeu o código interno Typ 43 e utilizou a plataforma C2 do Grupo Volkswagen. O veículo compartilhava a monobloco básica do Audi 100 C2, mas diferenciava-se esteticamente pela dianteira reformulada, que incorporava faróis duplos retangulares de halogênio, para-choques mais robustos com revestimento cromado, molduras de proteção lateral exclusivas e rodas de liga leve de 15 polegadas com pneus 205/60 R15. No interior, o acabamento incluía estofamento em veludo de alta densidade, painel de instrumentos expandido e maior isolamento acústico.
Durante o ciclo de produção do Typ 43, o Audi 200 foi oferecido exclusivamente na carroceria sedã de quatro portas. Embora existisse uma variante denominada Audi 100 Avant na mesma época, esta consistia em um modelo hatchback de cinco portas e não recebeu o distintivo 200 nem os motores turbocomprimidos da linha.
A oferta de motores do Audi 200 C2 limitou-se a duas variações do bloco de cinco cilindros em linha a gasolina com 2,1 litros (2.144 cm³), dispostos longitudinalmente na dianteira, com comando de válvulas no cabeçote (SOHC) e duas válvulas por cilindro. A injeção de combustível era gerenciada pelo sistema mecânico Bosch K-Jetronic.
A versão de entrada, Audi 200 5E, utilizava o motor aspirado com código de identificação WC, desenvolvendo 136 cv de potência. A versão topo de linha, Audi 200 5T, equipava o motor turboalimentado código WJ, capaz de gerar 170 cv de potência. Esta variante destacou-se no mercado europeu por entregar aceleração e velocidade final comparáveis às de sedãs equipados com motores V8 de maior cilindrada. Ambas as motorizações podiam ser combinadas a uma transmissão manual de 5 marchas ou a um câmbio automático de 3 marchas, com tração exclusivamente dianteira.
| Dados Técnicos e Desempenho | Audi 200 5E (Aspirado) | Audi 200 5T (Turbo) |
|---|---|---|
| Código do Motor | WC | WJ |
| Cilindrada / Cilindros | 2.144 cm³ / 5 em linha | 2.144 cm³ / 5 em linha |
| Diâmetro x Curso | 79,5 mm x 86,4 mm | 79,5 mm x 86,4 mm |
| Taxa de Compressão | 9,3:1 | 7,2:1 |
| Sistema de Alimentação | Injeção Mecânica Bosch K-Jetronic | Bosch K-Jetronic com Turbocompressor KKK |
| Potência Máxima | 136 cv (100 kW) @ 5.700 rpm | 170 cv (125 kW) @ 5.300 rpm |
| Torque Máximo | 182 Nm @ 4.200 rpm | 265 Nm @ 3.300 rpm |
| Transmissão | Manual 5 marchas / Auto 3 marchas | Manual 5 marchas / Auto 3 marchas |
| Aceleração (0–100 km/h) | 10,6 s (Manual) / 12,5 s (Automático) | 8,6 s (Manual) / 9,4 s (Automático) |
| Velocidade Máxima | 188 km/h (Manual) / 183 km/h (Automático) | 202 km/h (Manual) / 195 km/h (Automático) |
| Peso em Ordem de Marcha | 1.260 kg | 1.260 kg |
A produção total do Audi 200 C2 atingiu 51.282 unidades entre 1979 e 1982. A preferência do consumidor voltou-se majoritariamente para o modelo turbocomprimido, que representou mais de 75% das vendas totais.
Lançada no mercado europeu em 1983, a segunda geração do Audi 200, denominada Typ 44 e baseada na plataforma C3 do Grupo Volkswagen, redefiniu os padrões de aerodinâmica da indústria automotiva sob a liderança do designer Hartmut Warkuss. A carroceria do sedã alcançou um coeficiente de arrasto aerodinâmico ($C_x$) de 0,30, marca inédita para um sedã executivo de produção em série na época.
Ao contrário da geração anterior, o Audi 200 C3 passou a ser oferecido em duas configurações de carroceria: o tradicional sedã de quatro portas e a perua de cinco portas, batizada de Audi 200 Avant. A variante Avant ostentava um perfil aerodinâmico com $C_x$ de 0,34 e oferecia uma capacidade de carga superior sem comprometer o apelo esportivo e o desempenho dinâmico. A geração C3 introduziu também o sistema de tração integral permanente quattro, derivado do modelo de rali Audi Quattro, tornando-se uma referência em estabilidade e aderência sob condições adversas.
No início de 1988, a linha Audi 200 C3 passou por um facelift abrangente de meia vida. No exterior, as alterações estéticas foram focadas na otimização da limpeza visual e da aerodinâmica, destacando-se a adoção de maçanetas das portas totalmente embutidas e niveladas com a lataria, novos retrovisores externos e conjuntos ópticos traseiros levemente reconfigurados.
O painel de instrumentos foi completamente redesenhado, recebendo um mostrador curvado e contínuo que abrigava mostradores auxiliares de pressão do óleo, temperatura e voltagem da bateria, além de comandos do sistema de climatização automática atualizados e novos revestimentos internos.
A inovação técnica mais relevante introduzida com o facelift de 1988 foi o Procon-Ten (Programmed Contraction and Tension). Este sistema de segurança passiva exclusivo da Audi operava por meio de uma rede de cabos de aço tracionados conectada ao bloco do motor. Em caso de colisão frontal severa, o deslocamento do motor para trás puxava os cabos de aço, o que recolhia a coluna de direção para longe do motorista em direção ao painel e pré-tensionava instantaneamente os cintos de segurança dianteiros, reduzindo drasticamente o risco de lesões.
A gama de motores da geração C3 evoluiu continuamente entre 1983 e 1991, transicionando das variantes de 10 válvulas para a arquitetura avançada de 20 válvulas.
Nos primeiros anos, o Audi 200 C3 utilizou o motor de 2,1 litros turbo de 10 válvulas (código KG), entregando 182 cv de potência e livre de catalisador. Para atender às rigorosas legislações ambientais da Europa e da América do Norte, a Audi introduziu o motor de 2,2 litros (2.226 cm³) de 10 válvulas com catalisador de três vias (código MC), cuja potência foi ajustada para 165 cv.
Com o facelift de 1988, novas calibrações do motor de 2,2 litros surgiram: o código 1B, equipado com gerenciamento eletrônico otimizado e pressão de turbo elevada para entregar 200 cv com transmissão manual, e o código 2B, ajustado para 190 cv nas versões equipadas com transmissão automática.
Em março de 1989, a Audi apresentou a versão definitiva da série C3: o Audi 200 20V Turbo Quattro (Sedan e Avant). Sob o capô, o veículo adotou o motor código 3B, um bloco de 2,2 litros (2.226 cm³) com duplo comando de válvulas no cabeçote (DOHC), 4 válvulas por cilindro (20V no total), turbocompressor KKK K24 com intercooler de grande capacidade e injeção eletrônica sequencial Bosch Motronic.
Este propulsor gerava 220 cv de potência a 5.700 rpm e 309 Nm de torque a apenas 1.950 rpm, permitindo ao sedã acelerar de 0 a 100 km/h em 6,6 segundos e alcançar uma velocidade máxima de 242 km/h. O 200 20V trazia de série a tração integral permanente quattro com diferencial central Torsen, caixa manual de 5 marchas reforçada e elementos visuais distintos, como para-lamas dianteiros e traseiros levemente alargados (flared fenders) e rodas de liga leve BBS cruzadas.
Para conter o desempenho do 20V, a Audi adotou um sistema de freios dianteiros desenvolvido pela ATE Teves, apelidado de freios "UFO" devido ao formato do disco. Esse sistema posicionava a pinça de freio no interior do disco de aço prensado, permitindo utilizar um disco de diâmetro útil maior (310 mm) sem a necessidade de aumentar o diâmetro das rodas de 15 polegadas, proporcionando ganho na capacidade de dissipação de calor.
| Código do Motor | Valv. | Cilindrada | Potência / Torque | Alimentação / Catalisador | Período | Transmissão / Tração |
|---|---|---|---|---|---|---|
| KG | 10V | 2.144 cm³ | 182 cv (134 kW) @ 5.700 rpm / 252 Nm | Bosch K-Jetronic Turbo / Sem Cat. | 1983–1987 | Manual 5M / Dianteira ou Quattro |
| MC | 10V | 2.226 cm³ | 165 cv (121 kW) @ 5.500 rpm / 240 Nm | Bosch K-Jetronic com Kat | 1985–1991 | Manual 5M / Auto 3M/4M / FWD / Quattro |
| 1B | 10V | 2.226 cm³ | 200 cv (147 kW) @ 5.700 rpm / 270 Nm | Bosch K-Jetronic com Kat | 1988–1990 | Manual 5M / Dianteira ou Quattro |
| 2B | 10V | 2.226 cm³ | 190 cv (140 kW) @ 5.800 rpm / 270 Nm | Bosch K-Jetronic com Kat | 1988–1990 | Automático 4M / Tração Dianteira |
| 3B | 20V | 2.226 cm³ | 220 cv (162 kW) @ 5.700 rpm / 309 Nm | Bosch Motronic Turbo 20V / Kat | 1989–1991 | Manual 5M / Tração Quattro (AWD) |
A produção da plataforma C3 do Audi 100/200 superou um milhão de unidades no total, das quais o Audi 200 representou a fatia mais exclusiva e de alto desempenho. Ao longo de suas duas gerações, o volume de produção do Audi 200 distribuiu-se da seguinte forma:
| Geração / Variante de Carroceria | Período de Produção | Unidades Produzidas |
|---|---|---|
| Audi 200 C2 (Typ 43) Sedan | 1979–1982 | 51.282 |
| Audi 200 C3 (Typ 44) Sedan | 1983–1991 | 97.195 |
| Audi 200 C3 (Typ 44) Avant | 1984–1991 | 6.153 |
| Total Acumulado (C2 + C3) | 1979–1991 | 154.630 |
As variantes equipadas com o motor 20V (código 3B) fabricadas entre 1989 e 1991 tiveram um volume de produção limitado. No mercado dos Estados Unidos, onde o modelo foi vendido sob a denominação comercial Audi 200 20V Turbo Quattro durante o ano-modelo de 1991, foram importadas aproximadamente 1.000 unidades do modelo Sedã e cerca de 149 a 200 unidades da perua Avant, consolidando a variante 20V Avant como um dos automóveis de série mais raros da história moderna da fabricante.
A durabilidade mecânica do motor de cinco cilindros e a eficiência da tração quattro foram demonstradas pela Audi em duas frentes distintas do automobilismo internacional utilizando a estrutura do Audi 200.
Com o cancelamento do Grupo B ao final da temporada de 1986, a FIA estabeleceu o Grupo A como a categoria principal do WRC para 1987, exigindo carros derivados diretamente da produção em série com produção mínima de 5.000 unidades. A Audi inscreveu o Audi 200 Quattro Grupo A, equipado com o motor 2.1 Turbo de 10 válvulas preparado para gerar cerca de 238 cv e torque de 330 Nm, mantendo o peso mínimo de 1.370 kg.
No severo Rally Safari do Quênia de 1987, disputado sob condições extremas de piso e clima ao longo de milhares de quilômetros, a equipe oficial da Audi conquistou uma dobrada histórica: a dupla Hannu Mikkola e Arne Hertz garantiu a vitória em 1º lugar geral, seguida por Walter Röhrl e Christian Geistdörfer na 2ª colocação.
Em 1988, a Audi redirecionou suas atividades de pista para os Estados Unidos ao entrar no campeonato Trans-Am com o Audi 200 Quattro Trans-Am (código interno R4). O regulamento técnico da SCCA exigia a manutenção do monobloco de aço e do bloco do motor originais de fábrica.
O Audi 200 desempenhou um papel central no reposicionamento da Audi no mercado automobilístico global. Ele serviu como plataforma de validação para soluções de engenharia como a tração integral quattro em sedãs de luxo, a aerodinâmica avançada de carroceria, o sistema mecânico de segurança Procon-Ten e a evolução dos motores de cinco cilindros turboalimentados com cabeçote de 20 válvulas.
Ao encerrar sua produção em 1991, a Audi reformulou a estrutura de nomes de sua linha de produtos. O conceito técnico estabelecido pelo Audi 200 20V deu origem direta ao Audi S4 (desenvolvido sobre a plataforma C4 do Audi 100) e, posteriormente, ao Audi S6 e à perua de alta performance Audi RS2 Avant, estabelecendo as bases definitivas para a divisão de veículos esportivos da marca alemã.
Imagens do Audi 200 Avant