O lançamento oficial do A5 Coupé ocorreu em 2007, marcando a estreia da plataforma B8.
Este momento foi tecnicamente significativo porque o A5 serviu como o veículo de
lançamento para a nova arquitetura Modular Longitudinal Matrix (MLB) da Audi, antes
mesmo do sedã A4 (que era o carro-chefe de vendas).
A Revolução da Plataforma MLB
Historicamente, os carros da Audi sofriam críticas dinâmicas devido ao posicionamento do
motor muito à frente do eixo dianteiro, o que causava uma distribuição de peso
desfavorável e uma tendência ao subesterço (o carro "sair de frente" em curvas). A
plataforma MLB resolveu este problema de engenharia reposicionando o diferencial e a
embreagem.
Ao mover o diferencial para a frente da embreagem (e do conversor de torque nos
automáticos), os engenheiros conseguiram deslocar o eixo dianteiro para a frente em
cerca de 15 centímetros.
- Benefício Estético: Isso reduziu drasticamente o balanço dianteiro
(a parte do carro à frente da roda), conferindo ao A5 proporções clássicas de tração
traseira, com um capô longo e elegante.
- Benefício Dinâmico: O motor foi efetivamente recuado em relação às
rodas dianteiras, melhorando o centro de gravidade e a distribuição de peso,
resultando em uma condução mais neutra e esportiva.
Motorização e Lançamento Global
A Audi lançou o A5 com uma estratégia clara: oferecer desempenho acessível e, ao mesmo
tempo, uma opção de alta performance desde o primeiro dia.
O Motor 3.2 FSI V6
No lançamento, o modelo principal (não-S) era equipado com o motor 3.2 litros V6 FSI. A
tecnologia FSI (Fuel Stratified Injection) de injeção direta permitia maior eficiência e
potência. Este motor entregava 265 cv e era elogiado pela suavidade de funcionamento,
característica essencial para um Grand Tourer de luxo. Ele utilizava o sistema Audi
Valvelift, que variava a abertura das válvulas para otimizar o fluxo de gases e o torque
em baixas rotações.
A Chegada do 2.0 TFSI
Logo após o lançamento, a Audi introduziu o motor que se tornaria o "coração" da linha
A5 globalmente e no Brasil: o 2.0 TFSI de quatro cilindros. Equipado com turbocompressor
e injeção direta, este motor oferecia um equilíbrio ideal entre peso (sendo mais leve
que o V6, melhorava a dinâmica) e torque. As potências variavam de 180 cv a 211 cv nas
primeiras versões, chegando a 225 cv em atualizações posteriores.
Audi S5 Coupé (B8): O Último dos V8 Aspirados
Simultaneamente ao A5 padrão, a Audi lançou a versão esportiva S5. Diferente das gerações
futuras que adotariam a superalimentação (turbo ou compressor), o primeiro S5 Coupé era
um "muscle car" europeu. Ele abrigava um motor 4.2 litros V8 FSI naturalmente aspirado.
- Caráter: O motor V8 produzia 354 cv e entregava uma resposta
imediata do acelerador, acompanhada de uma trilha sonora grave e encorpada que se
tornou icônica.
- Transmissão: Oferecia a opção de câmbio manual de 6 marchas (muito
raro no segmento hoje) ou automático Tiptronic de 6 marchas.
- Desempenho: Aceleração de 0 a 100 km/h em 5,1 segundos, competindo
diretamente com o BMW 335i.
O Mercado Brasileiro: Versões e Recepção (2008-2016)
A chegada do A5 ao Brasil foi marcada pelo posicionamento de exclusividade.
Fase 1: O Topo de Linha (2008-2010)
O A5 desembarcou no Brasil inicialmente apenas na versão V6 3.2 FSI, com preço sugerido
de R$ 254.500 na época. Vinha equipado com tração Quattro e câmbio automático, além de
sistema de som Bang & Olufsen de série. Era um carro de nicho, focado em quem buscava
mais estilo que o A4 e mais conforto que um Porsche.
Fase 2: Popularização com o 2.0 (2011-2016)
Para aumentar o volume de vendas, a Audi introduziu as versões 2.0 TFSI. A gama
brasileira foi estruturada em três níveis principais de acabamento, que definiam tanto o
luxo quanto a mecânica:
- Attraction: A porta de entrada. Geralmente equipada com a versão de
180 cv do motor 2.0 e tração dianteira. O câmbio utilizado nesta versão de tração
dianteira era o Multitronic (CVT - Transmissão Continuamente Variável). Embora
eficiente, o CVT não oferecia a sensação esportiva de trocas de marcha, sendo focado
no conforto urbano.
- Ambiente: Versão intermediária que adicionava teto solar elétrico,
rodas maiores (aro 18) e ajustes elétricos nos bancos dianteiros. Mantinha a
mecânica da versão Attraction.
- Ambition: A versão de topo (abaixo do S5). Equipava-se com o motor
2.0 TFSI em sua calibração mais forte (211 cv e, posteriormente, 225 cv).
Diferenciava-se mecanicamente por usar o câmbio S-Tronic (dupla embreagem de 7
marchas) e tração integral Quattro, oferecendo uma dinâmica de condução muito
superior às versões de tração dianteira.
Facelift (B8.5): A Atualização de 2011
Em 2011, o A5 recebeu sua atualização de meia-vida. As mudanças foram sutis, mas
importantes para manter a competitividade.
- Visual: Os faróis retangulares com "pontos" de LED (conhecidos como
pearl necklace) foram substituídos por unidades com um desenho de LED contínuo e
fluido ("tubo de luz"). A grade dianteira ganhou cantos chanfrados na parte
superior, e os para-choques foram redesenhados para parecerem mais agressivos.
- Direção Eletromecânica: A Audi substituiu a direção hidráulica por
um sistema elétrico. Isso economizava combustível (pois não drenava potência do
motor constantemente), mas puristas criticaram a perda de "feedback" tátil da
estrada.
- Motorização: O antigo 3.2 V6 foi aposentado globalmente. No lugar
dele, para as versões intermediárias globais, entrou o 3.0 TFSI V6 com compressor
mecânico (Supercharger), o mesmo usado no S5 Sportback e Cabriolet da época.