O modelo final de produção, batizado oficialmente de Audi Q7 (código interno Typ 4L), foi
revelado ao mundo no Salão de Frankfurt em setembro de 2004, com a produção iniciando em
novembro de 2005 na fábrica de Bratislava, na Eslováquia. O Q7 chegou ao mercado em 2006
como modelo 2007, posicionando-se no segmento "F" de SUVs de luxo.
A Plataforma PL71 e a "Irmandade de Bratislava"
Para viabilizar o desenvolvimento de um veículo tão complexo e caro, o Grupo Volkswagen
utilizou uma estratégia de compartilhamento de plataforma. O Q7 foi construído sobre a
plataforma PL71, a mesma utilizada pelo Volkswagen Touareg e pelo Porsche Cayenne.
No entanto, o Q7 diferenciava-se drasticamente de seus irmãos de plataforma em termos de
dimensões e propósito:
- Dimensões Exageradas: Enquanto o Touareg e o Cayenne eram estritos
5 lugares com foco em capacidade off-road (Touareg) e esportividade (Cayenne), o Q7
foi esticado. Com 5.085 mm de comprimento e um entre-eixos massivo de 3.002 mm, ele
era significativamente maior, permitindo a instalação de uma terceira fileira de
bancos.
- Foco no Asfalto: Diferente do Touareg, que possuía caixa de
transferência com reduzida e bloqueios de diferencial mecânicos para off-road
pesado, o Q7 abdicou desses recursos pesados em favor do sistema de tração integral
permanente quattro com diferencial central Torsen (sensível ao torque). Isso o
tornava mais apto para o uso em rodovias e cidades, embora ainda capaz de enfrentar
neve e estradas de terra com competência.
A crítica da época, como notado pelo Guardian e pelo Observer, descreveu o Q7 como
"vasto", "baleia" e "intimidante", destacando que ele "anões" os outros SUVs na estrada.
O tamanho era seu maior trunfo para o mercado americano, mas também seu ponto fraco em
cidades europeias apertadas.
Motorizações da Primeira Fase (2005–2009)
A gama de motores inicial refletia a necessidade de mover um veículo que pesava entre
2.200 kg e 2.600 kg.
Motores a Gasolina:
- 3.6 FSI VR6: O motor de entrada. O VR6 é um motor compacto (um V6
com ângulo muito fechado, permitindo um cabeçote único), entregando 280 cv e 360 Nm
de torque. Era robusto, mas lutava contra o peso do carro, resultando em consumo
elevado.
- 4.2 FSI V8: Um clássico V8 aspirado da Audi, produzindo 350 cv e
440 Nm. Oferecia a suavidade e o som que os clientes de luxo desejavam, com uma
aceleração de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos.
Motores a Diesel (TDI):
- 3.0 TDI V6: A opção mais equilibrada e vendida na Europa.
Inicialmente com 233 cv e 500 Nm, evoluiu rapidamente para versões mais potentes e
limpas.
- 4.2 TDI V8: Um diesel de alto desempenho, favorito dos entusiastas.
Com 326 cv e massivos 760 Nm de torque, ele entregava a força de um caminhão com a
resposta de um carro esportivo.
O Ápice da Engenharia: Q7 V12 TDI quattro (2008–2012)
Em um capítulo à parte na história automotiva, a Audi decidiu criar o SUV a diesel
definitivo. Aproveitando o marketing das vitórias do Audi R10 TDI nas 24 Horas de Le
Mans, a marca lançou o Q7 V12 TDI.
Este veículo permanece, até hoje, como o único carro de passageiros de produção em série
equipado com um motor V12 a diesel.
- O Coração da Besta: Um bloco de 6.0 litros (5.934 cc) biturbo.
- Números: 500 cv de potência e inacreditáveis 1.000 Nm de torque
constantes entre 1.750 e 3.250 rpm.
- Performance: Aceleração de 0 a 100 km/h em 5,5 segundos. Velocidade
máxima limitada a 250 km/h.
- Exclusividade Técnica: O torque era tão brutal que a Audi teve que
reforçar toda a transmissão e equipar o modelo, de série, com freios de cerâmica
reforçados com fibra de carbono, pois freios de aço comuns sofreriam fadiga rápida
ao tentar parar tal massa em alta velocidade.
- Design: Visualmente, diferenciava-se por arcos de roda alargados,
luzes diurnas de LED específicas no para-choque (antes do facelift geral) e interior
exclusivo.
Facelift de 2009: Modernização e Eficiência
Em 2009, a Audi aplicou uma reestilização de meia-vida (facelift) para manter o Q7
competitivo frente aos novos BMW X5 e Mercedes ML.
Mudanças Estéticas:
- Assinatura de Luz: Introdução de luzes diurnas em LED contínuas nos
faróis (uma marca registrada da Audi na época) e lanternas traseiras em LED.
- Refinamento: A grade "Singleframe" ganhou barras verticais
cromadas, e os para-choques foram redesenhados com proteções inferiores em cor
contrastante para enfatizar a robustez.
- Interior: Melhorias no sistema de navegação MMI (terceira geração),
novos acabamentos em madeira e iluminação ambiente nas portas.
- Revolução Mecânica (2010 em diante): A mudança mais importante não
foi estética, mas sim na transmissão. A antiga caixa automática Tiptronic de 6
marchas foi substituída pela excelente ZF de 8 marchas.
- Impacto: Essa mudança reduziu drasticamente o consumo de
combustível e melhorou o conforto em rodovia, permitindo que o motor girasse em
rotações muito baixas em velocidade de cruzeiro.
- Novos Motores: O 3.6 VR6 e o 4.2 V8 a gasolina foram aposentados em
favor do novo 3.0 TFSI V6 Supercharged. Apesar de ser um V6, o uso do compressor
mecânico (supercharger) permitia torque imediato, substituindo o V8 aspirado com
eficiência superior.