O lançamento do Audi A5 em 2007 marcou o retorno da Audi ao mercado de cupês de turismo
de tamanho médio, um território que a marca havia deixado vago desde o Audi Coupé dos
anos 90. O designer Walter de Silva considerou o A5 sua obra-prima, e foi sobre essa
base estética aclamada que a Audi Sport começou a desenvolver sua versão mais radical.
Diferente dos modelos S5, que serviam como uma ponte entre os carros comuns e a alta
performance, o RS5 foi projetado para ser um atleta de elite.
A Primeira Geração (B8): O Coração V8 Atmosférico
A primeira geração do RS5, construída sobre a plataforma B8, foi apresentada ao mercado
internacional em 2010. No entanto, sua chegada a mercados específicos, como os Estados
Unidos, ocorreu apenas no ano modelo de 2013, já incorporando as atualizações estéticas
de meia-vida (facelift). O elemento definidor desta geração é, inquestionavelmente, o
seu motor.
Engenharia do Motor 4.2 FSI (Código CFSA)
O RS5 B8 é impulsionado por um motor V8 de 4.2 litros FSI (Injeção Estratificada de
Combustível), naturalmente aspirado. É fundamental distinguir este motor dos V8
utilizados no Audi S4 ou S5 da mesma época. Enquanto o S5 pré-2013 utilizava um V8
focado em torque, o motor do RS5 foi desenvolvido com base no V10 do Lamborghini
Gallardo e do Audi R8 V10. Engenheiros da Audi essencialmente removeram dois cilindros
do bloco V10 para criar esta unidade de alta rotação.
Este propulsor entrega 450 cavalos de potência (444 hp) a vertiginosas 8.250 rotações por
minuto (rpm). O torque máximo de 430 Nm (317 lb-ft) está disponível entre 4.000 e 6.000
rpm. A natureza deste motor exige que o motorista explore ativamente a faixa superior do
conta-giros para extrair desempenho, uma característica que o diferencia drasticamente
dos motores turbo modernos que entregam força imediata em baixas rotações. Cada unidade
deste motor era montada manualmente na fábrica da Audi em Győr, na Hungria, garantindo
tolerâncias precisas para suportar as altas cargas mecânicas.
Transmissão e o Sistema Quattro de Engrenagem Coroa
A transmissão de potência no RS5 B8 é gerida exclusivamente pela caixa de câmbio S-tronic
de 7 velocidades (código DL501). Trata-se de uma transmissão de dupla embreagem banhada
a óleo, projetada para trocas de marcha na ordem de milissegundos. A S-tronic
proporciona uma conexão mecânica direta entre o motor e as rodas, resultando em uma
experiência de condução visceral, embora possa apresentar comportamentos bruscos em
baixas velocidades urbanas.
A maior inovação técnica do RS5 B8, no entanto, foi a estreia do diferencial central de
"Engrenagem Coroa" (Crown Gear). Até o lançamento deste modelo, a Audi utilizava
predominantemente diferenciais Torsen. O novo diferencial de coroa era mais compacto e
cerca de 2 kg mais leve. Em condições normais de condução, ele mantém uma distribuição
de torque de 40:60 (frente/traseira), preservando a característica de tração traseira
preferida por entusiastas. Contudo, o sistema é capaz de variar essa distribuição
instantaneamente, enviando até 70% da força para o eixo dianteiro ou até 85% para o eixo
traseiro, dependendo da aderência disponível. Essa flexibilidade mecânica permitiu ao
RS5 B8 níveis de tração superiores aos seus antecessores.
Para complementar o sistema mecânico, a Audi introduziu a vetorização de torque
eletrônica nas quatro rodas e ofereceu o Diferencial Esportivo Traseiro como opcional
(ou padrão em certas versões). Este componente ativo pode acelerar a roda traseira
externa durante uma curva, ajudando a "empurrar" o nariz do carro para dentro da
trajetória e mitigando a tendência natural de subvirço (sair de frente) dos veículos de
tração integral.
A Atualização B8.5 (2013–2015): O Facelift
A distinção entre os modelos B8 (2010–2012) e B8.5 (2013–2015) é crucial para
colecionadores e compradores. Embora a mecânica do motor tenha permanecido inalterada,
houve mudanças significativas na estética e nos sistemas auxiliares.
| Característica |
B8 (Pré-Facelift) |
B8.5 (Facelift) |
| Faróis Dianteiros |
LEDs diurnos pontilhados individuais |
Faixa contínua de LED ("tubo de luz") |
| Grade Frontal |
Cantos superiores arredondados |
Cantos superiores chanfrados (hexagonais) |
| Direção |
Assistência Hidráulica |
Assistência Eletromecânica |
| Interior |
Volante e manopla de câmbio padrão antigo |
Volante de base reta atualizado, nova manopla |
A mudança mais polêmica foi a transição da direção hidráulica para a eletromecânica. A
Audi justificou a alteração pela eficiência de combustível e pela capacidade de integrar
sistemas de assistência ao motorista, como a correção de faixa. No entanto, muitos
puristas argumentam que a direção hidráulica antiga oferecia um "feedback" (sensação da
estrada) superior e mais natural.
O RS5 Cabriolet
Introduzido no ciclo B8.5, o RS5 Cabriolet trouxe a experiência do motor V8 a céu aberto.
O modelo utilizava uma capota de lona acústica de alta qualidade que podia ser aberta em
15 segundos a velocidades de até 50 km/h. O desafio de engenharia do conversível foi a
rigidez estrutural; para compensar a ausência do teto fixo, o chassi recebeu reforços
pesados, adicionando cerca de 200 kg ao peso total do veículo em comparação ao Coupé.
Isso resultou em uma aceleração ligeiramente mais lenta (0-100 km/h em 4,9 segundos
contra 4,5 do Coupé), mas o apelo sonoro do escapamento sem filtros auditivos compensava
a perda marginal de desempenho para muitos compradores.