Lançamento Global e Recepção
O Audi RS7 de primeira geração (código interno C7) fez sua estreia mundial no Salão do
Automóvel de Detroit em 2013, chegando ao mercado como modelo 2014. A escolha dos
Estados Unidos para a estreia foi estratégica, sinalizando a importância do mercado
norte-americano para sedãs de alta performance, onde as peruas (como a RS6) têm
historicamente menor aceitação. Imediatamente, o modelo foi aclamado como o veículo de
quatro portas mais potente já produzido pela Audi até aquela data, estabelecendo um novo
padrão para a marca em termos de entrega de potência e design.
Engenharia do Powertrain: O Motor V8 4.0 TFSI
O coração do RS7 C7 marcou uma ruptura com a era dos motores V10 naturalmente aspirados
que equipavam a geração anterior da RS6 (C6). A Audi adotou a filosofia de "downsizing"
com indução forçada, resultando no desenvolvimento do motor V8 4.0 litros TFSI biturbo.
A Configuração "Hot V"
Uma das inovações técnicas mais cruciais deste motor é a configuração conhecida como "Hot
V". Em motores V8 tradicionais, os coletores de admissão ficam dentro do "V" (entre as
bancadas de cilindros) e os turbocompressores ficam do lado de fora. No RS7, a Audi
inverteu essa lógica: os cabeçotes foram projetados para que o escape saia para dentro
do "V", onde dois turbocompressores twin-scroll e os intercoolers estão montados.
Esta arquitetura oferece vantagens termodinâmicas e dinâmicas significativas:
- Resposta do Acelerador: O caminho que os gases de escape percorrem
do motor até a turbina é drasticamente encurtado. Isso minimiza a perda de calor e
energia cinética, resultando em uma redução substancial do "turbo lag" (atraso na
resposta da turbina).
- Compacidade: O motor torna-se mais compacto, permitindo um melhor
posicionamento no chassi para otimizar a distribuição de peso.
Especificações de Saída (Fase 1)
- Potência: 560 cavalos (cv) disponíveis entre 5.700 e 6.600 rpm.
- Torque: 700 Nm (aproximadamente 71,4 kgfm), entregues em um platô
extremamente amplo que vai de 1.750 a 5.500 rpm.
Essa entrega de torque em baixas rotações é o que confere ao RS7 sua característica de
"força inesgotável" em qualquer marcha, eliminando a necessidade de reduções constantes
de marcha para ultrapassagens.
Transmissão e O Papel do Conversor de Torque
Ao contrário do Audi S6 e S7 da mesma época, que utilizavam a transmissão de dupla
embreagem S-tronic (DL501) de 7 velocidades, a Audi Sport optou por equipar o RS7 com
uma transmissão automática convencional de 8 velocidades (Tiptronic), fornecida pela ZF.
A razão para essa escolha é puramente técnica: a durabilidade sob cargas extremas de
torque. Na época do desenvolvimento do C7, as caixas de dupla embreagem da Audi estavam
no limite de sua capacidade de torque com os motores V8 de entrada. O conversor de
torque da caixa ZF 8HP, por outro lado, podia lidar confiavelmente com os 700 Nm de
torque e os violentos lançamentos (Launch Control) sem o risco de superaquecimento ou
desgaste prematuro das embreagens. Além disso, a oitava marcha alongada permitia um
regime de rotação mais baixo em velocidades de cruzeiro, contribuindo para a economia de
combustível.
Sistema de Tração Quattro e Diferencial Esportivo
A tração integral permanente Quattro é a alma do RS7. Em condições normais, o diferencial
central mecânico distribui o torque na proporção de 40% para o eixo dianteiro e 60% para
o traseiro, conferindo uma dinâmica de condução com viés traseiro que agrada aos
entusiastas.
No entanto, o grande diferencial técnico do RS7 é o Diferencial Esportivo (Sport
Differential) no eixo traseiro, que era item de série ou opcional dependendo do mercado.
Enquanto um diferencial comum permite apenas que as rodas girem em velocidades
diferentes, o diferencial esportivo da Audi utiliza engrenagens sobrepostas e embreagens
multidisco eletro-hidráulicas para ativamente enviar torque para a roda externa durante
uma curva.
Mecânica da Vetorização de Torque:
Ao entrar em uma curva à esquerda, por exemplo, o sistema envia mais força para a roda
traseira direita. Isso cria um momento de guinada (yaw moment) que ajuda a girar o carro
para dentro da curva, combatendo fisicamente a tendência natural de subesterço (sair de
frente) que é comum em carros com motor dianteiro pesado. O resultado é uma agilidade
que desafia a massa de quase duas toneladas do veículo.
Tecnologia de Eficiência: Cilindros sob Demanda (COD)
Apesar de ser um monstro de performance, o RS7 C7 incorporou tecnologias de eficiência
avançadas para a época. O sistema "Cylinder on Demand" (COD) é capaz de desativar quatro
dos oito cilindros (cilindros 2, 3, 5 e 8) em situações de carga baixa a média e em
marchas altas.
O Desafio da Vibração:
Um motor V4 operando dentro de um bloco V8 desbalanceado gera vibrações e ruídos
indesejados. Para combater isso sem que o motorista perceba, a Audi instalou coxins de
motor ativos. Estes suportes contêm atuadores eletromagnéticos que geram
contra-vibrações (fora de fase) para anular as oscilações do motor quando ele está
operando em modo de 4 cilindros. Simultaneamente, o sistema de som do carro (Active
Noise Cancellation) emite frequências através dos alto-falantes para cancelar o ruído de
baixa frequência gerado pela operação em meio motor.