O primeiro Audi TTS foi revelado ao mundo em janeiro de 2008 no Salão de Detroit, uma
escolha de local que sinalizava a importância do mercado norte-americano para coupés
esportivos. Ele chegou às ruas europeias e norte-americanas (como modelo 2009) pouco
depois, posicionado acima do motor 2.0 TFSI padrão e do 3.2 VR6.
O Coração Mecânico: Motor EA113 Modificado
O grande diferencial do TTS Mk2 residia sob o capô. Enquanto as versões "civis" do TT já
migravam para a nova família de motores EA888, o TTS optou por refinar o robusto bloco
EA113, que já havia provado seu valor no Audi S3.
Este motor de 2.0 litros (1.984 cc) com injeção direta de combustível (FSI) e
turbocompressor recebeu modificações extensivas para suportar a maior carga térmica e
mecânica:
- Bloco do Motor: Reforçado nas áreas dos mancais principais e nas
paredes dos cilindros para suportar pressões de combustão mais elevadas.
- Componentes Internos: Pistões de liga de alumínio mais resistentes,
bielas forjadas reforçadas e pinos de pistão de diâmetro aumentado.
- Cabeçote: Feito de uma nova liga de alumínio-silício com alta
resistência térmica, com sedes de válvulas e molas de válvulas projetadas para altas
rotações.
- Turbocompressor: Uma unidade K04 maior foi instalada, capaz de
gerar até 1,2 bar de pressão de superalimentação, apoiada por um intercooler de alta
eficiência totalmente em alumínio.
O resultado deste pacote técnico foi uma potência de 272 cv (200 kW) e um torque de 350
Nm (35,7 kgfm) disponível numa ampla faixa de 2.500 a 5.000 rpm. Estes números permitiam
ao TTS Coupe com transmissão S tronic acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 5,2 segundos.
Transmissão e Tração: A Simbiose Quattro
A transmissão da potência ao solo era gerida pelo sistema de tração integral permanente
quattro, que no caso do TTS (devido ao motor transversal) utilizava uma embreagem
multidisco hidráulica fornecida pela Haldex (Geração 4).
Diferente dos sistemas puramente mecânicos Torsen usados nos Audi maiores (A4, A6), o
sistema Haldex do TTS operava sob demanda proativa. Em condições normais de cruzeiro, a
maior parte do torque (cerca de 90-95%) era enviada para as rodas dianteiras para
economizar combustível. No entanto, ao detectar a mínima diferença de rotação entre os
eixos — ou mesmo antecipando a necessidade através da leitura da posição do acelerador —
a bomba eletro-hidráulica pressurizava os discos da embreagem no eixo traseiro,
transferindo até 100% do torque disponível para as rodas traseiras em milissegundos.
O TTS Mk2 oferecia duas opções de câmbio:
- Manual de 6 Velocidades: Para os puristas, oferecendo engates
curtos e precisos.
- S tronic de 6 Velocidades (DQ250): Uma caixa de dupla embreagem
banhada a óleo. Esta foi a escolha da grande maioria dos compradores e a única opção
em muitos mercados (incluindo o Brasil na maioria dos lotes), devido à sua
capacidade de realizar trocas em centésimos de segundo sem interrupção perceptível
de torque.
Design e Identidade Visual do Mk2
O TTS distinguia-se visualmente do TT padrão por detalhes que se tornariam a assinatura
da linha "S".
- Iluminação: Foi pioneiro na utilização de uma linha de LEDs brancos
horizontais na base dos faróis principais, servindo como luzes de condução diurna
(DRL). Este elemento não era apenas funcional, mas conferia uma "face" tecnológica e
agressiva ao carro, visível a centenas de metros de distância.
- Exterior: A grade dianteira Singleframe recebeu acabamento cromado
nas barras verticais e horizontais ("Platinum Grey"). Os para-choques foram
redesenhados com entradas de ar maiores para alimentar o intercooler e os freios. Na
traseira, um difusor cinza contrastante abrigava quatro saídas de escape ovais (duas
de cada lado), um traço distintivo dos modelos S da Audi.
- Rodas e Suspensão: Rodas de 18 polegadas com design de raios duplos
paralelos eram padrão, com opções de 19 polegadas. A altura de rodagem foi reduzida
em 10 mm em relação ao modelo base, graças ao sistema de suspensão esportiva.
A Atualização de 2010 (Facelift)
Em 2010, a Audi aplicou uma atualização de meia-vida ao Mk2. Embora a potência do TTS
tenha permanecido inalterada (ao contrário do modelo base que ganhou o novo motor com
Valvelift), o TTS beneficiou-se de refinamentos estéticos e de eficiência.
- Estética: A grade frontal recebeu um acabamento em preto brilhante
(High Gloss Black) e os anéis dos faróis de neblina ganharam contornos cromados.
- Interior: Novos acabamentos em alumínio escovado e opções de cores
de couro (como o "Spectral Silver") foram adicionados para manter o habitáculo
moderno.
- Modo Sport: Um botão "Sport" foi introduzido, aguçando a resposta
do acelerador e tornando a direção eletromecânica mais pesada e direta, além de
abrir válvulas no escapamento para um som mais encorpado em baixas rotações.