O Elo com o Continental GT: Uma Base Sólida
O Continental Flying Spur de 2005 foi o resultado de um processo de
desenvolvimento simultâneo com o aclamado Continental GT. Ambos os
veículos foram concebidos pela mesma equipe de design, sob a liderança de Dirk van
Braeckel e do Chefe de Design Exterior, Raul Pires, garantindo uma coesão visual e de
engenharia que definiu a nova face da Bentley. A base para esta nova família de modelos
foi a robusta plataforma D1 do Grupo Volkswagen, uma arquitetura de engenharia avançada
que também sustentava o Volkswagen Phaeton e o Audi A8. Esta partilha de tecnologia foi
uma decisão pragmática que permitiu à Bentley, com recursos então mais limitados, lançar
um produto tecnologicamente sofisticado de forma eficiente. No entanto, também
apresentou o desafio de diferenciar claramente o pedigree britânico do Bentley de seus
parentes alemães, algo que a marca superou através de um design exterior distinto e um
artesanato interior inigualável.
As alterações de design para transformar o cupê em um sedã foram substanciais e focadas
em proporcionar um espaço traseiro verdadeiramente luxuoso. A distância entre eixos foi
alongada em 320 mm, o teto foi elevado e o comprimento total do veículo atingiu quase
5,3 metros. Em vez da musculatura pronunciada sobre as rodas traseiras do GT, o
Flying Spur adotou uma linha de cintura elegante e contínua,
conferindo-lhe uma presença mais formal e imponente, sem sacrificar a semelhança
familiar evidente na dianteira, com seu capô dominante e a distinta grade em matriz da
Bentley.
O W12 Padrão: Força e Majestade (2005-2013)
O coração do modelo de lançamento era o monumental motor W12 de 6.0
litros, biturbo, com 48 válvulas. Esta obra-prima da engenharia produzia
560 PS (552 bhp) e um torque avassalador de 650 Nm (479
lb-ft) disponível a partir de meras 1.600 rpm. A configuração em 'W'
tornava o motor incrivelmente compacto para um 12 cilindros, beneficiando a distribuição
de peso.
Acoplado a uma transmissão automática ZF de 6 velocidades e a um sistema de tração
integral permanente com diferencial central Torsen, este motor era capaz de impulsionar
o sedã de quase 2,5 toneladas de 0 a 100 km/h em aproximadamente 5,2
segundos, alcançando uma velocidade máxima de 312 km/h (194
mph). Na época de seu lançamento, estes números o consagraram como o sedã
de produção mais rápido e potente do mundo, um feito notável que imediatamente
estabeleceu o Flying Spur como um líder em seu segmento.
O interior era o verdadeiro santuário da marca, uma demonstração do artesanato de Crewe.
Utilizando os melhores couros e folheados de madeira, cada cabine era montada à mão para
criar uma atmosfera de luxo absoluto e conforto supremo. Equipamentos de série, como
climatização de quatro zonas, assentos elétricos com aquecimento, ventilação e memória,
sistema de navegação e um icônico relógio Breitling no painel, garantiam que tanto o
motorista quanto os passageiros fossem envolvidos em opulência e tecnologia de ponta.
A Chegada da Versão 'Speed': Quebrando a Barreira das 200 mph (2008-2013)
A introdução do Continental Flying Spur Speed em 2008 foi a resposta da
Bentley à crescente demanda por um desempenho ainda mais visceral, solidificando a
reputação do modelo como um verdadeiro "sedã esportivo". O motor W12 foi meticulosamente
recalibrado para produzir 610 PS (602 bhp) e 750 Nm (553
lb-ft) de torque, representando um aumento de 9% na potência e 15% no
torque em relação ao modelo padrão.
Este aumento de força teve um impacto direto e impressionante no desempenho. O tempo de
aceleração de 0 a 100 km/h foi reduzido para 4,8 segundos, e a
velocidade máxima foi elevada para 322 km/h (200 mph). Este número não
era apenas um dado técnico; era um marco simbólico, fazendo do Flying Spur
Speed um dos primeiros sedãs de luxo a quebrar oficialmente a barreira das
200 milhas por hora, um território até então reservado a supercarros exóticos.
As melhorias, no entanto, iam muito além do motor. O chassi recebeu uma atenção especial
para garantir que a dirigibilidade correspondesse à potência extra. A suspensão foi
rebaixada em 10 mm, e foram instaladas buchas mais rígidas e barras estabilizadoras mais
espessas. Pneus Pirelli P-Zero de alta performance em rodas de 20 polegadas completavam
o pacote, resultando em uma dirigibilidade mais afiada, maior resposta da direção e um
controle de carroceria superior em curvas. Visualmente, o Speed se
distinguia por detalhes sutis, mas significativos, como a grade do radiador e as
entradas de ar em cromo escurecido, rodas com design exclusivo e saídas de escape
"rifled" (estriadas), que insinuavam seu potencial dinâmico. No interior, o caráter
esportivo era reforçado pelo estofamento com costura em padrão de diamante e pedais de
alumínio perfurados.
Toques de Exclusividade: Mulliner e Series 51
Para clientes que desejavam um nível ainda maior de personalização e esportividade, a
Bentley oferecia o pacote Mulliner Driving Specification. Este pacote
opcional adicionava elementos que realçavam o caráter dinâmico do carro, como rodas
esportivas de 20 polegadas, pedais de alumínio perfurados, uma alavanca de câmbio
serrilhada com acabamento em cromo e couro, e o icônico estofamento em couro com costura
em padrão de diamante, que se tornaria uma assinatura da marca.
Em contrapartida, a versão Series 51 focava primordialmente na expressão
do design. Lançada como uma celebração do estúdio de design da Bentley, esta série
especial permitia um nível de personalização quase ilimitado. Sua característica mais
notável foi a introdução, pela primeira vez, de um interior em três tons, oferecendo
combinações de cores e acabamentos exclusivos que transformavam cada carro em uma peça
única de arte automotiva.
Legado e Números de Produção
O sucesso do Continental GT criou a plataforma perfeita para o
lançamento do Flying Spur. A Bentley soube capitalizar a imagem e a
engenharia do cupê para introduzir um sedã que já nascia com uma reputação de
performance e luxo. A partilha da plataforma D1 foi uma decisão pragmática que permitiu
à Bentley, com recursos limitados na época, lançar um produto tecnologicamente avançado
de forma rápida e eficiente. O resultado foi um sucesso comercial retumbante, com mais
de 4.500 unidades entregues em seu primeiro ano completo de produção, um número que
solidificou a posição da Bentley no mercado global de luxo. A demanda inicial foi tão
alta que, para evitar longas filas de espera, 1.358 unidades destinadas a mercados fora
do Reino Unido e dos EUA foram montadas na "Fábrica Transparente" da Volkswagen em
Dresden, Alemanha, até 2007, quando toda a produção foi consolidada em Crewe.
A introdução do modelo Speed em 2008 foi mais do que uma simples busca
por mais potência; foi o primeiro sinal claro de que o Flying Spur
estava começando a forjar uma identidade própria, distinta do GT. Enquanto o GT se
consolidava como o Grand Tourer por excelência, o Speed posicionou o
sedã como a "Limusine de Performance", um carro que não era apenas para ser conduzido
por um chofer, mas para ser pilotado com entusiasmo. Este movimento estratégico
prenunciou a eventual separação dos nomes na geração seguinte, estabelecendo as
credenciais de desempenho do Flying Spur de forma independente.
Produção Anual da Primeira Geração (2005-2012)
| Ano |
Unidades Produzidas |
| 2005 |
4.271 |
| 2006 |
4.042 |
| 2007 |
2.270 |
| 2008 |
1.813 |
| 2009 |
1.358 |
| 2010 |
1.914 |
| 2011 |
2.354 |
| 2012 |
1.764 |