Lançado oficialmente no final de 2005, o Citroën C6 de primeira geração foi posicionado como uma alternativa
estilística e tecnológica aos sedãs executivos alemães, como o BMW Série 5 e o Audi A6. Fabricado na planta
de Rennes, na França, o modelo utilizava a plataforma PSA PF3, compartilhada com o Citroën C5 e o Peugeot
407, porém com uma distância entre eixos estendida para 2.901 mm, garantindo um dos maiores espaços internos
de sua categoria.
Design Exterior e Aerodinâmica
O design do C6, assinado por Marc Pinson, é frequentemente descrito como "uma nave espacial sobre rodas".
Suas características visuais mais marcantes incluem:
- Óculo Traseiro Côncavo: Uma referência direta ao CX, que além do valor estético,
permite uma melhor visibilidade traseira e facilita a limpeza aerodinâmica.
- Portas sem Molduras: Um toque de sofisticação típico de coupés de luxo, que contribui
para o perfil elegante do sedã.
- Faróis Direcionais de Xenon: Que acompanham a curva da estrada, melhorando a segurança
em condução noturna.
Um detalhe técnico crucial para a estabilidade em altas velocidades era o spoiler traseiro ativo. Este
defletor ajustava sua inclinação automaticamente conforme a velocidade do veículo, otimizando o fluxo de ar
e gerando downforce no eixo traseiro para compensar a distribuição de peso, que era predominantemente
frontal devido à configuração do motor e tração dianteira.
Lógica de Funcionamento do Spoiler Traseiro
| Posição do Spoiler |
Condição de Velocidade |
Função Principal |
| Retraído (Nível 0) |
< 65 km/h (40 mph) |
Aerodinâmica limpa em meio urbano |
| Intermediário (Nível 1) |
> 65 km/h (40 mph) |
Estabilidade direcional inicial |
| Totalmente Estendido (Nível 2) |
> 125 km/h (79 mph) |
Downforce máximo e estabilidade em rodovias |
| Retração para Nível 1 |
< 105 km/h (65 mph) |
Redução de arrasto |
| Retração Completa |
< 25 km/h (15 mph) |
Repouso e estética |
A Revolução da Suspensão Hidropneumática
O Citroën C6 foi o último grande modelo da marca a utilizar a evolução máxima da suspensão hidropneumática,
designada como Hydractive 3+ com amortecimento variável (AMVAR). Este sistema utilizava esferas contendo
nitrogênio e um fluido hidráulico especial para substituir as molas e amortecedores convencionais.
Sensores em cada roda monitoravam a superfície da estrada, a velocidade, o ângulo do volante e a pressão de
frenagem. O computador central ajustava a rigidez da suspensão e a altura do carro em tempo real, oferecendo
16 diferentes estados de amortecimento que podiam mudar em até 400 vezes por segundo. Esse sistema permitia
que o C6 ignorasse buracos e imperfeições, proporcionando o famoso passeio de "tapete mágico", enquanto
mantinha o corpo do carro perfeitamente nivelado em curvas fechadas.
Detalhes Mecânicos e Motorizações (Geração 1)
A gama de motores do C6 na Europa foi composta por unidades a gasolina e diesel, todas projetadas para
oferecer suavidade de cruzeiro em vez de agressividade esportiva.
Motores a Gasolina:
- 3.0 V6 ES9: O motor a gasolina era o 3.0 V6 ES9, capaz de gerar 211 cv. Embora
refinado, este motor teve uma participação de mercado menor, sendo descontinuado por volta de 2009
devido à baixa demanda frente às opções a diesel mais eficientes.
Motores Diesel (HDi):
As versões a diesel foram o pilar comercial do C6:
- 2.2 HDi Biturbo: Um motor de quatro cilindros com 170 cv, introduzido em outubro de
2006 para oferecer uma opção de entrada mais econômica. Foi o único motor disponível com transmissão
manual de seis marchas.
- 2.7 V6 HDi: Desenvolvido em colaboração com a Ford e Jaguar, entregava 204 cv e 440 Nm
de torque. Foi o motor mais popular no lançamento, oferecendo um equilíbrio ideal entre potência e
silêncio.
- 3.0 V6 HDi: Lançado no final de 2009 para substituir o 2.7, elevou a potência para 241
cv e o torque para 450 Nm, tornando-se a versão definitiva e mais desejada do C6.
Tabela Comparativa de Desempenho (Europa)
| Motorização |
Potência (cv) |
Torque (Nm) |
0-100 km/h |
Vel. Máxima |
| 3.0 V6 Petrol |
211 @ 6000 |
290 @ 3750 |
9,4 s |
230 km/h |
| 2.2 HDi Biturbo |
170 @ 4000 |
370 @ 1500 |
10,3 s |
217 km/h |
| 2.7 V6 HDi |
204 @ 4000 |
440 @ 1900 |
9,3 s |
230 km/h |
| 3.0 V6 HDi |
241 @ 3800 |
450 @ 1600 |
8,5 s |
235 km/h |
Variantes e Níveis de Acabamento
O Citroën C6 foi estruturado em três níveis de acabamento principais, refletindo diferentes propostas de
valor e luxo.
- Base (C6): Incluía os itens de segurança essenciais e a suspensão Hydractive, mas com
acabamentos internos mais simples.
- Lignage: Nível intermediário que oferecia o Head-Up Display e faróis direcionais. Foi
descontinuado em 2008 devido à preferência massiva dos compradores pela versão completa.
- Exclusive: O topo da gama, que concentrava todo o luxo da Citroën. Vinha de série com
acabamento em madeira de lei (Mokunto), bancos em couro de alta qualidade, sensores de estacionamento
dianteiros e traseiros, e o sistema de som hi-fi JBL.
O Pack Lounge (Lounge Pack)
O item mais exclusivo disponível para o nível Exclusive era o Pack Lounge. Este pacote transformava a parte
traseira do carro em uma experiência de primeira classe.
- Bancos TGV: Dois assentos individuais traseiros com ajuste elétrico de inclinação e
aquecimento.
- Controle de Espaço: O passageiro traseiro direito podia mover o banco do passageiro
dianteiro para frente através de botões no apoio de braço central, criando um espaço para as pernas de
quase um metro.
- Limitação: Versões com Pack Lounge perdiam a funcionalidade de rebater os bancos
traseiros e tinham uma ligeira redução no volume do porta-malas para 470 litros.
Inovação em Segurança: O Capô Ativo
Um dos marcos históricos do C6 foi o seu desempenho em segurança de pedestres. Foi o primeiro carro a receber
a pontuação máxima de quatro estrelas nesse quesito pelo Euro NCAP.
O mecanismo consistia em sensores no para-choque que detectavam o impacto com uma pessoa. Em milissegundos,
cargas pirotécnicas elevavam a parte traseira do capô em 65 mm. Isso criava um espaço de deformação crucial
entre a folha de metal do capô e os componentes rígidos do motor, reduzindo drasticamente o risco de lesões
fatais na cabeça do pedestre.
Além disso, o interior contava com nove airbags, incluindo um airbag para os joelhos do motorista e uma
coluna de direção retrátil que podia colapsar em até 80 mm para minimizar ferimentos no tórax em caso de
colisão severa.
Dados de Produção e Vendas (Primeira Geração)
A produção do C6 foi centralizada na fábrica de Rennes, na França. Embora o modelo tenha sido aclamado pela
crítica por seu conforto e design, o sucesso comercial foi limitado por diversos fatores, incluindo a crise
econômica de 2008 e a forte concorrência das marcas premium alemãs.
A Citroën tinha uma expectativa de produção de 20.000 unidades por ano. No entanto, ao longo de seus sete
anos de fabricação, o total acumulado mal ultrapassou a meta de um único ano.
Tabela de Produção Mundial por Ano (2004-2012)
| Ano de Produção |
Unidades Produzidas |
Observações |
| 2004 |
1 |
Protótipo de validação |
| 2005 |
733 |
Início da produção em série |
| 2006 |
9.135 |
Pico histórico de produção |
| 2007 |
7.343 |
Manutenção de volume |
| 2008 |
1.667 |
Impacto da crise financeira global |
| 2009 |
982 |
Descontinuação de versões V6 Gasolina e 2.7 HDi |
| 2010 |
1.114 |
Concentração no motor 3.0 HDi |
| 2011 |
1.029 |
Produção estável para nicho |
| 2012 |
1.417 |
Encerramento da produção em dezembro |
| Total Acumulado |
23.421 |
|
O encerramento oficial da produção na França ocorreu em 19 de dezembro de 2012. Deste total, cerca de 1.000
unidades foram destinadas ao mercado do Reino Unido (direção à direita), tornando o C6 um veículo
extremamente raro e colecionável hoje em dia.
O C6 e a Presidência da República Francesa
Seguindo a tradição de seus antecessores, o Citroën C6 tornou-se o veículo oficial de transporte dos
presidentes da França. Jacques Chirac utilizou uma das primeiras unidades de pré-série logo no lançamento do
modelo. Seu sucessor, Nicolas Sarkozy, manteve o C6 na frota oficial do Palácio do Eliseu, utilizando-o em
cerimônias de Estado e viagens oficiais.
Mesmo após o fim da produção em 2012, o presidente François Hollande continuou a ser transportado
frequentemente em um Citroën C6 blindado. A preferência dos chefes de Estado pelo C6 baseava-se na
estabilidade incomparável da suspensão, que permitia que o presidente trabalhasse ou fosse filmado com total
estabilidade interna, mesmo em condições de asfalto precário, algo que modelos concorrentes com suspensões
esportivas rígidas não conseguiam replicar.