Se o exterior do DS5 era futurista, o interior foi projetado para transportar os ocupantes para o cockpit de
um jato moderno. A posição de dirigir foi descrita como focada no motorista, misturando o assento de um cupê
com o layout de um Gran Turismo. O volante é quase vertical, com um centro amplo, e o console central é
elevado, posicionando a alavanca de câmbio de forma natural para o motorista.
O elemento mais simbólico da cabine é o teto "cockpit". Ele apresenta três entradas de luz independentes e
dois consoles centrais: um baixo, entre os bancos, e outro montado no teto, exatamente acima da cabeça do
motorista, como em uma aeronave. Esses consoles abrigam botões de alternância (toggle switches), seletores
rotativos e controles para o sistema de áudio e navegação, todos desenhados para serem operados de forma
intuitiva.
O refinamento interno era elevado através do uso de materiais autênticos. A Citroën utilizou alumínio real em
detalhes como as maçanetas das portas e ao redor das saídas de ventilação. Os assentos poderiam ser
revestidos com o couro "Club", apresentando o exclusivo design "watchstrap" (pulseira de relógio), uma marca
registrada da linha DS que exigia um processo de costura manual complexo. Um relógio analógico, padrão nas
versões mais altas (DStyle e DSport), adicionava um toque de elegância clássica ao painel tecnológico.
Em termos de praticidade, apesar do foco no estilo, o DS5 oferecia cinco assentos reais e um porta-malas com
capacidade de até 468 litros (VDA) nas versões convencionais, volume comparável ao de uma perua esportiva
(Sportwagon). Havia também compartimentos de armazenamento inteligentes, como um espaço de 13 litros sob o
apoio de braço central, que era iluminado e refrigerado.
Arquitetura Técnica e Desafios da Plataforma
Uma das curiosidades técnicas mais notáveis do Citroën DS5 é a sua plataforma. Diferente do Citroën C5
contemporâneo, que utilizava a Plataforma 3 e a famosa suspensão hidropneumática Hydractive, o DS5 foi
construído sobre a plataforma PF2 (ou BVH2). Esta era uma versão alongada da base utilizada no Citroën C4 e
no Peugeot 3008.
A decisão de usar a plataforma PF2 foi motivada por questões de eficiência produtiva e compactação. O DS5
tornou-se o primeiro carro da marca Citroën a ser montado na fábrica líder da Peugeot em Sochaux, na França,
dividindo linhas de montagem com modelos da marca irmã. A utilização desta arquitetura permitiu que o carro
fosse 25 cm mais curto que um sedã C5, resultando em maior agilidade urbana e menor peso total.
No entanto, essa escolha trouxe compromissos na suspensão. Enquanto o C5 era conhecido por seu "tapete
mágico", as versões a combustão do DS5 utilizavam uma suspensão traseira por eixo de torção, que foi
criticada em seus primeiros anos por oferecer uma rodagem excessivamente firme e, por vezes, desconfortável
em superfícies irregulares. Apenas a versão Hybrid4, por necessidade de acomodar o motor elétrico traseiro,
utilizava uma suspensão multi-link independente, proporcionando um conforto de rodagem superior.