1ª Geração
(2009 - 2010)
Ficha técnica, versões e história do Dodge Journey.
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(2009 - 2010)
(2011 - 2020)
A trajetória do Dodge Journey no mercado automotivo mundial é um exemplo notável de como um projeto bem concebido pode manter sua relevância ao longo de mais de uma década, mesmo enfrentando mudanças drásticas na estrutura de sua empresa fabricante. Lançado originalmente no final de 2007 como modelo 2009, o Journey foi a resposta da Chrysler para a crescente demanda por veículos que pudessem oferecer a utilidade de uma minivan com a estética e o porte de um utilitário esportivo (SUV). Identificado internamente pelo código JC49, o modelo utilizou a plataforma global de segmento D da Chrysler, uma arquitetura que também serviu de base para sedãs como o Dodge Avenger e o Chrysler 200, o que lhe conferia um comportamento dinâmico mais refinado do que o de SUVs baseados em chassis de caminhonete. Ao longo de sua produção, que se estendeu até 2020 em sua primeira geração, o Journey alcançou a marca de mais de 1,1 milhão de unidades fabricadas, consolidando-se como um dos pilares de vendas da marca Dodge e uma peça fundamental na integração entre o grupo americano e a italiana Fiat.
O desenvolvimento do Dodge Journey ocorreu em um período de transição para a Chrysler, que buscava substituir modelos como a minivan curta Caravan e o crossover Pacifica por algo mais moderno e eficiente. O design foi assinado por Ryan Nagode, que buscou criar um veículo com "proporções certas" para o uso familiar urbano, mas com uma presença visual robusta. A plataforma JC era uma evolução da plataforma GS, desenvolvida em parceria com a Mitsubishi, o que permitiu o uso de uma suspensão independente nas quatro rodas, um diferencial importante para o conforto de rodagem em comparação com concorrentes que ainda utilizavam eixos rígidos na traseira.
A estratégia da Dodge com o Journey era clara: oferecer o máximo de assentos pelo menor preço possível. Ele se tornou rapidamente o veículo de sete lugares mais acessível do mercado norte-americano, uma posição que defendeu por quase todo o seu ciclo de vida. Para atingir esse objetivo, a engenharia focou na modularidade interna, criando soluções de armazenamento que se tornariam icônicas, como os compartimentos embutidos no assoalho da segunda fileira de bancos, que podiam ser usados para guardar objetos ou até mesmo gelo e bebidas, graças aos revestimentos removíveis e laváveis.
O Journey foi projetado para ser grande o suficiente para acomodar sete adultos, mas compacto o bastante para caber em garagens residenciais padrão. Sua arquitetura priorizava a distância entre eixos para maximizar o espaço das pernas nas três fileiras de bancos.
| Característica Estrutural | Medida em Milímetros | Medida em Polegadas |
|---|---|---|
| Distância entre eixos | 2.890 mm | 113,8 pol |
| Comprimento total | 4.887 mm | 192,4 pol |
| Largura total (sem espelhos) | 1.834 mm | 72,2 pol |
| Altura total (versão padrão) | 1.692 mm | 66,6 pol |
| Altura total (versão R/T) | 1.765 mm | 69,5 pol |
| Vão livre do solo | 183 mm | 7,2 pol |
| Bitola dianteira | 1.571 mm | 61,8 pol |
| Bitola traseira | 1.582 mm | 62,3 pol |
A primeira geração do Journey chegou às concessionárias com uma variedade de motores que refletia a diversidade de mercados onde seria vendido. Na América do Norte, o modelo estreou com o motor 2.4 litros de quatro cilindros "World Engine" como opção de entrada e motores V6 para as versões superiores. O design externo foi bem recebido, apresentando a grade frontal "crosshair" (em formato de cruz) característica da Dodge, mas o interior foi alvo de críticas severas por parte da imprensa especializada e dos consumidores devido ao uso extensivo de plásticos rígidos e um design considerado retangular e pouco sofisticado.
Mecanicamente, o Journey inicial oferecia a tração dianteira (FWD) como padrão e a tração integral (AWD) como opcional nas versões equipadas com motores V6. A transmissão automática de quatro velocidades que acompanhava o motor 2.4 era considerada obsoleta mesmo para a época, enquanto as versões V6 utilizavam uma caixa mais moderna de seis velocidades.
Durante os primeiros dois anos, o Journey contava com uma gama de motores que variava drasticamente conforme a região, incluindo opções a diesel para o mercado europeu e asiático.
| Motor | Cilindrada | Potência | Torque | Mercados Principais |
|---|---|---|---|---|
| 2.4L World I4 | 2.360 cc | 173 hp | 225 Nm | Global |
| 2.7L LH V6 | 2.736 cc | 185 hp | 256 Nm | Internacional |
| 3.5L EGF V6 | 3.518 cc | 235 hp | 315 Nm | América do Norte |
| 2.0L VW TDI | 1.968 cc | 140 hp | 310 Nm | Europa / Ásia |
O motor 2.7 litros V6 era uma unidade herdada da era DaimlerChrysler, conhecida por ser suave, mas menos potente que o 3.5 litros, que era o cavalo de batalha da marca nos Estados Unidos. O motor diesel de 2.0 litros era fornecido pela Volkswagen e utilizava o sistema de injetor-bomba, sendo substituído mais tarde por unidades mais modernas da Fiat.
O ano de 2011 foi o ponto mais importante na cronologia do Dodge Journey. Após a aquisição da Chrysler pelo Grupo Fiat, o novo CEO Sergio Marchionne ordenou uma renovação completa de quase todos os produtos da linha. O Journey recebeu o que a indústria chama de "major overhaul" (uma reformulação profunda). A mudança mais drástica ocorreu no interior: o painel retangular e simplista foi substituído por uma peça única esculpida, com materiais de toque suave e um acabamento muito superior.
Além do novo visual interno, a Dodge introduziu o motor 3.6 litros Pentastar V6, que substituiu tanto o antigo 2.7 quanto o 3.5. Este novo motor entregava 283 cavalos, um aumento de 20% na potência, transformando o Journey em um dos crossovers mais potentes de sua categoria. A suspensão foi inteiramente recalibrada, com mudanças na geometria e nos amortecedores para reduzir a inclinação da carroceria em curvas e melhorar o conforto em estradas irregulares.
Como resultado da fusão entre as empresas, a Fiat precisava de um SUV de sete lugares para substituir a minivan Ulysse e o sedã Croma na Europa. A solução foi realizar o "rebadge" do Dodge Journey como Fiat Freemont. O Freemont foi lançado em 2011 com modificações específicas para o mercado europeu, incluindo uma suspensão ainda mais firme para lidar com as estradas sinuosas da região e motores diesel MultiJet II desenvolvidos pela Fiat.
No Brasil, o Fiat Freemont chegou em 2011 equipado com o motor 2.4 litros de quatro cilindros. Curiosamente, a Fiat comercializava o Freemont em suas concessionárias, enquanto o Dodge Journey continuava a ser vendido nas lojas Chrysler/Dodge, mas equipado exclusivamente com o motor 3.6 V6 Pentastar e tração integral (AWD) na versão R/T. Essa estratégia permitiu que as duas marcas competissem em faixas de preço diferentes com o mesmo veículo: o Freemont focado no custo-benefício e o Journey no desempenho e luxo.
Embora fossem visualmente idênticos, exceto pelas grades e logotipos, o Freemont e o Journey tinham personalidades distintas devido aos ajustes mecânicos e motorizações.
| Especificação | Fiat Freemont (Brasil) | Dodge Journey (Brasil) |
|---|---|---|
| Motor Principal | 2.4L 16V I4 | 3.6L V6 Pentastar |
| Potência | 172 cv | 280-283 cv |
| Torque | 22,4 kgfm | 34,9 kgfm |
| Transmissão | 6-speed Auto (após 2013) | 6-speed Auto |
| Aceleração (0-100 km/h) | 12,4 segundos | 8,9 segundos |
| Velocidade Máxima | 190 km/h | 208 km/h |
| Ajuste de Suspensão | Macio / Conforto | Firme / Esportivo |
A partir de 2012, a Dodge focou em simplificar a linha Journey enquanto introduzia pacotes de estilo para manter o interesse do público. O modelo tornou-se um sucesso de vendas resiliente, apesar de sua plataforma estar envelhecendo.
O que manteve o Dodge Journey vendendo bem por 12 anos foi sua incrível flexibilidade interna. Ele foi projetado de dentro para fora, priorizando as necessidades de uma família com crianças. O sistema de assentos "Stadium" garantia que os passageiros de trás tivessem uma visão clara do caminho, enquanto as portas traseiras que se abriam em 90 graus facilitavam enormemente a entrada e saída de pessoas e a instalação de cadeirinhas.
Entre os recursos mais elogiados estavam os assentos infantis integrados (booster seats), opcionais que podiam ser levantados diretamente da base do banco da segunda fileira, eliminando a necessidade de carregar cadeirinhas avulsas. Além disso, o sistema "Flip-N-Stow" permitia que o assento do passageiro dianteiro fosse dobrado totalmente para frente para carregar objetos longos, revelando também um baú escondido sob a almofada do assento.
| Configuração dos Bancos | Volume de Carga (Litros) | Volume de Carga (Pés Cúbicos) |
|---|---|---|
| Com as 3 fileiras em uso | 303 L | 10,7 cu ft |
| Com a 3ª fileira rebatida | 1.047 L | 37,0 cu ft |
| Com as 2ª e 3ª fileiras rebatidas | 1.914 L | 67,6 cu ft |
O veículo contava com mais de 40 recursos de segurança e conveniência disponíveis, incluindo uma lanterna recarregável embutida no porta-malas em alguns anos de modelo e entradas USB e tomadas de 115V para carregar dispositivos eletrônicos durante as viagens.
A segurança do Dodge Journey é um tema de debates intensos. Quando foi lançado, ele apresentava tecnologias avançadas para a época, como airbags de cortina lateral que cobriam todas as três fileiras, airbags laterais nos bancos dianteiros e apoios de cabeça ativos. Ele recebeu quatro estrelas nos testes de colisão frontal da NHTSA e cinco estrelas nos testes de impacto lateral.
No entanto, à medida que os padrões de segurança evoluíram, o Journey começou a mostrar a idade de seu projeto. Nos testes do IIHS (Insurance Institute for Highway Safety), ele recebeu a classificação máxima "Good" (Bom) em quase todas as categorias tradicionais, mas falhou no teste de pequena sobreposição frontal (Small Overlap), recebendo a nota "Poor" (Pobre). Isso ocorria porque a estrutura original não havia sido projetada para desviar a energia de colisões que atingem apenas a extremidade do veículo.
| Avaliação IIHS (2009-2020) | Resultado |
|---|---|
| Sobreposição Moderada Frontal | Good (Bom) |
| Impacto Lateral | Good (Bom) |
| Resistência do Teto | Good (Bom) |
| Apoios de Cabeça e Assentos | Good (Bom) |
| Pequena Sobreposição (Motorista) | Poor (Pobre) |
| Facilidade de Uso do LATCH (Cadeirinha) | Marginal |
O Dodge Journey foi produzido exclusivamente na planta de Toluca, no México. Esta localização foi estratégica para a Chrysler e depois para a FCA, pois permitia exportar o veículo para os Estados Unidos, Canadá, América Latina e Europa aproveitando diversos acordos de livre comércio. Até o fim de sua produção em 2020, mais de 1,1 milhão de unidades do Journey saíram daquela linha de montagem.
Os números de vendas nos Estados Unidos mostram que o Journey teve um pico de popularidade entre 2015 e 2016, provando que o facelift de 2011 e a estratégia de preços agressivos foram extremamente eficazes para manter o modelo competitivo contra rivais mais novos como o Toyota Highlander e o Honda Pilot.
| Ano | Vendas nos EUA | Vendas no Canadá | Vendas no México |
|---|---|---|---|
| 2008 | 47.097 | 11.817 | 12.831 |
| 2010 | 48.577 | 23.785 | 13.063 |
| 2012 | 79.563 | 28.888 | 13.034 |
| 2014 | 93.572 | 24.715 | 11.688 |
| 2016 | 106.759 | 16.883 | 7.698 |
| 2018 | 94.096 | 5.777 | 2.828 |
| 2020 | 40.341 | 420 | 615 |
O sucesso no México foi particularmente forte, onde o Journey se tornou o modelo mais vendido da Dodge por muitos anos, o que justifica a decisão da marca de manter o nome vivo naquele mercado com uma nova geração totalmente diferente.
Embora o Journey original tenha sido descontinuado no mercado norte-americano (EUA e Canadá) após 2020, o nome não morreu. Em 2022, a Dodge lançou no México a segunda geração do Journey, mas esta é baseada em um veículo totalmente novo, fruto da parceria com a fabricante chinesa GAC Motor. Este novo modelo é uma versão "rebatizada" do SUV chinês GAC Trumpchi GS5.
Diferente do original, o novo Journey é um SUV de cinco lugares e duas fileiras de bancos. Ele foca em um design muito mais aerodinâmico e esportivo, com tecnologia de última geração e motores turbo menores e mais eficientes. A Dodge integrou elementos visuais próprios, como a grade frontal preta e a barra de LED traseira, para alinhar o visual chinês com a identidade americana da marca.
O motor Pentastar V6 deu lugar a uma unidade 1.5 Turbo, refletindo a tendência global de redução de cilindrada para melhorar a economia de combustível sem perder desempenho.
| Componente | Detalhe Técnico |
|---|---|
| Motor | 1.5L Turbo 4-cilindros GDI |
| Potência | 169 hp (ou 156 hp em algumas versões) |
| Torque | 264 Nm (195 lb-ft) |
| Transmissão | Automática de 6 marchas (Aisin) |
| Suspensão Dianteira | Independente McPherson |
| Suspensão Traseira | Independente Multi-link |
| Rodas | 18 ou 19 polegadas de alumínio |
Esta nova geração é comercializada no México nas versões SXT, Sport e GT Plus, trazendo itens como painel digital de 12,3 polegadas, teto solar panorâmico, câmeras de 360 graus e sistemas de assistência ao motorista que o modelo antigo nunca possuiu. A produção deste novo Journey ocorre na China, mas ele foi projetado para ser o principal SUV da Dodge em vários mercados latino-americanos, incluindo Chile, Colômbia e Peru.
No Brasil, a história do Journey é inseparável da do Fiat Freemont. A Fiat dominou as vendas com a versão 2.4, atingindo seu auge em 2014 com cerca de 2.970 unidades emplacadas. No entanto, com a retração econômica e a chegada de novos concorrentes, as vendas começaram a cair a partir de 2015, levando à descontinuação do Freemont no país em 2016.
O Dodge Journey, por outro lado, permaneceu como um item de nicho para quem não abria mão do motor V6. Ele era muito apreciado por seu ronco característico e pela capacidade de aceleração, chegando aos 100 km/h em menos de 8 segundos, um desempenho impressionante para um veículo de quase duas toneladas. A versão AWD (tração integral) vendida no Brasil proporcionava uma estabilidade superior em dias de chuva, corrigindo um dos pontos fracos das versões de tração dianteira, que costumavam patinar as rodas em acelerações fortes devido ao alto torque do motor V6.
Ao longo dos anos, o motor 2.4 utilizado no Freemont e no Journey de entrada passou por melhorias. Inicialmente acoplado a um câmbio de quatro marchas, ele recebeu uma transmissão de seis marchas em 2013, o que melhorou significativamente o consumo de combustível e reduziu o ruído em velocidades de estrada. O motor Pentastar V6 de 3.6 litros, introduzido no Journey em 2011, foi considerado um dos melhores motores de sua época, ganhando diversos prêmios internacionais por sua eficiência e suavidade de funcionamento.
O Dodge Journey encerrou sua primeira fase como um dos veículos mais longevos da história recente da Chrysler. Ele sobreviveu a três donos diferentes da empresa (Daimler, Cerberus e Fiat) e provou ser um projeto extremamente resiliente. Seu legado é o de um carro que não tentava ser luxuoso ou inovador em excesso, mas que entregava exatamente o que as famílias precisavam: espaço, praticidade e um preço justo.
Embora a primeira geração tenha saído de linha devido ao envelhecimento de sua plataforma e às novas prioridades da Dodge em performance, o Journey abriu caminho para que a Stellantis explorasse parcerias globais, como a que resultou na nova geração produzida pela GAC. Para os proprietários, ele continua sendo uma escolha popular no mercado de usados, valorizado por seu espaço interno imbatível e pela robustez mecânica, especialmente nas versões equipadas com o motor V6 Pentastar.
A trajetória do Journey demonstra que, no mundo automotivo, a funcionalidade muitas vezes supera a novidade tecnológica. Com soluções simples de armazenamento e uma configuração de assentos inteligente, ele se tornou o lar de milhões de viagens familiares ao redor do mundo, deixando sua marca como o crossover que democratizou os sete lugares para a classe média global.