A F12berlinetta representou um salto quântico em relação à sua predecessora. Combinando
um motor V12 levado ao limite da engenharia de aspiração natural, um design
funcionalmente belo e uma dinâmica de chassi primorosa, ela redefiniu as expectativas
para um GT de alta performance.
O Coração da Fera: O Motor F140 FC V12
O centro de toda a experiência da F12berlinetta é seu motor, uma obra-prima da
engenharia. O propulsor, de código F140 FC, é um V12 naturalmente aspirado de 6.262 cc
(6.3 litros) com os bancos de cilindros a 65°. Ele produz impressionantes 740 cv (730
hp) a 8.250 rpm e 690 Nm de torque a 6.000 rpm, com uma rotação máxima que atinge
estonteantes 8.700 rpm. A potência específica de 118 cv por litro era um recorde para um
motor deste tipo na época, um testemunho do nível de otimização alcançado pelos
engenheiros da Ferrari.
Este motor não foi apenas um exercício de força bruta, mas também de eficiência e
usabilidade. Graças a inovações como um sistema de ignição multi-spark e a redução
drástica do atrito interno, ele era 30% mais eficiente no consumo de combustível que o
da 599 GTB Fiorano. Além disso, 80% do torque máximo estava disponível a apenas 2.500
rpm, garantindo uma aceleração vigorosa e imediata em qualquer faixa de rotação. O
reconhecimento de sua excelência veio em 2013, quando o motor V12 da F12 ganhou o prêmio
"International Engine of the Year" nas prestigiadas categorias "Melhor Performance" e
"Melhor Motor Acima de 4.0 Litros". Este conjunto de características solidificou a F12
como o ápice da tecnologia de motores V12 puramente aspirados, um marco tecnológico
antes da inevitável transição da indústria para a turboalimentação e hibridização.
Design e Aerodinâmica: A Arte da Eficiência
O design da F12berlinetta foi o resultado de uma colaboração entre o Ferrari Styling
Centre, liderado por Flavio Manzoni, e o lendário estúdio Pininfarina. Esta parceria
resultou no último Ferrari V12 de produção em série desenhado em conjunto com a
Pininfarina, marcando o fim de uma era icônica. A filosofia por trás do design foi a
integração total entre forma e função, onde a beleza estética era uma consequência
direta da eficiência aerodinâmica.
A inovação mais notável foi o "Aero Bridge". Trata-se de um canal de ar que começa no
capô, passa pelas laterais e flui ao longo dos flancos do carro. Esta solução engenhosa
cria downforce (força descendente que pressiona o carro contra o solo) sem a necessidade
de apêndices aerodinâmicos agressivos, como grandes asas traseiras, preservando a
silhueta elegante de um GT clássico.
A aerodinâmica ativa também desempenhou um papel crucial. Dutos de refrigeração dos
freios abrem-se automaticamente apenas quando os freios atingem altas temperaturas,
permanecendo fechados no resto do tempo para reduzir o arrasto. O resultado de todo esse
trabalho foi um coeficiente de arrasto (Cd) de apenas 0.299 e a geração de 123 kg de
downforce a 200 km/h, o dobro do que a 599 GTB Fiorano conseguia produzir. A F12
demonstrou uma mudança de paradigma na Ferrari: a aerodinâmica não era mais apenas um
componente funcional, mas uma parte intrínseca e bela do design.
Estrutura e Dinâmica: Leveza e Precisão
A base da F12berlinetta é uma avançada estrutura de alumínio (space frame) desenvolvida
em parceria com a Scaglietti, utilizando 12 ligas de alumínio diferentes. Esta
construção resultou em um aumento de 20% na rigidez torcional e uma redução de 70 kg no
peso em comparação com a 599. O carro era mais curto, mais baixo e mais estreito que seu
antecessor, com o motor e os assentos posicionados mais abaixo para otimizar o centro de
gravidade.
O peso seco foi declarado em 1.525 kg, com um peso em ordem de marcha de 1.630 kg. A
distribuição de peso era ideal para um carro de motor dianteiro, com 46% na dianteira e
54% na traseira, contribuindo para uma dirigibilidade ágil e equilibrada. A potência era
enviada às rodas traseiras através de uma transmissão F1 de dupla embreagem com 7
velocidades, que contava com relações de marcha mais curtas para explorar ao máximo a
potência do motor. O conjunto era gerenciado por sistemas eletrônicos de última geração,
incluindo freios de carbono-cerâmica (CCM3), suspensão magnetoreológica (SCM-E), um
diferencial eletrônico (E-diff 3) e o controle de tração F1-Trac.
Performance e Recepção
Os números de desempenho da F12berlinetta eram impressionantes: aceleração de 0 a 100
km/h em 3,1 segundos, 0 a 200 km/h em 8,5 segundos e uma velocidade máxima superior a
340 km/h. No entanto, o que mais cativou a crítica foi sua dualidade. A F12 era, ao
mesmo tempo, um supercarro visceralmente rápido e um Gran Tourer surpreendentemente
confortável e utilizável no dia a dia.
Jeremy Clarkson, no programa Top Gear, capturou perfeitamente essa essência. Ele elogiou
a beleza estonteante do carro e o som majestoso do motor, mas também observou, com sua
ironia característica, que o carro seria "melhor ainda se tivesse... um pouco menos de
potência" para as estradas públicas. Este comentário, embora um elogio à performance
avassaladora do carro, destacou a natureza selvagem da F12 e, sem saber, antecipou a
necessidade das soluções de engenharia que seriam implementadas em sua futura versão de
pista.
Produção e Vendas
A Ferrari F12berlinetta foi produzida entre 2012 e 2017. A marca nunca anunciou
oficialmente o número total de unidades fabricadas, mas a estimativa da indústria é que
cerca de 5.000 exemplares foram produzidos globalmente.