A apresentação oficial da Portofino ocorreu no Salão do Automóvel de Frankfurt de 2017,
revelando um veículo que, embora mantivesse a arquitetura básica da California T, era
fundamentalmente novo em sua execução.
Revolução Estrutural: Chassi e Carroceria
Ao contrário de um simples facelift, a Portofino estreou um chassi inteiramente novo. A
Ferrari aplicou tecnologias de produção avançadas, incluindo fundição de componentes
ocos e o uso extensivo de ligas de alumínio de última geração.
O resultado direto dessas inovações foi uma redução de peso impressionante. A Portofino é
aproximadamente 80 kg (176 libras) mais leve que a California T. Mais crucial para a
dinâmica de condução, essa redução de peso foi acompanhada por um aumento de 35% na
rigidez torcional. Em conversíveis, a rigidez é o "Santo Graal"; a remoção do teto fixo
geralmente compromete a integridade estrutural, levando a vibrações e imprecisão na
suspensão. Ao aumentar a rigidez, a Ferrari garantiu que a suspensão pudesse trabalhar
de forma mais eficaz, melhorando tanto o conforto quanto a resposta em curvas.
Design Aerodinâmico e Estético
O design da Portofino foi conduzido pelo Ferrari Styling Centre sob a direção de Flavio
Manzoni, marcando um afastamento da dependência histórica da Pininfarina. A equipe de
Manzoni focou em criar uma silhueta "fastback" de dois volumes, uma configuração inédita
para um cupê-conversível de teto rígido.
Soluções Aerodinâmicas Integradas
A estética da Portofino é funcional. Cada vinco e abertura serve a um propósito
aerodinâmico específico, visando a redução de arrasto e o gerenciamento térmico.
- Air Curtains Dianteiros: Uma inovação sutil, mas vital, são as
entradas de ar localizadas nas bordas externas dos faróis dianteiros. Estas não são
apenas decorativas; elas capturam o ar de alta pressão na frente do carro e o
canalizam através das caixas de roda dianteiras, expulsando-o pelos flancos. Esse
processo cria uma "cortina de ar" que reduz a turbulência gerada pela rotação das
rodas, diminuindo significativamente o coeficiente de arrasto (Cd).
- Gerenciamento de Fluxo Traseiro: As lanternas traseiras foram
posicionadas mais afastadas uma da outra em comparação com a California T. Isso
permitiu que o spoiler traseiro fosse estendido em largura, otimizando o
descolamento do fluxo de ar e reduzindo o arrasto geral.
- Visual Fastback: O triunfo do design foi disfarçar o volume
traseiro necessário para o teto. A linha do teto flui suavemente para a tampa do
porta-malas, eliminando o "degrau" visual que criticava a California T e conferindo
ao carro uma postura mais plantada e agressiva.
Powertrain: O V8 F154BE e o Gerenciamento de Boost
Sob o capô, a Portofino abriga o motor V8 de 3.9 litros (3855 cc) biturbo, pertencente à
aclamada família F154, vencedora do prêmio "International Engine of the Year" por três
anos consecutivos (2016-2018).
Inovações Mecânicas e Software
O aumento de 40 cv em relação à California T não foi obtido apenas através de
reprogramação eletrônica. O motor recebeu novos componentes mecânicos, incluindo pistões
e bielas reforçadas, além de um sistema de admissão revisado.
- Coletor de Escape Fundido: Uma peça crítica de engenharia é o novo
coletor de escape fundido em peça única. Este design reduz as perdas de energia
térmica dos gases de escape antes que atinjam as turbinas, garantindo a famosa
"resposta zero de turbo lag" que a Ferrari promete.
- Variable Boost Management: A Ferrari implementou um software
sofisticado que ajusta a entrega de torque com base na marcha selecionada. Nas
marchas baixas (1ª a 3ª), o torque é limitado eletronicamente para simular a curva
de entrega linear de um motor aspirado e evitar a perda de tração. O torque total de
760 Nm só é liberado na 7ª marcha. Isso resulta em uma aceleração progressiva e
emocionante, encorajando o motorista a usar toda a faixa de rotação, ao mesmo tempo
em que permite uma engrenagem longa para economia de combustível em cruzeiro.
Dinâmica Veicular: EPS e E-Diff3
A Portofino marcou a transição da direção hidráulica para a Direção Assistida Elétrica
(EPS) nos modelos GT da Ferrari. Embora a direção elétrica seja frequentemente criticada
por falta de "feeling", a Ferrari utilizou essa tecnologia para integrar a direção aos
sistemas de controle de estabilidade.
- Integração com E-Diff3: A adoção do EPS permitiu a integração com o
diferencial eletrônico traseiro de terceira geração (E-Diff3). O sistema pode variar
a assistência da direção e o bloqueio do diferencial em tempo real, melhorando a
estabilidade em linha reta e a agilidade em curvas. A direção tornou-se 7% mais
direta que na California T, oferecendo respostas mais rápidas.
- Suspensão Magnetoreológica (SCM-E): O sistema de amortecimento foi
atualizado com a tecnologia de "bobina dupla" (dual-coil), que reduz o atrito
interno e melhora a capacidade do sistema de absorver imperfeições do asfalto,
minimizando o rolamento da carroceria sem sacrificar o conforto de rodagem.
Interiores e Usabilidade Diária
O interior da Portofino foi projetado para ser um ambiente de luxo tecnológico. O foco na
usabilidade é evidente na disposição dos controles e nos sistemas de conforto.
- Infotainment: Uma tela sensível ao toque de 10,2 polegadas
centraliza as funções de navegação e mídia. Diferente da California T, onde a tela
parecia uma adição tardia, na Portofino ela está elegantemente integrada ao painel.
- Passenger Display: Uma característica opcional distintiva é a tela
dedicada ao passageiro. Este display horizontal permite que o co-piloto monitore a
velocidade, RPM, marcha engatada e força G, além de interagir com o sistema de
navegação e áudio, transformando o passageiro em um participante ativo da
experiência de condução.
- Climatização e Conforto: O sistema de ar-condicionado foi
recalibrado para manter o conforto térmico mesmo com o teto aberto. Um novo defletor
de vento reduz o fluxo de ar dentro da cabine em 30%, permitindo conversas em tom
normal mesmo em velocidades de rodovia.
- Teto Rígido Retrátil (RHT): O mecanismo do teto é uma obra de arte
da engenharia cinética. Ele pode ser aberto ou fechado em apenas 14 segundos e opera
em baixas velocidades, o que é uma vantagem crucial em trânsito urbano. O design
compacto do mecanismo permitiu um aumento no espaço do porta-malas para 292 litros
(com o teto fechado), suficiente para três malas de cabine. Com o teto aberto, o
espaço acomoda duas malas de cabine.