A execução da filosofia de design da Roma é visível em cada superfície e componente,
tanto por fora quanto por dentro. O carro é um estudo de como a tecnologia pode servir à
pureza estética, criando uma forma que é ao mesmo tempo funcional e bela.
A Escultura Exterior
O exterior da Roma é definido por linhas limpas e uma silhueta fluida. A frente do carro
é particularmente distinta, com um design descrito como monolítico e um efeito de "nariz
de tubarão" em balanço, que parece ter sido esculpido a partir de um único bloco de
metal. Em uma ruptura com a tradição, a grade frontal foi reinterpretada como uma
superfície perfurada na cor da carroceria, uma solução que serve à refrigeração do motor
de forma sutil e integrada ao design geral.
A iluminação é um elemento-chave da identidade visual da Roma. Os faróis Full LED são
finos e lineares, atravessados por uma faixa de luz diurna (DRL) horizontal que adiciona
uma sensação de tensão e largura à frente do carro. Na traseira, a abordagem minimalista
continua. O desenvolvimento tecnológico permitiu reduzir drasticamente as dimensões das
lanternas, que são descritas como "joias" incrustadas no volume da carroceria. Essas
fontes de luz lineares dialogam com o aerofólio ativo, criando uma linha contínua que
define a traseira do veículo.
A aerodinâmica é habilmente integrada ao design, evitando apêndices agressivos. O
elemento mais notável é o aerofólio traseiro ativo, que permanece perfeitamente alinhado
com a carroceria em baixas velocidades para preservar a pureza das linhas. Em altas
velocidades, ele se ajusta automaticamente em três posições (baixo arrasto, downforce
médio e alto downforce) para otimizar a estabilidade, gerando até 95 kg de força
descendente a 250 km/h. Além disso, um par de geradores de vórtice sob o assoalho do
carro trabalha para criar um efeito solo, gerenciando o fluxo de ar e garantindo uma
geração de carga aerodinâmica eficiente. Detalhes como as maçanetas embutidas reforçam
essa busca pela pureza, garantindo que nada perturbe a silhueta esculpida do carro.
O Interior "Dual Cockpit"
O interior da Roma representa uma evolução significativa na filosofia de design da
Ferrari, introduzindo uma versão aprimorada do conceito "Dual Cockpit". A arquitetura da
cabine cria duas células distintas e quase simétricas para o motorista e o passageiro,
separadas por um proeminente console central. Essa abordagem não apenas organiza o
espaço de forma orgânica, mas também visa envolver o passageiro de forma mais ativa na
experiência de condução, fazendo-o sentir-se como um copiloto em vez de um mero
espectador.
A interface homem-máquina (HMI) foi completamente redesenhada com base na filosofia
"Olhos na estrada, mãos no volante". O novo volante concentra quase todos os comandos
principais do carro em superfícies hápticas (sensíveis ao toque), incluindo o botão de
partida, o seletor de modo de condução (manettino) e até mesmo os indicadores de
direção. À frente do motorista, um enorme painel de instrumentos digital de 16
polegadas, totalmente configurável, substitui os mostradores analógicos tradicionais.
O console central é dominado por uma tela vertical de 8,4 polegadas, que controla as
funções de infotainment, navegação e climatização. O passageiro, por sua vez, tem sua
própria tela de 8,8 polegadas, que exibe dados de performance do veículo e permite o
controle de funções como música e ar-condicionado.
Essa imersão digital no interior cria uma dualidade fascinante com o exterior de
inspiração clássica. Não se trata de uma contradição, mas de uma manifestação física da
dupla personalidade da Roma: um GT clássico em sua alma, mas um supercarro do século XXI
em sua execução. A Ferrari deliberadamente criou essa tensão entre o analógico (a
inspiração) e o digital (a interface). O design exterior evoca a elegância do passado,
enquanto o interior, dominado por telas e controles táteis, é resolutamente futurista.
Essa abordagem busca satisfazer duas demandas simultâneas do mercado de luxo: a
nostalgia e a pureza de um GT tradicional, e a tecnologia e conectividade avançadas
esperadas em um carro moderno. O conceito "Dual Cockpit" é a ponte entre esses dois
mundos, oferecendo uma experiência de condução compartilhada, típica de um GT, através
de uma interface totalmente digital. É a forma da Ferrari materializar a ideia de que
"La Nuova Dolce Vita" é vivida com as ferramentas e a tecnologia de hoje, não as de
ontem.