1ª Geração
(2008 - 2009)
Ficha técnica, versões e história do Ford Taurus X.
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(2008 - 2009)
A trajetória do Ford Taurus X representa um dos momentos mais dinâmicos e desafiadores da história recente da Ford Motor Company na América do Norte. Este veículo, que ocupou uma posição estratégica no segmento de crossovers de grande porte, não foi apenas um modelo isolado, mas o resultado de uma profunda reestruturação de marca e engenharia que ocorreu entre 2005 e 2009. A compreensão da história do Taurus X exige uma análise detalhada que retrocede ao seu predecessor direto, o Ford Freestyle, e se estende até a consolidação da plataforma D3 da Ford, inspirada na engenharia de segurança da Volvo. Este relatório detalha cada fase dessa evolução, as especificações técnicas que definiram o modelo e as circunstâncias de mercado que levaram ao seu surgimento e eventual substituição.
Para entender o surgimento do Taurus X em 2008, é imperativo analisar o cenário automotivo do início dos anos 2000. Durante esse período, o mercado americano presenciava o declínio sistemático das tradicionais peruas (station wagons) e das minivans em favor de uma nova categoria de veículos: os crossovers. A Ford, que havia dominado o mercado de peruas com o Ford Taurus original desde a década de 1980, percebeu a necessidade de oferecer um veículo que combinasse a capacidade de carga de uma perua, o espaço de uma minivan e a posição de dirigir elevada de um SUV, mas sem o consumo excessivo de combustível e a dirigibilidade pesada dos utilitários baseados em chassis de caminhonete.
Em 2005, a Ford lançou o Ford Freestyle, construído sobre a plataforma D3, desenvolvida a partir da arquitetura P2 da Volvo. O Freestyle foi uma tentativa de substituir a perua Taurus com um design de "teto alto" e três fileiras de bancos. Contudo, o Freestyle sofria de uma percepção de falta de potência, utilizando um motor V6 de 3,0 litros Duratec com 203 cavalos de potência, acoplado a uma transmissão continuamente variável (CVT). Embora inovador para a época, o conjunto mecânico foi considerado apático por muitos consumidores, especialmente quando o veículo estava totalmente carregado com sete passageiros.
Em 2007, sob a nova liderança do CEO Alan Mulally, a Ford decidiu realizar uma mudança drástica. Mulally identificou que o abandono de nomes icônicos como "Taurus" em favor de novos nomes como "Five Hundred" e "Freestyle" estava prejudicando o reconhecimento da marca pelos consumidores. Assim, durante o Salão do Automóvel de Chicago de 2007, a Ford anunciou que o Five Hundred seria renomeado para Taurus e o Freestyle seria profundamente atualizado e renomeado como Ford Taurus X para o ano-modelo 2008. Esta mudança não foi apenas um exercício de marketing; ela trouxe consigo uma revisão completa do trem de força e melhorias significativas no conforto e na segurança.
O Ford Taurus X estreou oficialmente como um modelo 2008, representando uma evolução substancial em relação ao Freestyle original. Embora mantivesse a mesma estrutura básica e a plataforma D3, o facelift foi tão abrangente que a Ford o promoveu como uma nova oferta no lineup de crossovers. O design exterior foi atualizado para alinhar o veículo com a nova identidade visual da Ford, caracterizada pela grade frontal de três barras cromadas, inspirada nas picapes da marca e no sedã Fusion da época.
A frente do Taurus X foi totalmente redesenhada. A grade de três barras grossas e cromadas conferia ao veículo uma aparência mais robusta e moderna, distanciando-o da silhueta mais conservadora do Freestyle. Os faróis ganharam um design mais recortado que se integrava ao para-choque dianteiro, enquanto a traseira recebeu lanternas revisadas com acabamentos mais sofisticados.
Nas laterais, o modelo preservou sua característica de "perua sobre saltos", com uma altura de rodagem superior à de um sedã comum, mas inferior à de um SUV tradicional como o Ford Explorer. Esta altura foi estrategicamente escolhida para facilitar o acesso de crianças e idosos, um ponto de venda crucial para o mercado familiar ao qual o carro se destinava. O uso de vidros de privacidade e rack de teto tornou-se padrão em diversas versões, reforçando a utilidade prática do modelo.
| Característica de Design | Detalhes do Ford Taurus X (2008-2009) |
|---|---|
| Grade Frontal | Estilo de três barras cromadas horizontais. |
| Faróis | Design com recorte no para-choque e iluminação aprimorada. |
| Lanterna Traseira | Estilo inspirado no Ford Fusion e Mercury Sable. |
| Rodas | Liga leve de 17 ou 18 polegadas, dependendo da versão. |
| Saídas de Escapamento | Ponteiras cromadas de série em modelos superiores. |
A mudança mais celebrada no Taurus X foi a introdução do motor 3.5L V6 Duratec 35. Este motor, parte da família Cyclone da Ford, substituiu o antigo 3.0L e elevou a potência de 203 para 263 cavalos. Mais do que o aumento bruto de potência, o novo motor oferecia uma curva de torque muito mais ampla e amigável, facilitando ultrapassagens e mergulhos em rodovias.
Simultaneamente, a Ford abandonou a transmissão CVT do Freestyle em favor de uma nova transmissão automática de seis velocidades. Esta caixa de câmbio, desenvolvida em parceria com a General Motors e conhecida como 6F, proporcionava trocas de marchas mais lineares e eliminava a sensação elástica da CVT anterior. A combinação do motor 3.5L com a transmissão de seis marchas resultou em uma melhoria drástica no desempenho: a aceleração de 0 a 100 km/h tornou-se significativamente mais rápida e a capacidade de reboque foi estabilizada em aproximadamente 907 kg (2.000 lbs).
| Especificação Técnica | Motor Duratec 35 (V6 3.5L) |
|---|---|
| Potência Máxima | 263 hp @ 6.250 rpm |
| Torque Máximo | 249 lb-ft @ 4.500 rpm |
| Configuração | V6 a 60 graus, DOHC, 24 válvulas |
| Sistema de Combustível | Injeção Eletrônica Multiponto Sequencial |
| Transmissão | Automática de 6 velocidades (6F) |
| Tipo de Tração | Dianteira (FWD) ou Integral (AWD) |
O ciclo de vida do Taurus X sob este nome foi curto, durando apenas os anos de 2008 e 2009. No entanto, houve refinamentos graduais que demonstram o esforço da Ford em manter o veículo competitivo em um mercado que se tornava cada vez mais saturado por opções de SUVs.
O ano de 2008 marcou a introdução de tecnologias que antes eram raras no segmento de crossovers acessíveis. O sistema Ford SYNC, desenvolvido em colaboração com a Microsoft, foi uma das maiores novidades. Este sistema permitia aos motoristas operar telefones celulares e reprodutores de música por meio de comandos de voz, além de oferecer integração total via Bluetooth.
Outra inovação foi o sistema de assentos da segunda fileira com rebatimento elétrico automático. Ao pressionar um botão no compartimento de carga, os bancos da segunda fileira se dobravam e tombavam para a frente, facilitando o acesso de passageiros à terceira fileira, um problema comum em veículos de sete lugares. O Taurus X também introduziu a opção de porta-malas com acionamento elétrico, aumentando a conveniência para famílias com compras ou equipamentos esportivos.
Para o ano-modelo 2009, o Taurus X recebeu poucas mudanças visuais, focando principalmente em segurança e padronização de equipamentos. A principal adição foi o sistema "SOS Post-Crash Alert" como item de série em todas as versões. Este sistema era ativado automaticamente em caso de acionamento dos airbags ou dos pré-tensionadores dos cintos de segurança, destravando as portas, ligando as luzes de emergência e emitindo sinais sonoros com a buzina para atrair ajuda.
Além disso, a Ford aprimorou o isolamento acústico interior, utilizando materiais como o Sonosorb em mais áreas da cabine para reduzir o ruído do vento e da estrada, tornando o Taurus X um dos crossovers mais silenciosos de sua categoria na época. Apesar desses avanços, a sombra do Ford Flex, que entrou em produção em junho de 2008, começou a limitar o espaço de mercado do Taurus X.
O Ford Taurus X foi estruturado em três níveis de acabamento principais, cada um projetado para atender a diferentes necessidades de orçamento e luxo. A estratégia da Ford era oferecer um valor superior ao de concorrentes como o Toyota Highlander e o Honda Pilot, entregando mais equipamentos de série por um preço competitivo.
O modelo SEL era o ponto de entrada da linha, mas longe de ser um veículo básico. Ele vinha equipado com rodas de 17 polegadas, ar-condicionado de zona única com controles auxiliares para as fileiras traseiras, banco do motorista elétrico com seis ajustes, e um sistema de áudio com disqueteira para seis CDs compatível com MP3. O exterior era geralmente caracterizado por um acabamento em dois tons, com a parte inferior da carroceria em uma cor contrastante.
Uma adição significativa para a linha 2008 foi a versão Eddie Bauer, uma marca clássica da Ford associada ao estilo de vida ao ar livre e aventura. Esta versão oferecia um meio-termo entre a SEL e a Limited, incluindo rodas de 18 polegadas, molduras laterais exclusivas em tom dourado ("Arizona Beige") e um interior em couro de dois tons com costuras diferenciadas. O sistema SYNC e o controle de temperatura automático de duas zonas eram itens de série nesta versão.
A versão topo de linha era a Limited, que focava na sofisticação urbana. Diferente da Eddie Bauer, a Limited apresentava uma pintura monocromática (toda a carroceria na mesma cor) e um interior mais luxuoso com apliques de madeira simulada escura. Os bancos dianteiros eram aquecidos e o do motorista possuía memória para dois usuários. O sistema de som era um Audiophile premium com sete alto-falantes e subwoofer, proporcionando uma experiência de áudio superior.
| Característica | SEL | Eddie Bauer | Limited |
|---|---|---|---|
| Rodas | 17" Alumínio | 18" Alumínio | 18" Alumínio Brilhante |
| Pintura | Dois Tons | Dois Tons (Ouro) | Monocromática |
| Interior | Tecido ou Couro | Couro de Dois Tons | Couro Premium |
| Climatização | Manual | Dual Zone Automático | Dual Zone Automático |
| Ford SYNC | Opcional | Padrão | Padrão |
| Sensor de Ré | Opcional | Padrão | Padrão |
Um dos maiores trunfos do Taurus X era a sua cabine, projetada especificamente para as necessidades de famílias numerosas. A Ford utilizou o que chamava de "Command Seating", uma técnica de engenharia que elevava o ponto H (quadril) dos passageiros. Isso permitia que os ocupantes tivessem uma visão clara da estrada, semelhante à de um SUV, mas com a facilidade de entrada e saída de um carro de passeio.
O Taurus X podia ser configurado para acomodar seis ou sete pessoas. Na configuração de seis lugares, a segunda fileira era composta por duas poltronas individuais ("Captain's Chairs"), que ofereciam conforto nível executivo e um corredor central para acesso à terceira fileira. Na configuração de sete lugares, a segunda fileira era um banco dividido em 60/40.
A capacidade de carga era impressionante para a sua classe. Com todas as fileiras de bancos rebatidas, o Taurus X oferecia uma superfície plana de carga. Um recurso exclusivo era o banco do passageiro dianteiro que também podia ser dobrado totalmente, permitindo o transporte de objetos de até 10 pés de comprimento (cerca de 3 metros), como escadas ou pranchas de surfe, com o porta-malas fechado.
| Capacidade de Carga | Volume (Pés Cúbicos) |
|---|---|
| Atrás da 3ª fileira | 20.8 cu. ft. |
| Atrás da 2ª fileira | 47.0 cu. ft. (estimado) |
| Volume Máximo (Bancos rebatidos) | 85.5 cu. ft. |
Baseado na arquitetura desenvolvida pela Volvo, o Taurus X foi amplamente comercializado como o crossover mais seguro da América em seu lançamento. A estrutura do veículo foi projetada para dispersar a energia de impactos em diversas direções, protegendo a célula de sobrevivência dos ocupantes.
Todos os modelos Taurus X vinham de série com o sistema de segurança Safety Canopy, que incluía airbags de cortina lateral para as três fileiras de bancos e sensores de capotamento. Além disso, o sistema AdvanceTrac com Controle de Estabilidade Eletrônico (ESC) trabalhava em conjunto com o sistema de freios ABS para prevenir derrapagens e perda de controle em condições adversas.
Em 2008 e 2009, o Taurus X alcançou a classificação máxima de cinco estrelas em todos os testes de colisão frontal e lateral realizados pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA). O Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) também concedeu ao modelo o prêmio "Top Safety Pick", a honraria mais alta da instituição, após o veículo receber a nota "Good" (Boa) em impactos frontais, laterais e de proteção contra chicotada cervical.
| Teste de Colisão (IIHS) | Avaliação do Taurus X |
|---|---|
| Impacto Frontal (Moderate Overlap) | Good (Bom) |
| Impacto Lateral | Good (Bom) |
| Resistência do Teto | N/A (Não testado à época) |
| Proteção de Cabeça e Assentos | Good (Bom) |
O Ford Taurus X foi produzido exclusivamente na planta de Chicago Assembly, localizada no sul de Chicago, Illinois. Esta fábrica foi modernizada especificamente para lidar com a plataforma D3, produzindo o Taurus X simultaneamente com o Ford Taurus sedã, o Mercury Sable e o Lincoln MKS.
Embora a Ford esperasse que a renomeação para "Taurus X" revitalizasse as vendas do crossover, os números contam uma história de declínio acentuado, influenciada pela crise econômica de 2008 e pela mudança nas preferências dos consumidores. Enquanto as vendas do Freestyle em 2005 chegaram a quase 77 mil unidades, o Taurus X nunca atingiu esses patamares.
| Ano Calendário | Modelo | Vendas nos EUA (Unidades) |
|---|---|---|
| 2004 | Freestyle | 8.509 |
| 2005 | Freestyle | 76.739 |
| 2006 | Freestyle | 58.602 |
| 2007 | Freestyle / Taurus X | 42.110 (Total) |
| 2008 | Taurus X | 23.112 |
| 2009 | Taurus X | 6.106 |
| 2010 | Taurus X (Resto) | 12 |
| Total Acumulado | Freestyle + Taurus X | 215.190 |
(Nota: Em 2007, as vendas foram divididas em 23.765 unidades do Freestyle e 18.345 do Taurus X à medida que o estoque era renovado.)
A produção do Taurus X foi encerrada oficialmente em 27 de fevereiro de 2009. O baixo volume de vendas nos últimos meses de produção foi um reflexo direto da saturação do mercado e da antecipação dos consumidores pelo Ford Flex, que oferecia um design mais arrojado e maior sofisticação técnica.
A descontinuação do Taurus X em 2009 marcou o fim de um capítulo curto, mas tecnicamente importante para a Ford. O veículo não foi substituído diretamente por um modelo com o mesmo nome, mas sim por dois caminhos distintos no portfólio da marca.
O Ford Flex assumiu o papel de crossover de luxo e alta capacidade dentro da linha Ford. Utilizando a plataforma D4 (uma versão reforçada da D3 do Taurus X), o Flex oferecia um design "retrô" que apelava a um público mais jovem e urbano, além de apresentar opções de motores turbo EcoBoost que o Taurus X nunca teve. O Flex também superava o Taurus X em capacidade de reboque e acabamento interno, tornando-se o sucessor espiritual de maior sucesso.
Posteriormente, a Ford tomou a decisão estratégica de transformar o Ford Explorer de um SUV baseado em chassis (body-on-frame) para um crossover monobloco baseado na mesma plataforma D3/D4 que o Taurus X ajudou a consolidar. Em muitos aspectos, o Explorer de quinta geração (lançado em 2011) foi o herdeiro direto da filosofia do Taurus X: um veículo familiar de três fileiras, focado em segurança, com tração integral e dinâmica de condução superior à dos SUVs antigos.
Para situar o Taurus X em seu contexto histórico, é útil observar como ele se comparava aos seus principais rivais em 2008, um ano em que a competição por famílias que buscavam espaço era feroz.
| Veículo | Potência (hp) | Transmissão | Capacidade de Passageiros | Fator Diferencial |
|---|---|---|---|---|
| Ford Taurus X | 263 | 6-speed Auto | 6 ou 7 | Segurança IIHS e SYNC |
| Toyota Highlander | 270 | 5-speed Auto | 7 | Reputação de revenda |
| Honda Pilot | 244 | 5-speed Auto | 8 | Espaço na 3ª fileira |
| Subaru Tribeca | 256 | 5-speed Auto | 7 | Tração integral de série |
O Taurus X destacava-se pela sua transmissão de seis velocidades (quando a maioria dos rivais usava cinco) e pelo seu sistema de infoentretenimento SYNC, que era superior a qualquer oferta da concorrência japonesa na época. Contudo, sua estética mais próxima a de uma perua alta dificultou sua aceitação por consumidores que desejavam o visual mais "aventureiro" e robusto de um SUV tradicional.
O Ford Taurus X foi um veículo de transição, um "pilar" entre a era das peruas tradicionais e a dominação absoluta dos SUVs e crossovers modernos. Sua história é um testemunho da capacidade de adaptação da Ford sob a liderança de Alan Mulally, corrigindo falhas mecânicas do Freestyle e elevando os padrões de segurança da indústria.
Embora sua produção tenha durado apenas dois anos, o Taurus X deixou um legado de engenharia que sobreviveu por muito mais tempo na plataforma D3, servindo de base para o Ford Explorer, o Ford Flex e até o Lincoln MKS. Ele provou que era possível construir um veículo de sete lugares que se comportasse como um sedã na estrada, oferecendo proteção de elite para as famílias americanas. Hoje, o Taurus X é lembrado por entusiastas e proprietários como um exemplo de funcionalidade prática e robustez mecânica, um veículo que cumpriu sua missão de ser a ferramenta definitiva para o transporte familiar em uma época de grandes incertezas na indústria automotiva global.