1ª Geração
(2019 - 2023)
Ficha técnica, versões e história do Ford Territory.
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(2019 - 2023)
(2023 - 2025)
(2026-)
O Ford Territory representa um ponto de inflexão na estratégia industrial da Ford Motor Company, simbolizando a transição de uma marca focada em plataformas globais unificadas para uma abordagem de colaboração regional ágil. Diferente do modelo homônimo produzido na Austrália entre 2004 e 2016, que se baseava na arquitetura do Ford Falcon , o Ford Territory de origem chinesa nasceu de uma necessidade premente de competitividade no maior mercado automotivo do mundo. Este relatório detalha a trajetória técnica, comercial e histórica deste SUV médio, analisando sua concepção, as transformações entre gerações e seu papel na sustentação da marca Ford em mercados emergentes.
A história do Ford Territory chinês está intrinsecamente ligada à joint venture entre a Ford e a Jiangling Motors Corporation (JMC). No final da década de 2010, a Ford enfrentava uma queda acentuada em suas vendas na China e carecia de um SUV médio que fosse financeiramente acessível para as famílias de classe média das cidades de segunda e terceira linha. O desenvolvimento de uma plataforma inteiramente nova a partir da matriz americana ou europeia teria um custo proibitivo e um tempo de maturação incompatível com a urgência do mercado.
A solução encontrada foi o "rebadging" e o refinamento técnico de um produto existente da JMC: o Yusheng S330. O Yusheng S330 era um SUV compacto lançado em 2016, que já possuía uma estrutura sólida, mas que carecia do refinamento estético e dinâmico esperado de um produto com o selo do oval azul. O projeto original do S330 tinha raízes no Landwind X7, um veículo que se tornou mundialmente conhecido por sua semelhança visual com o Range Rover Evoque. A Ford, detentora de 32% de participação na JMC, interveio no projeto para aplicar seus padrões globais de qualidade, segurança e design.
Essa estratégia, embora criticada por puristas da marca como uma medida desesperada , permitiu que a Ford preenchesse rapidamente a lacuna entre o EcoSport e o Edge. A engenharia da Ford trabalhou exaustivamente na calibração da suspensão, no isolamento acústico (NVH) e na reestilização completa da dianteira e do interior para garantir que o Territory não fosse apenas um JMC com outro emblema, mas um veículo que entregasse a experiência de condução da marca.
Lançado oficialmente no final de 2018 na China, o primeiro Ford Territory (codinome CX743) estabeleceu as bases para a expansão da marca na América Latina e no Sudeste Asiático. O veículo foi posicionado como um SUV focado em tecnologia e espaço interno, oferecendo dimensões que o colocavam no topo da sua categoria de preço.
A primeira geração utilizava uma estrutura de monobloco com suspensão independente nas quatro rodas, sendo McPherson na dianteira e um sistema multi-link na traseira. Essa configuração era um diferencial importante, visto que muitos concorrentes chineses de baixo custo ainda utilizavam eixo de torção na traseira.
| Atributo | Especificação da 1ª Geração (CX743) |
|---|---|
| Comprimento | 4.580 mm |
| Largura | 1.936 mm |
| Altura | 1.674 mm |
| Distância entre eixos | 2.716 mm |
| Capacidade do porta-malas | 420 a 1.120 litros |
| Peso em ordem de marcha | 1.520 kg a 1.635 kg |
O coração da primeira geração foi o motor 1.5 Turbo, desenvolvido pela JMC com suporte técnico da Ford e da consultoria austríaca AVL. Este motor utilizava o ciclo Miller, uma variação do ciclo Otto que prioriza a eficiência de combustível e a redução de emissões, embora apresente uma entrega de potência mais linear e menos explosiva.
Abaixo, detalham-se as opções de motorização disponíveis para esta fase do modelo:
Em 2019, a Ford lançou na China o Territory EV, seu primeiro veículo totalmente elétrico naquele mercado. Este modelo foi uma peça chave para que a marca cumprisse as metas rigorosas de emissões do governo chinês. O EV mantinha o mesmo chassi, mas substituía o motor a combustão por um motor síncrono de imãs permanentes no eixo dianteiro.
| Especificação Técnica | Ford Territory EV (China) |
|---|---|
| Potência do Motor | 120 kW (163 cv) |
| Torque Máximo | 280 Nm |
| Capacidade da Bateria | 49,14 kWh ou 60,4 kWh (versões posteriores) |
| Autonomia (NEDC) | 360 km a 435 km |
| Tempo de Carga (Rápida 30-80%) | ~32 minutos |
| Velocidade Máxima | 150 km/h |
Visualmente, o Territory EV se diferenciava pela grade frontal fechada com padrão hexagonal exclusivo e luzes de condução diurna em formato de "C" mais pronunciado. No interior, o seletor de marchas era substituído por um botão rotativo e o painel ganhava gráficos específicos para monitoramento de energia.
A segunda geração do Ford Territory marcou uma mudança fundamental na filosofia do produto. Se o primeiro modelo foi uma adaptação rápida de um projeto JMC, a segunda geração foi concebida desde o início como um produto global da Ford, embora ainda fabricado pela joint venture JMC-Ford em Nanchang.
Na China, este veículo é vendido sob o nome Ford Equator Sport (ou Lǐngruì), sendo uma versão de duas fileiras de assentos baseada na plataforma do Ford Equator maior. O desenvolvimento foi liderado pelas equipes de design e engenharia da Ford Austrália, garantindo que o veículo estivesse alinhado com a nova linguagem visual global da marca, vista em modelos como o Ford Explorer e o Mustang Mach-E.
O novo modelo cresceu em quase todas as dimensões, oferecendo um dos maiores espaços para as pernas no banco traseiro em sua categoria, o que se tornou seu principal argumento de vendas no Brasil e no Oriente Médio.
| Dimensão | Ford Territory / Equator Sport | Comparação com 1ª Geração |
|---|---|---|
| Comprimento | 4.630 mm | +50 mm |
| Largura | 1.935 mm | Semelhante |
| Altura | 1.706 mm | +32 mm |
| Entre-eixos | 2.726 mm | +10 mm |
| Porta-malas | 448 a 1.422 litros | Aumento significativo |
Uma das mudanças mais celebradas na segunda geração foi a substituição da transmissão CVT por uma caixa automática de dupla embreagem (DCT) de 7 velocidades, com embreagens banhadas a óleo. Esta transmissão, produzida pela Magna, proporcionou uma condução muito mais dinâmica e eficiente, eliminando o efeito elástico do modelo anterior.
O motor também foi atualizado para uma nova família de unidades turboalimentadas da JMC-Ford:
Este motor 1.8T, embora compartilhe o nome EcoBoost, não tem relação direta com os motores americanos da linha Focus ou Fusion, sendo uma unidade da família JX4 desenvolvida especificamente para a operação chinesa, mas validada sob os rigores globais da Ford.
Em meados de 2024 e com expansão global prevista para 2025 e 2026, a Ford apresentou uma atualização de meia-vida para a segunda geração. O objetivo deste facelift foi alinhar o SUV com as tendências de design mais recentes e introduzir tecnologias de hibridização plug-in (PHEV) para competir com a nova onda de SUVs eletrificados chineses.
A mudança visual mais impactante ocorre na seção frontal. A grade, que antes tinha um formato mais tradicional, agora se integra de forma contínua ao para-choque, adotando um padrão de escamas pretas com detalhes cromados, lembrando o design do novo Toyota Corolla Cross. Os faróis principais foram reposicionados e ganharam um formato em "L" invertido, utilizando tecnologia Full-LED adaptativa em algumas versões.
No interior, a Ford aprimorou os materiais de acabamento, introduzindo superfícies de toque macio em mais áreas do painel e das portas. O sistema tecnológico também recebeu um upgrade:
A introdução da versão PHEV é o marco mais importante desta fase. Este sistema combina a eficiência do motor 1.5 Turbo com a força de um motor elétrico alimentado por baterias de alta capacidade.
| Componente do Sistema PHEV | Especificação |
|---|---|
| Motor a Combustão | 1.5 Turbo (Ciclo Miller) de 150 cv |
| Motor Elétrico | 60 kW (82 cv) |
| Potência Combinada | 218 cv |
| Torque Combinado | > 30,6 kgfm (300 Nm) |
| Autonomia Elétrica Pura | 50 km a 70 km |
| Consumo Médio Estimado | Até 40 km/l (2,5 L/100 km) |
A transmissão para esta versão híbrida é uma unidade dedicada de 2 velocidades (DHT), otimizada para gerenciar a entrega de torque combinada de forma suave.
O Ford Territory tem sido um dos veículos responsáveis por democratizar o pacote de segurança ativa Co-Pilot360 em mercados emergentes. Ao longo das gerações, os sensores e algoritmos evoluíram para oferecer uma condução mais segura e menos estressante.
Os principais recursos integrados nas versões topo de linha (Titanium e Titanium X) incluem:
Na versão 2025/2026, o sistema foi atualizado para incluir o Traffic Jam Assistant, que combina o ACC e a manutenção de faixa para conduzir o veículo de forma quase autônoma em congestionamentos de baixa velocidade.
O Ford Territory é um fenômeno de exportação. Embora a China tenha sido o mercado lançador, a saturação de marcas locais de EVs fez com que o volume de vendas interno caísse de quase 48.000 unidades em 2019 para cerca de 1.600 em 2023. No entanto, a Ford redirecionou o excesso de capacidade de produção para exportação, onde o SUV encontrou enorme sucesso.
A fabricação do Territory está descentralizada para atender à demanda global, utilizando o modelo de kits SKD (Semi-Knocked Down) em alguns países.
| País de Produção | Planta de Montagem | Mercados Atendidos |
|---|---|---|
| China | Nanchang (JMC-Ford) | China, Américas, Oriente Médio |
| Vietnã | Hai Duong (Ford Vietnam) | Sudeste Asiático |
| Taiwan | Zhongli (Ford Lio Ho) | Mercado Local (Taiwan) |
No Brasil, o Ford Territory teve um início tímido em 2020 devido à desvalorização do Real e à desconfiança inicial sobre a origem chinesa. Contudo, o lançamento da segunda geração em 2023 mudou drasticamente este cenário. Em agosto de 2025, o SUV atingiu o recorde de 1.228 emplacamentos mensais, um crescimento de 35% em relação ao ano anterior.
| Ano | Vendas no Brasil (Unidades) | Status do Modelo |
|---|---|---|
| 2020 | 1.512 | Lançamento (1ª Geração) |
| 2021 | 2.232 | Consolidação |
| 2022 | 976 | Transição de Geração |
| 2023 | 1.324 | Chegada da 2ª Geração |
| 2024 | 5.630 | Expansão de Mercado |
| 2025 (Jan-Nov) | 7.700+ | Líder em crescimento (55%) |
Atualmente, o Territory é o segundo veículo mais importante da Ford no Brasil, ficando atrás apenas da Ranger e superando o Bronco Sport em volume de vendas. No mercado da Argentina, o desempenho é ainda mais impressionante, com o Territory ocupando a 4ª posição no ranking geral de vendas em fevereiro de 2026, com um crescimento de 222,9% em relação ao ano anterior.
A evolução do Territory reflete a mudança no gosto do consumidor global. A primeira geração tinha um design mais conservador, com muitos elementos cromados e um painel que misturava botões físicos com uma tela central encastrada. O acabamento usava muitos plásticos rígidos, algo comum nos SUVs chineses de 2018.
Com a segunda geração e o subsequente facelift, a Ford elevou o nível de sofisticação:
O Ford Territory (Chinês) é mais do que um SUV; é um símbolo de sobrevivência e adaptação. Ele provou que a Ford pode competir no segmento de volume em mercados emergentes ao combinar a eficiência produtiva chinesa com o rigor de engenharia ocidental.
A trajetória das gerações mostra um amadurecimento claro:
Com a expansão contínua para novos mercados como a África do Sul e o Oriente Médio, o Territory se tornou o "SUV Global" da Ford para os países onde o custo de produção dos modelos europeus ou americanos seria proibitivo, garantindo a lucratividade e a presença da marca em regiões geográficas vitais para a estratégia de longo prazo da companhia.