O coração da McLaren 620R é uma evolução direta da unidade de potência utilizada no
programa de automobilismo, mas com alterações críticas que alteram fundamentalmente sua
curva de entrega de potência.
O Motor M838TE: Libertação das Restrições GT4
O veículo é impulsionado pelo motor M838TE, um V8 de 3,8 litros com turbocompressores
duplos.3 Embora este bloco seja compartilhado com a 570S GT4, sua aplicação na 620R é
drasticamente diferente. Em competições GT4, a potência é frequentemente limitada
eletrônica e mecanicamente para garantir a paridade entre diferentes fabricantes,
geralmente situando-se na faixa de 400 a 500 cavalos de potência.
Livre dessas amarras burocráticas, a equipe de engenharia da McLaren reconfigurou a
Unidade de Controle do Motor (ECU) e o gerenciamento dos turbocompressores para atingir
o pico de eficiência do hardware. O resultado é uma potência máxima de 620 PS (610 bhp
ou 611 cv) atingida a 7.500 rpm, acompanhada por um torque de 620 Nm (457 lb-ft)
disponível a 3.500 rpm.2 Estes números tornam a 620R o modelo mais potente de toda a
linhagem Sports Series, superando a 600LT e a 570S.6
Transmissão e Tecnologia "Inertia Push"
A transmissão da potência para as rodas traseiras é gerenciada por uma caixa de câmbio
SSG (Seamless Shift Gearbox) de 7 velocidades.2 Diferente de uma transmissão automática
convencional focada no conforto, esta unidade de dupla embreagem foi calibrada para
priorizar a velocidade de troca e a integridade mecânica sob alta carga térmica.
Um componente crucial desta transmissão é a incorporação da tecnologia "Inertia Push" da
McLaren. Originalmente desenvolvida para projetos de alta performance, essa tecnologia
aproveita a energia cinética acumulada no volante do motor e nos componentes rotativos
da transmissão. Durante uma troca de marcha ascendente (upshift) sob aceleração plena, o
sistema converte essa energia cinética em um pulso de torque momentâneo conforme a
próxima marcha é engatada.2 Isso elimina a queda de torque que normalmente ocorre
durante a interrupção da potência, resultando em uma aceleração linear e contínua, uma
característica vital para maximizar a velocidade em saídas de curva.
Além disso, para aumentar a conexão mecânica e a resposta do chassi, o trem de força da
620R utiliza coxins (suportes) de motor e transmissão significativamente mais rígidos do
que os modelos de estrada padrão.2 Isso reduz a inércia do trem de força sob altas
cargas laterais e longitudinais, impedindo que a massa do motor "balance" e perturbe o
equilíbrio do carro durante transições rápidas de direção. O efeito colateral,
intencional e aceito, é um aumento na transferência de ruído, vibração e aspereza (NVH)
para a cabine, reforçando a experiência sensorial de um carro de corrida.2
Dados de Desempenho Longitudinal
A combinação de alta potência, baixo peso e tração otimizada resulta em números de
aceleração que rivalizam com a categoria "Super Series" da marca (como o 720S).
É notável que a velocidade máxima de 322 km/h é inferior à de alguns outros supercarros
menos potentes. Isso é uma consequência direta do pacote aerodinâmico agressivo, que
prioriza a força descendente (downforce) em detrimento da eficiência de arrasto, uma
troca consciente feita para priorizar o desempenho em circuito.12